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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Rafa não merecia a incompetência de Jesus

 

Depois de falhado o acesso à Champions, de perdida a Supertaça, de perdida a Taça da Liga, e de perdido o campeonato, o Benfica acaba de ficar também de fora da Liga Europa, logo na primeira vez a eliminar. Tudo o que havia de objectivos esta época foi irremediavelmente pelo cano abaixo.

Para que não sejam falhados todos os objectivos, a Direcção, através do seu lastimável aparelho de (des)informação, fixa agora como objectivo atingir a final da Taça. A meio da eliminatória que decide esse acesso com uma equipa da II Divisão, e com uma vantagem de  3-1 conquistada no primeiro jogo, fora,  o objectivo definido pela Direcção de Vieira é chegar à final. Não é ganhar o único título que pode conquistar!

Começo por aqui porque esta é a ideia que salta deste jogo em Atenas, casa emprestada do Arsenal para a segunda mão desta (primeira) eliminatória da Liga Europa, que dava o acesso aos oitavos de final da competição. O conformismo e a falta de ambição, e as fasquias rentes ao chão, é o que ressalta deste jogo.

Percebeu-se que apenas se buscava uma derrota honrosa (como se houvesse disso), que permitisse uma espécie de vitória moral com que Jorge Jesus pudesse manter a narrativa da sua irresponsabilidade. Daí que diga que "fizemos um grande jogo".

Não fizeram, nem nada que se pareça. E, pior, quando o jogo lhe ofereceu a possibilidade de o ganharem, e de eliminarem o Arsenal, transformado em gigante pela narrativa de Jesus, tratando o 11º classificado da liga inglesa numa das maiores equipas de Inglaterra, ficaram surpreendidos, sem saber o que fazer.

Durante toda a primeira parte a equipa não finalizou uma única jogada de futebol corrido. Fez dois remates em lances de bola parada. O primeiro aos 35 minutos, numa cabeçada de Vertonghen em resposta a um livre cobrado na direita por Pizzi; e o segundo naquele fantástico livre directo surpreendentemente cobrado por Diogo Gonçalves, que deu no golo do empate, em cima do intervalo.

Em todo o jogo o guarda-redes do Arsenal não fez uma defesa. Uma única. O Benfica fez dois golos nos dois únicos remates enquadrados com a baliza. E só fez mais três remates, todos para fora. Tantos quantas as faltas que fez em todo o jogo, para se ter a ideia da forma como a equipa encarou o jogo. O Arsenal, que pelo seu futebol faz poucas faltas, fez dez!

Isto diz bem do que foi a "grande exibição" que Jorge Jesus reivindica. Não ter sido massacrado, para o treinador do Benfica, foi suficiente.

E no entanto o Benfica teve, primeiro, a vitória na mão e, depois, a eliminatória. E tudo foi cano abaixo, como tem vindo a acontecer ao longo da época. Quando Rafa - o único jogador com o dínamo carregado, e que não merecia de todo este desfecho - fez o segundo golo (caído do céu, é certo, mas era o único que poderia fazer aquele golo), pelo que o Arsenal mostrava, abriram-se as portas da vitória, no jogo e na eliminatória. Que Jorge Jesus não soube manter abertas.

Desde logo com as substituições, ainda antes de esgotado o primeiro quarto de hora da segunda parte, e pouco antes do golo de Rafa. Justificar-se-ia a troca de Seferovic por Darwin que, apesar do seu péssimo momento de forma, é mais adequado àquela função de sozinho lá na frente. É fisicamente mais forte, e mais expedito no remate. Mas as trocas de Taarabt (com o único amarelo do jogo, e desde bem cedo, logo aos 4 minutos, mas se o Benfica não fez faltas...) por Gabriel, e de Pizzi pela nulidade Everton, especialmente esta, foram desastradas.

Tudo o que Everton fez foi participar que nem um juvenil no segundo golo do Arsenal, um daqueles golos que já não se usam. 

