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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

VIVA O MAR

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A segunda jornada da Liga de futebol manteve as suas pecularidades, e desta vez criou o paradigma do último minuto. No último minuto do jogo de Alvalade, nem o árbitro nem o VAR viram o que todos vimos: um penalti a favor do Vitória de Setúbal, que daria de novo, e por fim, o empate. No útimo minuto do jogo do Jamor, o VAR e o árbitro viram o que mais ninguém viu: um penalti a favor do Porto, que lhe deu os três pontos.

Percebem-se as preocupações com a convalescença do Sporting, e o desígnio de o levar direitinho, bem amparado, sem o deixar cair e inteirinho até à Luz. Já quanto ao Porto, que mesmo sem estar doente está a jogar tanto como o Sporting, não é preocupação. É obcessão. Que também é doença...

E, neste Agosto quente, viva o MAR - Medical Assistence Results!

 

Os golos também se capitalizam

Jonas fez o que mais nenhum brasilero conseguiu no Benfica

 

Último jogo da primeira volta. Sábado à tarde. Tarde bonita, cheia de sol. Estádio da Luz cheio que nem um ovo, mais uma vez acima dos 60 mil. e a passar a barreira dos 15 milhões de espectadores. Adeptos eufóricos, as última exibições do Benfica não davam para menos... 

Tudo para uma tarde de sonho, depressa transformada em pesadelo. O jogo iniciou-se como seria previsível, com o Boavista a pressionar no campo todo, nada que seja novidade. Também não foi exactamente novidade que o Benfica passasse os primeiros dez minutos sem dar muito boa conta do recado.  Nem que saísse desse período com a primeira oportunidade de golo, na melhor jogado do desafio. Só que o remate de Gonçalo Guedes, isolado por Rafa, levou a bola fugir por milímetros do golo.

O Benfica tomou conta do jogo e começou a vir ao de cima a matreirice e o poder físico dos jogadores de xadrez - o Boavista é certamente uma das equipas fisicamente mais fortes do campeonato. Que é uma das mais duras já se sabia...

Estavamos nisto quando, em pouco mais de 10 minutos, o Boavista marca três golos. Todos com a assinatura da arbitragem: no primeiro, o árbitro não assinalou uma falta sobre o Rafa à saída da área do Benfica, no segundo, o marcador fez falta sobre o André Almeida, e o terceiro resulta de um fora de jogo inacreditável.

Tenho sempre aqui dito que os erros dos árbitros são incidentes do jogo. Que jogando bem, como habitualmente o Benfica faz, os golos aparecem e acabam por se sobrepor a esses erros. O que, de resto, e mesmo com erros tão raros e tão influentes como estes - três golos em 10 minutos - até este próprio jogo confirmou.

E o que me dá toda a legimidade para perguntar: o que seria, se esta arbitragem de Luís Ferreira tivesse acontecido com o Sporting, ou com o Porto? E para expressar claramente que esta arbitragem é o resultado da pressão que ambos têm vindo a construir, especialmente nas últimas semanas.

Dito isto há que dizer que o Benfica não esteve ao nível que nos tem habituado. Mesmo assim, criou oportunidades de golo suficientes para chegar ao intervalo já com a desvantagem no marcador anulada. Aproveitou apenas uma, aos 40 minutos, por Mitroglou (substituiu Rafa) que entrara 4 minutos antes.

Na segunda parte não melhorou muito, mesmo que a entrada de Cervi, com a saída de Luisão, tenha trazido coisas novas ao jogo do Benfica. Chegou cedo ao segundo golo, num penalti cometido sobre o jovem argentino, que Jonas concretizou. E o empate chegaria também a partir de uma substituição, a última, na troca de Gonçalo Guedes por Zivkovic, que cruzou para um defesa boavisteiro, pressinado, fazer auto-golo.

Faltavam 20 minutos para o fim, e acreditou-se na reviravolta completa. Mas o Boavista continuava imperturbável, a defender com tudo e de toda a maneira. E a queimar tempo, sempre com a complacência do árbitro. Mesmo assim foi nesse período, em pleno assalto final do Benfica, que criou as duas únicas oportunidades de golo imaculadas, ambas anuladas em intervenções superiores de Ederson. 

