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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

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Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

11 de Setembro

A tragédia de Alcafache | NewsMuseum

A data de hoje traz-nos logo à memória os ataques terroristas às Torres Gémeas, de 2001. Ou o sangrento, e também terrorista, golpe de Pinochet, e da CIA, no Chile, em 1973. Não nos traz tanto, apesar da proximidade, o desastre ferroviário de Alcafache, em 1985.

Faz hoje 40 anos. Terão morrido 150 pessoas (na altura, como se vê na foto, houve quem avançasse com mais de 300 mortos) embora as circunstâncias do acidente, e a falta de controlo sobre o número de passageiros - viajavam nos dois comboios envolvidos (o Rápido Internacional, de complemento ao Sud Express, e o comboio regional 1324) cerca de 460 passageiros - tenham impedido uma contagem exacta do número de vítimas mortais. Os números oficiais são outros, e mantêm ainda, 49 mortos - dos quais apenas catorze foram identificados -, e 64 desaparecidos. A maior parte dos restos mortais, que não foram identificados, foi sepultada numa vala comum junto ao local do desastre.

É o mais grave acidente ferroviário da História do País. Depois de Custóias, em Julho de 1964, quando um reboque de passageiros se soltou do comboio que circulava na Linha do Porto, chocando contra um paredão, provocando 90 mortos; do descarrilamento do comboio rápido do Algarve, em Odemira, em Setembro de 1954, com 54 mortos; e do choque na estação da Póvoa de Santa Iria, em Maio de 1986, com 17 mortos; tantos quantos, dois anos antes, tinham resultado da colisão entre um autocarro e uma automotora, junto ao apeadeiro de Recarei-Sobreira, em Paredes.

Não terão entrado nas contas do André Ventura para classificar o desastre da Calçada da Glória, da semana passada, como "o terceiro pior acidente da história do país", como o Pedro Correia dava nota, num destes dias, no DO. São cinco, apenas ferroviários, e já maiores. E, para acentuar a dificuldade da relação de André Ventura com a VERDADE, e com a SERIEDADE (a dos hambúrgueres, é apenas a última) ainda faltam todos os incêndios, cheias, ciclones e acidentes de aviação. E o terramoto de 1755!

 

Falta sempre qualquer coisa*

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Quando começamos a ouvir os números do balanço da GNR à sua operação de Natal – este ano chamada de “Natal tranquilo” – começamos a achar estranho. Tínhamos dado por garantido que acidentes e mortes na estrada, sendo inevitáveis, eram praga sob controlo e cada vez mais residual, e por isso soava-nos a estranho que as estatísticas tivessem disparado.

Quando constatamos a mesma coisa na Operação Ano Novo, percebemos que estávamos perante uma tendência, e não apenas a chocar de frente com qualquer coisa de circunstancial.

Olhamos para os dados anuais e, com alguma estupefacção, confirmamos isso mesmo. A sinistralidade nas estradas portuguesas, e a sua consequência mais drástica – a morte (513 mortes no ano que acaba de se despedir) – cresceu em 2018, em relação a 2017, quando já tinha também crescido relativamente ao ano anterior. São dois anos a inverter uma tendência que vinha já dos anos 90, com mais de vinte anos.

Os acidentes de automóvel e as mortes na estrada são dos mais fortes indicadores de desenvolvimento. São uma chaga, uma catástrofe nos países subdesenvolvidos, e praticamente marginais nos países mais desenvolvidos.

Percebe-se por quê. Melhores estradas, melhores carros, melhor educação... Aí está!

Temos por cá boas estradas, mas na sua maioria caras, o que empurra a maioria do trânsito para as que têm menos condições e mais perigos. Não podemos dizer que sejamos um país equilibrado na distribuição da frota automóvel, mas também não é nos automóveis que mais nos afastamos da média europeia. Deixamos de ver, com a frequência que víamos, a mais surreal agressividade que há uns anos víamos nas nossas estradas, em que o mais pacato cidadão se transformava num terrorista logo que se sentava ao seu volante. Mas estamos ainda longe de cumprir com a maioria dos requisitos cívicos da cidadania.

Que não são, de resto, especialmente induzidos pelo Estado quando, em vez de canalizar os seus recursos para enfrentar a guerra nas estradas, prefere utilizá-los na caça à multa.

Parece que é isso. Que temos tudo para ser um país desenvolvido, mas falta sempre qualquer coisa.

 

* A minha crónica de hoje na Cister FM

Tantas semelhanças...

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Não sei bem por quê, mas sei que cada vez vejo mais semelhanças entre as mortes de dezenas de emigrantes portugueses nas estradas de França e Espanha e as de centenas de migrantes no Mediterrâneo. Tudo parece tão igual... Estradas tão iguais a mar, carrinhas superlotadas tão iguais a barcos de borracha superlotados... E, por trás, máfias se calhar tão pouco diferentes... E a miséria de que se alimentam. Miséria humana. Miséria que arrasta mais miséria...

Pelo que se vê por esta tragédia que ensombrou a Páscoa de dezenas de famílias portuguesas, por cá acha-se que o mal está nas estradas. As televisões não pouparam em enviados especiais e não nos poupam a reportagens no local. Mas nada vêm para além da estrada. E chamam-lhe da morte. Invariavelmente! 

 

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