Rio Ave o - Benfica 2
Na primeira jornada da segunda volta, e primeira deste novo 2026, em Vila do Conde, provavelmente a melhor exibição do Benfica da época. A primeira meia hora do jogo é certamente do melhor que se viu nesta época.
O Benfica entrou de forma dominadora no jogo, encostando o Rio Ave lá atrás, fechado num 5X4X1, que na maior parte do tempo eram apenas duas linhas de cinco, bem encostadas uma à outra. A essa fórmula pressionante, asfixiante, e avassaladora, o Benfica acrescentou qualidade de jogo. Muita qualidade, assente na condição técnica dos jogadores e na variabilidade da abordagem ao último reduto adversário.
A isto, à qualidade do futebol que a equipa apresentou, não é - não pode ser, por muito que Mourinho se recuse a admiti-lo, porque isso seria dar a mão à palmatória, coisa de que não gosta mas que, acima de tudo, por esta altura, não quer - alheia nem à circunstância de todos as peças estarem encaixadas nos seus lugares, nem à de, nas faixas laterais, jogarem dois alas.
Às vezes há males que vêm por bem. As lesões de que Mourinho tanto se queixa podem ser um desses males. Repare-se que a ausência de Rios, somada à Enzo, obrigou Aursnes a fixar-se no meio do meio campo, o seis, o pivot, deixando a ala direita. E Barreiro a abandonar a posição 10, ou de segundo avançado, para ser oito; deixando-a para Sudakov, que teve de abandonar a ala esquerda. À falta de outros - Manu, como se viu está longe do que prometera quando chegou, há ano, antes da lesão - tiveram que entrar Schjelderup e Prestiani, dois alas, mesmo que ambos mais talhados para a faixa esquerda.
E foi precisamente à volta de todos estes jogadores, nas posições em que mais rendem, que começou a categorizada exibição do Benfica em Vila do Conde. O resto foi acrescentado pelos dois laterais, Dedic na direita, e Dahl, na esquerda.
Sudakov, o meu melhor em campo, movimentou-se por todo o campo, ofereceu sempre várias soluções de passe, encontrou todos os espaços que o jogo oferecia, e fez a diferença nas triangulações com Dahl (anulou o André Luís, somou recuperações e iniciou sempre os ataques de forma limpa) e Schjelderup (sempre a encarar o adversário e a decidir com critério, no lance individual, ou no passe a descobrir médios ou o lateral do seu corredor), que fizeram parte do melhor que se viu na primeira meia hora.
Na ala direita Dedic e Prestiani não foram tão exuberantes, mas nem por isso menos influentes naquele turbilhão de futebol. O argentino só viria a pecar por algum individualismo quando, parecendo obcecado pelo golo, desatou a rematar de toda a maneira e feitio - foi quem mais rematou - frequentemente com algum despropósito.
Leandro Barreiro, oficialmente o melhor em campo, voltou a assinar uma exibição de grande nível. Dividiu com Aursnes as sucessivas recuperações de bola que permitiram manter a cadência asfixiante do ataque, cumpriu rigorosamente na primeira fase de construção, esteve sempre nos movimentos de chegada à área adversária, e ... marcou o golo.
No primeiro quarto de hora o vendaval de futebol gerou quatro grandes oportunidade que só não deram em golo porque um dos jogadores da equipa sediada em Vila do Conde, Nelson Abbey, fez milagres a impedi-lo; e Pavlidis, Dedic ou Tomás Araújo falharam-no. A mais incrível, já a exasperar, aconteceu no remate de Schjelderup que levou a bola a saltar do poste para a linha de golo, donde um tal Petrasso a tirou, sem ter ficado muito claro se não tinha entrado.
Logo a seguir, a fechar o primeiro quarto de hora, à quinta oportunidade de golo, Barreiro marcou finalmente o primeiro. O vendaval de futebol continuou e logo a seguir o árbitro assinalou penálti: depois de ultrapassado pelo Dedic, o defesa do Rio Ave caiu em cima da bola e tocou-a com as duas mãos, uma de cada vez. O VAR reverteu.
Se fosse ao contrário, ninguém terá dúvidas que o VAR não interviria. De resto não interveio, depois, quando o Barreiro foi pisado dentro da área do Rio Ave.
Se o primeiro golo surgiu um minuto depois daquele momento de frustração da bola que foi tirada de cima da linha de golo, o segundo surgiria um minutominuo depois da frustração da reversão do penálti, quatro minutos depois da jogada do Dedic, que foi o tempo perdido na revisão do VAR, a quebrar o ritmo que o Benfica dava ao jogo. Foi, de novo, Dedic a ir por ali fora e cruzar a bola bem para dentro da área. Desta vez da floresta de penas saiu uma, de um tal Ntoi, que cortou a bola, mas para dentro da baliza.
Ninguém diria que seria aquele auto-golo a fechar o resultado, a meio da primeira parte. Mas foi assim, provavelmente no resultado mais mentiroso deste campeonato. No fim da primeira parte, quinze remates, quase 75% de posse de bola, e nove ou dez oportunidades de golo não tinham dado para mais que dois golos.
O Benfica entrou para a segunda parte no mesmo registo. Nem parecia que tinha havido intervalo. O mesmo futebol, o mesmo domínio, os mesmos remates ... à mesma sem golos. A partir da hora de jogo, com o resultado a manter-se teimosamente, e porque também não era possível manter aquele ritmo durante noventa minutos, o Benfica mudou o chip para modo controle.
E controlou o jogo. Houve um susto, quando já perto da entrada para o último quarto de hora o Clayton, de resto num excelente remate, mandou a bola para dentro da baliza de Trubin. Estava fora de jogo, por pouco mas, de resto, logo assinalado. Foi o único susto. Logo a seguir Pavlidis - em noite não de golos - voltaria a falhar um golo cantado, a cruzamento de Sidny, já no lugar de Schjelderup. O resto foi domínio e controlo absoluto do jogo, que acabaria, no último lance, com mais uma oportunidade para Pavlidis, que permitiu a última defesa de Miszta.