Presidenciais 2026 - Voto útil

A tendência, em eleições disputadas a duas voltas, é que, na primeira, os eleitores votem afirmativamente, em conformidade com o seu posicionamento político. Com as suas convicções, com os seus sentimentos. Depois, na segunda volta, votam pela negativa. Votam contra o que o seu posicionamento político rejeita. Para impedir a vitória de quem mais se opõe às suas convicções.
O voto útil é coisa de eleições a uma só volta. Substitui-se o "voto de coração" pelo voto na opção mais bem colocada nas sondagens - ou noutras percepções - para derrotar a que mais se opõe às suas convicções.
Em eleições a duas voltas não há voto útil. Na segunda volta ninguém está a substituir o voto, está a votar no que há disponível.
Não há qualquer dúvida que, com mais de meia dúzia de candidatos, as presidenciais de 18 de Janeiro vão ter uma segunda volta. Mas também não há dúvida nenhuma que a questão do voto útil se coloca, já na primeira volta, a grandes fatias do eleitorado. À direita, mas ainda com mais premência à esquerda.
Por várias razões, mas esta é decisiva: a taxa de rejeição de André Ventura.
As sondagens, todas as conhecidas até ao momento, dão André Ventura por garantido na segunda volta. A maioria dá-lhe até a vitória na primeira volta. Ao mesmo tempo, as mesmas todas, mostram que Ventura esgota aí o seu potencial eleitoral, que não acrescenta um voto na segunda volta. E que, na segunda volta, perde contra quem quer que seja o adversário.
Ou seja, quem passar à segunda volta com Ventura será virtualmente o Presidente da República. Por isso esta é uma primeira volta atípica. E, ao contrário do que seria normal, vai ser marcada pelo fenómeno do voto útil como nenhuma outra eleição em Portugal.
Grande parte destas candidaturas todas já percebeu isto. Não dizem - nem fazem - nada, mas já perceberam!