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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quando tudo errado acaba a bater certo

No último dia da segunda ronda do mundial quebrou-se a regra, e os vencedores da primeira ronda repetiram a vitória. E garantiram desde logo o apuramento para os oitavos, o que só a França tinha feito, na tal excepção que confirma a regra.

No grupo G foi o Brasil a conseguir isso, numa vitória difícil, apenas 1-0, mas merecida sobre a Suíça. O que faltou de golos neste jogo sobrou no outro. Foram seis, e dos bons, no empate a três entre os Camarões e a Sérvia. A selecção africana, porque vai no último jogo defrontar o Brasil e, por isso, com poucas probabilidades de ganhar, está muito próxima de ser eliminada. Deixando a questão do apuramento em coisa a decidir entre a Suíça e Sérvia que, para lá chegar, terá obrigatoriamente de ganhar. O empate serve aos helvéticos.

No grupo H o Gana ganhou à Coreia do Sul, num jogo electrizante. O Gana chegou ao 2-0, ainda na primeira parte. Os sul-coreanos, ainda no primeiro quarto de  hora da segunda parte, com dois golos de rajada, de Cho Gue-Sung, em apenas 3 minutos, empataram. Kudus, o avançado do Ajax que já é craque, não lhe quis ficar atrás, marcou pouco depois o seu segundo golo e, perante os desespero dos asiáticos - e do português Paulo Bento, que acabou expulso -  garantiu a vitória à selecção africana. Que, não lhe garantindo ainda nada - qualquer das três equipas pode ainda conseguir o apuramento - é a única que, matematicamente, pode sonhar com o primeiro lugar do grupo. Que, no entanto, dificilmente fugirá à selecção de Portugal, depois da vitória desta noite frente ao Uruguai.

Voltou a não fazer um jogo aceitável, e minimamente compatível com a valia dos jogadores portugueses. E voltou a ser bafejada pela sorte. Fernando Santos não consegue pôr estes jogadores a jogar um futebol empolgante, nem sequer decente. Mas consegue os favores dos deuses. Ou será de Nossa Senhora?

Sem Otávio e Danilo, lesionados, Fernando Santos optou por William Carvalho e Pepe. Nuno Mendes, recuperado - ou talvez não - foi a terceira alteração relativamente ao jogo com o Gana. De resto, tudo na mesma. E com tudo na mesma, tudo fica na mesma. E muito fraquinho.

Nunca a selecção portuguesa mandou no jogo, e andou mais tempo atrás dele que a controlá-lo. Só o controlou verdadeiramente, só nos últimos 10 minutos.

Entrou no jogo na habitual posição de espera, sem iniciativa, enquanto equipa uruguaia entrava para amedrontar. Não por força da qualidade do seu futebol, mas pela intimidação do confronto físico, e pela intensidade na disputa  de todos os lances. No último quarto de hora da primeira parte era já o Uruguai que estava por cima do jogo, e só não marcou naquela jogada em que o Betencur fez gato sapato da defesa portuguesa porque Diogo Costa voltou a mostrar que, apesar de tudo, aquela baliza lhe pertence por direito próprio.

Entretanto Nuno Mendes mostrava que, afinal, não estaria recuperado, e teve que ser substituído por Raphael Guerreiro, já perto do intervalo. Com uma substituição e uma das três oportunidades para o efeito queimadas, e com Rúben Neves em sub-rendimento, esperava-se que o seleccionador aproveitasse o intervalo para, pelo menos, o substituir e compensar o momento perdido pela substituição a que já tinha sido obrigado.

Não o fez, e começou aí o primeiro erro nas substituições.

A segunda parte começou na linha do que tinha sido a primeira meia hora. A primeira nota foi mesmo a invasão do campo por alguém com uma T shirt alusiva aos direitos das mulheres no Irão para lá deixar a bandeira arco-iris LGBT, que a FIFA não tinha autorizado nas braçadeiras dos capitães que a isso se tinham proposto, na altura em que Rúben Neves estava a ser assistido, e a fazer ressaltar, a cores tão vivas como as da bandeira no relvado, a asneira de não ter sido substituído ao intervalo. 

Não se imaginaria que, três minutos depois, e ainda antes de se esgotarem os primeiros 10 minutos, do céu voltaria a cair um golo salvador. Bruno Fernandes cruzou para a área, Cristiano Ronaldo saltou, mas só isso, o guarda-redes uruguaio foi enganado, e a bola acabou dentro da baliza. Num golo estranho. Tão estranho que era o golo de Bruno Fernandes com que CR 7 igualaria Eusébio!

A perder, os jogadores uruguaios mandaram-se aos portugueses como gatos a bofes. O treinador tirou um dos cinco defesas - velho Godin - e Vecino,  praticamente o sexto, e um dos mestres da intimidação, e lançou dois rapazes que jogam à bola - Arrascaeta, do Flamengo, e Pellistri, o miúdo do Manchester United, que deu cabo da cabeça a Raphael Guerreiro. E não só.

 E as coisas começaram a correr mal a sério. 

A resposta de Fernando Santos não podia ser pior - tirou finalmente Rúben Neves para fazer entrar Rafael Leão. Tudo errado: utilizou o segundo momento para fazer uma única substituição; quando a equipa estava sujeita a uma pressão enorme, como nunca lhe tinha acontecido, trocava um jogador de meio campo por um avançado; e quando em campo estavam avançados esgotados (João Félix) e/ou a que só viam a bola à distância (Ronaldo).

Claro que tudo se agravou. O seleccionador uruguaio continuou a carregar, e mandou lá para dentro Luís Suárez e Maxi Gomez. Que só não marcou na primeira vez que tocou na bola porque a bola foi ao poste direito de Diogo Costa.

Foi um quarto de hora de sufoco!

Mas Fernando Santos é homem de fé. E de sorte. Tanto que teve tempo de chegar às substituições. Aos 83 minutos.Três de uma vez, porque já não tinha mais nenhuma vez. Tarde de mais, mas ainda a tempo.

Às saídas de João Félix e Ronaldo juntou a de William. A entrada de Palhinha deu capacidade de combate ao meio campo. Matheus Nunes foi a companhia de que precisavam Bruno Fernandes e Bernardo Silva. E Gonçalo Ramos introduziu frescura e movimento no ataque.

Faltavam 7 minutos para os 90, e a selecção passou finalmente a ter controlo sobre o jogo. A ser claramente superior, e a justificar, em 10 minutos de jogo útil, a vitória. Tanto que deu para Bruno Fernandes marcar o segundo golo, de penálti (do VAR, o segundo em dois jogos), rematar ao poste, para que os uruguaios nem do seu se possam queixar, e ser eleito o melhor em campo. Que hoje até foi o Bernardo. No jogo com o Gana é que tinha sido ele o melhor, não o Ronaldo. Mas isto anda sempre tudo trocado!

Tão trocado que, fazer tudo errado, acaba a bater certo!

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