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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Choremos, não nos resta outra coisa…*

Convidada: Clarisse Louro

 

Na passada sexta-feira, à entrada de um fim-de-semana que será recordado como um dos mais trágicos das últimas décadas, enquanto uma parte do mundo adormecia em sobressalto, outra voltava a acordar para a violência e o terror de gente que, de gente, não tem nada.

Mascarado de fanatismo islâmico, o terrorismo voltou a entrar-nos violentamente pela porta dentro, arrombando-nos a casa, destroçando-nos a intimidade e estilhaçando-nos até as entranhas. Numa sexta-feira feira à noite, depois de uma semana de trabalho, com um fim-de-semana pela frente, numa cidade que chamam do amor, onde tudo pode acontecer…

Fim-de-semana, restaurantes, bares, uma sala de espectáculos, um concerto, um estádio de futebol, um jogo de futebol… Bem ou mal, pouco interessa, é o nosso modo de vida. É a forma como vivemos. Como gostamos de viver, e como temos o direito de poder viver. Livres, sem medo…

É do medo que vivem, é no medo que assentam toda as estruturas de terror que os mantém activos. Por isso não lhes basta matar, às dezenas, às centenas, aos milhares. Mais que violar e matar inocentes eles querem matar-nos a todos, matando a maneira como vivemos.

E lembrarmo-nos como tudo isto começou. Lembrarmo-nos como há quase quarenta anos os Estado Unidos armaram os talibãs, porque do outro lado estavam os soviéticos. Lembrarmo-nos como, atraídos pelo cheiro do petróleo, Bush e Blair, com Asnar e Durão Barroso como acólitos, destruíram um Estado – uma ditadura, sim, uma ditadura como todas as outras da região – e o entregaram, em mão, a estes bandos de terroristas, nascidos no Afeganistão e criados pela ditadura saudita. Essa boa, porque amiga. Lembrarmo-nos como há apenas três anos, os mesmos, sempre os mesmos, como se não tivessem memória, armaram mais e mais terroristas para destruir a Líbia e executar barbaramente Kadhafi. Pouco antes, um amigo, como já fora Sadam… E, como se tudo isto não bastasse, lembrarmo-nos de Assad, na Síria, hoje pátria do terrorismo internacional e sede do poder do auto denominado Estado Islâmico, o mais sanguinário e bárbaro eixo do fundamentalismo islâmico que a monarquia saudita, incólume na sua redoma de petróleo, financia e alimenta ao longo das últimas décadas.

Choramos hoje Paris. Como amanhã choraremos uma outra das nossas cidades que amamos. Choremos os mortos. Choremos os feridos e espoliados. Choremos as famílias desfeitas. Choremos a hipocrisia…

 

 * Publicado hoje no Jornal de Leiria

 

Comunicação: "isto anda tudo ligado"!

 

Ontem à noite, no meio de uns zapings, dei com um desses programas de futebol falado, na RTP. Na 3, como agora se chama à que dantes se chamava Informação, depois de já ter sido N, mais de Norte que de Notícias...

Achei estranho que, em cima dos acontecimentos de Paris, com o mundo em choque, e num fim de semana que, de futebol, apenas tinha tido o jogo da selecção - como se sabe coisa pouco dada a este tipo de programas, que vivem da exploração da ignorância e da exacerbação da clubite - a direcção de programas da RTP achasse aceitável colocar em campo o seu Trio de Ataque. Passados que foram os primeiros instantes em declarações de circunstância á volta dos acontecimentos de Paris, o pivot apressou-se a abrir as hostilidades: Carrillo, era o tema!

E lá se mandaram aquelas três alminhas ao ataque, que nem gatos a bofes. Envolvido numa leitura, não ouvi uma única palavra do que disseram. Mas, ainda com as primeiras páginas dos jornais desportivos de véspera na cabeça, não queria deixar de ver até onde haveria de chegar a coragem de prolongar uma coisa daquelas.  

Não chegou longe. Pouco tempo depois alguém se lembrou de os mandar calar, e de repente aquilo acabou, com o pivot, contrariadíssimo e perante o espanto do trio de atacantes, em especial do que desloca de Lisboa e pernoita no Porto, a dizer que os acontecimentos justificavam que se ficasse por ali.

E foi então que resolvi revisitar, e olhar com mais atenção, aquelas primeiras páginas dos jornais desportivos de sábado. Sugiro-lhe, caro leitor, que faça o mesmo, na mesma fonte, mas agora fixando-se apenas nos nossos.

Havia ali qualquer coisa a dizer-me que "isto anda tudo ligado": a verdade é que no programa interrompido só se falava de Carrillo!

E quando me aprestava para a aplaudir a decisão - mesmo que tardia e a más horas - de alguém que mande na estação pública, lá tive eu de voltar atrás para reconhecer que, em comunicação, o Sporting de Bruno de Carvalho não brinca...

 

  

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