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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

À portuguesa

 

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O líder do PSOE, Pedro Sanchez, esteve ontem em Lisboa para - diz-se - aprender com António Costa como se faz esta coisa que os espenhóis já chamam de Pacto à portuguesa. Sabemos como nuestros hermanos, por muito que o escondam, nos invejam em muitas coisas: agora é com esta!

Mas, da mesma forma que desprezam a corrida de toiros á portuguesa, que se lhe não conhece especial apetência pelo cozido à portuguesa, o melhor mesmo é esquecerem esta poção política à portuguesa. Nunca lá conseguirão chegar...

E não é por isto nem por aquilo. É apenas por uma coisa que tem mais de 800 anos, que se chama Nação, e que tem um valor incálculável. Tão alto e tão difícil de calcular que é preciso este tipo de visitas para nos apercebermos dele!

Por que é que as pessoas votam na continuação desta governação?

Por Eduardo Louro

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 Nos meus tempos do liceu o sumário de cada aula era escrito no quadro. Às vezes lá aparecia: “Continuação da aula anterior”. Nas campanhas eleitorais, os partidos apresentam programas – ninguém lhes liga muito, é verdade, mas apresentam. Comos os professores apresentavam os sumários. A coligação não apresenta programa, o sumário é: continuação da governação anterior.

Chegados aqui parece que é fácil perceber o que está em causa nestas eleições. O eleitorado só teria que dizer se quer a continuação da aula anterior, ou se quer matéria nova. Se quer manter a governação destes últimos quatro anos e tal – o tal é o que Cavaco quis acrescentar ao mandato – ou se quer outra coisa. Postas as coisas nestes termos, e sabendo – como se sabe pelos estudos de opinião, independentemente dos resultados das sondagens para todos os gostos que todos os dias nos chegam – que mais de 70% dos portugueses está contra este governo e esta governação, admitir que a coligação possa ganhar as eleições não poderia passar de uma aberração. Não faria sentido nenhum, não teria ponta por onde lhe pegar…  

Como bem sabemos não é nada disso que se passa. Não é nada disso, e a coligação poderá até não ganhar as eleições, mas neste momento ninguém tem dúvidas que a coisa está muito apertada.

Por várias razões, certamente. Mas por duas, fundamentais. A primeira porque, em Portugal, muita gente – alguns milhões de pessoas – entende os partidos políticos como um clube. Ligam-se a um partido como se ligam a um clube, de futebol ou de outro domínio qualquer. Projectam num partido os seus sentimentos de pertença e as suas necessidades de integração e interacção. E, como se sabe, muda de tudo mas nunca se muda de clube…Quando se diz que o Partido Comunista é o que melhor fixa o seu eleitorado, é disto que se fala. Mas este é um fenómeno que em Portugal é transversal a todos os partidos, e quando chega a hora de depositar o voto muita gente fá-lo no seu partido do coração. Podem estar até revoltadas com o governo, mas quando vão votar é o seu partido que está ali no boletim, não é o governo onde o seu partido lhe fez todas as malfeitorias.

A segunda é de outra ordem, e tem a ver com a formatação de um pensamento único que não admite alternativas. Veio da Europa. Embrionado na moeda – também – única, cresceu com a crise do euro e das dívidas soberanas, e tornou-se soberano com o Tratado Orçamental. Ao assinarem o Tratado Orçamental os partidos social-democratas assinaram a sua certidão de óbito, e todos foram desaparecendo do mapa político do poder na Europa.

O PS – que tão apressadamente tratou, pela mão de Seguro, de assinar aquele Tratado – não consegue fugir deste cerco. Tem, como os outros, a sua base eleitoral, os simpatizantes com e sem cartão de sócio, mas esses nunca chegam para ninguém ganhar eleições. E aos outros é difícil convencer que sejam alternativa. Asseguram alternância. Do mal, o menos, em democracia... Mas nem sempre chega. E quanto maiores forem os medos e as ameaças, maior é a probabilidade de não chegar…

Entre a cópia e o original, as pessoas tendem a escolher o original. E quando António Costa diz que devolve em dois anos o que Passos diz devolver em quatro, só está a dizer que não é alternativa nenhuma. É, como me dizia um amigo (do PSD) com quem discutia o tema, como duas pessoas que se oferecem para, no seu carro, levar alguém ao mesmo sítio e uma diz que vai a 180 e a outra diz que vai a 120.