É certo que o Benfica poderia chegado ao golo da vitória. Dispõs de mais duas ou três ocasiões para isso, mas também ia ficando a ideia que os jogadores, esgotados, já se contentavam por terem evitado a derrota.

Claro que não se pode esquecer que a arbitragem deu três golos ao adversário. Que a qualidade de jogo foi inferior ao desejável, e que jogadores que têm sido fundamentais tiveram fraco desempenho, como Pizzi, Nelson Semedo e Salvio. E que os níveis de eficácia estiveram abaixo do habitual. Mas o Benfica só não ganhou o jogo porque não soube, não pôde, ou não quis, capitalizar os golos que iam fazendo a recuperação.

Quando uma equipa se encontra numa situação daquelas tem obrigatoriamente que tirar partido de cada golo. Tem que ter coração e alma para fazer de cada golo um trampolim para o seguinte, ir para cima do adversário sem o deixar recuperar do golpe. Não o deixar respirar, atirá-lo ao tapete. E o Benfica não fez isso. Os jogadores foram a correr buscar a bola á baliza do Boavista, mas ficaram-se por esse gesto. A bola ia ao centro e tudo voltava ao normal, como se nada se tivesse passado: o Boavista continuava confortável com o resultado e arrefecia de imediato o jogo.  

Não me digam que não faltou alma, nem coração, que o que faltaram foi forças. Antes de faltarem as forças já percebíamos que faltava aquele coração que resolve os jogos quando não é possível jogar bem. Aquele suplemento de crença que é preciso quando as adversidades aumentam.

Ao cair do pano sobre a primeira volta deste que desejamos que seja o campeonato primeiro tetra, e quando os adversários pretendem mascarar a superioridade que o Benfica  demonstrou até aqui com o colo da arbitragem, não se devem esquecer os pontos perdidos com o dedo das gentes do apito: Vitória de Setúbal e Boavista, na Luz (4) e Marítimo, nos Barreiros (3). Sete pontos, num total de nove perdidos, estão a débito nas contas da arbitragem. Não fosse a qualidade da equipa e do futebol que pratica superar normalmente os erros de arbitragem e o saldo seria bem mais gordo.

Não sei se a isto se chama colo, se andor... Nem sei se o Rui Vitória se não irá arrepender de ser tão elegante. Tenho a impressão que a elegância e os bons modos não são lá muito bem vistos no mundo português do futebol.  

 

   

 

   

Época de incêndios

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Todos sabemos que o futebol não é apenas um jogo apaixonante, é também um fenómeno de alienação que permite todo o tipo de manipulações. Todos temos amigos e familiares que se transformam por completo logo que a conversa chega ao futebol. Todos conhecemos pessoas por quem temos grande apreço intelectual, que nos seduzem pela inteligência, comportamentos e atitudes,  que deixamos  de reconhecer logo que o tema é futebol. 

É assim, mesmo que seja pena que assim seja. 

O que se está a passar com os árbitros é verdadeiramente inaceitável e é consequência da impunidade com que os dirigentes do futebol - e também muitos treinadores - o incendeiam para esconder os seus erros e a sua incompetência. Os jogadores podem falhar golos de baliza aberta, os guarda-redes podem dar os frangos que derem. Os treinadores podem escalar mal a equipa, podem dar cabo da motivação dos jogadores, podem fazer as substituições erradas. Os dirigentes podem contratar jogadores que nem conhecem, ou que nem se integrem nas necessidades da equipa. Mas, no fim, o culpado é sempre o árbitro. Nunca o presidente, que diz aos adeptos que ganha tudo e, depois, não tem competência para isso. 

Reparei, por exemplo, que no famoso jogo do Porto com o Morerirense que afastou os portistas da continuidade na Taça da Liga sem que tivessem ganho um único jogo, os adeptos gritavam: "joguem à bola". Era o sinal claro que o que estavam a ver era que a equipa não estava a jogar nada. No entanto, dois dias depois, estavam a invadir o centro de treinos dos árbitros, e a ameaçá-los, bem como às suas famílias, lançando um clima de terror absolutamente intoierável. 

