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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Seis em um!

Por Eduardo Louro

 

Estamos infelizmente habituados a tudo e já nada nos surpreende. Mas não é fácil encontrar nada mais concentrado: seis em um!

No mais obscuro dos negócios do Estado – o dos submarinos –, na véspera da entrada em incumprimento de um dos contratos de contrapartidas, um ministro – Álvaro Santos pereira – alarga o prazo contratual e evita, assim e in extremis, o incumprimento do fornecedor que, entretanto, respondia já em Tribunal por outros incumprimentos. Questionado no Parlamento sobre essa decisão, o ministro defende-se dizendo que essa revisão do contrato estava suportada por um Parecer Jurídico contratado a uma sociedade de advogados (PLMJ), assinado por Nuno Morais Sarmento - por acaso, era membro do governo que tinha comprado os submarinos - e emitido três semanas depois de assinada a alteração ao contrato. Quer dizer o ministro Álvaro não pediu um Parecer para fundamentar a sua decisão. Não, primeiro assinou o contrato e depois foi pagar para que lhe fosse dada cobertura…

Vamos por partes: (1) negócio dos submarinos; (2) perdão de um incumprimento, a incumpridor sucessivo, com prejuízo do Estado; (3) mentir ao Parlamento; (4) violação do princípio da independência; (5) compadrio; (6) desperdício de dinheiros públicos. Seis em um. Pelo menos, porque à pouca vergonha já ninguém liga!

O ÚLTIMO A SABER

Por Eduardo Louro

 Vítor Gaspar e Álvaro Santos Pereira

Ontem vi a entrevista do Ministro da Economia à RTP - ao Vítor Gonçalves - onde Álvaro Santos Pereira teve momentos de meter dó, de quase não dizer coisa com coisa. Hoje esteve ao lado de Vítor Gaspar, e no meio de toda equipa das finanças, na apresentação do dito pacote de estímulos à economia, do super-crédito fiscal, como lhe chamam.

Fiquei com a ideia que, ontem à noite, terminada a entrevista, o Álvaro não fazia a mínima ideia que hoje estaria ali. E que nem lhe passava pela cabeça do que haveria para anunciar… Quer dizer, fiquei com a ideia que o Álvaro já não é ministro há muito tempo mas que ainda não o sabe. E que será sempre o tal, o último a saber!

DÚVIDAS

Por Eduardo Louro

 

A dúvida anda no ar: remodelação ou implosão? Será que o governo está mesmo para cair - de maduro para uns, de podre para outros - ou será que Passos Coelho está para dar ouvidos ao parceiro de coligação, e vai proceder à remodelação? Devolvendo o Álvaro à procedência, eventualmente com a incumbência de criar a confraria do pastel de nata no Canadá...

Relvas, bem se sabe, é apenas a outra face de Passos Coelho. Um não pode ser remodelado sem o outro, e o primeiro-ministro não o pode ser… Logo, Relvas, queira ou não queira o CDS, não será remodelado!

Se calhar é por isso que o ministro Crato guarda/esconde os resultados da investigação à famosa licenciatura de Relvas - que pediu à IGEC (Inspecção Geral da Educação e Ciência) há perto de um ano - desde meados de Janeiro… E que diz agora que está para os divulgar em breve!

Pois…também pode ser o Nuno Crato a acompanhar o Álvaro… Ou pode cair tudo!

GENTE EXTRAORDINÁRIA XXX

Por Eduardo Louro

 

Era, com Relvas, dado como o primeiro a remodelar. Não se aguentava, era um desastre: cada tiro cada melro!

De repente, e curiosamente de novo a par de Relvas, o homem desata a aparecer. E a ganhar pontos, ao ponto de ninguém mais se lembrar de remodelação. Mais: ao ponto de começara a surgir como um dos elos mais fortes deste fraco governo!

Ainda ontem à noite apresentava o seu ar triunfal na entrevista ao José Gomes Ferreira, no “Negócios da Semana”, da SIC Notícias. Tudo não tinha passado de ataques de inimigos, a quem ele incomodaria!

De repente cai tudo. Bastou a Álvaro Santos Pereira – é dele que se fala - pensar que era mesmo assim, que o problema estava nos inimigos, e passar a dar conta das suas mais profundas convicções, para voltar a cair em desgraça!

Logo agora, que tudo corria tão bem… É gente extraordinária, este nosso Álvaro.

