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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog

futebolês de hoje não poderia passar ao lado do acontecimento da semana: a aclamação de Mourinho como melhor treinador do Mundo em 2010!

Por isso, e porque o futebolês, ao contrário do que é regra, também tem expressões estapafúrdias, verdadeiramente ininteligíveis, escolhi precisamente para hoje uma delas: a troca por troca!

É utilizada para uma substituição de um jogador por outro que ocupe precisamente a mesma posição. Como se percebe não faz sentido nenhum, por isso vamos ao que interessa!

A FIFA, que até aqui premiava apenas jogadores, instituiu pela primeira vez um troféu destinado a distinguir um treinador. Logo no primeiro ano em que a candidatura de José Mourinho assumia aspectos arrasadores. Em 2010 Mourinho arrasou!

Ganhou tudo o que havia para ganhar e com uma autoridade inquestionável. Que lhe advém de o fazer à frente de uma equipa – o Inter de Milão – que, indiscutivelmente, não integrava o primeiro lote das grandes equipas europeias como, de resto, a sua campanha na presente época demonstra. Mas também porque ganhou o principal e mais decisivo título – a Champions League, perseguido há 45 anos – à custa da melhor equipa (Barcelona) e do melhor plantel (Chelsea) da Europa e, no caso por inerência, do mundo. Não foi um percurso feito entre alas abertas mas sim enfrentando directamente os adversários mais poderosos.

Um prémio indiscutivelmente atribuído com toda a justiça! E recebido em Portugal com grande euforia, a provar que a sua personalidade irremediavelmente polémica não divide já os portugueses. É hoje uma figura consensual no nosso país. Pela sua enorme qualidade profissional – que naturalmente se impõe –, acredito que também pelo recente episódio em torno da selecção mas, sem qualquer dúvida – porque a clubite faz parte da idiossincrasia portuguesa – porque está já há muito tempo afastado de Portugal.

Pelas mesmas razões Mourinho nunca será consensual em mais nenhuma parte do mundo e em especial no espaço geográfico onde trabalhe. Porque tem uma vocação irreprimível para a confrontação, porque precisa de manter permanentemente abertas várias frentes de guerra. Porque, mais do que de adversários, ele precisa de inimigos para manter os altíssimos padrões de competitividade que imprime à sua actividade!

Mourinho é um autêntico predador de títulos. Alimenta-se de vitórias. De resultados. De ultrapassar objectivos e derrubar recordes!

Não é um eminente estratega do futebol. Não tem um modelo de jogo e raramente as suas equipas se preocupam em encantar a plateia. Nunca iremos provavelmente lembrar qualquer equipa de Mourinho como lembraremos o actual Barcelona, ou lembramos o Ajax dos anos 70, ou as selecções da Holanda do mesmo período, da Hungria dos anos 50, do Brasil do México 70 ou da Espanha 82, ou a Espanha da actualidade – campeã europeia e mundial!

Mas iremos sempre lembrar as vitórias de Mourinho. Que constrói as equipas à luz de ritmos competitivos inigualáveis, à custa de uma capacidade única de retirar de cada jogador o máximo que ele tem para dar. Que, pragmático como ninguém, ajusta o modelo de jogo a cada nova realidade e, em particular, às características dos jogadores.

Creio que esteja precisamente aqui o factor crítico do êxito de Mourinho. É que, desta forma, valoriza como poucos os seus jogadores. Mas, mais do que isso: conquista os jogadores como ninguém e transforma-se no mais poderoso gestor de recursos humanos.

É por isso que jogadores desconhecidos passam, nas suas mãos, a estrelas de primeira grandeza. Que não há um único jogador que não o defenda, mesmo os que não conseguiram vingar. E é por isso que, apesar de o ser, foi votado como o melhor do mundo: é que foi a votação reservada aos jogadores que o determinou. Pelos votos de treinadores e jornalistas não seria ele o eleito!

São muitos os que nunca lhe perdoam o carácter conflituoso, o clima de guerrilha que permanentemente alimenta e arrogância que cultiva como poucos. Será persona non grata para muitos, que nunca lhe reconhecerão o estatuto que destinam a treinadores que não fazem da controvérsia um modo de vida.

Será que o seu talento implica esta, chamemos-lhe assim e apenas para simplificar, sua arrogância? Será que num outro registo – mais cordato, simpático e cavalheiro – conseguiria manter a mesma competitividade e a mesma eficácia? Ou será que esta é uma imagem de marca solidamente implantada de que a marca Mourinho, sob pena de desvalorizar, se não pode afastar?

