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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas

O mundo estava suspenso da cimeira europeia de domingo. O G20 tinha avisado que agora é que teria de ser, que nada mais poderia ser adiado!

Merkel e Sarkosy trataram de a matar à nascença! Marcando uma nova cimeira para a próxima quarta-feira – prática recorrente desta dupla - já ninguém percebe para que servirá a de domingo, que o Eurogrupo está neste momento a preparar. Talvez se perceba! Percebe-se que é a UE no seu ritmo próprio, a preparar a cimeira de domingo que irá preparar a de quarta-feira… À espera de milagres!

Mas não há milagres. Ao adiar o inadiável a França e a Alemanha continuam presas às suas vistas curtas. Querem fugir com o rabo dos seus bancos à seringa do hair cut da dívida grega. Não percebem que não vale a pena! Que, assim, apenas se aproximam mais e mais seringas. Cada vez com agulhas mais compridas e - quem sabe? – se já sem rabo para tanto!

Nesta altura do campeonato já não é só o mexilhão que se lixaLixam-se todos, vejam lá se percebem!

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boashttps://quintaemenda.blogs.sapo.pt/120789.html

O Presidente Cavaco Silva tem alguns problemas com o sentido de oportunidade. Quando deve falar não fala, e fala quando deve ficar calado! Raramente diz o que deve e é frequente dizer o que não deve!

Na semana passada, no Instituto Universitário Europeu, em Florença, com a excepção, confirmou a regra. Quando, no seu melhor discurso sobre a Europa – de que raramente o tínhamos ouvido falar – apontou as origens da crise europeia, os seus responsáveis - a Alemanha e a França, os primeiros a violar o limite do défice – e as medidas que importa urgentemente tomar, foi oportuno: disse exactamente o que deveria ser dito, no momento próprio, e no local apropriado. Já quando permaneceu mudo perante a situação da Madeira ou quando, como ontem, se pronunciou sobre o Orçamento, os cortes nos subsídios de natal e férias e a desigualdade na distribuição dos sacrifícios, regressou ao seu normal desempenho: calado quando teria de falar e a falar quando teria de estar calado!

Devo começar por dizer que estou inteiramente de acordo, como não poderia deixar de ser pelo que por aqui tenho escrito, com tudo que o PR disse. Acontece que ele não pode dizer aquilo que eu, ou qualquer outro cidadão normal, posso. E não é sequer pelas abismais diferenças de responsabilidade, é simplesmente pelas consequências.

O que o Presidente ontem disse sobre as medidas constantes no Orçamento tem que ter consequências, num momento em que não pode ter nenhuma!

Quando, no seu discurso de posse, Cavaco afirmou que os sacrifícios dos portugueses tinham limites, abriu a caixa de Pandora. Naquele momento ficou impedido de, agora, ficar calado. Dizendo o que então disse, Cavaco não poderia deixar de criticar os imensamente maiores sacrifícios que agora este governo está a exigir; não poderia deixar de dizer que não mudou de opinião porque mudou o governo.

O problema é as consequências. Quando, em Março, produziu aquele discurso, as consequências foram imediatas. E óbvias: a corda esticou e partiu de imediato, com o famoso PEC IV a não servir de mais que simples adereço fúnebre do governo de Sócrates. Agora, as consequências não seriam menos óbvias: pedido de verificação de constitucionalidade ou mesmo veto do orçamento! O PR não pode promulgar um orçamento com medidas que condena e reprova e que, embora o não tenha expressado directamente, deixa entender serem inconstitucionais.

Cavaco não pode deixar de tomar esta atitude. Mas também não a pode tomar!

Cavaco, para além do político no activo com mais anos de actividade e com mais experiência política, é ainda apresentado pelos analistas políticos como o mais sagaz, calculista e matreiro de todos. Custa a perceber como se deixou enrolar nesta ligadura gigante…

A primeira consequência deste imbróglio é evidente: o PS, que o governo tanto queria colar à aprovação deste orçamento, fica completamente desobrigado de não votar contra. E com as costa bem quentes!   

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas

Afinal, ao contrário do que por aí se dizia, o governo está preocupado com a economia. E tem estratégia!

Questionado sobre o assunto quando apresentava o OE 2012, o ministro das finanças disse claramente que a estratégia para a economia portuguesa era a consolidação orçamental e a estabilidade financeira. Eu não percebi! Como que por milagre – provavelmente o mesmo que irá impedir que a economia caia mais que os 2,8% previstos – percebeu que eu não estava convencido e resolveu explicar melhor, explicar como só ele sabe: a consolidação orçamental e a estabilidade financeira vêm trazer credibilidade, que é o que a economia precisa!

