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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Rússia 2018#14 - Bélgica: um monumento ao contra-ataque!

 

Confirmando o seu estatuto de grande equipa, de uma das melhores selecções do mundo na actualidade, a Bélgica concluiu a sua participação no mundial da Rússia no terceiro lugar, com a medalha de bronze, depois de vencer a Inglaterra, outras das melhores selecções da actualidade. E com grande futuro, a próxima década será certamente de grandes feitos para a selecção inglesa!

Foi mais um bom jogo. Passada que foi a primeira fase, feita a primeira selecção natural, o campeonato do mundo foi outro. Não é novidade nenhuma, é (quase) sempre assim, e faz por isso alguma impressão que a FIFA esteja a anunciar a possibilidade de alargar a 48 selecções o próximo mundial, no Qatar e no inverno. Foi outro porque ficaram as melhores equipas e os melhores jogadores, mas também porque ficaram os melhores árbitros: acabaram-se as macacadas do VAR, não mais se deu por ele, mesmo que lá tenha continuado. E acabaram-se e os penaltis!

Mesmo que na primeira parte tenha havido alguns períodos de menor interesse, mesmo que o golo da Bélgica tenha surgido logo no início, o jogo nunca desceu do nível de qualidade exigido a estas equipas. E na segunda parte foi quase sempre espectacular, com a Inglaterra à procura do golo do empate, e com a Bélgica a dar um recital de futebol de contra-ataque.

Esta selecção belga é um monumento ao contra-ataque. Não só porque o usa como mais ninguém mas, acima de tudo, porque lhe introduz uma espectacularidade nunca vista. Há muito que há muito futebol a viver do contra-ataque, há muito que muitas equipas fazem do contra-ataque plano de jogo. Mas nunca nenhuma o elevou ao nível que Witsel, De Bruyne, Hazard e Lukaku fizeram. Os melhores jogadores fazem sempre tudo melhor que os outros, e estes são mesmo do melhor que anda por aí...

E foi - tinha de ser - em mais uma fantástica jogada de contra-ataque que, quando a Inglaterra estava por cima na procura do empate, Hazard fez o segundo golo da Bélgica, a cerca de 10 minutos do fim. Acabando com o jogo e garantindo, pela melhor selecção de sempre, a melhor classificação de sempre da Bélgica.

Rússia 2018#12 - o grande futebol

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No dia em que Cristiano Ronaldo foi confirmado na Juventus, e em que o mundo pôde assistir ao assalto final à gruta de Tam Luang, e ao resgate dos últimos jovens tailandeses, ficou conhecido o primeiro finalista deste campeonato do mundo, a primeira das duas selecções que no próximo domingo disputarão a grande final, que terá eventualmente como espectadores especiais justamente estes jovens que nas últimas semanas  emocionaram o mundo.

Depois de um grande jogo de futebol é a França que segue para a final de Moscovo, mercê de um golo do central Umtiti, em mais um golo de bola de parada, num pontapé de canto ainda na fase inicial da segunda parte. A Bélgica não chegou ao céu, foi empurrada para o purgatório, a que chamam jogo de consolação, mesmo que o consolo seja pouco. Ou nenhum...

Este seria sempre o jogo da final antecipada, este seria sempre o confronto entre as duas melhores equipas da competição. Seria assim, se lá estivesse o Brasil. Como foi assim com a Bélgica, uma grande equipa de futebol que explodiu finalmente. Depois de tantos anos de promessas, cumpriu. Cumpriu tudo o que vinha prometendo nos últimos três ou quatro anos, quando esta fantástica geração de jogadores atingiu a maturidade plena.

Passou a França, o único dos grandes favoritos que nunca falhou. Confirmou que é uma grande equipa, cheia de jogadores de altíssimo nível. A maioria deles ainda jóvens - apresentou a mais baixa média de idades num mundial - mas todos eles jagadores feitos, e já em plena maturidade, o que faz desta selecção francesa um caso sério do futebol mundial. 

Deve provavelmente grande parte do seu sucesso a esta maturidade. Já evidenciara, antes deste jogo, clara vantagem sobre a Bélgica na forma como geria os jogos, com muito mais tranquilidade, doseando bem a carga emocional, sabendo arrefecer o jogo. Por isso se desgastou sempre menos, física e mentalmente.