Parece-me que aqui não haveria troca por troca!

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog

Ainda sob o efeito Mourinho fomos ao mercado. E correu bem, dizem…

Bom, dizem alguns. Se calhar não correu assim tão bem!

É o tal copo meio cheio ou meio vazio, pensaria alguém que acabasse de aqui cair, vindo de um qualquer planeta longínquo.

Não. Não é nada disso. Até porque o copo está vazio, completamente vazio!

Vamos por partes. Correu bem, tão bem que trouxe de volta um Sócrates pateticamente exuberante. Que vê o que mais ninguém consegue sequer imaginar: “… um sucesso sob todos os parâmetros – procura e preço”! E “os mercados a recompensar o nosso país”!

Basta isto para que tenha corrido mal. Bastou isto para nos reavivar a memória de um primeiro-ministro descomprometido com o sentido de responsabilidade, habilidoso e de costas voltadas para a realidade. Bastou isto para que, se dúvidas houvessem, ficássemos com a certeza que não é possível sairmos deste buraco com este governo!

Ninguém acha que haveria condições para que a operação de hoje pudesse ser outra. Que fosse legítimo esperar melhores taxas de juro, ou mais procura – apesar de ser um “parâmetro” que vale o que vale. Pouco! Ninguém tem dúvidas que, nas actuais circunstâncias e apesar de tudo, há na operação de hoje mais motivos de regozijo que de consternação. E que Sócrates não pode nem deve fazer outra coisa que não seja puxar a moral para cima!

Mas … francamente! Assim não! Assim vira as coisas ao contrário… não é credível. E perde a confiança: a nossa e a dos mercados!

 

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog

O Banco de Portugal apresentou hoje o Boletim de Inverno, onde prevê uma contracção da economia portuguesa em 1,3% para este ano. Para o próximo prevê que cresça 0,6%!

Curiosamente revê o crescimento de 2010 e aponta agora para 1,3%. Se não há aqui nenhuma simpatia especial pelo 1,3 ficamos a saber que a nossa riqueza no final deste ano ficará ao nível de 2009. O que não deixará de ser surpreendente, poderia ser bem pior!

Não fosse o habitual discurso do primeiro-ministro, e do ministro das finanças – já não há como separá-los –, e diríamos que, na actual conjuntura – que nos obriga a todos a correr para a porta para não deixar entra o FMI –, fez muito bem em salientar o crescimento de 2010 e em virar a cara para o lado com a retracção da economia para este ano. Uma recessão que toda a gente sabia inevitável mas que o governo preferiu fantasiar e que põe já em causa a execução orçamental – essa sim, a verdadeira barricada à entrada do FMI. As exportações iriam safar o crescimento, diziam!

E aproveitou ainda para encostar mais uma tranca (pequenina mas enfim!) à porta ao afirmar que o défice de 2010 será inferior aos já proclamados 7,3%. Vindo daquela boca nunca sabemos, mas amanhã é dia de voltar ao mercado e, pelo menos, resolve aquele pequeno problema aritmético aqui notado num destes dias: ganhos na receita fiscal, ganhos na despesa e ainda o fundo de pensões da PT, tudo isto a somar e mantinha-se o défice? Não batia mesmo certo!

Uma coisa é certa: a sessão da Bolsa de hoje já fechou positiva! Ah! E a taxa de juro a 10 anos também já está um bocadinho abaixo dos 7%!

Se Cavaco Silva nem passou cartão à desabrida proposta de Alegre isto só pode ser … Mourinho! Bastou que nos puxasse o ego um bocadinho para cima: virou logo a Bolsa, baixaram os juros e as contas até já parece que começam a bater certas.

Por isso é que já vi hoje uma recomendação: imitar o Gilberto Madaíl e pedir ao Florentino Perez que o empreste por dois ou três meses para governar o país!

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog

De repente dei por mim envolvido numa teia de pensamentos à volta do tema central da campanha eleitoral em curso. Não direi que me tirou o sono ou que acordava a meio da noite às voltas na cama …. Mas lá que me custava a sair da cabeça custava!

Por que é que um homem inteligente e o mais experiente político em funções – é curioso como Cavaco Silva renega a sua condição de político mas, em simultâneo, gosta de ser o político mais experiente (e mais sério e mais tudo…) – se deixa envolver no incontornável caso chamado BPN?