VÍRUS DO ÁLVARO

Por Eduardo Louro

 

O vice-chanceler alemão e ministro da economia, Philipp Toesler – um tipo de ar asiático, que de vez em quando diz umas coisas que nos chateiam – encontrou-se hoje com o seu homólogo português - o nosso Álvaro – em Berlim, na abertura da primeira edição do Portugal Plus - uma espécie de bolsa de contactos promovida pela Câmara de Comércio e Indústria Luso-Alemã – e aproveitou para declarar "exemplar para a Europa e para o mundo" a aplicação do programa de ajustamento financeiro em Portugal.

Disse coisas extraordinárias, como: "Apesar de todas as dificuldades, Portugal tem conseguido implementar a consolidação orçamental e as reformas estruturais, um caminho muito difícil, mas que está a ser traçado de forma exemplar para a Europa e para o mundo". Ou "Portugal está a percorrer um caminho extraordinário, e chegou o momento de lhe dar vida económica".

Ouvir, nesta precisa altura, coisas destas do número dois alemão - parceiro de coligação de Merkel – leva qualquer um a, mais que abrir a boca de espanto, começar a coçar na cabeça à procura de explicações.

Como é que, numa altura em que toda a gente percebeu – incluindo a troika, evidentemente, que até teve da dar mais tempo para atingir a meta do défice – que tudo falhou, que falhou o programa, como toda a gente anunciara que falharia, e falhou a sua execução, somos um exemplo para a “Europa e para o mundo”?

Como é que, depois de toda a gente e por todo o lado ter dito que o programa mataria a economia nacional, como matou, é, precisamente agora, que “chegou o momento de lhe dar vida económica”?

Terá isto alguma coisa a ver com a expressão de revolta que os portugueses finalmente conseguiram mostrar ao mundo?

Ou terá o homem simplesmente sido atacado pelo vírus do Álvaro?

Que, como se sabe, é uma bactéria que inverte a realidade para depois a projectar sob a forma de pastéis de nata: bem parecida, doce e quente. E com canela!

Parece-me bem que é isso. O homem foi contagiado e, sob o efeito do vírus do Álvaro, está em Marte. E nem é sequer por a Comissão Europeia ter ainda ontem lembrado, de Bruxelas, que havia lá uma tranche para chegar no início de Outubro… Que só chegará se tudo for cumprido bem direitinho…

COISAS INTRAGÁVEIS VII

Por Eduardo Louro

 

Álvaro Santos Pereira - o ainda ministro da economia mas já ex-superministro da economia – está na berlinda de onde apenas sairá, já se percebeu, quando regressar a Vancouver.

E aqui abro um parêntesis para uma notícia que, a exemplo da que circulou ontem por todo o lado com a sua demissão, não é notícia. Mas que será quando o for! Regressar ao local de onde veio quando se deixa de ser ministro não é comum neste país. Em Portugal, quando se deixa de ser ministro, vai-se para um banco ou para uma das grandes empresas das que vivem directa ou indirectamente à conta do Estado. E por isso é notícia. Há-de ser, não tenho dúvidas!

Um a zero, para o Álvaro!

Quando o governo foi apresentado, como por aqui já referi várias vezes, a opinião pública reagiu de uma maneira geral favoravelmente. O ponto era que havia muita gente vinda de fora da política. Gente nova e sem experiência política não era tido como negativo, antes pelo contrário! Álvaro Santos Pereira – com um super ministério – e Vítor Gaspar – por força da força das Finanças, muito maior dadas as circunstâncias - eram as estrelas.

O ministro da economia, é certo, teve as suas gafes. Faltou-lhe o que sobra aos políticos: matreirice e capacidade de comunicação. E nunca lhe conseguiu vestir a pele o que o diminuiu perante os seus pares e, especialmente, perante o implacável poder dos media. Foi aos poucos sendo trucidado, autêntica vítima de bulling!

O ministro das finanças, ao invés, vestiu o fato de político, que lhe assentou como se há muito lhe tivesse sido moldado. Feito à medida! Rapidamente aprendeu os truques da matreirice e da manipulação, que passou a manejar como um mestre. Nem a sua desajeitada forma de comunicação constitui óbice. Antes pelo contrário, fez dessa ameaça uma oportunidade, transformando aquela forma pausada e martelada de comunicar num must.

E a sua popularidade subiu em flecha. Todos os inquéritos de opinião o colocam no topo das preferências dos portugueses, ao contrário do que seria natural nestas circunstâncias. O ministro que é a cara primeira da austeridade, e de mais austeridade, dos impostos insuportáveis, dos cortes nos serviços públicos e do orçamento que não se cumpre, está em alta na opinião dos portugueses. Surreal!

