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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog

Miguel Relvas, hoje, à saída do Conselho Nacional que aprovou as listas para as próximas eleições: “Vi hoje as listas do PS e quem lá está? Os ministros e secretários de estado que quase arruinaram Portugal. Não arruinaram porque o PSD não deixou”!

Há 10 anos

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O ministro da propaganda – perdão, da presidência –, Silva Pereira, garantiu hoje, enquanto, também ele, anunciava os fabulosos resultados da execução orçamental do primeiro trimestre, não existir qualquer risco de rotura no pagamento de salários da função pública. E chamou de terroristas as notícias que davam conta desse risco, como as que ontem circularam relativamente às forças armadas.

“Quando a receita cresce 15% e a despesa desce, é evidente que as receitas cobrem despesas…”, disse. É evidente que sim - é mera aritmética - partindo de um défice menor ou igual a 15%. É o caso, suponho! Portanto é assim evidente que não há défice – que é o que acontece quando as receitas cobrem as despesas. 

É evidente que a troika está cá por engano. Foram chamados para Espanha e vieram, por engano, parar a Portugal.

O que a propaganda faz. É tal o esforço de propaganda que até com o défice se acaba! Tivesse o governo investido tanto na governação como agora investe na propaganda e hoje não tínhamos problemas nem de défice, nem de dívida, nem de confiança, nem de credibilidade, nem de nada…

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog

Ainda esperávamos pela explicação dos encontros (e desencontros) de Sócrates e Pedro Passos Coelho – também, pelo que vi, só eu é que a pedi – e já estávamos a levar com outra: desta vez ficou a saber-se que, provavelmente na sequência desse encontro, os deputados do PSD receberam, por sms, ordem para manter a boca fechada ao longo desse famoso 11 de Março. Para não se pronunciarem sobre as negociações à volta do PEC 4 que decorriam em Bruxelas, para nãos as prejudicar.

Não me importa, agora e aqui, perceber se esta inconfidência de Pacheco Pereira, ontem no Quadratura do Círculo da SIC Notícias, é acidental ou se é premeditada. Se resulta de um simples lapso ou se é uma facada destinada a atingir mortalmente Passos Coelho. Lá porque arrancou com um “como já toda a gente sabe” não quer dizer nada. Porque a verdade é que ninguém sabia. Como ele bem sabia…

O que me importa é que isto adensa mais as nuvens já bem carregadas que tornam este ar irrespirável. É urgente explicar o que se passou com a tal reunião de S. Bento na véspera da partida para Bruxelas com o PEC 4, no dia da discussão da moção de censura no parlamento e no dia seguinte à tomada de posse do presidente. Uma reunião - ao que se diz - de quatro horas, naquela conjuntura, seguida dos tais sms, não bate certo com o desenvolvimento circunstancial que desembocou no chumbo do PEC e na actual crise política.

Mas o que decididamente não bate certo é o silêncio absoluto sobre tudo isto durante mais de um mês. O que não bate certo é este secretismo que interessa às duas partes: Sócrates e Passos Coelho. O que confirma que nada bate certo é a própria forma como estes factos chegam ao conhecimento público: o primeiro soprado – bem baixinho e sem grandes ondas – a partir do partido do governo e, o segundo, directamente de alguém que, independentemente de juízos e avaliações de traição, é bem conhecido pelo afastamento crítico que cultiva em relação à liderança do seu partido.   

Mas é, e continua a ser, estranhíssimo que Sócrates e a sua fabulosa máquina de marketing não utilize estes episódios. Ainda hoje temos visto ao longo de todo o dia um autêntico desfile de ministros a demonstrar, através do anúncio dos sensacionais resultados da execução orçamental do primeiro trimestre – com evidente manipulação propagandística, mas isso agora não vem ao caso – as culpas da oposição na actual situação do país. Mas nem a mais leve utilização destas culpas ...  E isso continua a fazer-me confusão!

