Sou dos que acreditam que as eleições de ontem, na segunda volta das presidenciais, ficarão a constituir um marco da nossa democracia.
Em primeiro lugar pela participação eleitoral. Não foi estrondosa, nada que se parecesse com a de há 40 anos. Mas, nestas circunstâncias - a quase certa vitória antecipada de um dos candidatos; no meio de uma catástrofe, que impediu muita gente de votar (em 20 freguesias, em oito municípios, num total de 36.852 eleitores inscritos não se pôde votar), e desmotivava muito mais; numa sequência de eleições anteriores com registos crescentes da abstenção; e com um dos candidatos a apelar ao seu adiamento - o povo foi às urnas num número muito próximo do da primeira volta, e superior ao das presidenciais dos últimos 15 anos.
Esta foi a primeira derrota do André Ventura, anunciada quando ainda faltava uma hora para o fecho das urnas, enquanto ele entrava para a missa, rodeado de câmaras de televisão e de microfones.
Depois, mais ainda que a expressiva vitória de António José Seguro, a sua história. Entrou na corrida com 6% nas sondagens, sozinho, sem despertar nenhuma onda de entusiasmo em qualquer segmento da sociedade portuguesa, e acaba como o português mais votado de sempre.
Visto como cinzento, e incapaz de mobilizar quem quer que seja, bastou-lhe apresentar-se como o moderado que procura consensos, exactamente ao contrário do seu adversário, para atingir este resultado histórico, passando do 1.755.764 votos da primeira volta para os 3.482.491que, quando ainda faltam votar quase 40 mil eleitores, o tornam no português mais votado de sempre.
Quer isto dizer - contas feitas aos resultados dos restantes candidatos na primeira volta - que cerca de um milhão e meio de eleitores que votaram à direita na primeira volta, votando agora em Seguro, rejeitaram André Ventura, e tudo o que ele representa. E isto não pode deixar de ter consequências políticas profundas.
André Ventura reteve os votos que obteve há três semanas, mas teve um crescimento anémico nos restantes eleitores da direita. E não consegue por isso - a não ser que minta! - assumir-se como líder da direita.
Apressou-se a sublinhar que tem uma percentagem superior à obtida pela AD nas legislativas do ano passado, o que acontece por centésimas. Mas com menos 270 mil votos, em número absoluto. Não lidera a direita, lidera a extrema-direita. Que só venceu em Elvas e em São Vicente, e que em foi passada a ferro em Lisboa e no Porto.
Atingiu provavelmente o limite superior do seu potencial crescimento. Daqui para a frente, no quadro de estabilidade agora configurado, e sem eleições à vista, como Seguro apontou no seu discurso de vitória, se Montenegro deixar de continuar a fazer asneiras, e começar finalmente a governar, será sempre a cair.
Conhecemos o currículo deste “rapaz” de 42 anos, o seu percurso académico, a ligação à igreja católica, a “carreira” de “comentador desportivo” e a intervenção política. Percebemos o seu perfil psicológico, a maneira como pensa e aquilo que o move.
Só por patetice ou ignorância é que alguém pode dizer que o “rapaz” é fascista. Dizer isso é tão primário e tão básico que nem merece resposta.
O rapaz tem qualidades?
Tem!
É inteligente, imaginativo, determinado e lutador.
O maior defeito que tem é a hipocrisia. Não acredita em nada do que que diz. Não há ali ódio ao cigano, ao imigrante ou ao “corrupto”. São apenas “alvos” da estratégia do hipócrita para atingir os seus objectivos. Escavando no pior que existe dentro de cada um de nós, fazendo vir ao de cima sentimentos que existiram sempre na comunidade:
A desconfiança contra o estrangeiro, sobretudo o que tem cor de pele diferente e contra os ciganos, que há 500 anos são ostracizados e rejeitados.
Essa é que é essa!
