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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

O algodão não engana

Era grande a expectativa para este jogo de abertura do campeonato 2022/23, na Luz. Pelo que o Benfica tinha feito até aqui, nos jogos de preparação e no jogo da primeira mão da pré-eliminatória da Champions, há três dias. Mas, acima de tudo, pelas vozes agoirentas de boa parte da comunicação social, que iam levantando dúvidas sobre a eficácia do novo futebol da equipa no competitivo campeonato nacional (veja-se bem do que são capazes!), perante a tremenda sagacidade dos treinadores nacionais, com blocos defensivos muito baixos e extraordinária competência para explorar as costas da defesa de uma equipa subida, e com jogadores de alta qualidade - em tudo melhores que os que estão a disputar o apuramento para a Champions (veja-se novamente bem do que são capazes!) - dotados para saírem da pressão alta daquele futebol e espalharem o pânico nos defesas do Benfica. E de arrasarem com o Grimaldo.

Pois bem, se este jogo era o teste do algodão à qualidade do futebol que Roger Schemidt está a implementar no Benfica, o resultado não deixa dúvidas. Este futebol tem muita qualidade, é altamente competitivo, e tem tudo para dar certo.

Quer isto dizer que o Benfica fez uma enorme exibição, do melhor que se tem visto até aqui?

Não!

Mas isso não significa que esse futebol não tenha estado lá. Esteve, em todas as suas vertentes: pressão, velocidade, posse e recuperação de bola, ocupação de espaços, variabilidade de soluções e asfixia do adversário. O que faltou para atingir a dimensão da exibição da passada terça-feira não foi o futebol. Foi a inspiração de alguns jogadores, em especial David Neres, mas também de Gonçalo Ramos. 

A inspiração individual dos jogadores faz sempre a diferença. Se não fosse assim o futebol perdia muito do seu encanto. Hoje bastou que ela não estivesse a um nível muito alto, em particular naqueles dois, para fazer a diferença.

Acresce, a este nível, o que me parece já ser uma birra de Roger Schemidt. Todos os treinadores as têm, e a do novo treinador do Benfica chama-se Chiquinho. Em boa verdade chama-se Ricardo Horta, ele é que a disfarça de Chiquinho.

Com a lesão de João Mário, lançou o Chiquinho. Tinha outras opções, a mais óbvia seria o miúdo Diogo Moreira. Se se entende que a opção por João Mário resulte da esperança em Ricardo Horta, já só se entende a opção por Chiquinho para avivar essa esperança. 

E a verdade é que a entrada de Chiquinho acrescentou desinspiração à menor inspiração de alguns jogadores.

O novo futebol do Benfica esteve lá, só não teve em boa parte da partida o brilhantismo que é selado pela inspiração individual dos jogadores. E foi, mesmo assim, suficiente para construir uma vitória clara e expressiva, com 22 remates, perto de 70% de posse de bola e quatro golos. E para empolgar as bancadas e criar um ambiente espectacular na Luz!

O jogo começou como era previsível, com o Arouca bem organizado, em bloco baixo, como eles dizem. Nada que impedisse o primeiro golo, ainda bem cedo, logo aos 8 minutos, numa bela jogada de futebol do lado esquerdo, concluída com um excelente cruzamento de Grimaldo, que o Gilberto transformou em golo, num cabeceamento à ponta de lança. 

O Arouca não sentiu o golo. O que quer dizer que não alterou a sua postura competitiva, recuado e até a queimar tempo, deixando perceber que, perdida a possibilidade de prolongar o 0-0, defender o 0-1 também não era repugnante. 

Com esta postura, e com a tal falta de inspiração - Neres passou até a abdicar do um contra um - o segundo golo acabou por surgir a 3 minutos dos 45, mas na realidade a 9 do intervalo. Marcou-o - facilmente - o Rafa que, depois de ter construído toda a jogada, viu a bola cabeceada por Gonçalo Ramos ser-lhe devolvida pela barra da baliza, direitinha à sua cabeça.

Pouco depois de novo Rafa. Então a ser mais uma vez travado em falta, quando se isolava perante a baliza adversária. O árbitro, Manuel Mota, assinalou o livre e mostrou o cartão amarelo ao defesa Quaresma. Surgiu então uma novidade, a que a Luz não está de todo habituada: o VAR chamou Manuel Mota a confirmar pelas imagens que se tratava de uma clara jogada de golo. E portanto para vermelho.

Do livre nada resultou mas, logo a seguir, Enzo Ferandez - nesse não se nota tanto a falta de inspiração, faz tudo tão bem e de forma tão simples que fica pouco dependente dessas coisas voláteis, que vão e vêm -, ao quinto remate, marcou mais um bom golo.

A perder por 3-0, e com a segunda parte para jogar com 10, o Arouca remeteu-se ainda mais à defesa. É a forma de não se notar a inferioridade numérica. O jogo tornou-se ainda mais de sentido único, o Benfica limitou-se a circular a bola, e o jogo não teve grande interesse competitivo. 

Poderia ter acabado com mais dois ou três golos, mas acabou com apenas mais um. De Rafa, de novo. Já a oito minutos do fim, quando em campo já estava o plano B, o 4x4x2 com Yaremchuck, que assistiu, e Henrique Araújo, que criou o espaço para a finalização de Rafa.

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