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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

O senhor Liberdade já tem nome

 

O Presidente não telefonou, e demorou mais a conhecer-se o homem que no passado sábado encheu a Avenida da Liberdade que a conhecer o Luís. Mas já tem nome.

Chama-se Carlos Alberto Ferreira, tem 71 anos, comemora todos os anos, na rua, o 25 de Abril ... que ajudou a fazer. Há 46 anos estava no Largo do Carmo, às ordens de Salgueiro Maio no cerco ao quartel da GNR, a aguardar pacientemente a rendição de Marcelo Caetano. 

Um compêndio

Como funcionavam as câmaras de gás na 2ª Guerra Mundial ...

 

Ainda no quadro da histeria que se instalou no país na contestação à evocação do 25 de Abril na Assembleia da República, surgiu mais um episódio que encerra um autêntico compêndio da realidade política deste país.

Conta o JN de ontem que um funcionário da Câmara Municipal da Trofa, um dos muitos portugueses que se manifestaram nas redes sociais incomodadíssimos com o 25 Abril, para quem a celebração foi apenas um instrumento útil para a manifestação desse incómodo profundo, escreveu no seu facebook, convencidíssimo que estava cheio de graça que, se houvesse alguém que pusesse a Assembleia da República a funcionar como uma câmara de gás, pagaria o gás. Expressão que é o que é, mais tudo aquilo que sugere que é. 

E que, nessa plenitude, mereceu mais de uma dúzia de "gostos", entre os quais o do Presidente Câmara Municipal da Trofa (e também o do seu adjunto), e líder da estrutura local do PSD. Partido que tem na Assembleia da República dois deputados do próprio concelho da Trofa. E que, através da sua "distrital" do Porto, sem revelar qualquer incómodo com aquela (ex)posição publica, a que não atribui qualquer  relevância política, prefere exaltar o excelente trabalho do Sérgio (assim se chama o Presidente da Câmara) e o seu carácter, de que “ainda agora tivemos todos prova ... quando anunciou que tinha decidido doar o seu salário do mês de abril a instituições de solidariedade social do concelho, bem como à Delegação da Trofa da Cruz Vermelha”.

Um autêntico compêndio. Basta reflectir um bocadinho e encontramos aqui praticamente tudo o que nos permite entender o momento político que atravessamos.

 

Enchente na Avenida da Liberdade

 

Não sei quem é este homem, que sozinho encheu a Avenida da Liberdade neste 25 de Abril. Depressa se saberá quem é. Se tão rapidamente se soube quem era o Luís, que estava bem mais longe, mais depressa se saberá quem é este manifestante da liberdade.

O nosso Presidente deverá já estar a telefonar-lhe, se é que não anda ainda à procura do cravo que lhe caiu da mão à entrada do Parlamento... E depois logo saberemos quem é este cidadão que ousou furar o confinamento e comemorar o 25 de Abril como tem que ser celebrado, enchendo a Avenida da Liberdade.

A polémica em corrida de estafetas

10 programas para celebrar o 25 de Abril em Lisboa e Porto

 

Assinala-se amanhã o 46º aniversário do 25 de Abril. Disse assinala-se, e não comemora-se, e muito menos festeja-se, porque o confinamento não dá para festas e a comemoração será coxa.

Em todas as ocasiões anteriores sempre o dia da revolução dos cravos foi comemorado oficialmente no Parlamento e festejado nas ruas de todo o país, com o ponto alto na capital, na descida da Avenida da Liberdade ao som da Grândola do Zeca que os capitães de Abril ergueram a hino da revolução.

Com todos em casa, onde continuamos a ter de nos manter, como teríamos de continuar independentemente do estado de emergência vigente, os festejos de rua estavam evidentemente fora de causa. Restava a sessão oficial - ou solene, chame-se-lhe o que quiser - na Assembleia da República, em pleno funcionamento, como se tem visto e ainda anteontem se viu no debate quinzenal, o terceiro desde que nos confinamos.

