Tudo na mesma

Parece que, por cá, não se passa nada. Estamos umas semanas fora e quando regressamos encontramos tudo na mesma, mesmo que nos queiram fazer crer que não.
Por exemplo, chegamos e vemos que o PS tem um novo líder. Vamos ver e ficamos a saber que José Luís Carneiro foi eleito com o coreano resultado - norte-coreano, mais precisamente - de mais de 95% dos votos. Partido unido, o PS está a reerguer-se, e vai voltar a ser pujante - apressamos-nos a pensar. Pois ... mas olhamos com um pouco mais de atenção e ficamos a saber que o resultado de 95,4% resulta de um universo de 17.125 votantes. E que os 16.342 votos em Carneiro são praticamente os mesmos de há ano e meio, quando perdeu para Pedro Nuno Santos. A concorrer sozinho, José Luís Carneiro somou 1.649 votos aos 14.693 de Dezembro de 2023. É muito "poucochinho"!
Chegamos e vemos que António Vitorino diz finalmente que não vai ser candidato presidencial. Nem ele une partido. O António José Seguro agradeceu. E suspirou de alívio ... por pouco tempo. É que Augusto Santos Silva não o larga. E saltou logo!
Sentado nos seus 95%, do alto dos seus 16.342 votos, Carneiro assiste aos últimos estrondos do desabamento.
Chegamos e vemos que há mais um candidato presidencial. É o do PCP, e ... está tudo na mesma. Mas logo percebemos que não. Olhamos e vemos muita gente a enaltecer a escolha de António Filipe, um parlamentar de eleição, e um exemplo de cordialidade e bom trato. Viu-se até gente na dita imprensa de referência a classificar a escolha de golpe de génio. A dizer que, com esta candidatura, o PCP dera cheque-mate a toda a esquerda. Que, com um candidato como António Filipe, mais não tinha que ficar obrigada a juntar-se-lhe. Que António Filipe seja a personificação do PCP, o rosto e a voz do anacronismo comunista, e em particular na questão ucraniana, não interessa para nada. É um gajo porreiro ... e pronto!
Ah ... e o director de informação da RTP, o António José Teixeira, foi demitido, e substituído pelo Vítor Gonçalves. Mais fofinho, ou mais laranjinha, ou lá o que é ...
Não há como não ver que está tudo na mesma!