O jogo da nona jornada, com o Arouca, fechava na Luz um dia cheio de Benfica.
Poderia esperar-se uma noite quente, com o fervor que arrastou mais de 85 mil benfiquistas - 85.422, mais precisamente, e novo recorde mundial - para as secções de voto, a transferir-se para as bancadas da Luz. Mas não foi bem assim, e nem o mais expressivo resultado da época conseguiu que os mais de 60 mil nas bancadas exorbitassem em festa. Sinal dos tempos!
Depois do descalabro de Newcastle José Mourinho apresentou uma única novidade no onze. Obrigatória, de resto, pela lesão de Dedic. Sem que Aursenes naquele lugar fosse novidade, como novidade também não seria que não houvesse da formação algum lateral direito, chame-se Leandro ou outra coisa qualquer, a novidade foi Prestiani, acabado de chegar do mundial de sub-20.
A reacção ao anúncio do seu nome pela instalação sonora deu logo para perceber que Prestiani iria mexer com a bancada. E mexeu mesmo. Mexeu sempre que mexeu com o jogo, sempre que o agitou, e mexeu na altura em que saiu, aos 64 minutos, substituído por Schjelderup, no momento alto da noite da Luz.
O jogo foi de domínio e controlo claro do Benfica. Em parte por méritos próprios, em parte por manifesta incapacidade do Arouca. Teve cinco golos, três de penálti, o que, se não é inédito em jogos do Benfica, andará perto por lá. Dois - os dois primeiros, e também os dois primeiros golos, convertidos por Pavlidis - arrancados a ferro pelo VAR já que, pelo o nosso conhecido Hélder Carvalho, não haveria nenhum deles. O terceiro, já na compensação, como já não aquecia nem arrefecia, já não lhe custou nada ser ele próprio a assinalá-lo. Nos dois restantes, o terceiro veio de um canto, no período de compensação da primeira parte, pela cabeça de Otamendi que, desta vez, ao contrário do jogo da época passada, apenas derrubou a bola para dentro da baliza. E só o quarto, logo no início da segunda parte, em lance de bola corrida.
Mas não galvanizou as bancadas, que viram neste jogo mais razões para se conformarem que para se entusiasmarem. O que hoje se viu na Luz é provavelmente o melhor que futebol de Mourinho tem para nos dar. Na perspectiva resultadista é excelente. Ficamos todos contentes com goleadas de 5-0.
Mas quando na Luz, numa noite dos 5-0, e ao adversário que na época passada nos roubou o campeonato, o que mais nos faz vibrar é a ovação ao Prestiani, percebe-se que os benfiquistas estão conformados. Não lhe peçam é que se entusiasmem!
Em jornada de festa, com o penta da equipa feminina de futebol, homenageada ao intervalo, mas a dividir o palco com Micoli, na volta olímpica, e ainda com os parabéns a José Augusto, o Benfica entrou na Luz, cheia, a abarrotar, e cheia de sol e de fervor benfiquista, com o mesmo onze do Dragão.
Mas foi só isso que o Benfica trouxe do Dragão: os mesmos onze, e as mesmas camisolas. Não trouxe nada de tudo o resto que lá apresentou.
A primeira parte mostrou jogadores desinspirados, mas também pouco dispostos a transpirar muito. A equipa não teve nada a ver com o que vinha sendo. Aquela equipa mandona, com uma dinâmica de jogo consolidada, e intensa nunca apareceu.
Foi tudo muito lento e mastigado, a permitir ao Arouca, bem organizado, resolver os poucos problemas que o Benfica lhe colocava. Cortava facilmente as linhas de passe, interceptava todos os cruzamentos e tinha até tempo para cortar bolas em cima da linha de golo.
É certo que, ainda assim, o Benfica poderia - e até merecia - ter chegado ao intervalo na frente do marcador. Em duas ou três oportunidades, sem considerar as que, por mérito próprio, ou demérito alheio, o adversário anulou, poderia ter marcado. Na mais flagrante, depois de um excelente trabalho dentro da área, Pavlidis rematou ao poste.
Ao intervalo Bruno Lage teria de mexer na equipa. O jogo do Benfica teria de ser agitado, havia demasiados jogadores demasiado desinspirados. E havia muito por onde, e havia até memórias frescas de jogadores que se mostraram na quarta-feira. Que mostraram vontade, e que são solução.
Surpreendentemente Bruno Lage deixou tudo na mesma. O Arouca é que não, e arrancou para a segunda parte a mostrar que, para aquele Benfica, tinha outra resposta que não apenas defender. E a preocupação começou a instalar-se nas bancadas da Luz.
Quando, ao quarto de hora, depois de uma grande arrancada de Carreras, e assistido por Aursenes, Kokçu marcou - grande golo! - pensou-se que estaria quebrada a resistência arouquense. O mais difícil estava feito.
E estaria ... se ... Se logo no minuto seguinte Aktürkoglu, isolado, tem evitado rematar contra o guarda-redes. Se Di Maria não tivesse escandalosamente rematado para fora na recarga. Ambos na expressão máxima da falta de inspiração. E se, cinco minutos depois, o velho conhecido António Nobre não tem inventado um penálti para o Arouca.