Passei o fim-de-semana sem que isto me saísse da cabeça. E sem resposta!

Quando se predispôs ao negócio das acções da SLN não percebeu que os seus amigos Oliveira e Costa e Dias Loureiro pretendiam apenas temperar a caldeirada accionista com um pouco de credibilidade? Assim como quem pede um bocadinho de salsa emprestada à vizinha para acabar os pastéis de bacalhau: Do tipo: “Ó vizinho, empreste-me aí o seu nome para acabar a caldeirada que estou ali a preparar!”

Acredito que nessa altura não tenha percebido. Mas acredito mesmo, a sério. Só depois, já quando o cheirinho da caldeirada andava por aí a entrar por todos os narizes é que se apercebeu. Se foi antes ou depois de a salsa lhe ser devolvida, não sei. Mas também não é importante: ninguém lhe levava a mal ter emprestado a salsa, nem ninguém o condenaria por, afinal, ter saído caldeirada em vez de pastéis de bacalhau!

Então por que é não percebeu isto e, quando lho perguntaram, não explicou? E por que é não percebeu que, fechando-se em copas, a coisa mais tarde ou mais cedo rebentaria?

Dei voltas e voltas: Porque é tão sério que não deve explicações a ninguém? Por mera falta de visão? Porque que acreditaria na fraca memória dos portugueses? Porque acharia que lhe bastaria dizer que fossem ao site da Presidência – é curioso como é possível misturar uma matéria tão pessoal quanto esta com a mais alta função de Estado, não era o Presidente da República a estar em causa, apenas o cidadão – para encerrar o caso? Porque acharia que lhe bastaria a sua postura de superioridade e de arrogância ética para reduzir tudo aquilo a uma simples campanha suja?

Estava eu nisto quando se me fez luz: tinha encontrado a resposta e não quis deixar de a partilhar convosco!

Cavaco percebera tudo logo que lhe chegou o cheiro da caldeirada. E disse para os seus botões: Enganaste-te Aníbal!

Aqui está a chave do mistério: o Aníbal que se enganara era o mesmo que “nunca se engana e raramente tem dúvidas”. Era o fim do mito da infalibilidade de Cavaco. E, isso é que nunca! Antes fazer as mais tristes figuras. Antes pôr todos os apoiantes a desfiar os mais ridículos disparates. Admitir o erro, o engano, o equívoco ou a dúvida é que não! Isso são fraquezas dos simples mortais. Nunca de um homem providencial!

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog

Os nossos amigos e vizinhos assinam a requisição da encomenda dos serviços do FMI: hoje, o Der Spiegel e o El Mundo apontam-nos o caminho do fundo de estabilização europeu e do FMI. Assinam a requisição que há muito tempo está em cima da mesa!

A revista Der Spiegel, porque é alemã, diz que essa é a opinião dos chefes – da França e da Alemanha! O El Mundo, porque os espanhóis estão a sofer as consequências do fogo ao pé da porta, limita-se a dar-nos esse conselho!

Um facto e as suas interpretações. O facto: Portugal voltou a estender a mão esta semana – 500 milhões, apenas 500 milhões de dívida pública a seis meses colocada esta semana a uma taxa acima dos 3,6%, seis vezes a taxa de há apenas um ano (0,59%). E, no mercado secundário, a taxa a 10 anos a bater recordes, acima dos 7%. As interpretações: para o governo português … correu bem! Para o governo português a despesa desceu, a receita fiscal aumentou e o objectivo do deficit para 2010 foi alcançado.

Qualquer um vê que nada correu bem: paga-se o sêxtuplo dos juros de há um ano e a tal barreira dos 7% definida há dois meses por Teixeira dos Santos já lá vai. E alguma coisa está errada quando a despesa diminui, a receita fiscal aumenta (pudera: depois do agravamento de impostos com os sucessivos PEC´s), ainda se inventam receitas extraordinárias - 3,2 mil milhões do fundo de pensões da PT -, e o défice se mantém.

Mas o primeiro-ministro diz que está a passar um sinal de credibilidade e confiança aos mercados.

Pois... Vê-se!     

Há 10 anos

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Banco? Bom, se fosse há uns tempos, responder-se-ia: banco é Caixa. Nos tempos que vão correndo é BPN. Ou mesmo BPP, hoje trazido para a berlinda!

Mas também aqui? Mau…mas isto não é o Futebolês?

Claro que sim: é o futebolês, sim senhor!

