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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Obrigado Pablito

Por Eduardo Louro

 

Pablo Aimar, um dos mais fantásticos jogadores que passaram pelo Benfica e uma dos mais brilhantes estrelas da história do futebol, apresentou-nos ontem as suas despedidas. Escolheu a Benfica TV para o fazer… digamos que mais na intimidade. Hoje, todos os media difundiram a notícia, como quem tivesse espreitado pelo buraco da fechadura e agora desse conta do que viu!

Na hora do adeus quero agradecer-lhe por um dia ter escolhido o Benfica. Por ter decido dizer sim quando Rui Costa, chegada a hora de despir a sua camisola 10, que usou bem menos vezes do que todos desejaríamos, olhou para o mundo e não viu ninguém a quem melhor a pudesse confiar. Por ter sabido guardar e honrar durante cinco anos aquela mítica camisola 10, que foi de Rui Costa, que foi de Eusébio, mas também de Mário Coluna.

Vai partir sem ter a quem a entregar. Sem poder fazer como Rui Costa, sem passar esse testemunho de glória. É também isso que nos aumenta o sentimento de perda - perdemos o Aimar e, com ele, perdemos o 10!

É certo que o futebol já não é o que era, foi perdendo romantismo e com ele foi perdendo esse espaço de magia que só um 10, e um 10 como Aimar, guarda e transporta no tempo. Vive, hoje, de seis e de oitos, de compensações e de cavalgadas. De roubar espaços e de queimar etapas e tempos. Espaço e tempo, precisamente o ar que o 10 respira…

Aimar é um dos grandes jogadores deste início de século. Tão grande que se tornou, ele próprio, no ídolo de grandes ídolos - é Messi quem o confirma! Mas é também um ser humano de enormíssima dimensão: educado, sereno, elegante, disciplinado, correcto…

Tudo nele, jogador e homem, é de referência. É também isso que nos aumenta já a saudade mas, mais, bem mais que a saudade que já sentimos, é também isso que nos aumenta o sentimento de injustiça de que foi vítima neste último ano. De que se não queixa – nunca ninguém foi tão elegante na hora da despedida - mas que existiu!

No final da época passada, Aimar poderia ter saído, ainda a tempo de garantir um bom contrato num qualquer canto arábico do planeta. Ficou, não sei se muito ou pouco obrigado a isso. Sei é que ficou, e se ficou é porque o clube entendeu que era importante que ficasse. E porque também ele entendeu que tinha uma contribuição a dar para os objectivos do clube!

Não foi nada disso, e aí está mais um dos grandes erros de Jorge Jesus na época que há pouco acabou, mergulhada em frustração. Nesta época de despedida, Jesus não deixou apenas de contar com Aimar. Fez pior: fez-lhe o que não se faz a ninguém, mas que, feito a Aimar, é pecado imperdoável. Não lhe dando ritmo de jogo, impediu-lhe o rendimento ajustado à sua categoria, e isso penalizou e pôs em causa o sucesso da equipa. Colocando-o em campo sistematicamente nos cinco minutos finais - e no último jogo, na final da taça, com a equipa derrotada e abatida - não o respeitou. Não lhe atingiu a dignidade nem a imagem porque, nele, são grandes demais. Mas não se faz!

Nem o Aimar merecia despedir-se do Benfica com uma época destas, nem o Benfica merecia esta mancha na despedida a Aimar. E, no entanto, ele desfez-se em agradecimentos e em simpatia. Disse terem sido estes os cinco anos mais felizes da sua vida. Glorificou a grandeza do Benfica. Enalteceu a beleza do estádio, o melhor em que jogou. Exaltou a paixão única dos adeptos, como nunca tinha visto. Agradeceu-lhes o carinho, o carinho de sempre e o carinho adiantado. Esse carinho que recebeu à chegada, à cabeça, antes de dar o que quer que fosse…

Obrigado Pablito!