 

Há 10 anos

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A gritaria continua. No meio desta gritaria ensurdecedora já ninguém ouve ninguém. Talvez por isso o presidente nada diz. Um dia mais tarde - talvez no site da presidência ou no facebook - haverá de vir explicar que nada disse porque no meio desta gritaria ninguém o ouviria. Porque a Constituição não lhe dá poderes para falar mais alto, para falar por cima dos outros… E porque não tem meios: nem para um simples megafone. E pedir um emprestado aos Homens da Luta não iria bem com o estatuto!

Por tudo isso … deixa andar: esta não é a sua guerra! Os tipos da União Europeia que os mandem calar, como o mandaram calar a ele. Que lhes digam que deixem as eleições para mais tarde, que o tempo, agora, é de ver se o programa sai a tempo de ser aprovado pelo Ecofin, lá para meados de Maio. Que lhes expliquem que não vale a pena continuarem a esfolar-se porque as eleições não vão decidir nada. Nada a não ser o capataz que a UE e o FMI cá deixam a velar pelo cumprimento das suas ordens. Que tudo é decidido por estes tipos que não têm, nem nunca terão, nada a ver com eleições. Que eles só têm que assinar, nem que seja de cruz.

Assim é que, no meio desta gritaria, nem percebemos bem os pontos de ordem à mesa. Vêm em inglês e em voz grossa!

É que alemães, holandeses, suecos e especialmente finlandeses – e digo especialmente porque também estão em período eleitoral, quer dizer, no período em que têm voz – já não nos vêm se não como pedintes irresponsáveis. Se já nos achavam uns calões incorrigíveis – estou convencido que é precisamente por isso que eles embirram particularmente com a nossa legislação laboral – agora acham-nos uns miseráveis pedintes, a quem se pode virar a cara e deixar de mão estendida.

Imagine, caro leitor, que ao portão de um beco qualquer se deparava com um pedinte que lhe estendia a mão. Enquanto pensava em puxar do porta-moedas olhava para o fundo e, no meio de tudo a arder, via um tipo impávido e sereno a assistir ao incêndio. E uma data de outros tipos numa festa onde, puxando pelos últimos cobres do bolso, se continuam a embebedar, completamente alheios às chamas. Chegaria a abrir o porta-moedas? Muito provavelmente não: fugiria dali, sem se cansar de repetir que era tudo gente doida!

A imagem que o país está a passar para os seus credores europeus – já não vale a pena continuar a falar de parceiros europeus, porque já não é assim que eles nos vêm, a única relação que agora temos com eles é a de devedor/credor – não é muito diferente desta. Já só faltava mesmo aparecerem uns militares que, na perspectiva do dinheiro já não chegar aos ordenados - e sabe-se lá se influenciados pelo reclamado dono do 25 de Abril - começarem a deixar umas certas insinuações no ar! Não sei quando voltará a fazer sentido falar de parceiros europeus. Sei é que, hoje, é completamente descabido apelar, como ainda hoje fez o inefável Pedro Silva Pereira a propósito da posição finlandesa, à solidariedade europeia. Isso acabou tudo!

 

Há 10 anos

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Com o país no estado em que está, com o FMI já instalado e os alemães a apresentarem uma providência cautelar no Tribunal Constitucional, porque não estão dispostos a dar mais para este peditório, com o PS no estado que acabámos de ver no fim-de-semana e com o PSD e Passos Coelho como estamos a ver – sem rumo, sem estratégia, sem clarividência e que decididamente não convence – já está à vista no que vão dar as eleições!

Porque vivemos na fatalidade de dois terços do eleitorado votar no PS e no PSD, independentemente do seu desempenho, das suas propostas eleitorais - que ninguém sequer está interessado em conhecer - e da personalidade e carácter das suas lideranças – o que bloqueia todo o espectro partidário – já dá para perceber que, com um Passos que não convence e um PSD que não descola (com Fernando Nobre a ser o tiro que sai pela culatra) e com Sócrates agarrado à bóia, nenhuma maioria parlamentar efectiva poderá sair destas eleições que não passe pelo bloco central.