O golo da vitória do Arsenal, a três minutos do 90, não foi mais uma crueldade do futebol, como muitos querem fazer crer. Foi apenas uma inevitabilidade na incompetência de Jorge Jesus. Que Rafa não merecia. Nem porventura Weigl, Vertonghen e Otamendi.

Valeu o resultado

 

Não foi muito diferente o Benfica que hoje se apresentou hoje no Estádio Olímpico de Roma, onde estranhamente - se é que nestes intermináveis tempos da pandemia ainda há coisas para estranhar, em particular no futebol - para disputar o jogo que lhe cabia na condição de visitado, na disputa com o Arsenal pelo acesso aos oitavos de final da Liga Europa. Na realidade o Benfica não dá para mais e, nestas circunstâncias, o que se passou em Toma nem sequer foi das piores coisas que têm acontecido nos últimos (largos) tempos.
 
Quando digo que não foi diferente refiro-me naturalmente ao desempenho da equipa e, em particular, à qualidade do seu jogo. Porque o onze, e a sua disposição em campo, foi diferente. Dssde logo porque se apresentou com três centrais, desta vez a sério, e com a estreia do sebastiânico Lucas Veríssimo. E depois porque jogou sem alas. As faixas laterais seriam teoricamente ocupadas pelos laterais, o Diogo na direita e o Grimaldo na esquerda, para justificar aquela opção táctica pelos três centrais. No meio campo não houve grandes alterações, com Weigl ao lado Taarabt, e Pizzi na ligação à frente, onde reapareceu a dupla Darwin e Waldschemidt.
 
As coisas não começaram a correr muito bem, e percebeu-se facilmente que aquilo não estava trabalhado. E, pior, que os jogadores não conviviam lá muito confortavelmente com o sistema. Mas como a primeira parte foi morna, e na única grande oportunidade, Aubameyang falhou o golo, a equipa lá se foi aguentando.
 
A segunda parte foi mais mexida, e só por isso um bocadinho mais entusiasmante. E cedo, dez minutos depois do regresso dos balneários, chegou ao golo e à vantagem. Não porque, em boa verdade, a justificasse, mas porque felizmente as leis da UEFA não são as da Liga Portuguesa, e lá não é proibido assinalar penaltis a favor do Benfica. Isso. Penalti, Pizzi e golo.
 
O jogo estava então mais equilibrado e poderia admitir-se que, em vantagem, os jogadores do Benfica pudessem reforçar a confiança, e abrirem-se novas perspectivas à equipa. Só que a vantagem durou dois minutos, menos tempo que o necessário para discorrer aquele raciocínio. Envolvimento atacante do Arsenal em cima da área, como em tantas vezes durante o jogo e defesa do Benfica atrapalhada. Pizzi tira a bola mas ela vai bater em Weigl, e ressalta para um adversário, que noutra circunstância até estaria em fora de jogo, cruzamento (de Cedric) para a área, com toda a defesa do Benfica batida, e golo fácil do miúdo Saka.
 
O Benfica ainda conseguiu duas boas oportunidades de golo, numa boa jogada de Rafa (entrara ao intervalo) que a conclui com um excelente remate de trivela. Leno negou o golo. E à entrada do último quarto de hora, dessa vez com o remate de Everton a sair perto do poste, com Leno batido. Mas o Arsenal esteve sempre mais por cima, e criou mais oportunidades.
 
À medida que o jogo se aproximava do fim os jogadores do Benfica iam rebentando, uns atrás dos outros. Valeu o resultado, que não é bom. E valeu que o Arsenal achou que o resultado não estava mal de todo. E que também já não podia muito mais!

Futebolês #54 CIRCULAÇÃO

Por Eduardo Louro

 

A circulação, em futebolês, nada tem a ver com ruas, estradas ou auto-estradas. Ou com peões, motas e carros. Ou com engarrafamentos. Refere-se à bola e à forma como ela evolui no tapete verde ao sabor dos movimentos dos jogadores.

Fazer circulação quer apenas dizer que uma equipa consegue fazer passar bola sucessivamente pelos seus jogadores. Aos adversários apenas é dada a cheirar!

