O orçamento que dá lucro
Aí está o Orçamento, a chegar a Assembleia da República. Este ano mais tarde que o costume, por razões conhecidas mas não exactamente óbvias. E não sei se, por isso, com menor espectacularidade.
E no entanto este é o mais espectacular de todos os orçamentos que pisaram a passadeira vermelha de S. Bento, apresentasse-se ele na simplicidade de um pen, na descrição de uma disquete, ou na elegância barroca de umas resmas de papel. Este é o orçamento que não tem a última linha a vermelho. Dá lucro!
Há muito tempo que não havia um orçamento assim. Em democracia nunca tinha acontecido, a ordem tem sido sempre para o Estado gastar mais do que recebe. A última vez que tinha acontecido, já lá vão quase 50 anos, era ministro das finanças João Dias Rosas e primeiro-ministro, então chamado presidente do conselho, Marcelo Caetano.
Não é muito, mas diz-se que é de 0,2%. O famigerado e ultimamente mal afamado déficit foi-se embora e, em vez dele, está aí agora o superavit. Poderia ser maior, mas ... há os bancos. Há o insaciável Novo Banco, e há crédito fiscal para os outros todos, com contas as ajustar nos tais activos por impostos diferidos, de que já aqui se falou por algumas vezes.
Mas é o que é. E no fim é bem possível que seja ainda um bocadinho maior... No fim de contas as cativações do Centeno ajudam sempre as ... contas. O resto é que nem tanto!