Parece-me que Paulo Portas terá sido o primeiro a percebê-lo. Prepara-se já para ser o novo de líder da oposição.

Da esquerda não há muito a esperar. O Bloco cresceu até rebentar… Já rebentou! O PCP vai-se segurando com um tecto nos 10% que um eleitorado fixo lhe garante. Ambos bem agarrados às suas crenças e de olhar perdido em tempos que já não voltam.

Eis pois o que nos espera: um governo com este Sócrates e com este Passos Coelho (continua por esclarecer aquela trapalhada do encontro em S. Bento), um presidente de magistratura activa invisível e com o discernimento político que ainda no passado fim-de-semana demonstrou, e uma oposição liderada por Paulo Portas.

Seria possível pior?

Há 10 anos

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Um mês depois ficou a saber-se que Sócrates e Passos Coelho se encontraram em S. Bento na véspera da apresentação do famoso PEC 4 em Bruxelas.

Saber-se de um encontro entre estas duas figuras um mês depois de ter ocorrido não é anormal. Não pode ser normal! Não se percebe como poderia não ser relevante para se tornar público! Se foi entendido conveniente mantê-lo privado não se percebe a razão. Se esse entendimento resultou de um acordo de cavalheiros entre ambos, menos se percebe ainda!

Quando o governo – Sócrates – foi tão duramente criticado por, ao arrepio de elementar espírito democrático, se ter vinculado a mais este PEC sem consultar o seu parceiro de lides PECianas e sem informar o presidente. Quando Sócrates sempre reagiu a isso precisamente (apenas) com o argumento de que tinha telefonado a Passos Coelho (quanto ao presidente justificaria que mais não fez que repetir o que sempre fizera – não informar previamente). E quando passou para o país que, mais que propriamente divergências de conteúdo sobre o PEC – conforme os imensos tiros nos pés de Passos Coelho – o que esteve em causa era a forma, a forma como Sócrates desprezou o(s) seu(s) parceiro(s) de tragédia, com as consequências conhecidas, nada disto se percebe.

Não se percebe que Sócrates não tenha dito que chamara Passos Coelho a S. Bento e que se tenha ficado pelo telefonema. Ninguém percebe o que teria Sócrates a ganhar com isso…

Ninguém percebe que, quando passou para o país que Passos perdera toda a confiança em Sócrates – o que todo o país percebia sem qualquer dificuldade - estes dois se pudessem entender em esconder tal encontro durante um mês.

Ninguém percebe que venha agora o aparelho do PS – eu ouvi Francisco Assis, mas não tenho dúvidas que muitos outros se seguirão – reclamar a mentira de Passos Coelho. Porquê só agora?

Como ninguém percebe a reacção de Passos Coelho: dizer, sem mais, que recebeu o telefonema e que foi chamado a S. Bento mas apenas para ser confrontado com o facto consumado!

O que é que terá acontecido agora? Por que é que, depois de já terem dito um dos outros o que Maomé não diria do toucinho, este ponto fraco permaneceu escondido? Por que é que, depois de o PS ter manipulado factos e mais factos para atacar o seu principal adversário, não utilizou este que seria um trunfo aparentemente bem mais legítimo?

É muita coisa que se não percebe. Não haverá ninguém que queira explicar?

Não me digam que foi a forma que encontraram para dar as boas vindas ao FMI…

Há 10 anos

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Correu o pano sobre o mega comício do fim-de-semana do PS, sob o culto majestático do líder. Um líder sacralizado, deificado!

Sócrates confundiu-se com o governo. E fez do PS o Partido de Sócrates. O congresso do PS revelar-nos-ia já não um partido mas uma seita. Uma seita que segue cegamente o seu pastor, algures entre o líder idolatrado e o déspota temido.