Ontem, em Ponta Delgada, o árbitro Cláudio Pereira - a sua nomeação para esse jogo é bem demonstrativa do que para aí vai - perdoou ao Sporting um penálti do tamanho do Pico. E o Sporting ganhou. Ontem, no jogo com o Santa Clara, o VAR fez que não era nada com ele. Hoje, na Luz, António Nobre assinalou um contra o Benfica que nunca existiu. O VAR viu, e disse-lhe que não, que aquilo não era penálti em parte nenhuma do mundo. Mas o árbitro teve a lata, e a pouca vergonha, de o justificar com um "rasteira com a cabeça" de Otamendi. "Rasteira com a cabeça"?
Logo a seguir Di Maria foi empurrado na área do Arouca. Nada, disse ele. Mais tarde, já mesmo sobre o apito final, Schjelderup foi ensandwichado e impedido de disputar a bola e, de novo, nada.
Com o empate, Bruno Lage mexeu finalmente na equipa, com as entradas de Belotti e Schjelderup para os lugares de Florentino e do apagado Di Maria, acabado de ser empurrado dentro da área adversária. E logo a seguir, finalmente, ao enésimo, um canto cobrado com algum nexo, com Pavlidis a surgir a marcar, ao segundo poste.
Era desta, suspirou-se na Luz. Que logo a seguir festejava o terceiro. Por pouco tempo, Schjelderup estava fora de jogo. De seguida Belotti, Schjelderup e Otamendi desperdiçaram ocasiões flagrantes. E Bruno Lage repôs o meio campo, substituindo Pavlidis por Leandro Barreiro. E trocou Aktürkoglu por Bruma.
Para nada. Nos últimos minutos do período de compensação, incompreensivelmente, a equipa não conseguiu segurar a bola. E no último suspiro do jogo, no sexto dos sete minutos de tempo adicional, depois de uma perda de bola no ataque, com a equipa completamente descompensada, um contra-ataque acabou no golo empate.
É inaceitável este empate, a quatro jogos do fim. Perder nesta altura pontos em casa, com o Arouca, no último minuto do jogo, não pode ser aceitável. O escândalo das arbitragens é revoltante, mas não é atenuante. Até porque não é a primeira vez que a equipa escorrega depois de uma vitória exuberante. Nem a primeira vez que falha logo depois de chegar à liderança. Quando a equipa empurrava a onda vermelha, e esta a equipa para a conquista do campeonato, este empate representa uma grave quebra de confiança.
Agora é a sério. Nem mais um ponto pode ser desperdiçado!
Desde que Bruno Lage pegou na equipa que sabe, e sabem os jogadores, que não há margem de erro. Os cinco pontos perdidos nos primeiros quatro jogos, sob o comando de Roger Schemidt, tinham-na esgotado. Qualquer passo em falso representaria um atraso na classificação irrecuperável.
Por isso - e Bruno Lage também o verbalizou - era importante jogar bem mas, mais importante que tudo, era ganhar. É verdade que, na maior parte dos jogos, a equipa tem conseguido conjugar os dois objectivos - ganhar e jogar bem -, confirmando o axioma que jogar bem é estar mais perto de ganhar.
Vem isto a propósito deste jogo de hoje em Arouca - de Estádio cheio, como acontece em cada canto do país por onde o Benfica passa - que, no dia a seguir ao Sporting ter perdido pela primeira vez neste campeonato, abria novos horizontes à equipa. Se o objectivo declarado por Bruno Lage era chegar ao fim do ano em segundo lugar, agora não pode ser outro que chegar ao final do ano na frente do campeonato.
O Benfica não jogou propriamente muito bem. A lembrar aquele jogo de Faro, houve momentos em que pareceu que, pior que o síndrome dos jogos pós Champions, é o dos jogos com os últimos. Mas jogou mais do que o suficiente para ganhar, e esse é o objectivo inegociável.
Com onze inicial que vem sendo habitual, o mesmo do Mónaco, o Benfica começou logo de início a querer tomar conta do jogo, mas nunca sem ser avassalador. Nem o Arouca nunca foi um adversário remetido à sua defesa.
Aos 12 minutos o Benfica já ganhava, mesmo sem sequer ter ainda rematado à baliza do guarda-redes do Arouca, o alemão Mantl que já tinha avisado tornar-se figura de relevo no jogo. Foi num auto-golo do central espanhol, Fontán, ao tentar impedir que Pavlidis se encontrasse com o cruzamento de Akturkoglu. A partir daí parecia que o Benfica tinha jogo controlado, mas também parecia que o queria fazer dando a iniciativa ao Arouca.
Não parecia grande ideia. Pelo menos não era uma ideia muito entusiasmante. Mas durou até ao intervalo, com o Benfica a criar mais uma ou duas oportunidades para marcar, mas com o Arouca aqui e ali a incomodar.
A segunda parte abriu com o Pavlidis a conseguir transformar um golo feito numa confusão monumental na grande área do Arouca, mas seguiu logo para um primeiro quarto de hora de quase horror. Bruno Lage assustou-se com aquilo, mandou entrar Leandro Barreiro e Beste para os lugares de Kokçu e Akturkoglu, pondo fim àquele filme de terror. E virou o jogo, para uma última meia hora de melhor qualidade e sucessivas oportunidades para que o marcador atingisse uma expressão de absoluta tranquilidade.
Numa dessas Pavlidis, isolado, voltou a permitir que o Mantl lhe negasse o golo. À bola sobrante da defesa acorreu o Barreiro, chegando lá primeiro. Quando guarda-redes do Arouca lá chegou já só apanhou o pé do internacional suíço, num penálti claro. Tão claro como a transformação de Di Maria.