De super ministro, Álvaro Santos Pereira passou a subministro, processo que culminou com a recente transferência da responsabilidade de execução do QREN para Vítor Gaspar entretanto, mais que super ministro, o verdadeiro primeiro-ministro. E, de facto, o grande responsável pelo processo de achincalhamento em curso (PRAC), que passa já as fronteiras da dignidade, de Álvaro Santos Pereira. Consta que logo nos primeiros meses do governo, perante uma exposição do ministro da economia em conselho de ministros, Vítor Gaspar terá secamente cortado: “não há dinheiro”. Tendo Álvaro Santos Pereira retomado a sua exposição, dinamitou: “qual das três palavras não percebeu”?

Claro que se percebe que fazer de Álvaro Santos Pereira o bobo da corte dá muito jeito ao novo primeiro-ministro em funções. Claro que retirar-lhe o QREN, com o que minimamente poderia intervir na economia, poderá dar um jeitão quando a execução orçamental começa a rebentar por todos os lados, a começar pela receita.

E assim se enterra o Álvaro e se põe o Vítor no pedestal. A quem tudo se perdoa. Imaginem o que se não teria dito se, entre outras preciosidades naquela visita a Manteigas, este título do DN de domingo, tivesse sido atribuído ao Álvaro? Mas, como foi o Vítor, no pasa nada

Já agora, francamente: se tivesse que comprar um carro usado a um deles, a quem compraria o leitor o carro?

Arrisco: dois a zero para o Álvaro!

BEM APARECIDO, MAL RESOLVIDO

Por Eduardo Louro 

 

Dizia-se que o Ministro da Economia andava desaparecido. E ouvia-se responder que estava a trabalhar. A trabalhar muito, sem abandonar o ministério, à procura de soluções para a nossa pobre economia, presume-se.

Entretanto, por necessidade ou por disponibilidade – vá lá saber-se –, o ministro apareceu. Como apareceu com programas e projectos para tanta coisa podemos concluir que aquele recolhimento deu os seus frutos, e que apareceu agora para os comunicar.

Tenho algumas dúvidas que assim tenha sido. Não é por nada, é apenas porque ele apareceu a dizer o que todos os seus antecessores disseram. E como é fácil de ver, para descobrir o que os outros já tinham descoberto, não era preciso tanto recolhimento. E depois, logo a seguir, percebemos que tanto recolhimento afastou-o da realidade. Esqueceu-se que não há dinheiro!

Mas, como os seus antecessores, veio anunciar dinheiro e mais dinheiro para cima dos problemas. São 100 milhões para um programa para desempregados há mais de seis meses, são apoios à internacionalização das empresas e são alterações ao capital de risco público para financiar isto tudo. E são duas linhas de velocidade alta para levar daqui os nossos produtos, de comboio, depressa e bem. Quantos milhões? Não se sabe, mas talvez os mesmos do TGV, ou por aí perto…

Eu bem desconfiava que naquela conversa de Madrid, quando ele disse que a decisão sobre o TGV seria anunciada em Setembro, havia gato escondido com rabo de fora. Os dinheiros de Bruxelas vêm à mesma, seja para TGV ou para outra coisa. Desde que meta carris, e os comboios que lá têm para nos vender, o dinheiro vem à mesma. E a parte que nos toca logo se vê. Até porque havia muitas indemnizações para pagar…

E anunciou um grande investimento de uma das grandes multinacionais. Mas nada mais disse, é segredo. E há afinal muita gente interessada em investir em Portugal… Já não vêm é a tempo de nos ajudar a resistir ao agravamento da depressão no próximo ano!

 

 

PROFESSORES CATEDRÁTICOS E MINISTROS CATEDRÁTICOS

Por Eduardo Louro

 

Pouco a pouco, e ao fim de um mês, vamos começando a tomar os primeiros contactos com os ministros do novo governo. Os tais que não tinham experiência política e que eram jovens…

As experiências não têm corrido lá muito bem. Como já aqui expressei esta rapaziada não está exactamente a entusiasmar!

Ontem, e particularmente hoje, foi a vez do ministro da economia. Pois, o Álvaro, como manifestou gostar de ser tratado logo de início, também não se saiu lá muito bem. O registo não foge muito do tom geral já deixado pelos seus colegas de governo, muito à volta do “não podemos falhar e não vamos falhar”, do “estamos a estudar e iremos apresentar medidas”. Mas nada de coisas palpáveis e concretas a deixar perceber que estar na oposição não serve para nada que respeita à preparação para governar. Parece que foram surpreendidos, que o poder lhes caiu do céu e que agora é que vão começar a pensar nos problemas. Mesmo no caso do Álvaro, que até estava farto de escrever sobre os problemas do país. E das suas soluções!

