O novo sultão
Erdogan ganhou o referendo na Turquia. À tangente, e perdendo nas maiores cidades, mas ganhou. Mais que ter ganho, importa que Erdogan declarou ter ganho, e isso faz toda a diferença. Tanta que a recontagem exigida pela oposição, que garante terem sido introduzidos largos milhares de boletins de voto irregulares, cai na irrelevância a que já ficou condenada.
Erdogan vai passar agora, depois de 14 anos no poder, a dispor de poderes absolutos. A função de primeiro-ministro será extinta, e passará ele a nomear ministros, a aprovar o orçamento, a declarar o estado de emergência, a demitir o Parlamento e a dominar as nomeações para o sistema judicial, no culminar do projecto de sultanato há muito em construção, e acelerado pelo encenado golpe de Estado do passado mês de Julho.