Não há bancos só na política. Nem só no mundo das finanças, nas maiores praças financeiras, daqueles que nos puseram todos a fazer contas à vida. Nem só nos mais nobres cantos de todas as nossas cidades. Também há bancos no futebol: logo, há banco no futebolês!

Não é exactamente um sítio onde notas e moedas convivam com letras e livranças, embora muitos deles valham uma enorme pipa de massa: incomparavelmente mais dinheiro que o depositado na maioria dos bancos! Como os outros, são, nuns momentos fonte de felicidade, noutros de dores de cabeça. Fazem a felicidade de muitos treinadores, quando as coisas não estão a correr bem lá no rectângulo verde (não, não é uma nota de dólar) e há que tomar decisões. Mas também, exactamente nas mesmas circunstâncias, levam outros ao desespero.

banco faz passar o treinador exactamente pela condição comum de qualquer cidadão. Há os que perante um qualquer contratempo vão ao banco e resolvem o problema, e os que nem lhes vale a pena pensar em lá ir – não têm lá nada! Como há os que do banco só lhe vêm problemas!

Mas também os jogadores têm uma relação com o banco com algum paralelo com a que nós, cidadãos comuns, temos. Não gostamos muito de ir ao banco e, hoje, com isto do home banking que a Internet nos permite, vamos lá o menos possível. E, se lá vamos, se lá temos que ir, não gostamos nada de lá ficar a secar. O mesmo se passa com os jogadores: não gostam muito de ir ao banco. E não gostam mesmo é de ficar no banco, por muito confortáveis que já sejam, de marca e tudo. Mesmo por muito confortáveis que sejam as suas contas nos bancos, nos outros. São muitos os casos conhecidos de jogadores que, muito confortáveis nas suas contas no banco, não escondem o desconforto do banco!

Conforto é coisa que, como se sabe, não falta aos jogadores de futebol. Aos de elite, bem entendido! Nem pode faltar. Ninguém quer que lhes falte nada… nem sequer umas mantinhas para cobrirem as penas quando estão no sofá … perdão, no banco; a fazer lembrar as esplanadas dos bares de Oslo que tentam fazer com que o prazer (ou do vício) do cigarro se não divorcie do prazer do copo nas noites gélidas daquelas paragens.

banco presta-se ainda a muitas e singulares expressões. “A solução estava no banco”, “saltou do banco para resolver o jogo” ou “o trunfo que veio do banco” são expressões utilizadas quando o jogo foi resolvido por um jogador que entrou a substituir um colega. Ou seja, o problema nunca está no banco: é sempre a solução. Bem gostaríamos que nos outros fosse sempre assim!

São expressões como estas que nos remetem para a original designação da coisa: banco de suplentes. E para a sua dimensão dramática!

Independentemente de lá se sentarem treinadores e outros membros daquilo que hoje e em futebolês se chama grupo de trabalho, o banco é dos jogadores suplentes. Um simples e velho banco corrido ou um moderno conjunto de poltronas aquecidas não deixará de ser um local de frustração e de lamentações. Onde se sentam as segundas escolhas, mas também as terceiras, as quartas …e os que nunca o chegarão a ser. Onde germina e cresce, como na relva à sua volta, uma sensação de abandono que cedo se transforma numa semente de revolta que não vai acabar bem.

Estranha forma de vida esta a de jogador de banco. Há excepções, há jogadores que convivem bem com a sua condição de suplente: são os que têm o condão de transformar um onze num catorze. São os que sabem que lhes está destinada uma missão, em tempo parcial mas nem por isso, menos importante. Alguns têm mesmo um estatuto especial: chamam-lhes arma secreta. Estatuto que, como está bem de ver, não é muito duradouro: se outras razões não houver porque deixa de ser secreta!

Há 10 anos

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Aí está: o défice de 2010 já está apurado. É mesmo 7,3%, como anunciado e, já agora, como convém!

Bom, se não aparecer por aí nenhuma surpresa. Sim, porque isto de acreditarmos num défice anunciado logo ao sexto dia do novo ano, tem alguma coisa que se diga. Ou alguma coisa que o Ministério da Saúde diga…

Bem sabemos que era importante anunciar isto aos mercados. Tranquilizá-los! Que, afinal, as contas de 2010 não andavam assim tão descontroladas. Nada que o fundo de pensões da PT não resolvesse!

