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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Procissão de equívocos

Era muito importante para o Benfica ganhar este jogo em Braga. Todos os percebíamos, e percebeu-o também Rui Costa que, a acreditar nas notícias vindas a público, se decidira por um prémio de jogo mais que generoso, falando-se de 2 milhões de euros.

Era muito importante manter a invencibilidade. É sempre importante, nesta fase da época - e mais a mais desta época atípica - já dentro das quatro últimas jornadas da primeira volta, e na antevéspera do jogo com o Sporting, mais importante era ainda. Não seria razoável, embora pudesse ser um desejo secreto, exigir um campeonato sem derrotas. Mas seria exigível que, aqui chegados sem derrotas, ela não surgisse nesta altura. Com o Porto embalado nos carris habituais - veja-se o último jogo, com um golo irregular logo aos 20 segundos (curiosamente, nos três jogos dos primeiros classificados, os da casa marcaram nos primeiros dois minutos, e começaram o jogo já a ganhar) e mais um penálti perdoado - e o Sporting a aproveitar o interregno para acertar agulhas e ganhar embalagem e confiança, era importante que o Benfica não cedesse.

O universo benfiquista estava receoso deste interregno de mais de mês e meio. Quando tudo está afinado, como estava o Benfica, desligar o interruptor é sempre arriscado. Quando tudo está mal, ao voltar a ligá-lo, pode sempre correr melhor. Quando tudo está no ponto, melhorar é impossível, e piorar é provável.

Acresce que tudo o que se tem passado com Enzo Fernandez também não ajudava. Nada!

Roger Schemidt tranquilizou-nos, dizendo que todos tinham trabalhado bem e que tudo estava preparado para o arranque. Mas não estava!

O Benfica não entrou na Pedreira para este jogo fundamental com uma equipa, mas com um equívoco. Com 11 jogadores equivocados, não com 11 jogadores preparados para ganhar o jogo, como o treinador tinha garantido. Com trabalho bem feito, e contra um adversário que vinha de um jogo em que tinha sido trucidado, uma equipa preparada nunca poderia ter entrado com equívocos. Esses teriam de estar do outro lado.

E não é o golo aos 63 segundos que serve de desculpa. Porque bastaram esses segundos para se perceber que estava tudo errado. E que era o Braga que entrava com tudo. Na disputa da bola, na pressão, e  na velocidade. Esse golo só aconteceu porque a equipa não estava preparada. O golo começou logo na falta displicente de Bah, passou pela passividade na disputa de segunda bola - na primeira parte os jogadores do Benfica perderam todas a segundas bolas e todos os duelos - e acabou com o Abel Ruiz sozinho, na zona onde tinha de estar o mesmo Bah, a rematar para Odysseas defender ... para dentro da baliza.

A partir daí foi o descalabro. Apenas Rafa tentava reagir. Gonçalo Ramos também tentou, mas desse encarregou-se a equipa de arbitragem do João Pinheiro, ao fazer vista grossa às entradas de Niakaté, sempre nas barbas do árbitro assistente. O resto era com o meio campo do Braga ... 

E quando, à meia hora, o Ricardo Horta marcou, novamente com Odysseas defender para dentro da baliza, mas agora com ar de frango inteiro, com penas e tudo, depois dos jogadores do Braga terem feito tudo o que quiseram dentro da área, o segundo golo do Braga era uma inevitabilidade, depois de dois ou três minutos de sufoco consecutivo.

Três remates, e só dois - um de Rafa, ao poste, mas sem grande possibilidade de golo e, no último minuto, um de cabeça de Otamendi, por cima da barra - dignos de registo, foi tudo o que o Benfica fez no pesadelo que foi a primeira parte.

A entrada para segunda parte, com Musa a substituir o desastrado (mas quem o não foi, à excepção de Rafa?) Florentino, com Aursenes no meio do campo, em vez do equívoco que foi na ala esquerda, prometeu mudar o jogo. Mas foi sol de pouca dura. Bastaram dois ou três minutos para se voltar a ver um Braga confiante, e a empurrar o jogo para o que melhor lhe convinha. 

O Benfica teve ainda mais bola - acabou com perto de dois terços de posse de bola - e rematou mais, acabando até com mais remates (14) que o Braga (11), mas nunca deixou a ideia de poder virar o resultado, e evitar a primeira derrota. Que se tornaria ainda mais pesada, e penosa, com terceiro golo, e segundo de Ricardo Horta. Mais um golo que uma equipa preparada nunca poderia sofrer. Golos em contra-ataque, quando se perde por 2-0, qualquer equipa pode sofrer. Aquele não foi um golo desses - foi um lançamento do guarda-redes Matheus, com o lateral dinamarquês - mais uma vez - a deixar fugir a bola para o Yuri Medeiros se isolar e ficar, com Ricardo Horta, na cara de Vlachodimos. 

Faltavam 20 minutos para o fim, e ficava escrita a história da primeira derrota do Benfica da época. Roger Schemidt entendeu finalmente tirar o desastrado (apenas mais um) dinamarquês. E o ineficaz João Mário. Entraram Gilberto e Draxler. É o que há. E se calhar nem seria má ideia que deixasse de haver Draxler. Era de aproveitar para o devolver nesta janela de Janeiro.

Mais tarde, em cima dos 90 minutos, sairiam Gonçalo Ramos e Enzo, para entrarem Chiquinho e João Neves. Chiquinho ... pronto. Não aquecia nem arrefecia. Mas, lançar o miúdo aos 90 minutos num jogo para esquecer, foi o último dos equívocos do hoje equivocado Roger Schemidt.

Que os tenha esgotado hoje todos, é o que se deseja.

 

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