Não é a mesma coisa. Basta até chamar-se “oficial” ou “solene” para que não seja a mesma coisa quando se festeja uma revolução. Tem o vermelho dos cravos que enchem as bancadas e os palanques dos discursos repetitivos, é certo. Mas é o único colorido que emerge daquele cinzentismo pasmaceiro onde se contam os cravos na lapela como se contam espingardas, mas já das que não têm cravos na ponta.

Mesmo assim, sinal dos tempos, a polémica estalou. E assistimos a uma espécie de corrida de estafetas, que começou ao nível do trogloditismo argumentativo - Páscoa, missas, funerais, Fátima e até aniversários dos filhos - até que o testemunho fosse finalmente entregue a portadores tecnicamente mais dotados e capazes de trazer outra dimensão argumentativa para a competição como, por exemplo, a insensatez de festejar a liberdade quando os cidadãos dela estão privados.

O argumento pode tornar-se até sedutor quando acrescenta que dela estão privados por decisão do governo, proposta pelo Presidente e aprovada pelos deputados, depois todos reunidos a festejá-la. Mas não é uma borracha que apague da fotografia os trogloditas que iniciaram a corrida…

* A minha crónica de hoje na Cister FM

O 25 do cravo vermelho

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Se a celebração do 25 de Abril já incomoda muita gente, este ano incomoda muito mais. 

Temos visto de tudo. Uns que comparam esta celebração com a da Páscoa, outros com as do 13 de Maio, e outros até com a do aniversário dos filhos. Sim, o Camilo Lourenço, por exemplo, está preocupadíssimo porque que não sabe como explicar à filha por que não pôde festejar o aniversário, se se pode festejar o 25 de Abril.

O que nos faltava ver mostra-nos agora o respeitável José Milhazes, no Observador, ao propor que, já agora, já que estamos assim, comemoremos o 25 de Abril lá mais para a frente, quando isto já tiver passado. Lá para Novembro. A 25, precisamente!

Pode até parecer brincadeira, mas talvez não seja. Até porque o antigo correspondente em terras soviéticas não é muito dado a brincadeiras. Não é mais que a consagração de um velho sonho de uma certa direita: diluir o 25 de Abril no de Novembro, e misturar bem até tudo ficar em 25 de Abril, nunca; 25 de Novembro, sempre!

Não será fácil levar isto por diante. Se calhar, o melhor, mesmo, é ficarem-se pelas comparações com a Páscoa. Ou com Fátima. Com o aniversário dos filhos também não parece boa ideia. Vinda de quem vem... também não era fácil...

É que, o 25 de Abril todos sabemos o que é ... e o que foi. Conhecemos-lhe todos os cantos. Já do 25 de Novembro só sabemos o que é. Ninguém sabe muito bem o que foi. Sabemos que no 25 de Abril, viemos todos para a rua. E que no 25 de Novembro, fomos todos obrigados a ir para casa. É melhor não misturar. Cada macaco no seu galho, e cada um a fazer festas a quem quer...

 

PS: A foto é uma pintura da minha neta Emília, de sete anos. Acabou de ma enviar para provar que 25 há só um: o do cravo de Abril, e mais nenhum!

Pulhice

João Almeida planeia moção de estratégia a congresso do CDS e não ...

O deputado do CDS João Almeida não se limitou, ontem no Parlamento, à mais ignóbil demagogia, à mais miserável manipulação e, em suma, ao mais reles que a política pode ter. Quando proclamou que o Parlamento "não pode proibir a celebração da Páscoa, mantendo a celebração do 25 de abril" o deputado do CDS reduziu a sua estatura política à simples dimensão do ressabiamento.

