Quem diria?
![]()
Mais uma grande jornada do Benfica nesta Champions, e quase garantido o apuramento. À quarta jornada, em Paris!
Quem diria?
Quem há poucos meses diria que o Benfica se bateria igual para igual com este PSG das super estrelas, discutir os dois jogos desta dupla jornada e sair dela no primeiro lugar, ombro a ombro com o colosso parisiense forrado com dinheiro do Qatar, que parece também estar a chegar a estas bandas?
Mas é assim. Este Benfica já nos mostrou do que é capaz. E é muito capaz!
Foi-o em Turim, foi-o na Luz, há uma semana, e voltou a sê-lo esta noite, no Parque dos Príncipes. Num jogo diferente, muito diferente mesmo, do da Luz, na semana passada. Hoje foi um jogo sem balizas, não foram os guarda-redes a determinar o resultado.
O Benfica entrou personalizado, como sempre. Sem medo, e fiel ao seu modelo de jogo. Sem abdicar de qualquer dos seus princípios sagrados. E consagrados!
Não teve David Neres que, lesionado, ficara em Lisboa. E Roger Schemidt optou por colocar Aursnes no seu lugar. Não exactamente na sua função, até porque jogou na esquerda, com João Mário na direita, na posição do brasileiro. E, naturalmente, sem as capacidades de Neres, também sem o seu desempenho.
Foi uma decisão surpreendente. Esperar-se-ia que Neres fosse substituído por Draxler, ou por Diogo Gonçalves. Seria uma dessas a opção natural. Schemidt surpreendeu e, no fim, se havia quem ainda o não tivesse percebido, todos perceberam que é de treinador.
Portanto o Benfica permaneceu fiel à sua ideia de jogo. E entrou bem, a dançar ao ritmo da música do jogo, que desde cedo começou a mostrar que teria pouca baliza. Sem balizas o jogo é sempre menos espectacular, mas pode ser igualmente bem jogado. Foi o caso. E o Benfica jogou-o bem, e disputou-o ainda melhor.
Num jogo como este, golos, só mesmo de penálti. Foi assim, e não poderia ter sido de outra maneira.
Primeiro caiu para o lado do PSG, já perto do fim da primeira parte, aos 40 minutos. Depois de grande equilíbrio no jogo jogado, sem qualquer oportunidade de golo, e até mesmo sem remates. O primeiro remate do PSG coube a Sarábia, aos 34 minutos. Fraco, para defesa fácil de Vlachodimos.
O primeiro momento a quebrar esse registo, e de maior perigo junto a uma das balizas, pertenceu até ao Benfica, aos 18 minutos - dentro da primeira metade, quando o Benfica desfrutou de alguma ascendência no jogo - quando João Mário cruzou para a área e o lateral Hakimi desviou com a mão, dentro da área, a bola da cabeça de Aursnes. O árbitro assinalou penálti, mas depois reverteu a decisão a pretexto de fora de jogo de João Mário, que ninguém percebeu. Nem houve imagens que esclarecessem.
O segundo aconteceu durante aqueles três minutos, entre os 35 e os 38, em que o PSG pressionou mais alto e ganhou consecutivamente as segundas bolas, culminando no penálti cometido por António Silva sobre Bernat, na primeira vez em que o lateral esquerdo chegou à área benfiquista. Um penálti tão claro quanto infeliz do miúdo. Quem quiser acusá-lo de "verdura" pode enfiar a viola no saco, porque o miúdo prosseguiu imperturbável, e acabou por ser o melhor em campo, mesmo que a UEFA tenha decidido ter sido Mbappé que converteu o penálti no primeiro golo da partida.
O Benfica reagiu de imediato ao golo, e percebeu-se que não seria a morte de ninguém. Mas até ao intervalo o jogo acabou por regressar ao registo que trazia, com a má notícia de dois amarelos - para João Mário e, já no último minuto, mais preocupante, para Florentino.
Pensava-se que, a perder, ao intervalo Schemidt mexesse na equipa. Mas não, continuou fiel às suas ideias, manteve Aursnes, e o jogo prosseguiu nos mesmos moldes. Apenas quebrado num remate em arco de Mbappé, que saiu ao lado do poste direito de Vlachodimos, na única oportunidade de golo do PSG. E noutro, de cabeça, três minutos depois, de Gonçalo Ramos, e pouco antes do segundo penálti da partida.
Que o árbitro inglês deixou passar em claro. Verrati cometeu falta clara - claríssima - sobre Rafa. A dúvida era se fora, ou dentro da área. Valeu o VAR, e João Mário repôs o empate.
Faltava cerca de meia hora para o final, e chegava então a altura de defender. E então o Benfica defendeu. Sempre bem, anulando todas as tentativas do adversário.
Roger Schemidt iniciou então as substituições. Logo a seguir ao golo, trocou Bah por Gilberto. Mais tarde, já pelo minuto 80, e com também Enzo já amarelado e constantemente provocado por Neymar, e por ter de se precaver com o amarelo de Florentino, recuou então Aursnes, e lançou Draxler, Diogo Gonçalves e Rodrigo Pinho.
Depois foram os ponteiros do relógio a fazer o seu percurso. Mesmo que às vezes nos parecesse sem muita pressa. No fim, mais um resultado notável, mais uma demonstração do valor desta equipa, e a quase certeza de mais uma presença nos oitavos de final da Champions.