Um líder que prometera pôr o país a crescer e o deixa em recessão. Que prometera criar 150 mil postos de trabalho e o deixa com a maior taxa de desemprego de sempre. Que prometera recuperar as contas públicas e as deixa na maior penúria de sempre. Que, no limite de tudo isto, nega a realidade. Que, por pura teimosia pessoal, garante que o país não precisa de ajuda externa enquanto as taxas de juro não param de subir e a credibilidade do país de descer. Que, por arrastar o país nessa irresponsável teimosia, acaba por nos deixar ao “Deus dará” da União Europeia e do FMI. Por nos entregar ao mesmo FMI que diabolizou e com o qual nos assustou como ninguém.

O líder que, pela primeira vez, leva pelas suas próprias mãos o país de rastos até ao FMI. É que Soares, nas duas vezes anteriores, fê-lo para expiar penas alheias – na primeira arrastado pelos desmandos do PREC e, na segunda, pela incompetência e eleitoralismo de Cavaco Silva (sim, ele já cá anda há muito, e, quando ministro das finanças do primeiro governo da AD - um governo de apenas um ano, pelas vicissitudes da lei eleitoral de então - para voltar a ganhar as eleições no ano seguinte, protagonizou um regabofe que passou pela valorização do escudo em 6%, uma valorização irresponsável que fez disparar as importações e todos os défices) que nos encaminhou durante os dois governos de Sá Carneiro (quem diria que também isto faz parte do mito Sá Carneiro?), alegremente até ao FMI. Mário Soares foi, na altura, apenas motorista num percurso traçado pelos governos da AD.

Que nos entrega ao FMI sem poder imputar responsabilidades a mais ninguém. Porque é ele que em 6 anos nos leva até lá e não, como pretende fazer crer, uma oposição que há duas semanas lhe chumbou um PEC – para ele o quarto mas para nós o inconsequente enésimo – que ele, sem o mínimo respeito pelas regras democráticas, negociara à revelia de tudo e de todos.

Mas Sócrates não nos entregou ao FMI apenas depois de ser o responsável por isso e de nos assustar com isso. Entregou-nos depois de nos mentir também sobre isso. Depois de, na véspera, ter negado qualquer hipótese disso vir a suceder. Depois de negar que isso tivesse sido abordado no Conselho de Estado, abrindo a porta a uma sucessão de vergonhosas indignidades, e arregimentando para essa mentira figuras do seu partido sempre disponíveis para a cumplicidade na construção das suas realidades forjadas.

Seria possível, num contexto que não o de uma seita, reeleger por mais de 93% um líder como este? E votar a sua moção com 97% dos votos? E aclamá-lo e responder-lhe em uníssono que estão com ele?

O culto da personalidade que pairou sobre o congresso demonstra bem a afinidade de Sócrates com Kadhafi e Chavez. Não, ele não quis apenas fazer negócios com eles. Ele identifica-se com essas duas personalidades. Só isso explica aquilo em que transformou o congresso!

Um congresso que ele tinha preparado para surgir como o salvador da pátria das garras do FMI e onde, porque os banqueiros, ao lado dos quais sempre esteve e que sempre estiveram ao seu lado, tirando-lhe o tapete, o obrigaram a uma mudança de guião de última hora. Com a qual lidou com o maior dos à vontades. Como se nada se tivesse passado!

Tenho pena, muita pena, de ter visto o que vi neste embuste!

De ver dentro, mas principalmente fora do Congresso, gente que tenho por inteligente trocar o cartão de militante pelo de membro da seita. De ver, António Costa, sem surpresa, e António Vitorino, com alguma surpresa e todo o ridículo, integrarem a seita. E de ver Ferro Rodrigues resumir-se ao simples papel de coelho que Sócrates tirou da cartola.

De resto pouco mais deu para ver. Deu para ver Jaime Gama, ainda com a cadeira de segunda figura do estado quente e já com a janela da retirada aberta sobre o Atlântico, sair um pouco do guião. Deu para ouvir Luís Amado – a única voz sensata e (estranhamente ou talvez não) dissidente - admitir que seria bom que o PS fizesse uma cura de oposição. Deu para ver que ninguém quis ouvir, quanto mais aplaudir, Ana Gomes, deu para ter pena de Manuel Alegre (já só dá pena, cada vez mais) e para ver António José Seguro “escondido atrás dos arbustos”.

