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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Otelo Saraiva de Carvalho (1936-2021)

OTELO 6 – EPHEMERA – Biblioteca e arquivo de José Pacheco Pereira

 

Otelo Saraiva de Carvalho, ou simplesmente Otelo. O Óscar do 25 de Abril. Romântico, genuíno, ingénuo, controverso sempre. Mas... pá, sempre o "25 de Abril sempre" ... pá!

E sempre, pá, na História no nosso Portugal. Amado e odiado, como todos "daqueles que por obras valerosos da lei da morte se vão libertando"!

 

Diniz de Almeida (1944-2021) no palco central da Revolução

PCP recorda Diniz de Almeida como militar defensor da ″Revolução de Abril″

 

Os militares de Abril vão partindo. Não morrem, já que o seu "acto valoroso da lei da morte" os libertou para sempre (Camões). Permanecem vivos na nossa memória enquanto nós, que dessa lei nos não libertamos, por cá formos ficando.

São já muitos os que partiram. Ontem chegou a vez Eduardo Diniz de Almeida, um dos mais marcantes rostos da Revolução de Abril. Capitão e um dos mais relevantes operacionais do 25 de Abril viria, como comandante do RAL 1, depois RALIS, a tornar-se numa das "estrelas" da Revolução. Foi dele, com 30 anos e cara de miúdo,  o papel principal no 11 de Março de 1975, desencadeado com o ataque dos para-quedistas, imortalizado na histórica reportagem do Adelino Gomes.

Transformou o RALIS no quartel general da Revolução. Foi aí que, pela primeira - e única - vez, soldados protagonizaram um juramento de bandeira revolucionário, de braço estendido e punho cerrado, jurando pela pátria, mas prometendo estar "sempre, sempre" ao lado do povo e da classe operária, "pela democracia e poder para o povo, pela vitória da revolução socialista". Ali se deslocaram grandes figuras da intelectualidade europeia, como Jean Paul Sartre e Serge July, para assistir à revolução por dentro.

Acabaria detido em 26 de Novembro, no dia seguinte ao que com tudo acabou. E ainda hoje custa a acreditar como tanto aconteceu em apenas 8 meses. Tantos quanto durou a presença de Diniz de Almeida num dos palcos centrais da revolução portuguesa.

 

"Não há nem nunca houve um Portugal perfeito"

Celebração do 25 de Abril no Parlamento

Não sei se foi a primeira vez que um discurso de um Presidente da República nas comemorações oficiais do 25 de Abril foi aplaudido de pé por toda a Assembleia da República. Se não foi, também não foi ainda. Embora tivesse parecido.

E como pareceu, é como se tivesse sido!

O discurso de Marcelo ontem na sessão oficial de comemoração do 25 de Abril merecia a unanimidade e aclamação no Parlamento. E teve-a. O André Ventura não conta!

"Não há nem nunca houve um Portugal perfeito"!

O senhor Liberdade já tem nome

 

O Presidente não telefonou, e demorou mais a conhecer-se o homem que no passado sábado encheu a Avenida da Liberdade que a conhecer o Luís. Mas já tem nome.

Chama-se Carlos Alberto Ferreira, tem 71 anos, comemora todos os anos, na rua, o 25 de Abril ... que ajudou a fazer. Há 46 anos estava no Largo do Carmo, às ordens de Salgueiro Maio no cerco ao quartel da GNR, a aguardar pacientemente a rendição de Marcelo Caetano. 

Um compêndio

Como funcionavam as câmaras de gás na 2ª Guerra Mundial ...

 

Ainda no quadro da histeria que se instalou no país na contestação à evocação do 25 de Abril na Assembleia da República, surgiu mais um episódio que encerra um autêntico compêndio da realidade política deste país.

Conta o JN de ontem que um funcionário da Câmara Municipal da Trofa, um dos muitos portugueses que se manifestaram nas redes sociais incomodadíssimos com o 25 Abril, para quem a celebração foi apenas um instrumento útil para a manifestação desse incómodo profundo, escreveu no seu facebook, convencidíssimo que estava cheio de graça que, se houvesse alguém que pusesse a Assembleia da República a funcionar como uma câmara de gás, pagaria o gás. Expressão que é o que é, mais tudo aquilo que sugere que é. 

E que, nessa plenitude, mereceu mais de uma dúzia de "gostos", entre os quais o do Presidente Câmara Municipal da Trofa (e também o do seu adjunto), e líder da estrutura local do PSD. Partido que tem na Assembleia da República dois deputados do próprio concelho da Trofa. E que, através da sua "distrital" do Porto, sem revelar qualquer incómodo com aquela (ex)posição publica, a que não atribui qualquer  relevância política, prefere exaltar o excelente trabalho do Sérgio (assim se chama o Presidente da Câmara) e o seu carácter, de que “ainda agora tivemos todos prova ... quando anunciou que tinha decidido doar o seu salário do mês de abril a instituições de solidariedade social do concelho, bem como à Delegação da Trofa da Cruz Vermelha”.

Um autêntico compêndio. Basta reflectir um bocadinho e encontramos aqui praticamente tudo o que nos permite entender o momento político que atravessamos.

 

Enchente na Avenida da Liberdade

 

Não sei quem é este homem, que sozinho encheu a Avenida da Liberdade neste 25 de Abril. Depressa se saberá quem é. Se tão rapidamente se soube quem era o Luís, que estava bem mais longe, mais depressa se saberá quem é este manifestante da liberdade.