E com estes chavões, rodeado de uma massa amorfa de “militantes, uma salada russa de frustrados, ressabiados, escorraçados, semi-analfabetos, ambiciosos que não olham a meios, e até alguma gente de boa fé, que o seguem com o mesmo entusiasmo, com que idolatram o treinador ou presidente do seu clube da bola, única coisa que lhes interessa, único motivo que anima e dá alegria às suas vidas cinzentas. É uma milícia que suscita mais troça e gargalhadas do que receios ...
Aquela falta de educação, aquela gritaria, aquela permanente contradição, dizendo isto hoje e amanhã o seu contrário, não é inata no rapaz. É falsidade. Bem o “baptizou” o Pedro Abrunhosa: “aldrabão de feira”.
Mas é um fingidor dotado de qualidades.
Tem arregimentado uma espécie de tropa fandanga, que pelos casos, casinhos, notícias e investigações já conhecidos, permite perceber a base sociológica da patusca sucia, a que ele chama “partido” e militantes. É uma “maltinha” que não é flor que se cheire ... Só uma trupe destas, é que está sempre disposta a ir atrás de um demagogo qualquer, que berre muito e lhes prometa tudo. Isto, aquilo e o seu contrário.
Sim meus amigos, repito aquilo que venho escrevendo há vários anos:
Não levo o rapaz da coelhinha a sério. Ali não há nem “fascismo”, nem ódio, nem violência. Há apenas falsidade. Um ego gigantesco, aliado a uma inteligência superior. Um fenómeno merecedor de estudo psicológico.
No dia 8 atingirá a cota máxima, como as barragens neste tempo de tanta chuva. No dia 9 começa o seu princípio do fim.
Vai tentar derrubar o rapaz T6 de Espinho, para provocar eleições antecipadas. Mesmo que o derrube não vai ter sucesso. Subiu ao pico sem ir aos Açores.
E depois aparecerão outros rapazinhos com coelhinhas ou gatinhos, a vender a mesma banha da cobra, a prometer os mesmos impossíveis, a vender raiva e a espalhar ódio. Aos berros!
E não lhes faltarão seguidores. É essa a nossa genuína natureza. Gostamos de andar sempre atrás de alguém… Que berre muito. Quanto mais alto melhor, porque somos duros de ouvido e muito custosos de entender…"
Os resultados de ontem não surpreenderam. A pontinha de surpresa só pode caber na expressão da votação em Seguro, ultrapassando os 31%, quando as sondagens se ficavam à volta dos 20. Os 23,5% de Ventura, se bem que também ligeiramente acima dos resultados das sondagens, são perfeitamente naturais. É essa a expressão actual da extrema direita.
Quer isto dizer que as sondagens andaram sempre certas. Bom, sempre, não. A Intercampus só andou por lá perto na sondagem final, à boca das urnas. Antes, durante a campanha eleitoral, nunca nada bateu certo com as outras.
As sondagens - mas também a percepção que temos, valha lá o que valer - revelam que é grande a taxa de rejeição a Ventura, apesar de todo um percurso de normalização da personagem. Perante os diferentes cenários para a segunda volta, todas as sondagens indicavam que Ventura perderia para todos os hipotéticos adversários. Se não estou em erro, a maior diferença era mesmo registada no confronto com Seguro.
Desconfio que não seja tanto assim, e que as próximas sondagens, que entretanto começarão a surgir para a segunda volta, apontarão para resultados bem mais apertados do que as anteriores sondagens (secundárias) sugeriam.
O espaço político natural de António José Seguro, incluindo-lhe a esquerda, não valerá neste momento muito mais 35% do eleitorado, traduzindo-se em cerca de 2 milhões e 100 mil votos.
O de Ventura, como já acima me atravessei, não vai além dos 25%. O "fenómeno" Ventura bateu no tecto. Perdeu 111 mil votos em relação às legislativas de Maio. Dos 1.437.881 votos que então lhe valeram 60 deputados, e a segunda maior representação parlamentar, Ventura recolheu agora 1 326 644 votos.
Não se pode normalmente fazer comparações entre eleições diferentes. Menos ainda quando se colocam em perspectiva eleições de cariz eminentemente pessoal com as de cariz partidário. No caso de André Ventura são a mesma coisa. O Chega é Ventura, nas legislativas e nas autárquicas; e Ventura é o Chega nas presidenciais. E por isso não dúvida que Ventura, por si e pelo fenómeno que representa, já não está a crescer.