Nas redes sociais sucedem-se os apelos sportinguistas às suas claques para que façam o mesmo, que repliquem o exemplo que vem do Porto.

É isto que os dirigentes pretendem. Para que ninguém se lembre dos actos de gestão danosa, das decisões erradas, das contratações falhadas, das promessas incumpríveis... E já que nem aqueles de nós que temos a obrigação de resistir à exacerbada paixão clubística, e de denunciar a manipulação que dela fazem, cumprimos com a nossa responsabildade, só resta ao orgão máximo da direcção do futebol, à Federação Portuguesa de Futebol, a par da máxima transparência nos processos, passar a punir severamente as declarações dos agentes do futebol sobre a arbitragem que, pela sua natureza e persistência, sejam obviamente impróprias. Não com multas irrisórias, nem com suspensões inócuas. Com multas a sério para a realidade do futebol e com perda de pontos. Com coragem e sem medo de ninguém! 

Não há dúvida: a culpa é do árbitro.

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Ainda não me tinha debruçado bem sobre o assunto, mas agora que lhe dediquei alguns segundos, estou a chegar à conclusão que os portistas têm razão: o Porto perde sempre por culpa do árbitro!

Não há já dúvidas nenhumas: perdia, mudou de treinador... e continuou a perder. Logo, a culpa não está no treinador. Como não pode estar no Papa - o dogma da infalibiliade papal não o permite - só pode estar nos árbitros. Bem visto!

Continuem. Estão carregadíssimos de razão...

 

Não havia necessidade...

Por Eduardo Louro

 

O Sporting foi prejudicado pela arbitragem do último jogo, em Setúbal. Mais, bem mais, que uma arbitragem a prejudicar o Sporting, foi uma arbitragem desastrada: basta que, dos quatro golos que o jogo teve, nem um esteve de acordo com as leis. E que tenha sido anulado o único que deveria ter valido.

O Sporting reagiu como costuma reagir, reclamando até o primeiro lugar do campeonato, que não fossem as arbitragens e seria seu. Mas reagiu também para, evidentemente, marcar posição para o jogo do próximo domingo, com o Porto, em que está em causa o segundo lugar, o tal que dá acesso directo à Champions.

E para colocar pressão no árbitro desse jogo que, soubemo-lo ontem, seria Olegário Benquerença. Que não está apenas na fase descendente da sua carreira. Está a terminá-la numa forma que só permite um desejo: que seja depressa, que acabe depressa com este penoso e triste fim de festa.

Por isso, mas também pelo seu histórico nos jogos com o Porto, ninguém entendeu esta decisão de Vítor Pereira. Uma nomeação absurda, destituída de senso, sem pés nem cabeça, que mais não era que mandar mais achas para a fogueira!

De repente, por motivos de indisponibilidade física devidamente comprovada”, o Conselho de Arbitragem liderado por Vítor Pereira, trocou Olegário Benquerença por Pedro Proença. Sou dos que acham que nunca fica mal emendar a mão, mas... não havia necessidade...

Já aí vem o derbi

Por Eduardo Louro

 

Não sei se os árbitros são nomeados a pedido, sei que já foram. Mas sei - já se precebe bem - que há gente a mais a pedir o Pedro Proença para o derbi. É curioso como o Sporting - onde o presidente se propõe regenerar o futebol português justamente a partir do regresso ao sorteio dos árbitros - alega que para o jogo mais importante, o melhor árbitro. E que o melhor árbitro português é, não têm dúvidas, Pedro Proença!

É ainda curioso que também os portistas estejam de acordo. Mesmo de candeias às avessas, portistas e sportinguistas acham que o árbitro que se diz benfiquista é o melhor. E o melhor também para este jogo... Pois!

Não menos engraçada é a segunda escolha: Jorge Sousa. O dito súper dragão que na Luz suscita quase tanta animosidade como o autoproclamado benfiquista. Menos um bocadinho!

