O cheiro que enche o balão
O PSD, dividido ao meio nas eleições internas de há duas semanas, depois de quatro anos com cada um para seu lado, surgiu agora em Congresso unido como nunca. Já ninguém apoia ninguém que não seja Rui Rio.
É o que faz o cheiro a poder. Um cheiro que entrou intenso em Santa Maria da Feira, trazido pela aragem das sondagens. Essas mesmas, as - há tão pouco tempo - malditas sondagens. E não qualquer outra coisa.
Não uma mensagem forte, e muito menos propostas empolgantes. Nem outras, na verdade não surgiu uma única proposta para apresentar aos eleitores. Mas é assim a nossa democracia. Não precisamos de propostas, até porque não estamos habituados a que sejam levadas muito a sério. Basta-nos que o poder apodreça nas mãos de quem o tem, e que comece a espalhar mau cheiro. Que cheira ao mais requintado perfume a quem só está à espera que esse cheiro se aproxime.
Tem sido sempre assim. E assim vai continuar a ser a nossa alternância democrática.
Quando o poder apodrece basta agarrá-lo, e o balão enche mesmo com qualquer coisa que não tenha sentido, como Costa ter de dizer se viabiliza um governo do PSD se não ganhar as eleições, quando já disse que se vai embora se não as ganhar.
E no entanto é esta a ideia mais forte que do Congresso saiu para fazer vida na campanha!