Há 10 anos

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Concordo em absoluto que o caso BPN esteja a secundarizar ou mesmo eliminar tudo o que seja relevante discutir nesta campanha, seja no que respeita ao passado, de avaliação do desempenho presidencial do candidato à reeleição, seja no que se projecte no futuro, de avaliação das propostas dos candidatos.

Mas não concordo nada com a tese de que tudo o que tenha a ver com avaliações de carácter não deve caber nesta campanha. O carácter é o primeiro e mais decisivo factor de avaliação da pessoa, de qualquer pessoa, indissociável da avaliação quer do seu desempenho e da sua história quer das suas potenciais capacidades de desempenho futuro.

O que neste caso, ou neste particular do chamado caso BPN, está em causa, não é qualquer relação do negócio de Cavaco com a ruína do BPN. Nem é um negócio particular realizado 6 anos antes do estoiro. Nem a gestão do BPN, antes e depois. Nem o regulador.

Tudo isso é importante! Mas não é, neste particular, o que conta. O que conta, o que está aqui em causa, é que o negócio deve ser esclarecido.

Esta é uma exigência incontornável perante a qual toda a gente assobiou para o lado. O Expresso que, de resto e tanto quanto sei, foi quem trouxe o negócio a público, tentou, aqui há uns anos, obter esse esclarecimento junto de Cavaco Silva. Em vão: Cavaco não deu cavaco! E o Expresso meteu a viola no saco

O assunto apenas regressaria pela mão de Defensor de Moura no debate televisivo com Cavaco Silva. E o que fez a Comunicação Social? Tratou-o como se de um terrorista se tratasse e anunciou aos sete ventos que não era por aí … Que não era pela via do carácter e da honorabilidade de Cavaco que se poderia entrar. Isso era inexpugnável e acima de toda e qualquer suspeita.

E o que fez Cavaco? Pura e simplesmente disse que “era preciso nascer duas vezes para ser mais honesto que ele”!

Mas esclarecer é que nada!

Surge então o debate entre Cavaco e Alegre, na passada semana, dia 30. Foi com evidente medo – sim, medo – que Alegre tocou ao de leve no assunto. Afinal os media já tinham dito de que lado estavam e Alegre não quis correr riscos.

Que fez agora Cavaco? Atacou a gestão CGD do BPN, meteu os pés pelas mãos com os exemplos dos bancos ingleses, e voltou a mandar o pessoal para a Internet!

E a Comunicação Social, que fez agora? Parece-me que também não quis correr riscos…

É a partir deste tiro de aviso e amedrontado que acaba por abrir a caça ao Cavaco. Acredito que por uma razão: porque aos media pareceu que, depois de Alegre ter dado o tiro – já não era um dos candidatos de segunda – se estava perante um caçador e não um aprendiz de terrorista. E, claro, amplificou o tiro a medo de Alegre que, depois disso, e vendo que já não corria qualquer risco, correu a casa a pegar na espingarda e nunca mais parou de atirar.

Evidentemente que abriu a caça a Cavaco. Mas só isso: ele continuará a esquivar-se dos chumbos e será reeleito nas calmas. Nada será esclarecido, a imprensa – especialmente aquela onde os tentáculos do monstro estão, ou chegam mais facilmente – vai branqueando como já se vê por aí, e mais ninguém voltará a tocar no assunto. E alguns (poucos) portugueses continuarão a ter dúvidas sobre um negócio de que apenas sabemos que vendeu acções. Nunca saberemos o que comprou!

Há 10 anos

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Há dois sectores da actividade económica que se não podem queixar de 2010, esse ano maravilha que todos temos fresquinho: o exportador, com um crescimento a dois dígitos, e a venda de automóveis. Vá lá, nem tudo foi mau nem foi mau para todos!

O crescimento das exportações não só empurrou com a barriga a recessão económica como ainda permitiu ao governo dizer sem se rir que a economia cresceria neste ano em que, quando levarmos a mão ao bolso para comprar o que quer que seja, percebemos invariavelmente que o governo foi lá antes.

As vendas de automóveis cresceram, no ano de todos os PEC`s, hora H da crise e da depressão social, perto de 40% – 38,8% segundo o JN.

Paradoxal?

Não, apenas uma particularidade bem portuguesa: uma maneira bem portuguesa de enfrentar as dificuldades. Os gurus dos novos tempos não se cansam de apregoar as oportunidades que a crise apenas esconde e de, na pele de vendedores da banha da cobra armados em especialistas de auto-ajuda, mobilizar o pessoal para dar a volta e transformar as ameaças em oportunidades.