Mais, muitas mais que sobre a escolha do árbitro, serão as dúvidas sobre qual será o jogador do Benfica atirado desta vez para o estaleiro, até ao final da época. Da primeira vez foi o Sálvio, que seis meses depois ainda não regressou. Da segunda foi o Rúben Amorim, que levou que contar para 4 ou 5 semanas. E o Cardozo, agora a regressar,  3 meses depois! 

Claro que gostaria de uma boa arbitragem ... e que ninguém se aleijasse. Mas já deu para perceber que não se pode ter tudo... 

A infalibilidade do Papa

Por Eduardo Louro

 

A arbitragem de Artur Soares Dias no clássico do passado domingo foi completamente desastrada, em prejuízo nítido, claro e permanente do Benfica até ao segundo golo, aos 53 minutos de jogo, logo depois do mais inacreditável de todos os erros – o corte com a mão, de Mangala, bem dentro da área, à sua frente, bem à sua frente. A partir desse erro(?) capital, porque, como aqui escrevi depois do jogo, “viu que toda a gente viu que ele viu” o árbitro não resistiu à perturbação e, como também então escrevi, “desatou a fazer mal sem olhar a quem”, com uma incrível sucessão de decisões absurdas, em prejuízo de qualquer das duas equipas e do próprio jogo.

No final do jogo, curiosamente, ninguém se referiu à arbitragem verdadeiramente inaceitável de Artur Soares Dias, que Pinto da Costa quer agora transformar no Proença do Porto. Jorge Jesus porque, já se sabe, não sabe o que é comunicação nem faz ideia para que servem as conferências de imprensa, mas também porque ganhou, percebendo-se que, com o que para ele significava aquela vitória, não restasse espaço para mais nada -, e o Paulo Fonseca porque a vergonha pela exibição da sua equipa não lhe permitiu mais que dar graças a Deus por só ter levado dois, reconhecer a justeza da vitória do Benfica – o que para Pinto da Costa é apenas o maior dos pecados – e proclamar a sua confiança cega de que na última jornada será campeão.

Pinto da Costa, que sempre que não ganhou na Luz nunca deixou de vir a terreiro reclamar da arbitragem, estranhamente ficou calado.

Os comentadores portistas espalhados pelo universo mediático, que são normalmente parte integrante da máquina de comunicação azul e branca, potenciando os erros da arbitragem - que fazem como ninguém – reconheciam o mérito da vitória do Benfica. E unanimemente reconheceram que era a actuação da equipa, e não a arbitragem, que tinham de responsabilizar pela derrota. Porque Pinto da Costa apenas tem responsabilidade nas vitórias, fustigaram – alguns achincalharam, sem dó nem piedade - o treinador.

A meio da semana houve jogos da Taça da Liga. Jorge Jesus aproveitou para dar mais uns tiros no pé – não há volta a dar-lhe –, desta vez com as 10 vezes que preciso nascer para substituir o Matic, e o Paulo Fonseca muito satisfeito com a goleada ao Penafiel que lhe garantia a liderança no grupo. E Pinto da Costa aproveitou para elogiar a filha de Eusébio…

No final da semana tudo mudou. Pinto da Costa renovou a confiança no treinador – já agora um aviso, Paulo Fonseca: se a sua mulher lhe diz todos os dias que o ama, é melhor começar a desconfiar – e atirou-se ao árbitro com uma violência pouco vista. E obrigou-o a rectificar as declarações do final do jogo, e a fazer aquela triste figura de dizer que não falara da arbitragem propositadamente para testar os jornalistas. que só querem destabilizar o Porto.

Foi até desenterrar Calabote – coitado do Calabote, que foi irradiado por um único jogo, o último de um campeonato que o Porto até ganhou, em igualdade de pontos com o Benfica, que seria o último antes do apagão de 19 anos, ao pé dos Martins dos Santos, Calheiros, Augusto Duarte… - para acentuar a nova tese de que a derrota da Luz é da responsabilidade da arbitragem de Soares Dias. Não é Paulo Fonseca, porque é ele o responsável por esse erro de casting. Não é da equipa, porque é ele o responsável pelas contratações. E ele, como se sabe, não erra. Protagoniza a infalibilidade papal. Se não mesmo divina! 

