Nevoeiro

Pedro Passos Coelho (PPC) anda em pulgas para regressar ao topo da actividade política, disso não há dúvidas. Como as não há que, no PSD, e em Belém, esse é um regresso ansiado. Sebastiânico!
Para que estas vontades - a de PPC, as do Partido, e as de Marcelo - frutifiquem, o problema chama-se Luís Montenegro (LM). Ou, mais precisamente, a relação pessoal entre PPC e LM. As circunstâncias acabaram por impedir que essas vontades se possam cruzar sem que sejam rompidos laços de lealdade, sem traição. E a traição, em política como na vida, tem custos!
Terá sido isso que impediu PPC de aproveitar a oportunidade de suceder a Rui Rio. Para ele, teria sido essa a oportunidade. Mas LM já estava há muito na corrida, tinha, de há muito, terreno marcado. Aproveitar essa oportunidade teria sido atravessar-se-lhe à frente. Admito que, então, mais por princípios e valores que por receio de custos de traição, PPC não tenha querido/podido aproveitar essa oportunidade.
O regresso de PPC pela tomada do Partido, e a parti daí à eventual chefia do governo - aquela que seria, afinal, a sua verdadeira aspiração, não está, portanto fácil. A não ser que LM perca claramente as europeias do próximo ano. Ganhar por "poucochinho" deixaria tudo na mesma, porque PPC não é António Costa.
Daí que sobrem duas vias para o regresso: Parlamento Europeu, no próximo ano; ou Belém, dois anos depois.
Diz-se que Belém não lhe interessa. Que não é aquilo que o faz vibrar. Gosta de mandar. De Belém manda-se pouco, e intriga-se muito, o que não faz muito o seu género. Acrescentaria eu que Belém é muito difícil - não tem suficiente química com país para entrar em mais de 50% eleitorado. A não ser com a estratégia que Marcelo já colocou em marcha, ao lançar esta semana que Ana Gomes, “pode vir a ser Presidente da República”. Que nunca terá o apoio do PS, eleitorado que dividiria na primeira volta com Artur Santos Silva. Pelas suas contas, que por aí não estarão erradas, com Ana Gomes pelo caminho, PPC ganharia facilmente ao actual Presidente da AR.
Encabeçar a lista para o Parlamento Europeu também não é o regresso que ambiciona. É apenas um regresso cómodo ... e bem remunerado. A vitória eleitoral é previsível, e será mais uma para o currículo. Conveniente para LM sem que, no entanto, a possa reclamar pessoalmente. Será sempre mais uma vitória de PPC que dele próprio. E alimentará o nevoeiro ...
Que alimenta mais o "passismo" que o próprio Passos!