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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

“You´ll never walk alone”

Por Eduardo Louro

 

Se o futebol é fantástico, o futebol inglês é ainda mais fantástico. O Liverpool vivia o sonho de, 24 anos depois, voltar a ser campeão. Tinha tudo a seu favor: jogava o melhor futebol da Premier League, gozava até de forma evidente dos favores da arbitragem e, a exemplo do Sporting por cá, e da Roma em Itália, ficara de fora das competições europeias, e por isso com bem menos desgaste que a principal concorrência.

Hoje recebia em Anfield Road o Chelsea, um dos principais concorrentes, que a inesperada derrota na última jornada, em casa com o último, o Sunderland, praticamente deixara sem hipótese… Que está no meio da meia-final da Champions, com o Atlético de Madrid e que por isso surgia bastante desfalcado. Bastaria ao Liverpool empatar, para se manter como favorito maior, com o título praticamente à mão!

Mas perdeu. Perdeu com o Chelsea do autocarro. Porque é assim mesmo: um autocarro é um autocarro, seja quem for que se meta lá dentro. É pena, mas é assim. Di Matteo começou a construir o terminal rodoviário – depois de ter visto que o Mourinho tirara a carta em Milão, com o Inter – a que Rafa Benitez deu seguimento. Mourinho, ao que se diz o melhor do mundo, limita-se a puxar dos galões que trouxe do Inter para, com toda a perícia, estacionar bem todos autocarros que lhe deixaram na garagem.

Porque o futebol é mesmo fantástico tudo começou com um erro enorme do já mítico Gerrard, lenda e capitão do Liverpool, que entregou a bola ao desengonçado Demba Ba, sozinho à frente da baliza. Foi o jogador que mais queria – e mais merecia – ser campeão que, no tempo de compensação da primeira parte, deitou tudo a perder. O golpe final, o segundo do Chelsea, aconteceu nos últimos instantes do jogo. Com os reds desesperadamente à procura do empate, é o ex-Chelsea Sturridge quem entrega a bola ao brasileiro Willian, que fica apenas com a companhia do espanhol e ex-Liverpool Fernando Torres e com todo o campo vazio à sua frente, até à baliza, onde chegam ambos sozinhos, lado a lado…

E assim, o City, que ganhou tranquilamente ao Crystal Palace, e tem larga vantagem no factor de desempate – diferença entre golos marcados e sofridos – não depende se não de si próprio para voltar, dois anos depois, a conquistar o título.

E aquela massa espectacular que nos deixa arrepiados a ouvir o “You´ll never walk alone” vai ter de esperar mais um ano. Passarão a ser 25 anos, mas nem por isso o entusiasmo arrefece naquelas bancadas!

 

QUE SIRVA DE LIÇÃO!

Por Eduardo Louro

 

O Benfica ganhou um daqueles jogos que se complicam, já quando poucos acreditavam que fosse possível: no último minuto, de penalti. Penalti mesmo, Gaitan foi agarrado quando ia rematar para a baliza!

A Académica trouxe, não um, mas dois ou três autocarros, que plantou à frente da sua baliza. Nada de anormal, isso já sucedeu e voltará a acontecer. Sabe-se que equipas não têm as mesmas armas … Anti-jogo é outra coisa, e a Académica não só o praticou como abusou dele. Sempre com a permissividade do árbitro que, no fim, entendeu dar cinco minutos de compensação. Menos do que o tempo que a Académica queimou nas três substituições que fez. O que não fez foi sequer um remate à baliza do Benfica, que teve ainda duas bolas nos ferros.

Isto para dizer que a justiça da vitória do Benfica não pode ser posta em causa. Mas…que fique por lição!

