Sem (se) entender (com) o jogo
Foi um jogo estranho e muito complicado, este que Benfica e Belenenses SAD disputaram na Luz nesta sexta-feira. A equipa de Petit surpreendeu com uma atitude descomplexada e cheia de atrevimento.
Esteve por cima em muitas fases do jogo. Foi claramente assim na primeria metade da primeira parte, e muito assim em quase toda a segunda parte. Pelo meio houve a noite de Taarabt e três excelentes golos, todos os do Benfica, em três jogadas verdadeiramente espectaculares. Nos dois primeiros, inteirinhas do marroquino que Bruno Lage ressuscitou. No último, mais colectiva: com um passe notável do Rúben Dias, seguida de um toque de calcanhar fabuloso de Vinícius, e concluída com desmarcação e finalização irrepreensível do recém entrado Chiquinho.
Ficou a ideia que o Benfica nunca entendeu o jogo nem nunca se entendeu com o jogo. Foi um jogo com muitos espaços, nunca o Benfica teve um jogo com tanto espaço. E quando há espaço, as equipas com os melhores jogadores encontram o seu paraíso num jogo de futebol. À excepção das jogadas dos golos, o Benfica nunca soube aproveitar os espaços que o jogo lhe concedia. Parecia que desconfiava disso. Talvez por a equipa não estar habituada a isso, fazia lembrar aquele jargão popular: quando a esmola é grande, o pobre desconfia!
E não entendeu claramente aquele jogo.
Mas também não se entendeu com ele. Depois de chegar com alguma facilidade ao 2-0 (muito mais facilidade que no jogo do ano passado, cujo fantasma pairou tanto tempo na Luz) o Benfica veio para a segunda parte como se nada do que acontecera na primeira metade do período inicial tivesse realmente acontecido. E permitiu que a equipa de Petit se mantivesse viva no jogo, a engordar o fantasma da última época, que levou os únicos dois pontos que Bruno Lage deixou fugir.
E nem vale a pena invocar a mentira do penalti que deu o segundo golo ao adversário. Que o árbitro Hugo Almeida se tenha equivocado, poderá ter que se aceitar. Mesmo que sejam equívocos a mais, pois também já se tinha equivocado num livre perigoso contra o Benfica, com amarelo e tudo para o Pizzi, que nem na sombra no velho e sabido Varela tocara. Rui Oliveira, o VAR, é que não tem desculpa: o único contacto de Rafa com o mesmo Varela, num esboço de tentativa de o agarrar, acontece bem fora da área. Dentro da área apenas acontece que o velho e sabido Varela se manda para o chão!