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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

O retrato do campeonato

O último jogo do Benfica no campeonato, nos Arcos, com o Rio Ave, foi o retrato da época. Era impossível acabar o campeonato de outra forma.

Foi o jogo de despedida de Ukra, a que o Benfica se associou, com mais três pontos para o campeonato do fair play desportivo, o único que consegue vencer repetidamente. Ao minuto 17 - do número na camisola - Ukra abandonou o campo, colocando o ponto final na carreira, por entre uma ala aberta pelos seus colegas e pelos jogadores do Benfica. 

A festa durou três ou quatro minutos, e quebrou o ritmo com que o Benfica tinha entrado no jogo, que lhe trouxera já duas excelentes oportunidades de golo. Durante cerca de 10 minutos o Benfica andou à procura de reentrar no jogo, de re-afinar a máquina. Depois retomou o fio à meada e prosseguiu.

Sem Trubin, Di Maria, Rafa e António Silva (Neres, Cabral e Leonardo já não tinham estado disponíveis no último jogo), substituídos - respectivamente - pelo nervoso Samu, pelo talentoso (tanto talento para potenciar!) Rolleiser, e pelo fiável Morato, o Benfica jogou como normalmente faz.

Tenho aqui repetido que o Benfica não sabe jogar mal. Foi assim durante praticamente todo o campeonato, com as excepções de Guimarães (aí com culpas nas condições climatéricas que tornaram o relvado impróprio para jogar futebol) e do Dragão. O problema não é, nem nunca foi, de qualidade de jogo. Foi de intensidade, nuns jogos. De velocidade, noutros. De estratégia, noutros ainda. E de eficácia em praticamente todos.

Depois de retomar o fio à meada, por volta da meia hora de jogo, o Benfica marcou. Por Kokçu, assistido por Tengstedt, que deve hoje ser o jogador com mais capacidade de irritar os adeptos. Dominou por completo o jogo e desperdiçou mais de uma dúzia de oportunidades claras de golo. Dessas, três ou quatro foram-se em enormes defesas de um guarda-redes de que nunca tinha ouvido falar: Miszta. A que se juntam mais três ou quatro em que foram os jogadores do Benfica (especialmente Tengstedt) a acertarem-lhe com a bola. Duas foram retiradas de dentro da baliza pelos defesas do Rio Ave. E todas as outras morreram em remates por alto ou ao lado.

Foi de tal forma que, mesmo a jogar bem e a dominar por completo o jogo - nenhuma das equipas do topo do campeonato dominou tanto nos Arcos -, a partir do meio da segunda parte a dúvida já não era quando é que o Benfica marcaria o segundo; era quando é que o Rio Ave marcava.

Porque essa era exactamente a história deste campeonato. E a sina de uma equipa que não consegue matar os jogos que domina.

O aviso chegou pouco depois da entrada no último quarto de hora. Na primeira vez que o Rio Ave conseguiu sair em contra-ataque marcou. Mas em fora de jogo, pelo que ficou apenas o aviso. Até que, no último minuto, o VAR descobre uma mão do Florentino na defesa de um pontapé de canto, que até acabou num remate de cabeça ao poste. 

Não importa agora que o penálti não tenha existido. O Florentino saltou com a mão "em posição não natural", como justificou o árbitro a sua decisão. É verdade que sim. Mas não tocou, nem poderia ter tocado na bola, pela simples razão que ela não sofreu qualquer desvio. Se as imagens não permitem garantir que tenha, ou não, tocado com a mão na bola, o simples facto de a bola ter saído direitinha da cabeça do jogador do Rio Ave para o poste, sem o mínimo desvio, prova o erro da decisão do árbitro e do VAR.

Para este Benfica a velha lei "do quem não marca sofre" é cruel. Mas justa. Porque a equipa não falha apenas  golos. Falha no controlo do jogo. O que só quer dizer que falha na mentalidade.

O Rio Ave fez uma festa. Quis o empate e foi mentalmente forte para o conseguir. E fechar o campeonato com o notável registo de 13 jogos consecutivos sem perder. Enquanto o Benfica o fecha, muito provavelmente, a 10 pontos da frente.

Só uma nota para as estreias demais dois miúdos - Gustavo Varela e Prestianni. E a prova de vida de Barnat, no último jogo. A entrada de Gustavo Varela ainda terá sido a pensar "na fezada" das substituições dos pontas de lança, que às vezes marcam na primeira vez que tocam na bola. As dos outros foram apenas para fazer número.

 

 

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