Referências

A estreia do Benfica nesta edição da Liga Europa, que os seus responsáveis apontam como objectivo para a época, para materializar a sucessivamente adiada conquista europeia, deixa-nos uma série de sensações ambíguas. Principalmente porque o Benfica tanto deu a ideia de uma imensa superioridade sobre o adversário, como deixou vezes de mais uma sensação de incapacidade para afirmar categoricamente essa superioridade anunciada.
Se no último jogo, em Vila do Conde, a equipa tinha manifestado uma solidez assinalável, numa exibição que, mais do que exuberante, foi especialmente sólida, hoje nem foi brilhante, nem sólida.
A equipa voltou a entrar bem, e marcou cedo, logo aos 7 minutos, num penalti convertido por Pizzi, com homenagem ao infeliz André Almeida. Pela falta de solidez, permitiu o empate, pouco depois. Teve nova oportunidade de tranquilizar com novo golo, o primeiro de Darwin - que já desesperava pelo golo, como claramente se percebeu - mesmo em cima do intervalo. Mas voltou, pelas mesmas razões, a permitir o empate logo no arranque da segunda parte, permitindo que a equipa polaca reforçasse a sua ambição e acreditasse que, apesar da gritante diferença de qualidade, tinha condições para discutir o resultado.
Uma dúzia de minutos depois, Darwin, à craque, voltou a marcar. Que grande golo! Mas nem aí o Benfica conseguiu controlar o jogo, e passou por períodos verdadeiramente complicados, deixando crescer a ideia que o Lech chegaria novamente ao empate. Que não havia duas sem três.
Os erros defensivos, que em Vila do Conde tinha prometido terem ficado para trás, sucediam-se por todo o lado. a ponto de, na parte final e perante tanta desorientação, Jorge Jesus ter de lançar Jardel para o jogo, passando a jogar com cinco defesas. Valeram então as limitações dos jogadores da equipa polaca. E valeu sobretudo o quarto golo, o do hat-trick de Darwin, o homem do jogo, que confirmou a sua anunciada classe, e pôde finalmente bater a sua malapata com o golo.
Foi de resto o melhor que o jogo teve. Teve outras coisas boas. Mas poucas - o resultado, e pouco mais. E teve Otamendi com a braçadeira de capitão, logo que Pizzi saiu, ao intervalo. Estranha-se, mas talvez se entranhe. A falta de referências está a entranhar-se neste Benfica...