Continuei sem perceber. Mas como não houve mais milagres fiquei a pensar que o problema era meu!

Estava eu nisto quando eis que surge novo milagre: o ministro da economia veio falar! Bom, apenas meio milagre. Milagre completo seria se, para além de simplesmente falar, dissesse alguma coisa. Alguma coisa importante, bem entendido, e com algum jeito!

O Álvaro disfarçou-se de vendedor da banha da cobra e veio dizer alto e bom som que há vida para além da austeridade. É pouco? Não é nada?

Não, não! É muito! Afinal o homem está a fazer-se, já não falta tudo para termos aí um ministro da economia à séria. Produziu o seu primeiro sound byte! Coisa de que não o julgávamos capaz e que, como bem sabemos, é a essência da condição de ministro!

Pela minha parte fiquei muito feliz com esta entrada do ministro da economia – na conferência “O Estado e a Competitividade da Economia Portuguesa”, organizada em Lisboa pela Antena 1 e pelo Negócios – e à espera do viria a seguir. Do que seria essa vida!

Explicou que a isso se chamava combater a subsídio dependência, reformar sem medos e receios contra lóbis e proteccionismos. Bem dito, gostei de ouvir! Chamo a isso limpar a economia, são medidas de higiene económica. Mas então por que é que, quando se apresenta um orçamento destes, não se fala das PPP? Por que é que, quando o escândalo das estradas está na ordem do dia - com o Estado obrigado a entregar aos concessionários 600 milhões de euros em razão de um contrato revisto à medida – subsistem medos e receios contra lóbis e proteccionismos?

Depois, para compor o ramalhete, umas não medidas (não se pode voltar a relançar o crescimento económico através de subsídios; não se pode voltar a obras públicas faraónicas…) e uma grande novidade, que nem estamos fartos de ouvir: "Portugal tem de levar a cabo as reformas estruturais de que precisa”!

Ora aí está um governo cheio de ideias para a economia! E a gente a pensar que o governo não passava duma gigantesca Repartição de Finanças… Estamos bem entregues! Estamos, estamos…

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas

Andámos anos e anos a fazer auto-estradas, por todo o país, muitas vezes umas ao lado de outras. Sem dinheiro para as portagens, deixamo-las ao abandono e, agora, restam-nos apenas dois simples caminhos: o caminho da Grécia e o da Irlanda!

Nunca soubemos bem para onde íamos - sempre tivemos problemas de orientação - mas parece-nos que vamos a caminho da Grécia. Lá de Bruxelas, dizem que vamos no outro, a caminho da Irlanda. Mas nós bem sabemos como eles se vêm gregos com a nossa sinalética, que nunca foi famosa

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas

No segundo semestre de 2007 a crise financeira internacional começou a mostrar a cara. Era uma crise com origem no subprime americano, que toda a gente já sabe o que é e no que deu. Um ano depois, em 2008 – faz agora três anos – surge o acontecimento que veio virar do avesso o sistema financeiro internacional: a falência do Lehman Brothers.

Por cá atravessávamos uma grave crise económica, com o país já em recessão, depois de quase uma década sem crescimento económico. Depois da entrada do euro, no início da década - e do século e do milénio – a nossa economia não mais crescera. Roubaram-lhe o único instrumento de crescimento que conhecia: a desvalorização cambial!

Mas o governo de José Sócrates, pese embora os sinais de capacidade reformadora, e até de controlo orçamental, que começara por dar, não quis saber. Já a pensar nas eleições do ano seguinte, Sócrates anunciava que Portugal, porque se tinha preparado bem, não seria afectado pela crise internacional e o ministro da economia – o incontornável Manuel Pinho – declarava solenemente o fim da crise. Até às eleições de 2009 todos sabemos o que se passou, com BPN, aumento dos salários da função pública, tudo a esconder e negar a crise. Que, só depois das eleições, o governo finalmente admitiria!

Mas já não era crise, velha de anos, que Manuel Pinho declarara extinta. Não! Agora diziam que era a crise importada, a crise internacional, a tal que Sócrates garantira de que estávamos a salvo. O país começara a perceber que Sócrates mentia, que a crise era a mesma, a velhinha, que não nos largava. Que, PEC atrás de PEC, se agravava a cada dia. A oposição nega qualquer vestígio estrangeiro no genes da crise e o Presidente da República só já depois da entrada em funções do actual governo – que, agora que já não é oposição, também muda de posição - se converte à ideia de que tudo isto provém lá de fora, e que é mesmo a União Europeia a culpada disto tudo.