Acresce, no caso em apreciação, que o Álvaro utiliza um tom professoral pouco simpático num discurso que contraria o compromisso assumido pelo chefe do governo de não se desculpar com a pesada herança. O super ministro é mesmo o campeão desse discurso: não apresenta nenhuma medida, nem sequer uma ideia – ele que tem justamente a responsabilidade de colocar o país no caminho do crescimento – e esgota o seu discurso na análise do passado: do mais distante, até com elogios à política económica dos anos 50 e 60, ao mais recente do desastre do último governo, incluindo o “ambiente de ostentação” que encontrou no(s) seu(s) ministério(s). Há-de haver alguma explicação para isto. É que já o ministro das finanças faz o mesmo: quando nos explicou que nos iria ao bolso buscar metade do subsídio de Natal começou por nos historiar a evolução da economia nacional nos últimos 100 anos.

É pena que estes ministros mais novos e sem experiência política – ainda falta a da Agricultura e adjacentes, eventualmente ainda parada a contemplar as gravatas penduradas nos cabides do ministério – não prestem atenção ao seu colega Ministro da Educação. Também ele não tem experiência política e também ele é professor catedrático. Tem mais uns anitos, é certo. E faz tudo ao contrário dos outros e tudo o que faz, faz bem! Apresenta medidas em vez de anunciar que está a estudá-las, o que prova que já as tinha estudado, que fez o trabalho de casa. E usa um discurso claro, objectivo e credível. Não fala de cátedra, nem como catedrático.

Fala e percebe-se o que diz. E - o mais importante - acreditamos no que diz: todos, até os sindicatos, que aterrorizavam todos os anteriores ministros. Que eram ministras!

Ministro da Economia

Por Eduardo Louro

 

O governo acaba agora de ser concluído, com a tomada de posse os 35 secretários de Estado. Ainda está novo: novinho em folha!

E no entanto já começaram a ser visíveis os ataques. Ainda não estava completo e já se começava a perceber por onde iria começar a ser alvejado: pelo ministro da economia, parece-me evidente!

Porque é muito académico. Porque não tem experiência política. Porque é um super ministério e ele muito longe de ser um super ministro. Porque não vivia no país. Porque veio dizer que era Álvaro, que isso do professor doutor não faz parte do nome. Enfim, porque já toda a gente já começa a achar que ele não percebe nada disto…

Mas agora vêm os secretários de estado e eis que surge um Secretário de Estado do Empreendedorismo. E já se começam a ouvir as vozes da maledicência: o que é que faz um secretário de estado do empreededorismo? O tipo é mesmo um desajeitado teórico e um académico desligado da realidade…  

Bom, a secretaria de estado chama-se do empreendedorismo, competitividade e inovação. Coisas em que, não é demais referi-lo, somos altamente deficitários. E sem o que, como já toda a gente percebeu, não vale a pena pensar em crescimento. Nem em aumento das exportações!

O Secretário de Estado – o jovem Carlos Nuno Oliveira – pode ser pouco conhecido. Mas não pode ser acusado de não ter dado provas de empreededorismo, de competitividade e de capacidade de inovação: começou por criar a MobiComp (aplicações para smartphones e telemóveis) que depois vendeu à Microsoft por uma pipa de massa, tendo-se mantido ligado ao maior investimento deste gigante da nova economia no nosso país até há bem pouco tempo. Paralelamente foi-se mantendo ligado a projectos inovadores na área das tecnologias de informação e é director do Centro de Excelência em Desmaterialização de Transacções (CEDT), uma espécie de rede de competências de empresas e de entidades científicas e tecnológicas empenhada em desenvolver a desmaterialização de transacções.

Pois é! Se escolheram o Ministro da Economia para elo mais fraco e começar por aí a minar o governo tudo bem. É a vida, como diria o outro! Mas haja juízo: pegar por esta secretaria de estado é gato escondido com rabo de fora. E bem à vista!

Se não há dúvida que esta secretaria de estado se justifica – o empreendedorismo poderá não se ensinar e ser atributo exclusivo da sociedade civil, mas o governo pode e deve criar as melhores condições para o seu desenvolvimento – também poucas haverá que a pasta está bem entregue…

Outra coisa bem diferente é um ministro da economia a dizer aos investidores onde devem investir. Ou mesmo a ideia de um Portugal à imagem da Florida…

 

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