Quando não se resolve um problema…

Eduardo Cabrita já devia ter abandonado o governo há muito tempo. Desejavelmente pelo seu próprio pé; à falta de discernimento, de senso político, ou mesmo de caracter para isso, empurrado pelo primeiro-ministro. Aliás, nem lá deveria ter chegado a entrar. Tendo todo o jeito para comissário político, não tem jeito nenhum para ministro!
Há ministros que têm azar, caem em desgraça por um lapso qualquer, muitas vezes sem grande relevância, e depois ninguém mais os larga. Depois são cenas consecutivas de perseguição, em que o perseguido quanto mais foge menos escapa. Em mais azares tropeça.
Não é o caso do ministro Eduardo Cabrita, por maior que seja a tentação de o fazer parecer.
O atropelamento mortal (pelo carro em que seguia o ministro) de um cidadão português, chamado Nuno Santos, na A6, que ali fazia trabalhos de limpeza e manutenção, não é um azar do ministro. É azar da vítima, e da sua família.
A não ser que o motorista conduzisse em velocidade excessiva, ou alcoolizado, ou sob o efeito de estupefacientes - porque tinha a obrigação de constatar tais circunstâncias, e de o impedir de seguir ou prosseguir ao volante - o ministro Cabrita não qualquer responsabilidade no acidente. Porventura até viria a dormir, porque imagino que ande extenuado. Ou a rever uns papéis, para que - imagino - não tenha outro tempo.
Tem porém toda a responsabilidade em tudo o que é conhecido. E o que se conhece é que o que deu a conhecer tem sido desmentido, que não houve qualquer contacto com a família da vítima, que nem ele nem o motorista sequer saíram do carro na altura do acidente e que, independentemente de tudo o que se diz, incluindo que a GNR está impedida de aceder ao carro para efectuar qualquer peritagem, que continua a não encontrar "oportunidade adequada" para esclarecer o que aconteceu.
Tem ainda outra responsabilidade, e politicamente talvez mais relevante: a de saber que, na sua condição de ministro acossado, todo o seu comportamento foi tudo o que não poderia ter sido.
São demasiadas responsabilidades. Fugir delas, como Eduardo Cabrita foge, apenas torna mais insustentável António Costa mantê-lo em funções. Mas é sempre assim, nestas coisas. Quando não resolvemos um problema, e acabamos como ele, é ele que resolve acabar connosco.
Os fins de ciclo estão cheios de histórias destas.