A crise é evidentemente de origem interna e resulta de mais de uma década sem crescimento, do esgotamento de uma economia desestruturada e viciada. O resto veio depois! Os mercados financeiros, que começaram a pressionar Grécia pela simples razão de que não poderia ser de outra forma – não foi por critérios económicos que a Grécia integrou a UE, foi razões de estratégia geopolítica, cujo preço algum dia teria de ser pago – e, logo a seguir, a Irlanda, porque teve que acorrer ao seu sistema financeiro – esse sim atingido pelo efeito subprime – voltaram-se para Portugal. Por uma simples razão: repararam que um país que não cresce há mais de dez anos, e que nem sequer tem condições de inverter esse bloqueamento, não consegue pagar o que deve.

É esse o nosso problema. O nosso défice orçamental e a nossa dívida pública não seriam problema nenhum se não fosse a nossa crise económica endémica. Não conseguimos, nem ninguém consegue, pagar o que deve quando está cada vez mais pobre! E quando um credor percebe isto não só não empresta nem mais um chavo como exige de volta o que emprestou…

A troika, à boa escola do FMI, aplica a mesma receita para todos os casos, fazendo crer que a terapia não tem que ter a ver com a doença. Que lhe basta ser punitiva: o tratamento está na punição severa!

É como alguém estar com uma doença hepática, eventualmente até por alguns excessos alcoólicos e, em vez de se lhe retirar o álcool e tratar do fígado, lhe receitar exercício físico. Do mais violento e com umas cervejas para matar a sede!

Discute-se agora – tanto e nas mesmas bases (de conveniência política ou ideológica) como, há bem pouco, se discutia se a crise era interna ou externa – se as medidas poderiam ser outras. Se, afinal, isto poderia ser diferente. Claro que sim, que as medidas poderiam ser outras, as acertadas para a doença. Se o mal está na falta de crescimento, medidas que agravam o mal resolvem o quê?

Mas não podemos esperá-las de quem já se percebeu que não está preparado para as exigências do momento. E esse é, há muito, outro dos nossos grandes dramas!

 

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas

futebolês também se faz de termos correntes da nossa língua como este: sorteio. Que tem a ver com sorte, às vezes com sorte e azar, e que tanto serve de instrumento de marketing, e mesmo de comunicação – então em tempos de crise como este não há mãos a medir, seja para ajudar a vender qualquer coisita ou pura e simplesmente para enganar os mais incautos – como instrumento de receita para qualquer iniciativa, das mais nobres às mais obscuras, ou ainda como instrumento de alimentação de fantasias excêntricas de milhões de pessoas a sonhar com milhões. Só que em futebolês não tem o mesmo significado: limita-se à arrumação dos jogos numa competição, o sorteio dos jogos para os campeonatos nacionais, para as diferentes taças, para as competições de clubes e de selecções da UEFA e da FIFA. Que têm a ver com sorte – basta ver, por exemplo, como muita gente fala das suas expectativas de êxito com a sorte nos sorteios – mas também com muita manipulação de interesses. Sempre financeiros, como não poderia deixar de ser!

No campeonato nacional os três grandes não se podem defrontar nas cinco primeiras jornadas: não vindo daí mal ao mundo não deixa de ser uma manipulação! Já nas provas da UEFA, quer de clubes quer de selecções, e nas de selecções da FIFA, a coisa pia mais fino: os sorteios são completamente manipulados para favorecer os mais fortes, com a história dos potes e dos cabeças de série, que evitam caprichos da sorte e, com eles, indesejáveis processos de canibalização dos mais fortes.

Ainda agora, neste sorteio do derradeiro play-off de apuramento dos mais atrasados na corrida à fase final do Euro 2012, para onde a nossa selecção se deixou cair, se viu que os designados cabeças de série se não podiam defrontar, sem que ninguém tivesse percebido muito bem por que razão, por exemplo, a Irlanda ficou com esse estatuto em desfavor da Turquia. Pela parte que nos toca veremos se justificamos esse estatuto quando, daqui por um mês, tivermos que nos haver com a Bósnia!