O nosso Presidente deverá já estar a telefonar-lhe, se é que não anda ainda à procura do cravo que lhe caiu da mão à entrada do Parlamento... E depois logo saberemos quem é este cidadão que ousou furar o confinamento e comemorar o 25 de Abril como tem que ser celebrado, enchendo a Avenida da Liberdade.

A polémica em corrida de estafetas

10 programas para celebrar o 25 de Abril em Lisboa e Porto

 

Assinala-se amanhã o 46º aniversário do 25 de Abril. Disse assinala-se, e não comemora-se, e muito menos festeja-se, porque o confinamento não dá para festas e a comemoração será coxa.

Em todas as ocasiões anteriores sempre o dia da revolução dos cravos foi comemorado oficialmente no Parlamento e festejado nas ruas de todo o país, com o ponto alto na capital, na descida da Avenida da Liberdade ao som da Grândola do Zeca que os capitães de Abril ergueram a hino da revolução.

Com todos em casa, onde continuamos a ter de nos manter, como teríamos de continuar independentemente do estado de emergência vigente, os festejos de rua estavam evidentemente fora de causa. Restava a sessão oficial - ou solene, chame-se-lhe o que quiser - na Assembleia da República, em pleno funcionamento, como se tem visto e ainda anteontem se viu no debate quinzenal, o terceiro desde que nos confinamos.

Não é a mesma coisa. Basta até chamar-se “oficial” ou “solene” para que não seja a mesma coisa quando se festeja uma revolução. Tem o vermelho dos cravos que enchem as bancadas e os palanques dos discursos repetitivos, é certo. Mas é o único colorido que emerge daquele cinzentismo pasmaceiro onde se contam os cravos na lapela como se contam espingardas, mas já das que não têm cravos na ponta.

Mesmo assim, sinal dos tempos, a polémica estalou. E assistimos a uma espécie de corrida de estafetas, que começou ao nível do trogloditismo argumentativo - Páscoa, missas, funerais, Fátima e até aniversários dos filhos - até que o testemunho fosse finalmente entregue a portadores tecnicamente mais dotados e capazes de trazer outra dimensão argumentativa para a competição como, por exemplo, a insensatez de festejar a liberdade quando os cidadãos dela estão privados.

O argumento pode tornar-se até sedutor quando acrescenta que dela estão privados por decisão do governo, proposta pelo Presidente e aprovada pelos deputados, depois todos reunidos a festejá-la. Mas não é uma borracha que apague da fotografia os trogloditas que iniciaram a corrida…

* A minha crónica de hoje na Cister FM

O 25 do cravo vermelho

25abril_4.jpg

Se a celebração do 25 de Abril já incomoda muita gente, este ano incomoda muito mais. 

Temos visto de tudo. Uns que comparam esta celebração com a da Páscoa, outros com as do 13 de Maio, e outros até com a do aniversário dos filhos. Sim, o Camilo Lourenço, por exemplo, está preocupadíssimo porque que não sabe como explicar à filha por que não pôde festejar o aniversário, se se pode festejar o 25 de Abril.

O que nos faltava ver mostra-nos agora o respeitável José Milhazes, no Observador, ao propor que, já agora, já que estamos assim, comemoremos o 25 de Abril lá mais para a frente, quando isto já tiver passado. Lá para Novembro. A 25, precisamente!

Pode até parecer brincadeira, mas talvez não seja. Até porque o antigo correspondente em terras soviéticas não é muito dado a brincadeiras. Não é mais que a consagração de um velho sonho de uma certa direita: diluir o 25 de Abril no de Novembro, e misturar bem até tudo ficar em 25 de Abril, nunca; 25 de Novembro, sempre!

Não será fácil levar isto por diante. Se calhar, o melhor, mesmo, é ficarem-se pelas comparações com a Páscoa. Ou com Fátima. Com o aniversário dos filhos também não parece boa ideia. Vinda de quem vem... também não era fácil...

É que, o 25 de Abril todos sabemos o que é ... e o que foi. Conhecemos-lhe todos os cantos. Já do 25 de Novembro só sabemos o que é. Ninguém sabe muito bem o que foi. Sabemos que no 25 de Abril, viemos todos para a rua. E que no 25 de Novembro, fomos todos obrigados a ir para casa. É melhor não misturar. Cada macaco no seu galho, e cada um a fazer festas a quem quer...

 

PS: A foto é uma pintura da minha neta Emília, de sete anos. Acabou de ma enviar para provar que 25 há só um: o do cravo de Abril, e mais nenhum!

Pulhice

João Almeida planeia moção de estratégia a congresso do CDS e não ...

O deputado do CDS João Almeida não se limitou, ontem no Parlamento, à mais ignóbil demagogia, à mais miserável manipulação e, em suma, ao mais reles que a política pode ter. Quando proclamou que o Parlamento "não pode proibir a celebração da Páscoa, mantendo a celebração do 25 de abril" o deputado do CDS reduziu a sua estatura política à simples dimensão do ressabiamento.

Ressentido pela derrota que o Partido lhe infringiu, amarrado à frustração, e desesperadamente à procura de espaço, João Almeida pode ser contra o 25 de Abril e contra todas as formas de o celebrar. Tem esse direito e a liberdade de o manifestar, que o 25 de Abril lhe garantiu ainda antes de nascer. Não pode é, sem passar a fronteira da pulhice, comparar a celebração do 25 de Abril na Assembleia da República, nos termos em que foi votada, com a proibição de celebrar a Páscoa, que simplesmente não existiu para lá das condições gerais de recolhimento estabelecidas para o país.



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