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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

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O 10 de Junho*

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Foto: LUSA

Esta é a semana do 10 de Junho. Porque começou justamente a 10 de Junho, e com o 10 de Junho, mas acima de tudo porque nunca mais se conseguiu livrar dele.

E tudo por culpa de um cidadão português chamado João Miguel Tavares, que escreve nos jornais e comenta na televisão. E que soube aproveitar bem o palco que lhe ofereceram – foi oferecido, João Miguel, foi oferecido… - para se tornar na figura central deste dia da Pátria, dito de Portugal, Camões e das Comunidades. De tal forma que ninguém sabe quem foi condecorado – se é que ainda há alguém que falte condecorar, ou se, no fim disto tudo, ainda sobra desfaçatez para condecorar alguém – nem ninguém sabe o que disse o Presidente da República no mais aguardado e solene discurso do calendário nacional. E os que sabem, só sabem que apenas lhe quis temperar os destemperos. Mesmo que "encomendados". Que não se ficaram por Portalegre, ali a cem metros da casa onde nascera, mas seguiram Atlântico fora, para prosseguirem na remota cidade do Mindelo, na ilha de S. Vicente, em Cabo Verde.

Não há dúvida, neste 10 de Junho, sem heróis para celebrar nem pantomineiros para condecorar, um novo herói nacional nasceu. Parece que foi para isso que foi convidado, e foi certamente para isso que aceitou o convite: "Se fui o Éder deste 10 de Junho, o Presidente Marcelo foi o meu Fernando Santos"... 

E por isso, mesmo sem grandes preocupações de fidelidade aos factos ou de solidez de conceitos, o seu discurso atingiu o objectivo.

Vejamos: não é de agora, desta década, que “eles” não nos dão nada em que acreditar. Há muitas décadas que “eles” não nos dão nada em que acreditar. Nem nos anos 80 estivemos assim tão entusiasmados com o desígnio da adesão à Europa, ou em vencer a batalha do euro na década seguinte. Estávamos, “nos oitentas”, mais preocupados com o FMI e com a fome em Setúbal, do que com a adesão à CEE, que era coisa “deles”. Como depois, “nos noventas”, andámos mais preocupados em estourar o dinheiro que a Europa despejava no país do que propriamente em apanhar a primeira carruagem do euro.

Mas… os factos só interessam na medida em que permitam construir uma boa história, e os conceitos só servem desde que não a atrapalhem. Que nem precisa de ser nova, e pode até já ter sido contada na mesmíssima ocasião, e por mais que uma vez … E a verdade é que o João Miguel Tavares contou inegavelmente uma boa história. E, até para mitigar a falta de originalidade, deu-lhe a melhor forma de ser ouvida…

* Da minha crónica de hoje na Cister FM

 

 

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