Não fosse o futebol um jogo com forte dose de imprevisibilidade – afinal aquilo que o torna no mais apaixonante dos jogos – e seriam sempre os mesmos a ganhar. Quer dizer, aqueles que teriam por principal missão defender o jogo, são os que mais agridem a sua principal fonte de vida: precisamente essa ideia mítica de que são onze contra onze, que a bola é redonda e que, no fim, qualquer um pode ganhar. Um paradoxo que o dinheiro ajuda a explicar!

Em Portugal, a prova onde o sorteio é mais flagrantemente manipulado é a Taça da Liga – chamo-lhe assim porque, com os patrocinadores a mudarem todos anos, só mesmo assim poderá ser conhecida – onde não é possível evitar a presença de pelo menos um dos grandes na final. Não fosse a tal imprevisibilidade, e também algum facilitismo circunstancial de algum desses grandes, e o desígnio do sorteio ditaria mesmo uma final vedada a intrusos. É que, doutra forma, não haveria nem patrocinadores nem espectadores!

A UEFA é o mais descarado manipulador de sorteios, quer na milionária Liga dos Campeões quer na pobre Liga Europa, porque o truque é o mesmo. É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha que uma equipa de um clube que não integre o grupo dos tubarões passar da fase de grupos! Longe vai o tempo da Taça dos Campeões Europeus, disputada apenas pelos campeões de cada país que se defrontavam em regime de sorteio puro!

As grandes potências europeias do futebol – Espanha, Inglaterra, Itália e Alemanha – asseguram logo quatro representantes cada. Passa-se ao sorteio e as equipas são arrumadas em quatro potes: no pote 1, os multimilionários, no 2, os ricos, que vêm a seguir, no 3, os pobres e, no 4, os bobos da festa, constituindo-se cada grupo por um de cada pote. Apurando-se os dois primeiros, está-se mesmo a ver que possibilidades restam para os pobres e para os bobos da festa!

Segue-se o sorteio do calendário que estabelece a ordem dos jogos. Que, para que nada corra mal, é também manipulado tratando de, na fase decisiva do calendário da prova – o último jogo da primeira volta e o primeiro da segunda – agendar os dois jogos consecutivos entre o milionário e o bobo da festa. Ou seja, se alguma coisa estiver a correr menos bem ao milionário – veja-se o caso actual do Manchester United, do grupo do Benfica, com apenas 2 pontos à entrada do último jogo da primeira volta, que terá agora oportunidade de fazer seis nos dois jogos com o bobo que veio da Roménia – é-lhe dada a oportunidade dar uma sacudidela na crise e de embalar para o lugar que desde sempre lhe está reservado.

Passada esta fase, e apurados naturalmente o milionário e o rico, por esta ordem, segue-se a fase dos jogos de eliminação directa. À sorte? Qual quê, sempre o milionário contra o rico!

Excepcionalmente – a excepção que confirma a regra – os sortilégios do futebol pregam uma partida a esta gente. Aconteceu uma única vez - em 2004 – e deu numa irrepetível final entre o Mónaco e o Porto. Que o Porto soube aproveitar bem e Mourinho melhor! Em 2004, quando até a  Grécia foi campeã da Europa, à nossa custa.

Se, como se diz, a sorte dá muito trabalho, estes sorteios dão ainda mais!

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas

O país levou com mais um soco no estômago, para usar a expressão celebrizada pelo próprio primeiro-ministro. Mais que as medidas anunciadas para o Orçamento do Estado do próximo ano creio que o golpe mais duro do murro, aquele que espetou o estômago já vazio dos portugueses nas costelas, foi ver o primeiro-ministro falar durante meia hora de mais e mais impostos, de mais e mais austeridade, sem uma única palavra para a economia, sem uma única referência às reformas fundamentais sempre adiadas e sem apontar o dedo às vacas sagradas instaladas no regime.

Como não acredito que o primeiro-ministro se limite a comunicar sacrifícios aos portugueses por mera inabilidade política – apesar de disso ser, e há muito, frequentemente acusado – tenho de concluir que ele o faz pela simples razão de que o governo não tem outras soluções que não aumentar impostos e cortar nos magros rendimentos do trabalho. No governo anterior chegamos de PEC em PEC onde chegamos. Neste, vamos sucessivamente mais longe que a Troika para chegar a lugar nenhum.

No governo anterior Sócrates mentia-nos, apresentava cada PEC com a arrogância e o cinismo de quem nada tinha a ver com o anterior e falava como um lunático de um país que não existia. Neste, Passos Coelho vai para além da troika com a humildade que apreciamos, pede desculpa e mostra-se até arrependido de aqui ter chegado. Os seus gabam-lhe a coragem, como os de Sócrates lha gabavam – mais a determinação e a força do animal feroz que puxava pelo país - que nós não encontramos. Vemos, sim, cobardia! A cobardia do mais do mesmo, a cobardia de quem ataca os fracos para não tocar nos fortes.