O que não quer dizer que não possa crescer. E muito menos que não vá crescer nesta segunda volta. Vai inevitavelmente, e só não se sabe até onde. Porque a partir daqui entra uma dinâmica em funcionamento. Chame-se-lhe dinâmica de poder, de oportunidade, ou outra coisa qualquer. É um boost que, uma vez activado, vai somar-se ao seu peso específico e determinar o novo valor facial de Ventura.
Ao deixar fugir-lhe a boca para a verdade, Cotrim de Figueiredo anunciou apoiá-lo na segunda volta. Isto não quererá dizer que os seus 900 mil votos corram direitinhos para Ventura; mas não custa muito admitir que a grande maioria deles siga esse caminho.
Montenegro veio dizer que a sua área política perdeu e, não estando representada nesta segunda volta, não tem em quem votar. A leitura directa destas palavras é que, entre o democrata e um anti-democrata, não há escolha. Há abstenção, ou voto branco.
Também se sabe que não é assim, e que os 637 mil que votaram na calamitosa candidatura de Marques Mendes irão na sua maioria votar na segunda volta. São os fiéis do partido, mas a maioria não votará em branco.
Seria provável que a maioria dos quase 700 mil votos em Gouveia e Melo pudesse reverter agora a favor de Seguro. Mesmo que também o almirante achasse ainda cedo para decidir entre o apoio a um democrata e ficar calado, é do destino da maioria destes votos que Seguro fica a depender para assegurar os 800 mil que hoje lhe faltam para derrotar Ventura.
A campanha para as presidenciais de daqui a uma semana está no auge, como seria de prever para estes dias, nas vésperas da reunião do Conselho de Estado. As sondagens têm andado às voltas e, como numa nora, quem umas vezes está por baixo, noutras está por cima.
António José Seguro, que há não muitos dias nem no top 4 entrava, já aparece na frente. Se tudo isto das sondagens faz algum sentido, e eu sou dos que entendem que faz - as sondagens, na sua maioria, estão certas, o que não quer dizer que acertem sempre nos resultados no dia da eleição; isso, é outra coisa -, ou Seguro já deu a volta ao voto útil, ou já não precisa dele, e muita gente poderá já dormir descansada na noite do próximo dia 18. A guerra do voto útil está agora marcada para outros terrenos.
Ventura não tem o eleitorado tão fixado quanto seria de prever. Não lhe está fácil repetir o resultado de Maio passado, nas legislativas; e isso poderá, surpreendentemente, afastá-lo da segunda volta, até há pouco tida por assegurada.
Gouveia e Melo é quem apresenta resultados mais voláteis - tanto parece fora da corrida como, logo a seguir, surge bem dentro dela.
Cotrim e Marques Mendes discutem, é de todo evidente, cada vez mais o mesmo eleitorado. E é aqui, nesta altura do campeonato, o verdadeiro campo de batalha do voto útil. Há aqui um resultado de soma zero: o que Cotrim tem ganhado, tem Marques Mendes perdido!
Marques Mendes que, curiosamente, tinha partido reclamando independência face ao governo, acaba agora a reivindicar - é mesmo o verbo mais apropriado - o papel de maior aliado. O que por este dias se vai vendo é Marques Mendes desesperadamente à procura do colo do governo. Não será exactamente o que mais agradará a Montenegro, que preferiria um candidato presidencial que lhe alargasse a base de apoio, e não um que lha comesse.
Valha-lhe, a ele, Montenegro, que Cotrim lhe faz o resto, e de forma mais asséptica. Sem as pedras do percurso que Marques Mendes arrasta, para que Gouveia e Melo não deixará de continuar a apontar.
Quando André Ventura diz que Portugal precisa de três Salazares fá-lo por provocação, de que se alimenta. Para nunca sair do topo da agenda mediática, que é o seu suplemento vitamínico.