Faltavam 20 minutos para o fim. Que chegaram e sobraram para mais uma série de oportunidades de golo falhadas. Especialmente por Beste, que na finalização não acertou uma. Mas também para Trubin repetir uma defesa de golo, no cabeceamento a uma bola perdida de Tiago Esgaio. A primeira tinha acontecido logo no início do jogo, com o resultado ainda a zero, quando evitou uma chapelada do Trezza, isolado à sua frente.
E pronto, já são apenas cinco os pontos de atraso para a frente. E com o jogo com o Nacional em atraso. Os senhores da Sport TV é que, como se sabe, não gostam nada disto. Hoje ouviu-se um desses senhores (o Tonel, que comenta os jogos do Benfica e do Porto; os do Sporting é o Vidigal!) dizer que (naquele remate de muito longe, em arco, de Jason, aos 20 minutos) a bola bateu no poste e não entrou. E viu-se anunciarem "o juízo final", onde o José Leirós iria dizer qual a cor do cartão (sugestionando, evidentemente, o vermelho) que deveria ter sido mostrado a Kokçu, quando lhe foi mostrado o quinto amarelo, que o retirará do próximo jogo, com o Vitória, na Luz.
Esperei para ver onde chegava a pouca vergonha. É grande. O tal Leirós disse que o adversário fez jogo perigoso (ao baixar a cabeça), mas que o árbitro tinha entendido que Kokçu foi negligente, e daí o amarelo ....
Um pouco menos de 50 mil - e ainda assim uma das mais fracas assistências na Luz desta época - no jogo das despedidas. Da despedida da época na Luz, e da despedida maior, no adeus de Rafa ao Benfica, oito anos depois.
Poderia falar-se de um jogo de festa. As despedidas nem sempre se fazem de tristeza e de nostalgia. Também se fazem de festa. Se até as despedidas de solteiro/a se fazem em festa...
Bem sei que a festa seria se, em vez da despedida da época - que não deixa saudades a ninguém, mesmo que o Benfica até só tenha deixado fugir quatro pontos na Luz -, ou de Rafa que, deixando saudades, também lá tem os "haters" do costume, se tratasse da despedida de Schmidt.
Como essa despedida não estava anunciada, a Luz dividiu-se entre uma maioria que queria estar na festa, mesmo que já não goste do treinador, e uma minoria ruidosa que queria, dali mesmo, despedi-lo.
Apesar disso o jogo foi uma festa.
Para isso contou com a preciosa colaboração da equipa do Arouca, é bom de salientar. Sabe jogar à bola e surgiu na Luz apenas empenhada em mostrá-lo, sem nada que chateasse ninguém. Mais que um bom adversário foi um adversário bem simpático.
O Arouca pretendeu, e conseguiu, repartir a bola com o Benfica. Nunca conseguiu atingir a intensidade que lhe permitisse fazer mais que simplesmente circular a bola. Por isso não criou uma única oportunidade de golo em todo o jogo, e demorou uma hora para fazer o primeiro remate, mesmo que sem a direcção da baliza. Por isso o Benfica marcou cinco golos, e bem poderia ter marcado mais do dobro, mesmo não contando com as defesas "impossíveis" do guarda-redes Arruabarrena, que está lá para isso. Contando apenas com as bolas, como aquela do João Mário no poste (18ª bola nos ferros neste campeonato!) que, tendo tudo para entrar, acabaram por ter outro destino.
E por isso o jogo teve mais que apenas a festa do golo. Fez-se festa quando as bancadas exigiram Rafa para cobrar o penálti. Quando Di Maria, por recusa de Rafa, o converteu em golo. No primeiro. Quando, logo a seguir, a Luz celebrou o minuto 27. Do número nas costas de Rafa. Quando, também logo a seguir, a da festa do golo se fez no penálti (dois, viva o luxo!) que Rafa voltou a não querer cobrar, deixando o golo para Kokçu. Fez-se festa, de arromba, quando Rafa, depois de iniciar a jogada com um chapéu sobre David Simão, recebeu de volta a bola de Aursnes para a rematar, de primeira, para um grande golo. Às portas do intervalo.
E a festa continuou na segunda parte. Logo na abertura com Rafa a voltar a marcar. Um golo com assinatura, e mais alguma coisa, a avaliar pela imagem da celebração, na fotografia. E continuou, à espera do hat-trick da despedida. Não chegou. A festa do quinto golo fez-se com Tengstedt - o único ponta de lança disponível - que tinha entrado na segunda leva de substituições e, como já faz parte da "estória", marcou na primeira vez que tocou na bola. Assistido por Rafa.
E acabou ao minuto 85, quando Rafa foi substituído (pelo menino João Rego) para o aplauso final de despedida. Deixando já saudades!
Onze "Eusébios", como há dez anos. Então, em cima da sua morte, como hoje, dez anos passados, a homenagem ao "king", o rei eterno da República Benfiquista. Há dez anos o jogo foi na Luz, o adversário foi o Porto, e a vitória abriu o caminho para a conquista do campeonato, o primeiro do tetra. Hoje foi em Arouca que, com o novo treinador, vinha de quatro vitórias consecutivas, e expressivas. De Estádio cheio, como sempre sucede nas visitas do Benfica.
Simbolismos à parte - que nunca a memória do Rei -, o jogo correu na linha do que têm vindo a ser os últimos jogos do Benfica. Em relação ao último, na Luz, com o Famalicão, a diferença é que não houve qualquer momento de assombração. O Benfica foi sempre superior, e nunca perdeu o controlo e o domínio do jogo.