Há 10 anos

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O convite de Fernando Nobre para cabeça de lista do PSD por Lisboa é um mais tiro de Pedro Passos Coelho no próprio pé. O tão absurdo quanto despropositado anúncio da sua candidatura à Presidência da Assembleia da República é mais que um tiro no outro pé. Começam a ser muitos tiros nos pés …

Presidente da Assembleia da República? Agora? Mas por que carga de água?

Porque tinha já convidado Manuela Ferreira Leite? Já isso tinha sido errado, mas era um erro que se perdoava: tratava-se de deixar claro que não é de vinganças. A nobreza dos fins fazia com que se perdoasse a fraqueza dos meios!

Repetir o erro sem fins que se percebam é muito mais difícil de entender…

Fernando Nobre até poderá alargar, o que está muito longe de adquirido, a base eleitoral do PSD. Até poderia ter – que não tem - perfil para Presidente da Assembleia da República. Mas para quê falar agora de uma eleição que cabe exclusivamente aos deputados eleitos a 5 de Junho? Não lhe bastaria convidá-lo para integrar uma lista qualquer? Precisaria de ser número um de Lisboa? E logo com essa particularidade – nunca vista – de acumular com a candidatura à presidência da AR. Dois em um: absolutamente desnecessário!

Não bastou a estória da revisão constitucional, a subida do IVA ou a privatização da Caixa Geral de Depósitos?

 E, depois, Fernando Nobre também não ajuda à festa. Acaba de esbanjar o pouco do prestígio político que lhe sobrou das presidenciais e fica com muita dificuldade em arrancar a pele de oportunista que se lhe colou. E deixou-nos conversados quanto à conversa da cidadania!

Em pouco tempo habituamo-nos ao percurso errático, confuso, trapalhão e inconsequente de Fernando Nobre. Receio que Passos Coelho esteja a copiá-lo!

Há 10 anos

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Enquanto Sócrates e o governo foram de fim-de-semana para Matosinhos, o presidente Cavaco – é outro luxo - foi de fim-de-semana para Budapeste, ali bem perto do local onde as instituições europeias andam às voltas com a ajuda que lhe pedimos. E de lá já disse que não tinha nada a ver com isso de promover o consenso entre os partidos que a União já exigiu: parece que isso não está na Constituição, e que não tem meios, vejam bem!

Mas soube dizer que a União tem que ter imaginação. Imaginação para resolver o problema sem que ele tenha de se incomodar com os partidos, imaginação para desenhar uma solução intermédia para o imediato e deixar o resto para o novo governo, lá mais para o Verão…

A resposta, para vergonha dele e nossa – mais nossa, acho eu – veio de imediato: imaginação é o que não falta na União Europeia, o que lhe começa a faltar é paciência para aturar as autoridades portuguesas.

Já não bastava que o ministro das finanças lhes tivesse dito que não estava ali para negociar nada. Que isso era lá com eles!

Só visto… Sem dinheiro, sem honra e sem vergonha! A quem havíamos de ter entregado isto…

 

Há 10 anos

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último terço poderia sugerir alguma analogia com, por exemplo, o último cigarro. Não o último cigarro dos muitos – cada vez mais, acho muito bem! – que diariamente estão a abandonar um vício que já foi moda e símbolo, mas, e recuando a esses mesmos tempos, o último cigarro do condenado à morte. Assim como o último desejo piedosamente concedido a quem já tinha atravessado o corredor da morte ou subido as escadas da forca. Neste caso o último desejo de um crente que, receoso de algumas contas por acertar, substituiria o cigarro por um terço. Ou não se chamasse também contas ao terço!

Saldassem-se contas com terços e não precisaríamos agora desta coisa do FMI ou do FEEF, ou lá o que é! Com os terços que por cá se rezam, e apesar de também aí os tempos serem outros – hoje rezam-se bem menos terços que há trinta anos – éramos bem capazes de rezar para consumo interno e ainda para exportar alguma coisa, para ajudar a equilibrar a balança comercial.

