O jogo possível
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Em noite de chuva a Luz não encheu, como tem sido costume. Ainda assim, 52 mil vibraram nas bancadas com o futebol que o Benfica exibiu na primeira metade da primeira parte. E disfarçaram a ansiedade no resto do tempo.
O segundo golo do Benfica, precisamente a meio da primeira parte, marcou a viragem do jogo. Com algumas novidades no onze inicial - Dahl no lado direito da defesa, Renato Sanches no lugar de Florentino (na bancada, a fugir ao quinto amarelo) e Di Maria, de regresso, na sua posição habitual na ala direita, a relegar Bruma para o banco - a equipa entrou muito bem no jogo. Com confiança, com muita mobilidade, e com a qualidade dos últimos jogos, a jogar a um ou dois toques, e a criar duas ou três boas situações de golo logo nos primeiros cinco minutos, e a acabar por marcar bem cedo, aos 7 minutos.
Um bonito golo, a fechar uma grande jogada de transição ofensiva, com a bola a passar, sempre ao primeiro toque, de Kokçü para Di María, deste para Aursenes e para o golo de Aktürkoğlu.
O segundo golo surge na sequência de um canto a favor do Farense, que por essa altura já não se limitava exclusivamente a defender, com Trubin a lançar Aktürkoğlu, que depois de fugir pela esquerda centrou para a entrada da área, onde Pavlidis, no meio de três adversários, recebeu, rodou e rematou para golo.
A partir daqui o jogo mudou. O Farense foi crescendo, entrou na discussão do jogo e, à beira do intervalo, com o golo, na discussão do resultado. O próprio golo, a forma como foi obtido - na cobrança de um canto, com o central Cláudio Falcão a ganhar a primeira bola, e a levá-la à barra, e Tomás Ribeiro, companheiro de defesa, a voltar a ganhá-la para a enviar para a baliza de Trubin - demonstrava a diferença de agressividade a que, há muito, estávamos a assistir.
O Benfica voltara a adormecer, como vinha sendo corrente há uns dois meses atrás.
Ao intervalo Bruno Lage retirou Renato Sanches, fazendo entrar Barreiro. Não sei se o Renato tinha algum problema físico, mas sei que este jogo mostrou que não há racionalidade possível na opção de compra do seu passe. Lamento. Lamentamos todos, creio. Mas é a realidade.
Provavelmente ao intervalo Bruno Lage espevitou os jogadores, e o Benfica entrou para a segunda parte a dar uma clara resposta ao golo sofrido. Voltou a jogar bem, a mandar no jogo e a criar condições para marcar.
E marcou, ainda não tinham passado 10 minutos, em mais uma espectacular jogada de futebol, com Aursenes a lançar Pavlidis que, depois de uma soberba recepção dentro da área, colocou a bola com enorme categoria para o bis de Aktürkoğlu.
Três golos muito bonitos, em jogadas espectaculares. Só que todas, e exclusivamente, a partir de transições rápidas. Em ataque continuado, nada.
Reposta a diferença de dois golos no marcador, o Benfica voltou a adormecer. Em menos de 10 minutos o Farense voltou a marcar. Um bonito golo, também numa bonita jogada de futebol. Mas que não é dissociável do relaxamento dos jogadores. De desleixo, mesmo.
Faltava meia hora para o fim, e não foi fácil.
É certo que a arbitragem também contribuiu para o enervamento. Hélder Carvalho é um velho conhecido, um especialista em provocação. E a senhora do VAR, a Catarina que está na moda, também é já conhecida das arbitragens na Liga Feminina. E não sinalizou o penálti sobre o António Silva, aos 70 minutos, porque não quis.
Provavelmente seria difícil que este jogo fosse diferente do que foi. Dificilmente o jogo do Dragão, no próximo domingo, deixaria de pesar neste. Mas fica sempre alguma frustração quando o penúltimo classificado, e praticamente condenado à despromoção, com apenas um terço da posse de bola, remata praticamente tanto como o Benfica. E cria até mais oportunidades de golo.