Ressentido pela derrota que o Partido lhe infringiu, amarrado à frustração, e desesperadamente à procura de espaço, João Almeida pode ser contra o 25 de Abril e contra todas as formas de o celebrar. Tem esse direito e a liberdade de o manifestar, que o 25 de Abril lhe garantiu ainda antes de nascer. Não pode é, sem passar a fronteira da pulhice, comparar a celebração do 25 de Abril na Assembleia da República, nos termos em que foi votada, com a proibição de celebrar a Páscoa, que simplesmente não existiu para lá das condições gerais de recolhimento estabelecidas para o país.



O cravo vermelho*

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Comemoramos ontem os 45 anos do 25 de Abril. Como sempre, com festas populares por todo o país, com desfiles nas principais cidades, e com a sessão solene na Assembleia da República. Que, em vez de uma oportunidade solene para os poderes democráticos instituídos comemorarem e dignificarem a democracia e o 25 de Abril, é normalmente oportunidade para todas as polémicas, e para exponenciar as divisões políticas, sejam elas estruturais, e quase insanáveis, ou meramente conjunturais, esgotadas no tacticismo oportunista da luta política.

O discurso de Presidente da República, sempre o ponto alto da sessão, raramente consegue fugir a estas divisões, sendo mesmo frequente que as acentue. O anterior titular foi disso flagrante exemplo.

As divisões passam invariavelmente pelo cravo vermelho e pelo posicionamento face o discurso do mais alto magistrado da nação.

O cravo vermelho é símbolo dessa divisão que mais salta à vista. Não os bonitos cravos vermelhos que invariavelmente engalanam a casa da democracia para a ocasião, mas os que integram a indumentária dos intervenientes. 

Dividem-se sempre em dois grupos: os que usam e os que não usam cravo ao peito. O cravo não é assim o símbolo da liberdade e da democracia, mas o carimbo que uns ostentam orgulhosamente e outros, porventura não menos orgulhosamente, fazem questão de publicamente recusar. Nos últimos largos anos com o Presidente da República à cabeça!

Ontem, a grande maioria dos intervenientes apresentou-se de cravo ao peito. A excepção do representante de uma das bancadas não surpreenderia, e fez apenas tornar mais notada a atitude do mais alto magistrado da nação, que repetiu exactamente o gesto do ano passado, entrando timidamente de cravo vermelho na mão, que pousou na bancada logo que iniciou o discurso.

O que não impediu que, pela primeira vez, todas as bancadas o tenham aplaudido. Nunca antes um discurso presidencial, no 25 de Abril, tinha convocado um aplauso unânime e inequívoco. Terá certamente sido pelo seu conteúdo abrangente e oportuno, afastado das intrigas que enchem a espuma dos dias do discurso político, a que tantas vezes não consegue resistir. Mas também pela consciência que os tempos não vão fáceis para a democracia, e que a sua comemoração não se pode perder em minudências.

Categoria em que me recuso a incluir o cravo vermelho. Por isso gostaria de um dia o ver no peito de todos os que estivessem a festejar o 25 de Abril. E por maioria de razão no do Presidente da República. Porque o cravo vermelho, como o 25 de Abril, não tem dono. E porque a democracia é feita de símbolos!   

 

* A minha crónica de hoje na Cister FM

Foi há 45 anos

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Cansados de uma guerra injusta, e desiludidos com um país sem futuro, os capitães organizaram-se em movimento. Chamaram-lhe Movimento das Forças Armadas, e ouvimos falar dele pela primeira vez nesta madrugada de 25 de Abril, há 45 anos: "Aqui, posto de comando do Movimento das Forças Armadas..." 

Começava assim, numa voz grave e bem colocada, cada notícia que nos chegava da revolução na rua, que se enchia de cravos vermelhos, naquela manhã limpa e clara, prenhe de esperança. E aos poucos fomos percebendo que a libertação do país era irreversível, que a velha e tenebrosa ditadura de quase 50 anos caía de podre, e que aquele era um dos dias mais importantes da História de Portugal.