O paradoxo do downsizing no reino do leão

Por Eduardo Louro

 

O Sporting, com o presidente Bruno de Carvalho à cabeça e com os recursos que lhe advém da condição de membro do triunvirato dos grandes, lançou uma campanha a que dificilmente posso deixar de chamar terrorista. Reclamar de decisões da arbitragem em que se sente prejudicado, sem qualquer tipo de distinção entre eles, metendo tudo no mesmo saco, é uma coisa. Eliminar, riscar ou omitir outras tantas em que foi beneficiado, é outra. Juntar esta berraria ao silêncio dos jogos a fio em que beneficiaram de penaltis e de sucessivos golos em fora de jogo, de que o jogo com o Benfica em Alvalade é apenas um exemplo, é ainda outra. Todas juntas são qualquer coisa muito perto de um terrorismo inaceitável que, como já pôde comprovar, também alguns sportinguistas repudiam.

A manipulação e a distorção da realidade, o espalhafato, a gritaria e os berros não são, ao contrário do que alguns possam julgar, sinónimo de liderança. São frágeis as lideranças que não encontram outras formas de se afirmar. Mas sabemos que povo da bola é, nesta matéria, pouco exigente, e facilmente embarca neste tipo de liderança bacoca e populista, do tipo agora é que eles vão ver de que massa somos feitos.

Não sei se Bruno de Carvalho é outro Vale e Azevedo. São muitos os traços em comum, tantos quantas as diferenças nas circunstâncias, pelo que diferentes poderão ser também os pontos de chegada.

Encetou no Sporting um processo meritório, que o mundo da bola generalizadamente aplaudiu. Toda a gente, e não só os simpatizantes do Sporting, apreciou a forma como o futebol do Sporting se virou para a sua academia, construindo a sua equipa de futebol na base dos seus jovens em formação, em detrimento das contratações que não estava mais em condições de prosseguir (as que apesar de tudo insistiu em fazer, correram mal). Toda a gente apreciou o processo de emagrecimento que instalou no Sporting, bem embrulhado num falso – mas eficazmente popular – afrontamento à banca. Era o exemplo para o futebol em Portugal, era este o caminho a seguir, mais cedo ou mais tarde todos os clubes aí terão de chegar, disse-se por todo o lado...

O problema – percebe-se agora – é que Bruno de Carvalho é o caso típico do actor que não joga com a personagem. E, porque assim é, criou aquilo a que chamaria o paradoxo do downsizing!

Bruno de Carvalho não tem uma estratégia de downsizing desenhada para salvar e recuperar o Sporting. Não está a dar dois passos atrás para depois dar um em frente (dar apenas um atrás na expectativa de, depois, dois em frente já não é coisa que se aplique ao futebol em Portugal). Esta não é a estratégia de qualquer adepto, e este presidente do Sporting quer fazer-se passar apenas por adepto. Esta é a estratégia que a banca impôs ao Sporting, que só pode ser levada a cabo por um presidente, nunca por um adepto.

É este o paradoxo. É por isso, por este paradoxo, que todos, no Sporting de Bruno de Carvalho, se acham capazes de ganhar tudo, deixando o treinador a falar sozinho. É por isso que, quando naturalmente não ganham, têm que criar factos atrás dos quais se possam esconder. É por isso que inventam fantasmas para tudo. Até para alianças… É por isso que vai correr mal!

Doutrina da arbitragem nacional

Por Eduardo Louro

 

O jogo do Restelo deu mais uma forte contribuição para a afirmação da arbitragem portuguesa. Da nova arbitragem profissional!

Inovou na lei do fora de jogo, sem dúvida que uma das mais complexas das onze leis do jogo, definindo que um jogador está em fora de jogo mesmo que no seu próprio meio campo, como revela a imagem.

 

 

  

 E deu um grande contributo para o esclarecimento das faltas dentro da área, transformando em doutrina uma circunstância em que os árbitros nacionais estão sempre de acordo, são unânimes e nunca têm dúvidas: carga ou empurrão pelas costas dentro da área é sempre falta, e consequente penalti, se a favor do Porto. Nunca será considerada faltosa, e portanto sem qualquer penalização, se contra. Como ficou demonstrado nesta acção do Otamendi sobre o Diawara!