Mas voltou a permitir oportunidades de golo a mais ao adversário. Desta vez mais permitidas ainda, dado que as duas maiores oportunidades de que o Arouca dispôs resultaram directamente de "ofertas" benfiquistas na saída de bola, uma de Otamendi, e outra de Kokçu. Valeu novamente que o diabo nem sempre está atrás da porta. Não é habitual, mas aconteceu nestes dois últimos jogos.
Moralizado pelos resultados, sempre que pôde, o Arouca disputou o jogo no campo todo, e pressionou bem na frente. Mais pressão sobre os espaços que propriamente sobre o portador da bola, o que é sempre menos desgastante. Uma pressão inteligente, sem dúvida.
O Benfica ia alternando o ataque continuado, quando o Arouca recuava e criava dificuldades de penetração na sua defesa, com a exploração da profundidade, sempre que o adversário se aventurava na tal pressão mais alta. Jogava com qualidade em ambas as circunstâncias, mas foi sempre nas transições rápidas a explorar as costas da defesa do Arouca que criou mais perigo, sempre com João Neves, Kokçu, Rafa e Di Maria em destaque. Os dois primeiros no lançamento, os outros dois na criação e finalização.
Ao quarto de hora marcou, numa das muitas belas jogadas de transição. O passe de João Neves para Arthur Cabral foi de génio. O golo de Rafa seria no entanto anulado pelo VAR, por fora de jogo milimétrico do avançado brasileiro. À meia hora voltou a marcar, e o golo voltou a ser anulado, desta vez por fora de jogo - novamente milimétrico - do próprio Rafa. E às três foi de vez: Rafa marcou e contou mesmo. A assistência é de Di Maria, "o Eusébio" com a camisola 11, a levantar com classe a bola sobre a defesa do Arouca, por onde entrou Rafa para o golo. Numa primeira instância guarda-redes do Arouca - o excelente Arruabarrena - ainda defendeu o primeiro remate, mas Rafa nunca perdeu o sentido da bola e acabou por marcar já de ângulo apertado, com frieza e categoria.
Para trás ficara já o erro de Otamendi na saída de bola, que permitira a primeira oportunidade do Arouca. Praticamente a seguir ao golo foi Kokçu a imitar o capitão. Em ambas as situações foi Sylla, na tal pressão no espaço, a interceptar a bola, e Rafa Mújica a desperdiçar.
A segunda parte inicia-se praticamente com o segundo golo do Benfica, numa excelente abertura de Di Maria para Rafa, que ofereceu o golo a Kokçu, depois de enganar Arruabarrena. Não foi só o golo da tranquilidade, foi imprescindível golo do número 10, com o nome de Eusébio. O árbitro assistente ainda quis estragar a festa, voltando a assinalar fora de jogo a Rafa, mas o VAR escreveu direito pelas linhas tortas.
O jogo não ficou resolvido, mas encaminhado. O Arouca continuou com o seu futebol desinibido, virado para a frente, mas era o Benfica a criar e a desperdiçar sucessivas ocasiões de golo. Foi Rafa - mais um grande jogo - isolado a falhar o golo cantado quando, na altura do remate, a bola ressaltou num tufo de relva levantada. Foi João Mário, a passe de Cabral, a falhar o golo por um desvio milagroso do defesa Milovanov. Foi Di Maria a quase voltar a marcar de canto directo. Foi, de novo, João Mário a rematar para a baliza deserta, com a bola a sair ligeiramente ao lado.
Estávamos nisto quando Arthur Cabral foi alvo de uma falta dura, mas foi para ele o amarelo. E foi substituído por Musa. Como a seguir foi João Mário substituído por Florentino, imediatamente amarelado, também. Deu a impressão que o Benfica teve mais amarelos do que faltas cometidas - uma apenas, em toda a primeira parte.
As última três substituições, com as entradas dos "Eusébios" Guedes (Di Maria), Tiago Gouveia (Rafa) e Tomás Araújo (Aursenes) ficaram para os últimos minutos, já depois do "Eusébio" Musa ter marcado o terceiro. Não foi à Eusébio, mas foi o melhor dos três golos. Para quem se lembra, à Artur Jorge. Que também jogou com o King!
Debaixo de fogo, Roger Schemidt mudou. O jogo desta noite, em Arouca, na estreia da equipa na Taça da Liga desta época, era mais que um jogo praticamente decisivo nas contas do apuramento para a "final four" de Leiria, lá para o início do ano. Era um jogo que o Benfica teria forçosamente de ganhar para interromper estes dois últimos desaires consecutivos.
Era isso que era exigido - a inversão dos resultados. Já que - sabe-se -a inversão da qualidade exibicional não é coisa tão imediata. Não basta esfregar a lâmpada para que o génio se solte. É preciso, primeiro, ganhar. Jogos e confiança!
Por isso, Schemidt mudou. Começou a mudar não comparecendo na conferência de imprensa de ante-visão do jogo. Fez bem. Fez bem porque o discurso não lhe está a sair bem. E porque, sabia que não seria da ante-visão do jogo de Arouca que o quereriam ouvir. Dar-lhe-iam nós cegos, uns atrás dos outros. E ele não tem rins para tanto.