Mas também por conhecer o seu público. Ele sabe que é isso que os seus seguidores querem ouvir. Sabe que a sua plateia não sabe, nem quer saber, quem foi Salazar. Ele próprio não sabe, nem quer saber: quem evoca três Salazares para acabar com a corrupção não pode saber o que foi Salazar, nem a História nem, se calhar, o que é corrupção. Sabe que os seus seguidores querem ouvir coisas assim, que indignam uns, mas que são aplaudidas por muitos outros. E sabe que assim introduz na agenda mediática os temas que quer pôr o país a discutir. Que assim o país discute o que ele manda discutir. Que é assim que se normaliza o que nunca seria normal, e que se deslocam os limites na sua direcção.
Quando espalha pelo país que "isto não é o Bangladesh" André Ventura dá mais um passo na provocação, numa espécie de tentativa de apurar a dose. Ele sabe - um saber de experiência feito - que a cada escalada, a cada incremento de provocação, os limites cedem. E ele sabe que (e como) cresce a cada cedência.
Cabe neste caso ao Ministério Público não ceder em mais um limite. Mas também isso coube em diversas ocasiões ao Tribunal Constitucional...
Não foi só - infelizmente - do brilhante discurso de Lídia Jorge que se fez este 10 de Junho. Fez-se também, ainda em Lagos, de mais um número de André Ventura, evidentemente, incomodado com os discursos que acabara de ouvir. E que hipocritamente apaludira.
Já se sabe que é assim: na tribuna, onde se senta por dever institucional, faz como os outros e aplaude; logo que se levanta da cadeira, com uma câmara e um microfone à frente, surge o taberneiro ordinário, o execrável vendedor da banha da cobra, o manipulador despudorado, o miserável incendiário ...
E fez-se ainda em Lisboa, com insultos racistas e saudações nazis nas barbas de Gouveia e Melo. Sobre os quais o que teve a dizer foi que “estes momentos são de união e não de desunião”.
Não, Sr Almirante. Estes momentos são de coragem, e não de cobardia!
Neste 10 de Junho acabamos por ficar a conhecer mais um bocadinho do personagem que dizem ser o próximo Presidente da República. É pena que não seja nada de bom!
Lendo - e bem mal, por acaso - o teleponto, num ambiente encenado até ao mais ínfimo pormenor pelo Luís, o Bernardo, de Sócrates, Gouveia e Melo apresentou a sua candidatura, em modo "Miss Universo". Com aplausos, muitos, da plateia bem ensaiada, a cada frase lida.
No fim, não ficamos a saber muito mais do almirante. Que não tinha substância, já desconfiávamos. Quer unir, como todos sempre dizem querer. Quer o que é bom, e não quer o que é mau. Como todos, e a Miss Universo também.
Já sabíamos - já o tinha dito - que se situa politicamente ao centro, entre a social democracia e o socialismo, mas na sala só vimos gente de direita. Lá vimos Carlos Carreiras, Fernando Negrão, Isaltino Morais, Ângelo Correia, Ribeiro e Castro, Chicão ...
Poderiam ter apenas perguntado ao André como é que consegue combater a corrupção recebendo dinheiro da corrupção. Mas não. Não andam atrás dele para lhe fazer perguntas incómodas. Andam atrás dele, por todo o lado, apenas para lhe apontarem as câmaras e os microfones, para que ele mostre e diga o que quer.
Os resultados eleitorais definitivos ficaram ontem conhecidos, com o apuramento dos votos da emigração. Com quatro cadeiras de deputados para atribuir, estava em causa - mesmo que, pelo que toda a gente sabia ser o sentido de voto dos nossos emigrantes, se já conhecesse o desfecho - a decisão do segundo partido em deputados eleitos. Já que, quanto ao segundo partido mais votado, que para nada conta, a vantagem do PS era virtualmente impossível de ser anulada pelo voto emigrante.
No entanto não pareceu nada que o que ontem foi conhecido tivessem sido apenas os resultados definitivos das eleições de 18 de Maio. Quis-se dar a parecer que, ontem, 28 de Maio - até a data é apropriada -, foram conhecidos os resultados de uma outra eleição. De umas eleições que se traduziram numa vitória esmagadora do Chega.