 

 

 

Note-se que esta doutrina apoia-se numa outra, nascida em Felgueiras à terceira jornada, no jogo com o Paços, que já defendia que também o empurrão do atacante ao defesa contrário seria sempre lícito desde que o atacante fosse do Porto e resultasse em golo. Em qualquer outra circunstância será sempre falta atacante, punida com livre directo…

A coisa ... e tanta coisa

Por Eduardo Louro

 

É certo que voltou a haver erros de arbitragem. Que, no golo do Belenenses, um jogador em fora de jogo posicional interveio (para Jorge Jesus interviu) no desenrolar da jogada, movimentou-se no sentido de disputar a bola. Que o Cardozo voltou a ser agarrado dentro da área, e impedido de disputar uma bola com o guarda-redes, e que isso é penalti. Tão certo como tudo isso é que nem o Artur defenderia a bola se o jogador do Belenenses lá não estivesse à sua frente, nem o Cardozo chegaria alguma vez à bola que foi impedido de disputar. Mas isso não muda nada!

É verdade que é quando as equipas não estão a jogar nada – como acontece com o Benfica e com o Porto – que os erros de arbitragem são mais decisivos. A jogar de acordo com o potencial que tem, o Benfica tem a obrigação de ganhar mesmo se prejudicado pela arbitragem. Enquanto lá não chegar tudo conta, e a verdade é que o Benfica hoje não ganhou um jogo que, sem esses erros, ganharia. Como o Porto ontem ganhou um jogo que, sem o erro que existiu, não ganharia.

É verdade que a coisa existe. Anda aí, está tão viva quanto sempre esteve ao longo das três últimas décadas!

Dito isto há no entanto que dizer que, do melhor plantel dos últimos 30 anos, o Benfica não consegue fazer uma equipa que jogue futebol. Jorge Jesus apenas se cruzou com o êxito no primeiro destes quatro anos que já leva de Benfica, mas em todos os outros conseguiu que a equipa apresentasse bom futebol. Muito bom, do melhor que por cá se tinha visto, no primeiro ano, mas também muito bom em boa parte das duas épocas seguintes. Isto é unanimemente reconhecido: não deu grandes resultados – é certo – mas percebia-se porquê. Por deficiente gestão do plantel - pela utilização com pouco critério dos jogadores, deixando que se esgotassem até ficarem nas lonas – e por óbvias limitações na gestão motivacional da equipa. Claro que a coisa, sempre que necessário, também fez das suas!

Falar do futebol do Benfica de Jorge Jesus, era falar de transições rápidas, de avalanche ofensiva, de rolo compressor, tão frenético que muitas vezes provocava tantos desequilíbrios na própria equipa quanto na adversária. Era a tal nota artística, a expressão que ele próprio introduziu no léxico do futebolês!

Neste quarto ano tudo isso desapareceu, e hoje a equipa não consegue acertar três passes seguidos, não engata uma transição, não ganha um duelo e não consegue partir para cima do adversário. Jogadores de grande classe parecem que não sabem jogar à bola. O Markovic, que começou por encantar, que rasgava pelo centro do campo e só parava na baliza adversária, acabou por desaprecer,agarrado à linha. O Matic, o 8 que Jesus reclama ter transformado num dos melhores 6 do mundo, já não é nem 8 nem 6. Até o Enzo, que da linha veio para o meio, para agora regressar à linha, e mesmo aí carregar a equipa às costas, acabou por desistir…

Tudo isto era previsível. Tudo isto estava à frente do olhos… Sabia-se o que tinha falhado, conheciam-se os pontos fortes e os fracos. Tinha dado para perceber que aqueles pontos fortes não eram suficientes para ganhar. E que, quando já nada há para subir, só resta descer. Não era o fundo, aquilo que em Maio se viu no Jamor. Ali penas se via que já não havia nada para subir...

O que antes era difícil é, agora, depois de Guimarães - que não é a causa de coisa nenhuma, mas a consequência de muita coisa -, impossível de esconder. E não adianta continuar a procurar tapar o sol com a peneira!

 

 

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