Depois, para o jogo, mudou tudo. Mudou jogadores, mudou a táctica, e mudou até os jogadores que não mudou. No onze inicial entraram Morato, Gonçalo Guedes e Di Maria. Na táctica, mudou para três centrais, num 3x4x3. Com o trio da frente móvel - Di Maria, Rafa e Guedes - sem qualquer ponta de lança. E nos jogadores que não mudou, à excepção natural de Trubin, baralhou-os todos: Aursenes regressou à função que lhe é natural (mas pronto, lá teve que acabar a lateral direito, depois da entrada de Bernat), na ala esquerda. Donde saiu João Mário, para jogar a médio centro, ao lado de Florentino. Donde saiu João Neves, para jogar na ala direita.
As coisas acabaram por correr como tinham de correr mas, francamente, não é experiência para repetir. Não que a opção dos três centrais não possa ser uma ideia a desenvolver. Tem é que ser bem trabalhada, porque o que se viu foi António Silva (parabéns pelos 20 aninhos) um bocado atrapalhado com aquilo. Tanto que até assistiu um tal Trezza para a única oportunidade de golo do Arouca na primeira parte. Há muitos treinadores que não prescindem dela. E outros que a ela recorrem em função das circunstâncias. Não se perceberam bem as de Schemidt, hoje.
A aposta mais bem sucedida foi João Mário. Não tem grande voltagem, como sabemos, mas tem visão de jogo e qualidade de passe para a função. Só que, com isso, perdeu precisamente a energia que João Neves dá àquela posição. O miúdo não sabe jogar mal, e dá sempre tudo. E sabe-se como é imenso o "tudo" dele. Mas isso não faz dele um ala. Não é justo. Nem ele merece.
A opção por um trio de ataque móvel cabe também nas ideias de muitos treinadores. Mais pelas circunstâncias que por opção estrutural. E mais ainda quando a circunstância é ... não haver ponta de lança. Não era hoje o caso. A circunstância é que Cabral e Tengstedt não dão garantias ao treinador.
A ideia já tinha sido posta em prática na primeira parte do jogo da Supertaça, com o Porto. Não tinha resultado como experiência, mas acabou bem ... depois de abandonada. Hoje voltou a acabar bem, e voltou a ser abandonada, mesmo que em circunstâncias completamente diferentes.
Da outra vez tinha sido abandonada para mudar o jogo. E para o ganhar. Hoje foi abandonada quando a equipa estava por cima do jogo, e já ganhava. Curiosamente aconteceu quando o Benfica acabava de marcar o segundo golo. Que afinal não foi, porque o VAR aproveitou um fora de jogo a de Di Maria, que ninguém viu, para anular o golo de João Mário. Ninguém viu mesmo e, meia hora depois, lá mostraram umas linhas tão manhosas que o fora de jogo até já sobrava para Guedes...
Com aquele trio móvel na frente o Benfica, apesar da baralhação que se percebia, teve muita bola, e criou bastantes situações de golo. A primeira logo no primeiro minuto, na classe de Di Maria, com a bola a sair a rasar o ângulo superior esquerdo da baliza do Arouca. E mais duas (Guedes e Aursenes) ainda dentro dos primeiros 10 minutos. Mas a verdade é que, à baliza, durante todo esse tempo só no livre do mestre Di Maria que abriu o marcador, a pouco mais de meio da primeira parte. E no tal golo anulado ao João Mário, no preciso momento (55 minutos) em que o trio foi desfeito, com as entradas de Cabral, Tengstedt e Tiago Gouveia.
O golo anulado deu alma ao Arouca. É o costume: com o resultado em aberto o adversário acredita. E o Arouca acreditou um bocadinho. O suficiente para num momento se adiantar no campo, e deixar o Arthur Cabral partir de trás da linha de meio campo, correr isolado até à baliza para, já acossado por dois adversários que entretanto conseguiram chegar, picar a bola sobre o guarda-redes a selar finalmente, 20 minutos depois, o segundo golo. Como estava ainda no seu meio campo o senhor do VAR teve que se conformar.
Este sim, foi um golo à Cabral. Disto já tínhamos visto na Fiorentina. Mas disto há pouco nos jogos que o Benfica tem para disputar.
O que tem que haver muito nos jogos que o Benfica tem para disputar é Tiago Gouveia. Se Schemidt não o sabia não pode, a partir de hoje, fingir que não sabe. Tem tudo o que o Benfica precisa neste momento. A começar no benfiquismo. E a acabar na velocidade, na capacidade técnica e na resistência física!
Tiago Gouveia é a vitamina que falta ao Benfica. Como há seis meses foi João Neves!
Foi um jogo realmente tranquilo para o Benfica, este que esta noite disputou em Arouca, correspondente à primeira jornada da segunda volta. O mais tranquilo destas três deslocações sucessivas, quando tinha tudo para ser o mais complicado.
Desde logo pela qualidade do adversário. O Arouca, a fazer uma excelente época, o em sexto lugar no campeonato e semi-finalista da Taça da Liga, onde acabou por chegar em vez do Benfica, é claramente superior aos dois últimos. Ainda no último jogo, há precisamente uma semana, na "final four" da Taça da Liga, em Leiria, tinha dado água pela barba ao Sporting, perdendo à tangente o acesso à final.