Pode haver quem ache mais excitante ir a 180. Ou quem valorize chegar lá um bocadinho mais cedo. Mas há certamente muita gente que acha que não vale a pena correr todos os riscos de ir a 180. Que é mais tranquilo e mais seguro fazer a viagem a 120!

Pois é…Não há leituras inteligentes dos tratados!

É possível pior?

Por Eduardo Louro

 

Já se começou a perceber aquilo que, pela minha parte, mais temia: que António Costa vai recolocar o PS no poder para repetir o que para trás foi feito. Para simplesmente manter a alternância, perpetuando os erros, mesmo que com muito menos espaço para errar.

Arriscamo-nos seriamente a prosseguir um ciclo inimaginável, que começou no início do século, em que cada governo é pior que o anterior. Pensávamos que não podia haver pior governo que o de Santana Lopes. Mas veio Sócrates que, depois de resistir a um primeiro mandato, que começara a prometer muito e acabara a anunciar o que aí vinha, acabou a meio do segundo, atolado em mentira e incompetência, deixando o país entregue aos credores, já na pele do mais odiado primeiro-ministro e de pior governo da história da democracia. E veio Passos Coelho, mentindo em tudo e a todos. E, depois de Sócrates nos mostrar que era possível ser pior que Santana, prova-nos que é ainda possível ser pior que Sócrates.

Custa-nos a crer que seja possível pior que Passos e Portas …e Pires de Lima… Não julgamos isso possível, mas também já percebemos que, nisto, não há impossíveis!

A primeira mensagem deste risco foi-nos dada pelo novo líder da bancada parlamentar, logo que iniciou funções. Ferro Rodrigues, que tinha sido um dos subscritores do chamado Manifesto dos 74, cujo objectivo era justamente trazer a reestruturação da dívida para a discussão pública, e em especial para a Assembleia da República, tratou de se demarcar logo que o assunto da dívida lá chegou, conduzindo o PS para a abstenção e acabando logo ali com a discussão.

Sobre o tema, que é central para o país, nem mais uma palavra. António Costa, que até pela sua morfologia não podia continuar a tentar passar entre os pingos da chuva, tinha que dizer alguma coisa. Conseguiu apresentar esta semana a sua moção estratégica ao congresso sem se molhar, sem dizer nada. E mesmo na “Agenda para a Década”, supostamente com medidas e propostas concretas para um horizonte temporal de dez anos, continua a fugir a este problema central. 

Renegociar ou reestruturar são palavras proibidas. Constata o “elevado grau de endividamento do país” e diz que o país tem de tomar iniciativas de “redução sustentada do impacto do endividamento, seja na construção de instrumentos que estimulem a procura e o investimento europeu em paralelo à promoção da coesão interna da UE”. Se bem entendo isto, quer dizer que o problema da dívida, como de resto todos os outros no discurso de António Costa, se resolve com crescimento (“procura” e “investimento”) - como se o crescimento económico seja algo que se decreta, um meio, e não um fim - e com boa vontade da UE. Se a experiência nos diz que da boa vontade da UE não há muito a esperar, a ciência económica diz-nos que a dívida – os juros – impede o crescimento! 

Não quero com isto dizer que António Costa deveria andar por aí a dizer que a primeira coisa a fazer quando chegasse ao poder seria renegociar da dívida. Quero apenas dizer que, fugir desta forma do problema maior do país, é sinal de incapacidade de mudar o que quer que seja. O problema é que agora, sem mudar nada, não fica tudo na mesma. Fica muito pior!

 

A segunda vitória de Costa

Por Eduardo Louro

Sondagem DN: PS no limiar da maioria absoluta

 

As sondagens já dão 45% das intenções de voto ao PS, naquilo que é a segunda vitória de António Costa. Que acaba com todas as dúvidas, se é que alguma ainda existia!