Claro que sei que é de medidas destas que, numa lógica cada vez mais difícil de entender, os nossos credores internacionais estão à espera. Já vieram, de resto, aplaudi-las com a Srª Merkel a dizer já que Portugal está no bom caminho. Mas não está, porque este é o caminho da Grécia, que já vimos onde vai dar!

O velho desvio colossal – que foi e deixou de ser sem nunca ter sido explicado – vai agora, ao que nos diz o primeiro-ministro, nos 3 mil milhões. Este buraco, que será tapado por receitas extraordinárias - eufemismo de contabilidade criativa -, e por isso irrepetíveis, comporta os ditos 600 milhões do da Madeira (hão-de ser mais, é só esperar mais uns meses …) e mais um ou outro dos esqueletos encontrados nos armários, até porque os mais robustos desses esqueletos foram directamente a défices anteriores. A fatia mais significativa destes 3 mil milhões vem da execução do orçamento deste ano, por descontrolo na despesa mas, fundamentalmente, por derrapagens na receita. Porque a actividade económica caiu bem mais do que o esperado e algumas das receitas fiscais não passam de miragens!

É aqui Passos Coelho se engana! E nos engana a nós, pelo menos enquanto não conhecermos as premissas macroeconómicas do orçamento para o próximo ano. É que os efeitos recessivos das medidas anunciadas são, esses sim, colossais e terríveis na procura interna. E é que a economia portuguesa depende em 2/3 do mercado interno. E é ainda que, se outras razões não existissem, bastariam as limitações de crédito para limitar o crescimento das exportações. A única parte da economia que cresce é a informal que, se serve de pequena almofada social, não contribui para a receita!

Passos Coelho garantiu hoje no Parlamento que não iria andar a anunciar pacotes de austeridade uns atrás dos outros. Só há uma razão para que não tenha voltado a mentir: é já não haver por onde. Lá para meados do próximo ano voltaremos a ouvir falar de desvio orçamental e poderá ser que, então, quando já nada mais haja para retirar aos portugueses, se ouça falar de energias alternativas, de renegociação de parcerias público-privadas (PPP), de responsabilização criminal dos responsáveis por certos contratos a que o Estado está agarrado ou das denúncias de Paulo Morais (o antigo vice-presidente da Câmara Municipal do Porto e actual responsável da TIAC, Transparência e Integridade Associação Cívica) – entre as quais a de que, nos últimos anos o Parlamento se transformou num escritório de representação de negócios (na última legislatura eram 70 – 1/3 – os deputados que ocupavam lugares na administração de empresas que tinham negócios com o Estado e, na Comissão Parlamentar de Obras Públicas, quase metade dos deputados eram administradores de empresas do sector).

Coragem, coragem era enfrentar estas formas de crime organizado. Coragem era chegar ao FMI e à UE e explicar-lhes que o ajustamento que Portugal tem que fazer não é possível em dois anos e que austeridade é um meio – a usar criteriosamente – e nunca um fim. Explicar-lhes que um programa de ajuda tem de ajudar, não pode matar! E mostrar-lhes que temos soluções, que o governo não passa o tempo a fazer simples operações aritméticas para chegar a um número qualquer que sempre lhe haverá de fugir, mas a trabalhar num programa de reformas e de desenvolvimento económico para o país.

 

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas

Nem mais. E nós que pensávamos que os ares de Teerão lhe poderiam fazer bem à cabeça!

Mas não. Bastou que o seu Irão goleasse a fortíssima selecção do Bahrein – reduzido a 10 logo no primeiro minuto, no que foi a expulsão mais rápida na história do futebol – e que a selecção nacional regressasse aos seus tempos para que fizesse logo, sem perder tempo, prova de vida.

E, com este Queiroz que há muito perdeu a cabeça, prova de vida é isto! E quando não é isto…é pior!

Mas nem tudo é mau. É que também se pronunciou a propósito do tema mais importante da actualidade: Hulk! Não, não foi para dizer se ele deve esperar para cumprir pena de prisão ou pirar-se já daqui para fora. Foi mesmo para desmentir que tivesse passado pela cabeça de alguém convidá-lo para a selecção nacional!

E disse que isso era uma patetice. E quem o diz é pateta!

