Sinais trocados

Claro que os cartazes exibidos por professores na Régua, no espaço das comemorações do 10 de Junho, não têm natureza racista. São de mau gosto, porventura impróprios (pelo carácter ofensivo) e inapropriados (pela mensagem de quem deveria ter por missão educar), mas nunca de teor racista. E não são sequer novos, já foram utilizados noutras circunstâncias, em manifestações mais, ou menos, apropriadas à chamada "luta" dos professores.
António Costa sabe-o bem, mas quis atacá-los pelo lado do racismo. Não o fez por acaso. Raramente o faz. Fê-lo para isolar o mais inorgânico, controverso e mediático dos sindicatos. Fê-lo para lhe colocar o rótulo de extrema direita de que faz seguro de vida.
Com isso trocou os sinais, pregou até mais um prego na desvalorização do racismo, e perdeu uma boa oportunidade para, se não fazer de André Pestana um "ramo morto", pelo menos aproveitar a falta de paciência dos portugueses para ele e para os seus fiéis seguidores.