Que pressa!
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Esta deslocação do Benfica a Famalicão, no jogo que fechava a penúltima jornada do campeonato, tinha como principal interessado o Sporting. Que, se o Benfica não ganhasse, festejava o título. Não propriamente no sofá, como é da gíria, mas em Alvalade, onde tudo estava pronto para a festa.
Até por isso, o Benfica "só" tinha que ganhar este jogo.
O jogo iniciou-se com dois golos, logo no arranque, um para cada lado, e ambos anulados por fora de jogo. Primeiro o do Benfica, que parecia "sem espinhas". Desde logo porque o penúltimo jogador do Famalicão era o seu guarda-redes. Depois, porque a linha do VAR deu uns 9 centímetros. Já o de Jhonder Cadiz, logo na resposta, era visível a olho nu.
Depois foi preciso esperar um quarto de hora para se voltar a sentir o cheiro a golo. E de novo para ambos os lados. E, ainda de novo, primeiro para o Benfica, com resposta imediata do Famalicão. Mas não foi preciso tanto tempo para se perceber que a anarquia táctica no Benfica tornara o jogo caótico.
Poderia dizer-se que a equipa não teve meio campo. Que era uma equipa partida ao meio, que apenas defendia ou atacava. Mas foi ainda pior - não foi sequer equipa, foram simplesmente 10 jogadores mais Di Maria.
Ao intervalo não havia golos, mas poderia ter havido. E muitos, em ambas as balizas.
Roger Schmidt emendou a mão, e tentou pôr alguma ordem no jogo. Fez três substituições na entrada para a segunda parte, retirando o "inexistente" Kokçu (supostamente a jogar a 10), trocado por Rafa; Neres (trocado pelo inexistente João Mário, que jogara no meio, para onde entrou Florentino; e Marcos Leonardo - o ponta de lança que desta vez saiu na rifa de Roger Schmidt - foi trocado por Artur Cabral.
A necessidade da entrada de Florentino era óbvia. Como a da saída de Kokçu. O resto, era esperar para ver.
Não foi preciso esperar muito. A equipa parecia outra, passou a dominar por completo o jogo, e as oportunidades de golo surgiam agora de forma continuada, mas apenas na baliza do Luiz Júnior. Foram vinte minutos de asfixia, mas sem golos, com o Artur Cabral a fazer lembrar ... Marcos Leonardo. À falta de melhor ...
A meio da segunda parte tudo mudou. O Famalicão, com apenas uma substituição, conseguiu soltar-se da teia em que estava capturado. E, na primeira vez em que chegou à baliza do Benfica, marcou.
Se Luiz Júnior defendera tudo o que havia para defender, Trubin - paralisado, estático, desconcentrado - fez exactamente o contrário.
A partir daí o Benfica desapareceu do jogo, e voltou à fórmula de 10 mais o Di Maria. Incapazes de reagir ao golo - não pareceu que conseguissem reagir mas, ainda assim, essa hipotética reacção seria logo inviabilizada de novo por tochas, desta vez lançadas do exterior do estádio - os jogadores iam, uns atrás dos outros, batendo no fundo. Schmidt ainda lançou o Tiago Gouveia, retirando finalmente João Mário, mas já nada levantava a equipa. E acabaria por ser o Famalicão a aproveitar o desnorte instalado para voltar a marcar, e selar uma derrota que é, muito, a imagem desta época.
Na realidade o Benfica sempre pareceu ter pressa em entregar de bandeja este título!