Eis a demonstração inequívoca de que os portugueses aprendem depressa. E de que são próactivos como poucos!

A crise, no seu esplendor, aumenta o IVA, o imposto sobre veículos (ISV) e o imposto único de circulação (IUC). E extingue o programa de incentivos ao abate de veículos em fim de vida.

Pronto, aí estava a ameaça. Bora lá à oportunidade: comprar automóveis – já e como se não houvesse amanhã!

Há 10 anos

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O ano está a chegar ao fim! Está por um fio…

O futebol tem um calendário diferente. O ano chama-se época e o calendário não tem dias, semanas e meses: tem a sequência ordenada dos jogos, distribuída por duas voltas que quase dividem o ano ao meio. Quase, porque a primeira volta, por cá, acaba já por Janeiro dentro. Vai de Agosto a Janeiro. Não tem grande importância mas sempre atribui um título: o de campeão de Inverno!

A segunda volta prolonga-se até Maio, fechando-se a época com a final da Taça. É assim em praticamente toda a Europa: a excepção é a Rússia, pouco dada aos usos e costumes ocidentais.

Depois vêm as férias. E a agitação do defeso – um paradoxo, o defeso que supõe acalmia, interregno e pausa para limpar armas, é afinal um tempo de grande intensidade – das contratações que irão alimentar todas as aspirações da nova época. Das falhadas e das concretizadas!

De dois em dois anos Junho é mês de selecções, em campeonatos ora da Europa ora do Mundo. Julho é mês da preparação e de afinação física, técnica e táctica da equipa. E em Agosto há o reveillon: o início do novo ano, a nova época que arranca com a Supertaça, a tal que este ano tramou o Benfica.

É assim há muito tempo! Dá a ideia que o calendário civil terá sentido alguma inveja disto e, por isso, arranjou forma de encontrar alguma da graça da passagem do ano do futebol. Da passagem da época!

Arranjaram-se umas férias para o Natal, coisa a que apenas os ingleses, que nisto do futebol são os alemães da economia, souberam resistir. E introduziu-se-lhe o melhor da festa. Que não é o fogo de artifício, são mesmo as contratações. A abertura do mercado de Inverno reproduzia nesta altura do ano o maior factor de agitação do defeso de Junho e Julho.

É evidentemente um segundo mercado: uma réplica do original mas nem por isso coisa despicienda. Os jornais que o digam: chamam-lhe um figo!

E como o que vende é o Benfica … está tudo dito. Se em Junho e Julho todos os dias entram e saem dezenas de jogadores, em Dezembro e Janeiro a coisa não lhe fica muito atrás. Já perdi a conta aos jogadores que estão a caminho do Benfica, aos que estão mesmo prontos a assinar, vindos de todos os cantos do mundo. Uns mais cantos que outros: a Argentina é que é agora o canto – o canto dos cantos!

A maior estrela desta telenovela - vem não vem, por 10, por 11 ou por 12 milhões -, é um tal de Funes Mori. Argentino e craque, como não podia deixar de ser! Pela minha parte já nem aguento tanto suspense

No sentido inverso há o David Luiz. Dantes era o Luisão, mas esse já passou de moda. In mesmo é o rapaz dos caracóis: ora sai por 20 milhões ora não sai e fica à espera do Verão e de um mercado mais aquecido. E o Fábio Coentrão: é o Real Madrid, é o Manchester United, é o Barcelona…

Mas há ainda a outra parte da festa. É como que a outra face da moeda das férias de Natal: o regresso dos jogadores. Compreende-se: por lá é tempo de Verão, sol, praia, bikinis …e regressar a este frio e a esta chuva não é a melhor coisa do mundo. Daí que haja sempre uma outra telenovela. Brasileira, claro! Bom este ano até é mais paraguaia: o actor principal foi o Cardoso. Do Benfica, pois então!

Já regressou mas é como se lá estivesse. Por culpa da gripe A, que afinal anda por aí…

E agora deixem-me confessar-vos um feito: neste último Futebolês do ano consegui a proeza de não utilizar uma única palavra em futebolês. Mas, como isso vai contra os Estatutos, a época faz esse papel. De acordo?

E pronto. Apresso-me a desejar a todos um Bom Ano. Bem sei que é um desejo muito difícil de concretizar, mas se o fizer já – e daí me ter apressado – antes que passe a meia-noite, sei que pelo menos ainda não paga imposto!

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