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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

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Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

A "montenegrisação" em curso

Portugal | Luís Montenegro was appointed Prime Minister – Pledge Times

Primeiro o povo correu aos supermercados e às bombas de gasolina. Depois passou a tarde nas filas e, por fim, bateu palmas à janela, ou nas ruas, à medida que a luz vinha regressando.

O povo não percebe nada de política energética, nem sabe que são os chineses que mandam na rede eléctrica. Mas ouviu Montenegro dizer que o problema nasceu em Espanha, e que foi com ele ao comando, a estabelecer prioridades, a garantir que a Saúde funcionava e que os hospitais tinham geradores e gasóleo, que o país resistiu incólume ao apagão.

Com as dispensas cheias de conservas e papel higiénico, o povo ouviu e gostou. E vai amanhã ouvir, e gostar de ouvir, Toni Carreira nos jardins de S. Bento, a festejar o 25 de Abril de Montenegro, empurrado pelo luto para a um salto no calendário.

O povo não sabe, nem quer saber, que a Protecção Civil andou à nora, que o governo ficou atarantado, que o Presidente da República esteve desaparecido, que o SIRESP voltou a não funcionar, que as estruturas estratégicas para a segurança e para a soberania estão à mercê do acaso, ou que o país não tem sequer um plano para uma coisa que corra mal em Espanha. E Montenegro sabe disso...

Se há coisa que Montenegro conhece bem, é o povo. E por isso lhe é tão fácil  "montenegrisar" o país!

Preocupações

Continuamos, e iremos continuar, sem saber o que, no apagão de ontem, se passou em França e Espanha. Ao contrário, do que se passou em Portugal, sabemos tudo.

Sabemos que estavam desligadas centrais de produção porque é mais lucrativo importar de Espanha. Porque, e isso não sabíamos - valha-nos o Mira Amaral, que sabe da coisa, e não ganha nada do Estado Chinês -, a energia lá comprada custa menos que os custos variáveis da sua produção, cá.

E sabemos, se bem que já soubéssemos de outros carnavais, que somos uns imbecis que, à mínima oportunidade, corremos para os supermercados a limpar as prateleiras, a esgotar a água, as conservas e, claro - não podia faltar - o papel higiénico. Fazemos filas de quilómetros para os postos de abastecimento, para esgotar de pronto toda a gasolina e o gasóleo que por lá haja. Sempre a tentar passar a perna uns aos outros, até desatarmos todos à lambada. 

Uma coisa tenho por certa: é muito mais preocupante o que já sabemos do que aquilo que não sabemos. E dentro do que sabemos, é ainda mais preocupante o que já sabemos de nós, do nosso miserável comportamento, do que o ficamos a saber da electricidade que faz o nosso modo de vida.

É mais preocupante a selva em que transformamos Portugal, que a dependência a que as nossas elites condenaram o país.

Apagão ... histórico

ONS diz que origem do apagão será conhecida em até 48 horas

Não me recordo de um "apagão" destes. Pode até ter havido, mesmo que não me lembre, um ou outro com duração idêntica  - no meu caso, ou melhor, na minha casa, foram 9 horas, contadas a partir das 11:33, início do apagão - mas nenhum com esta dimensão. Internacional, e de crise, com o caos a tomar conta das principais cidades do país.

Nem nenhum com as dúvidas e incertezas deste. Sem se saber como, nem porquê. 

Pode ser que venhamos a saber o que aconteceu. Para já apenas sabemos que se especulou muito e mentiu ainda mais. Já sabíamos que a distribuição de energia é uma questão de soberania. De que o país abdicou quando a entregou ao Estado Chinês. Agora ficamos a saber - com alguma surpresa - que os sistemas de distribuição de electricidade funcionam em dominó. E que, tal e qual como a de entregar toda a infra-estrutura a terceiros, essa é capaz de também não ser uma grande ideia!

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