O Benfica jogou francamente mal. Sem velocidade, sem ritmo e com todos os jogadores desinspirados. Não é drama nenhum, porque os jogadores não são máquinas, nem sempre tudo corre como se deseja. O que, mesmo sem que seja dramático - porque não pode haver dramas no futebol, isso está reservado a outras esferas da vida -, não pode repetir-se é a incapacidade para mudar o chip da equipa. Se não há inspiração tem que haver vontade, se não se pode jogar bonito tem que se jogar com eficácia, se não há espaços remata-se de longe. Se não se conseguem jogadas de penetração tem que colocar a bola para área, com cruzamentos sucessivos, uns atrás dos outros. Repare-se que a equipa apenas por uma vez, por Enzo Perez, na primeira parte, fez um remate de fora da área. Entrou o Carlos Martins, dado como especialista na matéria, e nada… Nem um!

Que este jogo sirva de lição!

FUTEBOLÊS#133 BLOCO BAIXO OU AUTOCARRO?

Por Eduardo Louro

 

Bloco baixo: poderá parecer linguagem de construção civil mas não é. Aplica-se ao futebol e é mesmo futebolês!

Diz-se a propósito da postura de uma equipa em campo. Ou da forma como dispõe os jogadores em campo. Refere-se, no caso, à colocação dos jogadores na zona de protecção da sua área, no resguardo da sua baliza.

Antigamente, antes da explosão do futebolês como língua erudita dos especialistas das coisas da bola, dizia-se simplesmente que uma equipa estava a jogar à defesa e… fé em Deus. Defendia com onze – porque não podia jogar com mais – sempre de frente para a bola, sempre atrás da linha da bola, como também é fino dizer-se. Agora é mais erudito dizer que a equipa se apresenta com um bloco baixo: dizer exactamente a mesma coisa mas com mais classe. Acima de tudo com mais fair-play, sem achincalhar a equipa.

Para isso, para achincalhar, surgiu uma nova expressão: autocarro! Usa-se no futebolês popular, que já não diz que a equipa se apresenta num bloco baixo, nem sequer que vem jogar à defesa mas, de forma bem mais acintosa, que a equipa estacionou o autocarro!

Creio não estar errado – se o estiver, desde já as minhas desculpas – que é Mourinho o pai desta expressão. Pela minha parte não tenho dúvidas que foi da boca dele que a ouvi pela primeira vez. Substituindo uma expressão elegante como é o bloco baixo, e sendo, pelo contrário, achincalhante e acintosa, não admira que tenha mesmo sido criada por José Mourinho. Por ter sido a ele que a ouvi pela primeira vez e por ser tão ajustada à sua própria personalidade, é para mim indiscutível que é Mourinho o pai do autocarro!

Era então treinador do Chelsea, em pleno processo de dilatação do ego – um processo que apenas teve paralelo no da dilatação do fígado daqueles patos franceses para produzir o foie gras -, na altura em que se intitulou de special one, e deve tê-la usado para justificar um fracasso qualquer. Quem julgasse que o Mourinho tinha descoberto esta expressão numa célebre noite em que jogou com o Inter em Barcelona só podia estar distraído ou, de todo, não o conhecer.

Mal imaginava ele, na altura, que um dia haveria de vir a treinar uma equipa italiana e provar do seu próprio veneno… Na realidade sentiu-lhe o sabor. Se puxarmos pela memória lembrar-nos-emos que sentiu sempre a necessidade de justificar esse autocarro com o árbitro, como também não podia deixar de ser. Foi obrigado a isso porque o árbitro lhe expulsou um jogador - justificou. Mesmo que toda a gente tivesse dado pelo autocarro, lá bem estacionado, desde que o árbitro apitou mas para dar início ao jogo!

Mal imaginaria ainda que seria o seu Chelsea, anos mais tarde e então nas mãos de um treinador italiano, a repetir, no mesmo local e nas mesmas condições - meias-finais da Champions - o mesmo autocarro. Só que sem a desculpa de um a menos!

Ironicamente a história repetiu-se: os autocarros cumpriram a missão e ambos chegaram  à final, ambos encontraram o Bayern, e ambos acabaram por se sagrar campeões europeus. O Inter pela terceira vez, quarenta e cinco anos depois, e o Chelsea pela primeira!

 

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