FUTEBOLÊS#121 MAESTRO

Por Eduardo Louro

 

Jogando-se o futebol com os pés e não se conhecendo música tocada com essa parte do corpo – embora muitas vezes se chame música a coisas que mais parecem mesmo tocadas com os pés – perguntar-se-á o que é o maestro tem a ver com o futebol.

Alguma coisa, certamente. No futebolês as coisas fazem sempre algum sentido!

Tanto quanto equipa de futebol tenha a ver com uma orquestra. Que tem, mesmo que desafinada, mesmo que transforme a mais bela sinfonia na mais inaudível das desgarradas!

Quando afinada e servida de bons executantes, uma equipa de futebol pode produzir um espectáculo tão sublime quanto uma orquestra sinfónica com as mesmas condições. E, para isso, também uma equipa de futebol precisa de maestro!

Poderia pensar-se que o maestro de uma equipa de futebol seria o treinador. Afinal, o maestro, numa orquestra, é o seu comandante. Mas não! Numa orquestra, como numa equipa de futebol, o maestro é também um executante. Executa, fazendo da batuta um instrumento, enquanto comanda!

Como numa orquestra, o maestro é quem pauta o jogo, quem comanda os seus ritmos, quem acelera ou acalma o jogo, quem o lê e o interpreta nos seus mais variados tempos ou momentos. É o comandante de quem os companheiros esperam decisões. É o número 10, mesmo que ele não esteja escrito nas suas costas!

Não é preciso que seja o patrão, mesmo que também o possa ser. Mesmo que na maior parte das vezes também o seja.

Quer isto dizer que, sem maestro, uma equipa ficará perdida no campo, com cada um a tocar para seu lado? Poderá não ser exactamente assim, mas alguma coisa ficará a faltar!

Rui Costa foi o maestro por excelência. Pablo Aimar veio, por escolha do próprio Rui Costa, que lhe guardou o número 10, ocupar o seu lugar. Um dos melhores na função. De que ficou afastado nos dois mais decisivos jogos do Benfica nesta que, circunstâncias alheias ao jogo – que não agentes alheios ao jogo – transformaram na mais decisiva fase do campeonato. Agentes houve que trataram de trazer para esta fase um equilíbrio que não existia, dando-lhe o carácter decisivo que não tinha. Os mesmos que, agora, o impediram de contribuir com o seu talento nas decisões mais importantes do campeonato: primeiro, com uma de todo injustificada expulsão e, depois, com uma penalização de dois jogos absurda e inédita. Nunca aplicada ao longo da época em qualquer outra situação idêntica, e confirmada depois de recurso superior!

Pode ser coincidência, mas não parece!

Esta jornada deste fim-de-semana de Páscoa irá provavelmente decidir o campeonato. Depois de um escaldante e extraordinariamente bem jogado Benfica - Braga da semana passada - com uma tanto de feliz quanto justa vitória do Benfica, mesmo sem o maestro – o derbi de Alvalade e o Braga – Porto terão tudo para definir o próximo campeão nacional.

O maestro não poderá empunhar a batuta no derbi, mas não será por isso que, tal como há uma semana atrás, o Benfica deixará de ganhar o que, espera-se, será um grande jogo. Entre um Sporting moralizadíssimo com o brilhante apuramento para as meias-finais da Liga Europa, e um Benfica que, mesmo afastado dessa mesma fase da Champions, mercê da estóica e brilhante da exibição de Stamford Bridge, não o poderá estar menos!

Do outro jogo espera-se e deseja-se que seja grande. Desta vez não há qualquer razão para que o Braga, a exemplo dos anos anteriores, estenda a passadeira ao Porto. Ou haverá?

 

FUTEBOLÊS#120 PÉ ALTO

Por Eduardo Louro

 

Toda a gente sabe o que é um pé grande. Ou pequeno. Ou elegante, como o da Cinderela. Mas, pé alto, só no futebolês!

O que é então um pé alto?

