A paz de Infantino

Que a FIFA é uma organização de duvidosa seriedade, historicamente suspeita dos interesses mais obscuros, ninguém tem muitas dúvidas. Que Infantino corresponde ao padrão de dirigentes que dela tomaram conta nos últimos 50 anos, também não.
O suíço, e ao mesmo tempo italiano, Giovanni Infantino, no topo da hierarquia do futebol mundial desde o início de 2016, é farinha do mesmo saco do brasileiro João Havelange (presidente ente 1974 e 1998), e do também suíço Joseff Blatter, que lhe sucedeu em 1998, até ser banido em 2015. É a mesma farinha de Platini - também banido com Blatter, com quem tinha preparada a sucessão - de quem foi discípulo na UEFA, e a quem não teve pejo em virar as costas na hora de lhe pegar na candidatura.
Por isso ninguém foi muito surpreendido com a "venda" dos campeonatos do mundo de futebol à Rússia, de Putin, e aos petro-dolares da Península Arábica. Nem com a propaganda que serviu Putin, nem com o fechar de olhos à exploração esclavagista na construção dos estádios e demais infra-estruturas no Catar.
O que ninguém imaginava possível era que a FIFA criasse um "prémio da paz” para entregar a Donald Trump. Não porque este seja um acto de maior corrupção que todos os outros que se lhe conhecem. Não é. Comprar Trump desta forma não é muito diferente do que os seus outros parceiros fizeram com estátuas douradas, aviões de milhares de milhões, ou com investimentos nos muitos negócios da família. Só que neste prémio de Infantino não há apenas bajulação, suborno e corrupção. Há também política!
E todos sabemos que a FIFA não permite qualquer espécie de manifestação política no futebol!