Mas também pelas circunstâncias em que se realizou o jogo: no dia do fecho do mercado, com o desfecho da novela Enzo Fernandez, que já nem saíra de Lisboa, com a cabeça cheia dos milhões do Chelsea; sem Enzo, portanto, mas também sem Gonçalo Ramos, lesionado em Paços, no último jogo, e ainda sem Rafa; e num campo com mais areia que relva, que claramente acrescenta dificuldades ao jogo de maior requinte técnico do Benfica.
Estas contrariedades acabaram apenas por valorizar o desempenho do Benfica, e por fazer salientar a tranquilidade da exibição. Roger Schemidt pode ter que abdicar de muita coisa, mas não abdica dos seus princípios. Teve que abdicar de Enzo, e viu-se bem a que contragosto - e até a desilusão com a ingratidão do jogador - mas não abdica da sua ideia de jogo.
Por isso entregou os papéis de Enzo, Rafa e Gonçalo Ramos a Chiquinho, a Neres e a Gonçalo Gudes.
Chiquinho, que Schemidt tornou jogador, e que não será ingrato como a personagem que o treinador lhe pediu que representasse, levou o papel a sério. Tão a sério que tentou fazer tudo o que agora jogador do Chelsea vinha fazendo. Não consegue fazer exactamente o mesmo, evidentemente. Mas não tem já nada a ver com o Chiquinho que conhecíamos, e não se saiu nada mal.
David Neres também não fez rigorosamente o que Rafa faz, mas esteve bem melhor nesse papel do que tem estado no seu próprio. No papel que era o seu, e que não vinha desempenhando com grande brilhantismo nos últimos tempos.
Acabou até por ser Gonçalo Guedes quem mais dificuldades teve com o papel do seu homónimo Ramos. Mas aí a equipa ajudou. Todos os outros, a representarem os seus próprios papéis, fizeram-no com brilho. Todos mesmo, à excepção de Vlachodimos que, por "culpa" deles, não teve nada para fazer.
Quer isto dizer que o Benfica fez uma exibição deslumbrante em Arouca?
Não, de todo. Fez a exibição necessária e suficiente para dominar o jogo de princípio a fim, para o ganhar claramente, sem qualquer margem de contestação e, ainda, para oferecer um espectáculo que não se admitia possível naquele areal. Entrou forte, e asfixiou o Arouca praticamente até ao primeiro golo, a meio da primeira parte. Fez três golos - dois do "goleador" João Mário e um de Musa, finalmente, que substituíra Gonçalo Guedes, a dez minutos do fim - com meia dúzia de remates, nos três enquadrados com a baliza, e em três das quatro ou cinco jogadas de golo de grande espectáculo.
Da mesma forma que não se pode secundarizar esta exibição pelo desfecho da situação de Enzo, também não de pode fingir que hoje só houve este jogo. Não, hoje perdemos um jogador como há muito não tínhamos. Mas perdemos mais que isso, perdemos muita ilusão. E perdemos a oportunidade de lembrar este jogador pelo que de bom fez nestes 6 meses com o manto sagrado.
A partir de hoje Enzo será apenas lembrado por ter feito tudo para sair do Benfica sem lisura. Por ter feito crer que tudo o que acontecera naqueles dias da passagem do ano estava resolvido e ultrapassado, apenas para esticar a corda no momento próprio em que ela partisse. No último dia.
Depois de termos sido levados a pensar que o caso Enzo tinha sido exemplarmente gerido pelo presidente Rui Costa, acaba por ficar a ideia contrária. A que fica é que, se era este o desfecho fatal - este é mesmo o adjectivo, é a fatalidade da subversão das cláusulas de rescisão, tão fatal como pagar comissões sobre vendas que não se querem fazer - deixá-lo para a última hora, sem qualquer possibilidade de contratar um substituto, foi uma péssima decisão.
Era grande a expectativa para este jogo de abertura do campeonato 2022/23, na Luz. Pelo que o Benfica tinha feito até aqui, nos jogos de preparação e no jogo da primeira mão da pré-eliminatória da Champions, há três dias. Mas, acima de tudo, pelas vozes agoirentas de boa parte da comunicação social, que iam levantando dúvidas sobre a eficácia do novo futebol da equipa no competitivo campeonato nacional (veja-se bem do que são capazes!), perante a tremenda sagacidade dos treinadores nacionais, com blocos defensivos muito baixos e extraordinária competência para explorar as costas da defesa de uma equipa subida, e com jogadores de alta qualidade - em tudo melhores que os que estão a disputar o apuramento para a Champions (veja-se novamente bem do que são capazes!) - dotados para saírem da pressão alta daquele futebol e espalharem o pânico nos defesas do Benfica. E de arrasarem com o Grimaldo.
Pois bem, se este jogo era o teste do algodão à qualidade do futebol que Roger Schemidt está a implementar no Benfica, o resultado não deixa dúvidas. Este futebol tem muita qualidade, é altamente competitivo, e tem tudo para dar certo.
Quer isto dizer que o Benfica fez uma enorme exibição, do melhor que se tem visto até aqui?
Não!
Mas isso não significa que esse futebol não tenha estado lá. Esteve, em todas as suas vertentes: pressão, velocidade, posse e recuperação de bola, ocupação de espaços, variabilidade de soluções e asfixia do adversário. O que faltou para atingir a dimensão da exibição da passada terça-feira não foi o futebol. Foi a inspiração de alguns jogadores, em especial David Neres, mas também de Gonçalo Ramos.
A inspiração individual dos jogadores faz sempre a diferença. Se não fosse assim o futebol perdia muito do seu encanto. Hoje bastou que ela não estivesse a um nível muito alto, em particular naqueles dois, para fazer a diferença.