Esta seria sempre uma boa notícia. Porque assegura a governabilidade - talvez melhor: uma solução governativa - e afasta qualquer cenário de crise política que, em cima da crise económica, financeira e social que teimosamente continua a agravar-se, se tornaria ainda mais dramática para o país. E porque assegura a sobrevivência do regime, que muitos julgavam impossível.

É a alternância a funcionar, é a democracia... Mas não sei se é a esperança. Não sei se não será uma das últimas válvulas de segurança do sistema. Se olharmos para os últimos 20 anos está lá tudo: a um governo rebentado por todas as costuras do cavaquismo, sucedeu na alternância a esperança de Guterres. Que sucedeu a si próprio, para rebentar também logo a seguir. E logo voltou a alternância pela mão de Durão Barroso e de Santana, que rapidamente implodiu. E a alternância trouxe Sócrates e uma esperança cheia de maioria absoluta. Para depois repetir, em pior, tudo o que ficara para trás. E voltar de novo a alternância, agora com Passos e Portas -  repetente e sempre na sombra - a fazer ainda pior que os anteriores, e que só não implodiu como o de Santana por contar com a cumplicidade de um Presidente da República da mesma cor.

Diz-se por aí que a António Costa tudo foi cair no colo. Que não precisou, nem precisa, de se mexer. Até pode ser assim... Mas, da mesma forma que lhe coube a enorme responsabilidade de transformar o PS na alternativa que com Seguro nunca seria, cabe-lhe agora a ainda maior responsabilidade de romper com este ciclo, e fazer da alternância um meio e não um fim. 

Pode sempre acreditar-se que, decididamente, os portugueses são de memória curta. Mas isso pode ser arriscado!

Nem alternativa nem alternância

Por Eduardo Louro

 

O PS (S de Seguro, que já foi S de Sócrates) lá vai continuando a enterrar-se. Não reagiu ontem, ao contrário de toda a gente, à medida do governo de substituição dos cortes nas pensões declarados inconstitucionais. Guardou para hoje a sua posição, o que poderia deixar prever uma resposta adequada e certeira, de verdadeira alternativa, credível, responsável e confiável... Que chegou pelas palavras do próprio Seguro!

Simples: o corte de pensões que o Tribunal Constitucional chumbou representa apenas 0,2% do PIB, o que não é nada. O défice acomoda muito bem estes 0,2%, pode muito bem passar para 4,2, em vez dos 4%!

Espantoso, não é?

Seguro não percebe sequer que está a dizer aos portugueses que não tem uma ideia, uma alternativa, para um problema que vale 0,2% do PIB. Não percebe que nem para uns míseros 0,2% do PIB sugere tocar em nada do que é intocável para o governo. Não percebe que  se está a confirmar igual na defesa do bloco central dos interesses...   

É por isto que é apenas Seguro, o melhor seguro de vida, para Passos, Portas e Cavaco. É hoje claro que o PS deixou de ser alternativa e está prestes a deixar de ser até alternante!

 

(IN)SEGURO

Por Eduardo Louro

 

Estou absolutamente espantado com a reacção do líder da oposição à comunicação do primeiro-ministro, de ontem!

António José Seguro, que foi tão rápido - e tão pouco inteligente (não denunciando a posição do governo, tão distante da tão saudável quanto tardia decisão do BCE, contra ventos e marés, e tão próximo da alemã) - a comentar ao programa de compra de dívida do BCE, que Mario Draghi anunciara na véspera, não teve uma única palavra sobre a nova catástrofe que Passos Coelho fez abater sobre o país. Já lá vão mais de 30 horas e nem sequer as enormidades e as mentiras de Passos Coelho levam o líder da oposição à mínima reacção!

Já poucos tínhamos poucas dúvidas sobre a desgraça que é ter António José Seguro como alternativa. A partir de hoje já ninguém terá dúvida nenhuma!

Como alguém escrevia hoje num jornal, tem de haver alternativa. O drama é que não há, a catástrofe deste nosso país é que nos permitimos estar entregues aos Sócrates, Passos, Relvas, Seguros… Tudo gente da mesma escola, massa feita do mesmo fermento!

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