Hoje isso foi mais uma vez decisivo. A Bélgica foi muito superior na primeira parte, tal como acontecera no jogo com o Brasil. Mas, também como nesse jogo, não aguentou o mesmo ritmo na segunda parte. A diferença foi que desta vez não conseguiu capitalizar a sua superioridade técnica e táctica (o seleccionador, o espanhol Roberto Martinez, um verdadeiro estratega, consegue sempre surpreender tacticamente o adversário) da primeira parte, acabando por não tirar qualquer rendimento do seu melhor período. Após o intervalo, que Deschamps aproveitou bem, a França entrou melhor. E com o golo, logo ao fim dos primeiros 5 minutos, o jogo mudou por completo. E veio ao de cima toda a sua maturidade, que lhe permitiu gerir o jogo como mais gosta e melhor sabe.

Pode não ganhar a final do próximo domingo, mas que é bem provável que a França conquiste na Rússia, na sua terceira final, o seu segundo título mundial, lá isso é. 

E quando faltam três jogos para que o pano caia, já se pode dizer que, ao contrário do que a determinado momento se chegou a recear, o grande futebol passou pela Rússia. Chegou atrasado, mas a tempo de nos mostrar como eram descabidas, num mundial discutido por equipas europeias, as ditas ambições do campeão europeu.

 

 

Rússia 2018#9 - Momento kamikaze

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Uma segunda parte verdadeiramente espectacular fez deste Bélgica-Japão provavelmente o melhor jogo deste mundial da Rússia. 

O Japão, tido pela mais fraca equipa destes oitavos de final, era dado por presa fácil para as grandes garras belgas. Um rótulo de fragilidade agravado ainda por aquela imagem deixada no jogo com a Polónia, o último da primeira fase, em que garantiu o apuramento pelo irónico critério do fair play através da mais lamentável falta de atitude desportiva. 

Pois... Vá lá entender-se este futebol deste campeonato do mundo. O que se viu foi uma selecção do Japão com uma superior organização de jogo, com grande maturidade e enorme disciplina táctica secar o futebol da Bélgica. Como que a pedir desculpa ao futebol pelo que fizera há poucos dias.

Ironicamente acabou por perder o jogo no último lance da partida quando, numa irresistível tentação kamikaze, perdeu a sua organização e permitiu a mais notável jogada de contra-ataque que este campeonato do mundo - arrisco - tinha para mostrar.

Reduzidos à sua verdadeira expressão

 

Imagem relacionada

 

Com a maior goleada da competição, a Bélgica - com Hazard de regresso às grandes exibições de que este ano andou arredado - reduziu a Hungria à sua verdadeira expressão, falando do Europeu de França, evidentemente. Despachando os vencedores do grupo de Portugal por quatro a zero, os belgas são, para já, com a Alemanha, uma das equipas mais impressionantes das já apuradas para os quartos de final.

E, no entanto - veja-se como é o futebol - os húngaros lograram o do dobro das oportunidades de golo que haviam conseguido no jogo anterior, com Portugal. O fabuloso guarda-redes que é Courtois, tirou - literalmente - três bolas de golo, tantos quantos a Hungria marcara a Rui Patrício.

E no entanto, até à entrada dos dez minutos finais, a Bélgica só tinha a render o golo que marcara à saída dos dez iniciais. Foi com dois golos em dois minutos que acabou por construir o maior resultado deste europeu. Se não tem faltado à fraca selecção húngara a sorte que lhe sobrara no jogo com a selecção das quinas, as coisas podiam ter sido bem diferentes. Porque - lá está: o futebol é isto mesmo...

Se a probabilidade não for a batata que ditou a eliminação da Croácia, nas meias finais lá encontraremos estes belgas... Do outro lado as coisas estão bem menos previsíveis.

 

Mais que um jogo

 ÁLVARO ISIDORO / GLOBAL IMAGENS

 

O futebol é isto mesmo - diz-se em futebolês. E a selecção nacional é ainda mais isso mesmo. Depois de uma derrota que envergonha, com a sexagésima não sei quantos selecção do ranking da FIFA, uma vitória clara e prestigiante frente à primeira desse mesmo ranking. Não é fácil perceber por quê - o que não põe em causa imensa qualidade desta geração de ouro do futebol belga, o que está em causa são os critérios, que  inguém conhece - mas é a selecção da Bélgica que ocupa esse lugar...

O que é fácil de perceber é que a Bélgica tem muitos jogadores de muito bom nível, mas não dispôs hoje da maioria deles. Foi uma selecção belga muito desfalcada, esta a que a selecção nacional hoje ganhou e vulgarizou durante boa parte da primeira metade do jogo. Mas disso ninguém se vai lembrar, como ninguém se irá lembrar das oportunidades de golo falhadas no jogo com a Bulgária.