Foi há 45 anos, e muita gente não tem já memória do que era então o país. E do que era um regime totalitário que tudo nos negava. Tudo, é tudo mesmo. Quando se rouba a dignidade a um homem ou a uma mulher rouba-se-lhe tudo.

Hoje, 45 anos depois, faz sentido lembrar isso a quem disso não tem memória. Porque a democracia, a liberdade e o Estado de Direito são factores inegociáveis da dignidade humana.

E não são hoje tão irreversíveis quanto se possa pensar... Antes pelo contrário, como por aí vemos todos os dias!

 

 

Não querer saber*

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Comemoraram-se anteontem os 44 anos do 25 de Abril. Fez-se festa por todo o país, e discursos no Parlamento, centro das comemorações oficiais.

Discursos cheios de retórica, uns mais cinzentos que outros, com mais ou menos referências à “manhã que Sofia esperava” daquele “dia inicial inteiro e limpo”, mas que geralmente dizem pouco. E a que pouca gente liga alguma coisa, à excepção daqueles que da sua decifragem fazem modo de vida.

Desta vez houve surpresas. Eu, pelo menos, fui surpreendido com a introdução do tema central da nossa democracia no discurso oficial das comemorações do 25 de Abril. Comemorar a revolução dos cravos é, tem de ser antes de tudo, avaliar os riscos da nossa democracia, que é exactamente o que de mais importante acabou por ficar.

A qualidade da nossa democracia tem-se vindo a degradar a um ritmo alucinante. A corrupção foi-se instalando, corroendo-a até à exaustão, minando o sistema político e afastando irreversivelmente eleitos e eleitores, destruindo os mecanismos de representação que constituem os alicerces, os pilares e as vigas do edifício democrático. Depois de 10 anos de escândalos de corrupção na banca e em agentes políticos de segunda linha, atravessamos agora o período mais negro da História de Portugal, com sucessivas revelações de corrupção ao mais alto nível das instituições, do Estado e da governação.

Estranhamente – ou talvez não – a sociedade civil não reage, e parece aceitar como normalidade o que a democracia não pode tolerar. A classe política parecia viver bem com isto, com esta paz podre de que somos nós os primeiros responsáveis. Até que, no dia de comemorar a democracia, alguns se lembrassem de nos lembrar que está em perigo. E que já não é possível salvá-la mantendo intocável o actual o sistema político.

Começou por dizê-lo uma jovem deputada – Margarida Balseiro Lopes, acabada de chegar à liderança da JSD – num discurso notável. Com todas as letras. Tocou-lhe ao de leve o presidente da Assembleia da República, e disse-o com decisiva veemência o Presidente da República, entre meias palavras e palavras inteiras.

Agora ninguém pode dizer que não sabia. Agora já só podem dizer que não querem saber. Como nós não temos querido saber!

 

* Da minha crónica de hoje na Cister FM

 

Intrepretações

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De António Costa diz o Presidente Marcelo ser um "optimista irritante". Não se cansa de o dizer em todo o lado, e há muito. Ao discurso de ontem do Presidente, chamou António Costa moderno: "é difícil interpretar a arte moderna, nem sempre é possível interpretar os discursos modernos" - referiu o primeiro-ministro no meio do pagode em piquenique, nos jardins de São Bento.

Claro que António Costa percebeu o discurso de Marcelo. Faz é que não percebe.  Mas nós percebemos. E percebemos que "optimista irritante" é o mesmo que "assobiar para o lado". E começamos a ficar cansados de tanto optimismo e irritados com tanto assobiar para o lado, como se nunca nada se estivesse a passar. 

António Costa já não pode continuar a fazer de conta que vivemos numa democracia imaculada e saudável, à prova de bala. Que Sócrates nunca existiu, e que nada há para dizer de um governo de que até aproveitou alguns ministros. E muito menos pode continuar a fazer que não percebe. Se não, não percebe nada!

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