- Como?
- A resposta é simples: como sempre!
André Ventura reservou uma sala num hotel da capital para celebrar um resultado já andava a celebrar há dez dias, e as televisões foram a correr atrás dele, repetindo exactamente o que tinham feito atrás das ambulâncias. E fizeram parar o país com directos, discurso do chefe, comentários e mais comentários, aplausos e mais aplausos, ameaças e mais ameaças, nas entrelinhas e fora das linhas. E propaganda. Muita propaganda!
Assim, como sempre. A partir de agora mais ainda assim do que nunca!
Há uma vasta série de teorias para explicar o fulgurante sucesso eleitoral do Chega - melhor, de André Ventura. Em 6 anos, afinal e apenas o tempo de uma legislatura e metade de outra, surgiu e passou de 1% de expressão eleitoral, e um deputado, para 23%, 60 deputados, e líder da oposição.
Não consta de qualquer teoria mas, isso - quatro actos eleitorais no espaço onde ainda se deveria estar apenas a meio da legislatura do segundo - também faz parte da explicação.
A mais clássica das teorias geralmente apresentadas reporta para os vencidos da globalização. É clássica, comum a várias geografias, e não apenas portuguesa. Os operários das regiões industriais - que acabaram com o desaparecimento das fábricas, deslocalizadas para regiões do globo de mão de obra mais barata -, que antes votavam comunista e socialista, migraram o seu voto para a extrema direita.
Com isso se explicaria a votação do Chega no distrito de Setúbal, e na cintura industrial de Lisboa. Mas só explica uma parte!
A transição do voto comunista no Alentejo para o Chega tem o mesmo sentido, mas já carece de outra teoria. E aí surge a imigração, também ela no centro da propaganda política da extrema-direita.
Os imigrantes são culpabilizados pela insegurança - mesmo que as polícias digam o contrário -, pelo aumento dos preços, são acusados de invadirem o SNS, e de encherem as escolas com os seus filhos, subvertendo o quadro de valores nacionais.
E isso explicaria o domínio eleitoral a sul do Tejo, no Alentejo e no Algarve.
Depois há ainda a teoria dos deserdados do regime, aqueles que os governos terão sucessivamente deixado ficar para trás, a empobrecer. Dados ainda ontem dados a conhecer indicam que três em cada cinco portugueses dizem que não ter dinheiro para as necessidades básicas, e que Portugal é o país europeu onde mais cidadãos dizem ter dificuldades financeiras. Toda esta gente pobre canalizaria o seu o voto para a extrema direita como forma de protesto.
Provavelmente a explicação não estará tanto nestas realidades sociais, para as quais, em boa verdade, a extrema-direita nunca apresenta soluções realistas, mas na exploração dessas realidades em ambiente de seita, num registo de desinformação, e de manipulação emocional, de potenciação de ódio. Até encontrar bodes expiatórios fácil e rapidamente assimilados através dos mecanismos das redes sociais, treinados e testados por todo o mundo. O resto é deixado para as televisões.
Na América, Trump teve para isso uma televisão - a Fox. Em Portugal, o mestre André, teve-as todas. Servilmente prontas para transmitir em directo todas as suas encenações messiânicas.
Se dizemos que a pantominice, e a sucessão de pantomineiros ao longo de muitos anos, são os responsáveis pelo crescimento da extrema direita, como é que se pode compreender que ela cresça com mais pantomineiros ainda?
André Ventura é o maior pantomineiro da História política portuguesa. Se alguém tinha dúvidas, a encenação destes últimos dias de campanha, acaba com elas: nunca uma personagem política portuguesa foi tão despudoradamente pantomineira. Nunca ninguém gozou tanto com a inteligência dos portugueses.
E no entanto, dizem as sondagens, depois de um ano de escândalos no Parlamento, André Ventura continua a crescer na votação e irá ultrapassar o milhão e cem mil votos de há um ano.
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