Regresso a quê?

O regresso às aulas enche hoje as capas dos jornais, com o arranque de um terceiro período como nunca se viu, marcado pela desigualdade que as aulas à distância e a internet, que ainda não é para todos, provocam.
A igualdade da oportunidade de aprender em sala de aula não se tele-transporta para casa de cada aluno. Aí, as desigualdades que o professor e a sala de aula escondem, vêm todas ao de cima. E a educação transforma-se num elevador avariado, sempre com a porta fechada.
Quando se fala de abertura, de regresso à normalidade, à normalidade possível, não é apenas de economia que se fala...
Não faz muito sentido falar hoje de regresso às aulas. Nem de regresso de férias. Não há por enquanto regresso a coisa nenhuma. Nem regresso de coisa nenhuma. Não há aulas, como não houve férias.
Há apenas a mesma anormalidade que começa a tornar-se insuportável. Perigosamente insuportável!