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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

O irritante*

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Esta semana não se falou de outra coisa. As revelações do Luanda Leaks, Isabel dos Santos e as suas empresas, os seus investimentos e os seus amigos em Portugal, dominaram completamente a agenda mediática.

E no entanto ninguém abriu a boa de espanto quando, mesmo no fim do fim-de-semana, se começou a ouvir falar do que saltava do Luanda Leaks.

Que a filha de José Eduardo dos Santos utilizou o poder do pai, velho de 40 anos, para canalizar dinheiro do Estado Angolano para os seus próprios negócios era um dado mais do que adquirido. E conhecido de toda a gente. Desde os que a acompanhavam aos que lhe foram estendendo as passadeiras.

Mas em Portugal nunca ninguém deu importância a isso. Importante foi sempre o dinheiro que Isabel dos Santos trazia. De onde vinha e com aqui chegara não interessava a ninguém. Nem aos parceiros de negócios, nem aos reguladores, nem ao poder político, nem à Justiça.

Não se pode dizer que, de repente, na segunda-feira, tudo mudou. É verdade que vimos de imediato muita da nossa melhor gente a saltar fora, como ratos a abandonar o navio. Mas já tudo vinha mudando desde que o poder mudou de mãos em Angola, e se percebeu que Isabel dos Santos ficara do lado de fora.

Porque é sempre disso que se trata. Da posição relativa face ao poder em Angola. Em Portugal, governos, elites e instituições serviram reverencialmente José Eduardo dos Santos, o seu regime e a sua gente, exactamente como agora fazem com o poder instalado em Luanda.

Tudo que não seja assim, é “irritante”. Como lhe chamou o próprio primeiro-ministro quando, há ano e meio, ou por aí, resumiu a isso a insistência da Justiça portuguesa em julgar Manuel Vicente, em contramão com o poder de Luanda, que o mantinha no lado de dentro.

Não deixa de ser curioso que tenha acabado de aterrar em Lisboa Hélder Pitta Grós, o general que é Procurador-Geral da República de Angola, justamente o rosto do finca-pé do “irritante”. Vem agora pedir a colaboração das autoridades portuguesas na investigação a Isabel dos Santos.

Irritante, irritante mesmo, será se não aproveitarem para lhe perguntar como é que vai por lá o tão requisitado processo de Manuel Vicente…

 

* A minha crónica de hoje na Cister FM

 

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