Acresce, a este nível, o que me parece já ser uma birra de Roger Schemidt. Todos os treinadores as têm, e a do novo treinador do Benfica chama-se Chiquinho. Em boa verdade chama-se Ricardo Horta, ele é que a disfarça de Chiquinho.
Com a lesão de João Mário, lançou o Chiquinho. Tinha outras opções, a mais óbvia seria o miúdo Diogo Moreira. Se se entende que a opção por João Mário resulte da esperança em Ricardo Horta, já só se entende a opção por Chiquinho para avivar essa esperança.
E a verdade é que a entrada de Chiquinho acrescentou desinspiração à menor inspiração de alguns jogadores.
O novo futebol do Benfica esteve lá, só não teve em boa parte da partida o brilhantismo que é selado pela inspiração individual dos jogadores. E foi, mesmo assim, suficiente para construir uma vitória clara e expressiva, com 22 remates, perto de 70% de posse de bola e quatro golos. E para empolgar as bancadas e criar um ambiente espectacular na Luz!
O jogo começou como era previsível, com o Arouca bem organizado, em bloco baixo, como eles dizem. Nada que impedisse o primeiro golo, ainda bem cedo, logo aos 8 minutos, numa bela jogada de futebol do lado esquerdo, concluída com um excelente cruzamento de Grimaldo, que o Gilberto transformou em golo, num cabeceamento à ponta de lança.
O Arouca não sentiu o golo. O que quer dizer que não alterou a sua postura competitiva, recuado e até a queimar tempo, deixando perceber que, perdida a possibilidade de prolongar o 0-0, defender o 0-1 também não era repugnante.
Com esta postura, e com a tal falta de inspiração - Neres passou até a abdicar do um contra um - o segundo golo acabou por surgir a 3 minutos dos 45, mas na realidade a 9 do intervalo. Marcou-o - facilmente - o Rafa que, depois de ter construído toda a jogada, viu a bola cabeceada por Gonçalo Ramos ser-lhe devolvida pela barra da baliza, direitinha à sua cabeça.
Pouco depois de novo Rafa. Então a ser mais uma vez travado em falta, quando se isolava perante a baliza adversária. O árbitro, Manuel Mota, assinalou o livre e mostrou o cartão amarelo ao defesa Quaresma. Surgiu então uma novidade, a que a Luz não está de todo habituada: o VAR chamou Manuel Mota a confirmar pelas imagens que se tratava de uma clara jogada de golo. E portanto para vermelho.
Do livre nada resultou mas, logo a seguir, Enzo Ferandez - nesse não se nota tanto a falta de inspiração, faz tudo tão bem e de forma tão simples que fica pouco dependente dessas coisas voláteis, que vão e vêm -, ao quinto remate, marcou mais um bom golo.
A perder por 3-0, e com a segunda parte para jogar com 10, o Arouca remeteu-se ainda mais à defesa. É a forma de não se notar a inferioridade numérica. O jogo tornou-se ainda mais de sentido único, o Benfica limitou-se a circular a bola, e o jogo não teve grande interesse competitivo.
Poderia ter acabado com mais dois ou três golos, mas acabou com apenas mais um. De Rafa, de novo. Já a oito minutos do fim, quando em campo já estava o plano B, o 4x4x2 com Yaremchuck, que assistiu, e Henrique Araújo, que criou o espaço para a finalização de Rafa.
Não, nem tudo está bem quando acaba bem. E o Benfica não só está mal, como está pior a cada jogo que passa.
Hoje, em Arouca, regressou às vitórias - a segunda em quatro jogos da nova era Nelson Veríssimo. E a mais dilatada, igualando o da Luz , com o Paços. Quando, bem lá no fundo, a luzinha da esperança ainda continuava acesa.
Mas, em qualidade, este foi o pior dos quatro jogos. Quando se pensava que a equipa batera no fundo no último jogo, na Luz, com o Moreirense, hoje, viu-se que não. Que há mais fundo para além do que tinha ficado à vista. Então a equipa jogara mal, muito mal. Mas criou oportunidades mais do que suficientes para ganhar esse jogo, e sofreu o empate com um golo ilegal, escandalosamente validado pela arbitragem.
Hoje, não. E ganhou-o porque foi finalmente assinalado um penalti (na imagem) a seu favor. O segundo da época, e o quarto em cerca de três anos. E porque o Arouca falhou o que teve a seu favor. Sim, foi muito mais um falhanço do marcador do que uma grande defesa de Vlachodimos.
Quando encontrou pela frente uma parede defensiva, a equipa não teve futebol para a contornar. Apenas para esbarrar contra ela. Apenas por uma dispôs (não criou, foi criada por um mau atraso de um adversário) uma situação de golo, por Darwin. salva sobre a linha de golo por um defesa arouquense. Se o não tivesse sido provavelmente não contaria, porque a bola teria roçado a mão do marcador. É já crónico, perante adversários que se fecham à frente da baliza - e em teoria será o caso da grande maioria deles - a equipa não tem soluções, e bloqueia. E foi o que aconteceu na primeira meia hora de jogo, até Darwin converter - com classe, diga-se - o penalti.