Estamos em sede de futebolês e aqui o terço não é nada que se reze. Em futebolês o terço é cada uma das três partes em que se pode dividir o terreno de jogo: a zona defensiva, a zona intermediária e a zona de ataque. Por esta ordem, seriam o primeiro, o segundo e o último terço.

O último terço é a zona da decisão, por muito que em futebolês de diga que os jogos se decidem no meio campo. Como também se diz que se decidem por pormenores. Isso são tretas do futebolês, que está cheio de ideias feitas! É no último terço que tudo se decide, mesmo que por pormenores: o resto é conversa!

último terço é assim como que um campo de batalha: é lá que tudo se decide mas, para que isso aconteça, para que lá se possa decidir, é preciso levar até lá toda a logística. E posicionar lá a artilharia, evidentemente! É por isso que aos outros dois terços também o futebolês chama zonas de construção.

Quando se diz que os jogos se decidem no meio campo é claramente um exagero. Alguns, mais cuidadosos com os rigores da linguagem, dizem que se começam a decidir no meio campo. Ou que se começam a ganhar no meio campo! Isto já é mais aceitável: a ambiguidade do verbo começar dá uma ajuda!

Mas então por que é que não se começam a ganhar na defesa? Claro que se começam a ganhar é na defesa. Depois continuam a começar-se no meio campo. Mas sempre a começar, porque acabar, resolver, decidir … isso é lá à frente, no ultimo terço!

Outra coisa bem diferente é perder-se. Tão diferente que é mesmo o antónimo. Por exemplo: o Benfica, no último domingo, perdeu o jogo que deu ao Porto o supremo gozo de fazer a festa precisamente na Luz – sem luz, mas com água – na defesa. Perdeu-o, como em tantas outras vezes, mesmo no guarda-redes. Precisamente onde o Porto começou a ganhá-lo! Ora aí está: enquanto o Benfica o perdeu aí o Porto não o ganhou aí, mas começou aí a ganhá-lo!

Tempos houve em que o futebol português – clubes e selecções – não atingia o último terço. Ficava-se pela construção, mas não construía nada. Nem sequer se atrevia a ir à luta!

Era o tempo em que José Maria Pedroto – “um Deus” (porque ao fim de 19 anos os ressuscitou) para os portistas, mas com obra (que se visse) deixada em Setúbal – celebrizou o problema do último terço ao proclamar que faltavam 30 metros ao futebol português. Era verdade, uma verdade que ele denunciou mas à qual se acomodou. Nada fez para a corrigir e com ela conviveu como Deus com os Anjos. Nos seus tempos de seleccionador nacional um empate a zero era uma vitória!

Hoje, e de há alguns anos a esta parte, não é assim. Nem na selecção nem nos clubes, como ainda ontem se viu nos quartos de final da Liga Europa, com Benfica e Porto a golearem os campeões holandês e russo. E com, em especial o Benfica, instalado durante todo o jogo no último terço e a ganhar o jogo aí. Onde se ganham os jogos, mesmo quando o guarda-redes cuida mal do seu primeiro terço. Contas de outro rosário…

Mas não é o campo que o futebolês divide em três terços. Também o próprio campeonato se divide dessa forma, sendo que aqui cada terço corresponde a dez jornadas.

E como comecei com analogias, termino com analogias. Que são muitas: também aqui tudo se decide no último terço. Também aqui o Benfica teve problemas no primeiro terço. Ironia das ironias: nas primeiras quatro jornadas, bem no início do primeiro terço – na baliza do campeonato! Problemas de arbitragens, é certo. Mas maiores eram já os da baliza!

Mas há mais: foi aí que o Benfica perdeu o campeonato e foi aí que o Porto o começou a ganhar. Ganhá-lo é que, como não podria deixar de ser, foi mesmo no último terço. Bem cedo, mesmo ao fechar a primeira metade do último terço!

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