Eu, que ouvi ontem Pinto da Costa afirmar que o Carlos Queiroz lhe havia pedido para consultar o Hulk nesse sentido – e aproveitar para acrescentar que o jogador recusara de imediato, porque aspirava legitimamente a jogar na selecção brasileira, como ontem mesmo se confirmava com a primeira titularidade – gritei: Bingo! Carlos Queiroz chamava pateta a Pinto da Costa, coisa que muita gente pensa mas ninguém ousa dizer… Logo ele, por quem, como se sabe, Pinto da Costa nutre pública simpatia!

Pena que, com tanta patetice, esta não passe de mais uma. Assim ninguém leva a sério o que seria a sua mais forte prova de vida: chamar pateta a Pinto da Costa!

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas

 

A União Europeia (UE) já não existe. É meramente virtual!

Começou a desaparecer quando deixou de haver quem mandasse, como sempre acontece com tudo o que é organização. A velha questão da liderança!

À falta de quem mandasse, a Alemanha, com a Srª Merkel, chegou-se à frente e começou a falar grosso. E começou a mandar, coisa em que, no fundo, nem os alemães estavam assim tão interessados. Ao ver isso a França de Sarkosy começou a pôr-se em bicos de pés – não leve a mal Mr Sarkozy, isto de bicos de pés não é ironia -, e a aconchegar-se ao lado da senhora, a dar a ideia de que haveria um eixo franco-alemão a tomar conta do estabelecimento. Mera ilusão, não saiu dali nada de jeito!

A partir daí a desagregação acelerou-se. Cada estado membro passou a preocupar-se apenas com os interesses do seu próprio país, e daí até que cada líder nacional passasse a preocupar-se com o seu futuro político imediato foi um ver se te avias! As decisões já não eram tomadas em função do interesse da União, nem sequer do interesse do país membro, mas do interesse imediato de quem aí ocupava circunstancialmente o poder.

E a UE passou a ser governada com os olhos nas eleições que todas as semanas ocorriam num qualquer canto da Europa. Passou a ficar refém do eleitorado de um estado alemão qualquer, de um município francês ou austríaco. Ficamos suspensos das eleições finlandesas, como nós portugueses nos lembramos bem. E, de repente, damos com a União à mercê, já não dos interesses particulares de cada país membro, nem sequer das conveniências eleitorais deste ou daquele líder nacional, mas do simples jogo político de um qualquer pequeno partido que integre uma coligação qualquer no poder de um qualquer pequeno país.

A Eslováquia encarregou-se de mostrar com toda a clareza que a UE já não existe. A ratificação da medida salvadora – o reforço do Fundo de Estabilização Financeira (FEF) – que os europeus saudaram em 21 de Julho ficou presa no parlamento eslovaco nas mãos de um pequeno partido. Uma decisão fundamental que foi de férias e, quando regressou, três meses depois, ficou à porta do parlamento de um país com três milhões de europeus!

Mas a senhora Iveta Radicova – primeira-ministra eslovaca – já veio dizer que a birra do seu parceiro de coligação vai passar. Que na próxima semana a coisa se resolverá!

Surreal!

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas

Uma decepção enorme. O que se dizia fácil, afinal não era|

Paulo Bento não tem culpa de nenhum dos jogadores portugueses atravessar momentos exuberantes de forma. Também não tem culpa que Pepe, Coentrão e Hugo Almeida (sim, é o que temos) estejam incapacitados. Não tem seguramente toda a culpa que Raúl Meireles nunca tenha jogado tão mal, que Moutinho - de quem se diz não saber jogar mal – não esteja a jogar nada, ou que Danny tenha feito não sei o quê para não vir. Mas terá alguma!

E Paulo Bento tem culpa – toda a culpa – quando apresenta uma equipa com Hélder Postiga. E com João Pereira. E com Rolando. Tem culpa quando deixa de fora um jogador como Bosingwa. E tem a máxima culpa quando diz que não precisa dele porque está bem servido. E tem a máxima culpa quando coloca a sua mania de mauzão acima dos interesses da selecção. Refiro-me a Ricardo Carvalho, como é evidente! Não é rijo quem quer, é rijo quem pode, e Paulo Bento, aqui, não pode. Simplesmente não pode!

Nunca a selecção jogou tão mal como nestes dois últimos jogos. Nem nos dois primeiros jogos deste apuramento, que eram os tais da desgraça e dos tempos que tinham ficado para trás, enterrados nas culpas de Carlos Queirós.

Assim não, Paulo Bento. Assim não!

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