Depois, o Arouca saiu lá de trás e passou a discutir o jogo no campo todo. Até há pouco tempo, quando isso acontecia, as coisas começavam a correr bem. Com espaço, a superioridade técnica dos seus jogadores vinha ao de cima, surgiam as chamadas transições rápidas e os golos. E as goleadas. Mas também já não há nada disso. Mesmo com o campo todo para jogar, não dá. A equipa não recupera a bola, perde os ressaltos, perde os duelos. E quando ganha a bola perde-a logo a seguir. Os jogadores ou não acertam um passe, ou não conseguem uma recepção limpa.
Não admirou que tivessem bastado 10 minutos para o Arouca poder empatar, para poder voltar a erguer-se em muro à frente da baliza. Mais uma falha defensiva, com Vlachodimos - incluído - a cometer penalti. Valeu que o jogador do Arouca - João Basso, que já tinha cometido o penalti sobre Darwin - quis imitar o saltinho do Bruno Fernandes e ... saiu mal.
Ao intervalo Nelson Veríssimo tentou experimentar outra coisa. Trocou o Yaremchuk - é verdade, ninguém o viu mas esteve em campo durante 45 minutos, durante grande parte dos quais o jogo decorreu em cima da área do Arouca - pelo Everton; e o 4-4-2 pelo 4-3-3. E chegou a parecer que iria resultar. O Everton pareceu entrar bem, João Mário e Paulo Bernardo ficaram mais libertos, com este último a subir claramente de rendimento. Não durou mais de 10 minutos, esse efeito. E duas oportunidades de golo - Everton e Rafa, praticamente seguidas.
Esgotados esses 10 minutos iniciais da segunda parte, o Benfica regressou ao seu pior. A perder o meio campo, e a perder sucessivamente a bola, sem conseguir dois passe seguidos. E durante mais de meia hora só deu Arouca. E só não deu o golo do empate por acaso. E porque Vlachodimos o evitou em duas ocasiões. A equipa caiu no inferno, e de pouco valeram as sucessivas substituições de Nelson Veríssimo. A de Paulo Bernardo, pareceu que por lesão, por Taarabt só agravou ainda mais as coisas, quando os jogadores do Arouca já juntavam frequentes entradas violentas à sua superioridade no jogo.
Uma dessas, já em período de compensação, deu num livre cobrado por Grimaldo que Gonçalo Ramos, que substituíra Darwin, concluiu com c único apontamento de verdadeira classe em todo o jogo. Que só aí ficou finalmente resolvido!
A equipa é hoje o espelho de um Benfica incompetente, incapaz e desorganizado. Se os jogadores fossem dirigentes eram bem capazes de estar a anunciar uma contratação por consumar, e a ficar nas mãos do contratado, à sua mercê. Se os dirigentes fossem jogadores eram incapazes de dominar e controlar um jogo contra uma qualquer equipa do fundo da tabela!
Não tem explicação a forma sofrida, confrangedora e medíocre como o Benfica, na Luz com um quarto de casa, conseguiu eliminar, da Taça de Portugal, o Arouca - nos últimos lugares na tabela classificativa da segunda divisão - no último dos cinco minutos de compensação.
Nada no Benfica tem explicação. Se tivesse, alguém teria de explicar as contratações para esta época. Porque, ou não tinham a mínima qualidade para jogar no Benfica - já nem se fala em acrescentar valor à fraca equipa da época passada - ou, se a tinham, o Rui Vitória transformou-se numa máquina de destruição de valor.
Como nada tem explicação, temos que admitir o pior dos dois mundos: a famosa estrutura, a tal que vai dez anos à frente, soube gastar dinheiro mas não soube contratar jogadores; e Rui Vitória fez o resto, dando cabo deles.
Chegou a pensar-se que Jorge Jesus poderia esta semana ter voltado a dar uma ajuda a Rui Vitória, como acontecera na sua primeira época, em 2015. A entrevista do antigo e futuro - lagarto, lagarto, lagarto... - treinador do Benfica poderia ter o mesmo efeito que tinham tido as suas declarações na altura. Então serviram para unir toda a gente à volta do treinador, empurrando sensacionalmente a equipa para o tri.
Sabia-se que Rui Vitória há muito que está esgotado, agora percebe-se que é um esgotamento irreversível, nem já Jorge Jesus o consegue recuperar.
O processo de destruição que Rui Vitória tem em curso no Benfica tem que ser travado de imediato. É por demais evidente que não tem retorno!
Os jogadores não sabem o que fazer em campo, juntam-se aos montes sem saber nem por nem para onde correr. Não há sequer equipa, e por isso nem se pode dizer que a equipa não sabe defender nem atacar. Pode apenas dizer-se que os jogadores não sabem defender nem atacar.
Os erros, sempre os mesmos, estão a repetir-se em todos os jogos. O que quer dizer que o treinador não os sabe corrigir, já que nem se pode acreditar que não os consiga identificar, mesmo que só isso se possa concluir das suas declarações no final da cada jogo.
Os lances de bola parada, decisivos e uma espécie de último recurso quando o futebol corrido não sai bem, são uma coisa confrangedora. Sempre a mesma coisa, e a mais básica. Nada que revele treino, nada preparado, a pura rotina do "vira o disco e toca a mesma".
Não é que o Benfica não tenha treinador. Tem é um treinador esgotado, de cabeça perdida, e em quem ninguém confia. A começar nos jogadores e acabar nele próprio!
Luís Filipe Vieira, ocupadíssimo a contratar advogados e a tentar salvar a pele, ainda não teve tempo nem preocupação para perceber isso. Quanto mais para dar explicações...
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