Nesse sentido tem alguma coisa a ver com posse, outra das expressões do futebolês.

Uma equipa que privilegie a posse, como se diz, faz circulação. Quer dizer: desenvolve o seu processo de construção a partir de uma filosofia de posse e circulação, ao contrário de uma equipa que assente o seu jogo no passe longo ou no contra ataque a partir de transições rápidas (100% futebolês)!

Evidentemente que o actual expoente máximo da circulação de bola é o Barcelona, seguido pelo Arsenal. Fazem as delícias do espectador e, atrevo-me a dizê-lo, da própria bola. Que se delicia com a forma como é tratada por gente daquela categoria: Messi, Xavi, Iniesta, Nasri, Fabregas ou Van Persie são de um cavalheirismo ímpar no tratamento da bola. Fazem-na feliz!

Não faz circulação quem quer. Fá-la quem tiver, na quantidade necessária, jogadores de enormíssima qualidade para o fazer. Como são, entre outros, aqueles três primeiros – todos às ordens do mestre Pepe Guardiola – que esgotam a short list de onde sairá o melhor do mundo a anunciar daqui a poucas semanas, no início do ano.

Como também se consegue perceber, dispor de um conjunto de jogadores de altíssima categoria, sendo condição necessária não é, no entanto, suficiente: falta o mentor da filosofia de jogo, o treinador. Se não pertencer à escola que faz da circulação uma ideia de jogo, não conseguirá construir uma equipa capaz de fazer da posse e da circulação da bola um espectáculo ímpar como é um jogo de futebol. De ataque e de golos!

Essa é a escola que, com pequenas variantes, encontramos em Barcelona e em Londres e que se exibem para o mundo a partir do Nou Camp e do Emirates Stadium, sob as batutas de Guardiola e de Wenger! E que há 40 anos nasceu em Amsterdão!

Que a selecção espanhola, campeã da Europa e do Mundo, importou da Catalunha. Como a holandesa de há trinta e muitos anos, a laranja mecânica do então futebol total de Rinus Michels, importou do Ajax de Amsterdão.

Em Portugal a circulação parece que não é a mesma coisa. Não encontramos exemplos desta nobre dimensão do jogo, apesar de ainda recentemente a nossa selecção ter engasgado a circulação espanhola, como que a lembrar os engulhos da introdução de portagens nas SCUT. Mas isso foi uma ocorrência. Apesar de saborosa uma mera ocorrência!

Por cá a circulação tem mais a ver com jornais do que com a bola -se calhar não é por acaso que a circulação, no caso a circulação paga, seja utilizada na avaliação de desempenho comercial dos jornais – tem a ver a forma como se põem a circular notícias com objectivos de uma precisão cirúrgica!

Que o Benfica vai mal todos sabemos. O tema tem sido aqui frequentemente abordado ao longo desta época, desde Agosto.

O que se calhar nem todos sabemos é das notícias postas a circular com o objectivo, único e preciso, de aprofundar esse estado depressivo. De carregar bem para baixo!

Agora são as contratações de Janeiro. Nomes e mais nomes, todos os dias!

Com que objectivo? Com dois: destabilizar a equipa e desmobilizar os adeptos, com os inevitáveis falhanços!

A última destas notícias então é fantástica: dava conta que Kleber, jogador do Marítimo por empréstimo do Atlético Mineiro, chegaria ao Benfica já em Janeiro. Toda a gente sabe que a transferência deste jogador para o FC Porto é assunto arrumado desde o Verão passado. Que só não se concretizou na altura por falta do acordo com o Marítimo, circunstância que levou o jogador, em retaliação, a adiar sucessivamente o seu regresso ao Funchal.

A circulação desta notícia, cuja origem é bem fácil de identificar – difícil mesmo é perceber a facilidade com que lhe foi dada cobertura –, conseguia juntar um terceiro àqueles dois objectivos: exaltar mais uma banhada do FC Porto nesta guerra das contratações.

Que raio de circulação!

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