Para a História o que sempre fica são os resultados. Mesmo que a História deste jogo se faça de muito mais que do resultado. Mas isso é porque também este jogo de hoje, que se deveria ter disputado em Bruxelas mas acabou por se realizar em Leiria, foi mais que um jogo. Como sabemos!

  

Brasil 2014 XXII - Desceu o pano sobre os oitavos

Por Eduardo Louro

 Di Maria e Messi festejam golo da Argentina

 

Argentina e Suíça abriram o dia da despedida dos oitavos de final do mundial, num jogo igual a tantos outros, com o favorito a não provar o privilégio de o ser.

A equipa europeia vestiu de vermelho e o hino era o da Suíça mas, apesar de ter jogadores melhores, bem podia estar de azul e chamar-se Grécia… A sul-americana foi a Argentina que se tem visto, igualzinha… Não tão má quanto a do primeiro jogo, cheia de defesas, mas nem por isso muito diferente.

Não admira por isso que na primeira parte as ocasiões de golo tenham sido uma raridade, e apenas para o lado da selecção europeia. Da Argentina, nada. Nem Messi!

E o jogo continuou assim na segunda parte, ainda com mais uma boa oportunidade para os suíços. Até se chegar à hora de jogo.

Não que alguma coisa tenha mudado na Argentina – a teimosia é um dos mais apreciados atributos dos treinadores, mas este seleccionador argentino não precisava de levar tão longe a sua admiração por Paulo Bento – mas porque o adversário começou a cair fisicamente. O vai e vem começou a ser mais difícil, e a Suíça começou a mostrar outro produto: queijo, com uns buracos à vista, em vez do relógio, certinho.

Mas nem isso valeu aos argentinos. E como Messi apenas apareceu em duas ou três ocasiões, lá veio mais um prolongamento. Não menos penoso que todos os outros…

Di Maria continuou a ser o melhor, e a merecer o golo, que o nosso conhecido Diego Benaglio não merecia sofrer. No último minuto!

Nos três minutos de compensação, com um coração do outro mundo, a Suíça jogou com Benaglio na área adversária, e podia ter empatado. Teve ainda uma bola no poste…

Sorte para a Argentina, que Sabella não merece. Nem essa nem a de escolher jogadores num dos maiores e melhores viveiros do planeta!

No outro jogo, que fez cair definitivamente o pano sobre os oitavos, voltamos a ter oportunidade de nos lembrar de Paulo Bento e dos seus rapazes. Eram eles que ali deviam estar…a correr e a lutar como aqueles!

Mas eram os americanos que lá estavam. Com a Bélgica, aquela promessa de grande selecção a parecer interessada em chegar lá. E o jogo foi muito disso, com os americanos a fazerem lembrar o jogo com os portugueses, - muito longe da equipa que os ganeses tinham dominado – até mesmo na exploração do corredor direito. Mesmo que sem o buraco que Raul Meireles, Miguel Velosos e André Almeida abriram, e mesmo que sem Johnson, o pulmão daquela asa, substituído por lesão. E os belgas, particularmente na segunda parte, porque na primeira não foi tanto assim, a projectarem-se para bem perto do que se pode esperar do somatório dos seus valores individuais.

E já que se fala de promessas deve já dizer-se que este foi um jogo que, sem ter prometido muito, cumpriu tudo. Pode não ter sido técnica e tacticamente um grande jogo de futebol mas foi, no fim dos 120 minutos que teve, um espectacular e emocionante jogo de futebol. Daqueles que nos fazem vibrare que tenderemos a não esquecer!   

As oportunidades iam-se sucedendo mas, ora por alguma inépcia dos belgas, ora pela excelência das intervenções de Tim Howard – que grande exibição do veterano gurada-redes americano – os golos é que não. Curiosamente seria dos americanos o mais clamoroso dos falhanços, já nos últimos segundos do tempo de compensação.

E lá veio mais um prolongamento, o sexto, em oito jogos!

E Lukaku, o jovem belga que o Chelsea anda a emprestar a uns e a outros. Que tomou conta da história do jogo, a construir o primeiro golo logo a abrir, concluído por Kevin de Bruyne e, em inversão de papéis, a marcar ao fechar da primeira parte.

Parecia que tudo ficava resolvido. Nada disso, porque este era um jogo de emoções. Klinsmann lançou um miúdo de 19 anos - viu, Paulo Bento?-, Green, que logo marcou mudando por completo o jogo. Que afinal até podia ter tido um resultado diferente!

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