Não! Não é um pé enfiado nestes sapatos de senhora que se usam agora. Tão altos que temos dificuldade em perceber como é que aquilo não se desmancha tudo e vem cá parar abaixo com, pelo menos, uns entorses dos valentes. Nem sequer é o pé do Sarckosy, apostado em trepar os oito centímetros que separam o seu mísero metro e sessenta e oito do imponente metro e setenta e seis da Carla Bruni. Nem o pé alto do copo do vinho, da taça de champanhe ou do candeeiro. 

Pé alto é tão simplesmente quando os jogadores disputam a bola, nas alturas, com os pés. Os inventores do futebol acharam que, sendo jogado com os pés, também podia ser jogado com a cabeça. Mas que, cada macaco no seu galho: à cabeça o que é da cabeça; aos pés o que é dos pés! Nas alturas a bola disputa-se com o peito e com a cabeça. No chão com os pés. Fora disto nada mais é permitido!

Atenção que falamos de disputa da bola, não de jogar a bola. Quando se trata de apenas jogar a bola, sem ter de a disputar directamente com ninguém, cada um joga-a como quer. Melhor, como pode! Se a tanto ajudar o engenho e a arte, pode fazer-se um remate a um metro e oitenta do solo com os pés, num espectacular pontapé de bicicleta, como com a cabeça a um palmo da relva num voo picado arrepiante.

O pé alto é pois uma infracção às leis do jogo penalizada, nos termos das mesmas, com livre indirecto. Sem a chamada punição disciplinar, que já tem lugar se o pé, para além de alto, também for em riste. O pé em riste é um pé alto mas em atrevido, direitinho às pernas – e às vezes mais do que isso – do adversário.

O problema deste pé alto é que, frequentemente, são dois. Na maioria das vezes, quando um jogador levanta o pé para disputar a bola, o adversário faz exactamente o mesmo.

Quem é que o árbitro deve punir? O que o faz em primeiro lugar... Quem é que pune? O jogador do nosso clube, invariavelmente!

Ainda na última jornada do campeonato vimos isso. Isso e muito mais!

O Aimar e um adversário (do Olhanense) disputam uma bola no ar com os pés. Pé alto, de ambos, e livre indirecto. Contra o Benfica, naturalmente, porque quem levantou o pé em primeiro lugar foi o jogador do Olhanense, que não é o meu clube. O meu é o Benfica, via-se logo quem teria de ser o penalizado com o livre indirecto…

O pior foi quando, sem pé em riste nenhum e sem obviamente ter sido o primeiro a levantar o pé ao alto, aparece na mão do árbitro não o cartão amarelo do pé em riste mas o vermelho de uma agressão. De uma das mais estranhas agressões que terão acontecido no futebol. Logo à partida um jogador como Pablo Aimar a agredir um adversário é coisa estranha, de verdadeira ficção. Não cabe na cabeça de ninguém!

Bom, não é bem assim, até porque esta estranha agressão, que teve a particularidade de não ter sido sentida pelo suposto agredido – que se confessou surpreendido com a decisão do árbitro (“foi o que o árbitro entendeu” – foram as suas palavras) –, apenas foi vista por portistas e sportinguistas (e braguistas, que também os há e reclamam voz). Para os sportinguistas - que nestas coisas não gostam de deixar os seus créditos por mãos alheias - foi mesmo uma agressão brutal, que bem poderia ter incapacitado para sempre o jogador do olhanense, pondo mesmo em risco uma das suas principais funções do homem… Que dizer do que a fotografia abaixo documenta, exactamente no mesmo jogo, e que passou em claro? Ao árbitro, aos sportinguistas, às televisões, a toda a gente ...

Quem também não fez a coisa por menos foi a comissão disciplinar da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), que decidiu punir Aimar com dois jogos de suspensão. E que jogos: Braga e Sporting! Quando, em todas as expulsões ocorridas por cartão vermelho directo durante os cerca de 200 jogos do campeonato, a sanção se ficou sempre pelo único jogo de suspensão.

Quer dizer, os senhores que compõem este órgão disciplinar da FPF, não acham apenas que se tratou de uma agressão. Acham que foi a mais violenta agressão que aconteceu em Portugal durante toda esta época!

No que pode dar um simples pé alto ...

 

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