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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

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Futebolês #31 Balneário

Por Eduardo Louro

Em futebolês balneário é muito mais que o simples balneário.

Aquele local bem pouco confortável (acho eu!) cheio de cacifos, bancos, bancadas e estrados, humidades e vapores por todos os lados, e de tipos (perdoem-me mas apenas conheço balneários masculinos) nus e seminus, com ou sem toalhas enroladas à cintura, e cheiros de todos os tipos ganha, em futebolês, uma outra dimensão. É a dimensão mítica, ou mesmo sagrada, do balneário enquanto expoente máximo da intimidade do corpo colectivo que é uma equipa.

Em futebolês o balneário é um estado de espírito, o estado de alma de um colectivo mobilizado em torno do objectivo de ganhar. É o factor crítico de sucesso!

Sem um bom balneário o êxito nunca passa de miragem. E um bom balneário, como bem se percebe, nada tem a ver com a qualidade das instalações do dito. Tem apenas a ver com o espírito de equipa, com a união e a mobilização da equipa em torno dos objectivos estabelecidos, sejam estes proclamados aos sete ventos ou simplesmente sussurrados baixinho no coração daquele espaço íntimo que é também o balneário.

O balneário é tão determinante factor de sucesso que torna perpassa para a avaliação do jogador. Chegada a hora de assinar um bom contrato, ou de ser eleito para o que quer que seja, em particular, agora que estamos em tempo de selecções, de convocatória para uma selecção nacional, o factor balneário pesa e de que maneira.

Há jogadores que vêm goradas as expectativas que o seu potencial técnico legitimaria por um rótulo de não recomendado que alguém colou ao seu comportamento de balneário. São múltiplos os exemplos de grandes jogadores que, por fama de destabilizadores de balneário, acabam por ser proscritos.

Muitas das vezes ninguém percebe por que é que um jogador de evidentes dotes para o exercício bem sucedido da actividade desaparece de repente. Aí vem-nos logo o balneário à cabeça! Às vezes injustamente, mas é assim.

Mas também há muitos outros jogadores que nem precisam de saber jogar à bola, tal é a fama da sua influência no balneário. Têm lugar cativo em muitas equipas, e uma enorme resistência ao peso dos anos, que lhes é garantido por esse rótulo de qualidade. Ainda nos lembramos da convocatória para o último Mundial, na Alemanha, quando Scolari levou o segundo ou o terceiro guarda-redes do Porto – o Nuno que, ao contrário do Beto na convocatória para este mundial, que como por milagre surgiu a jogar nos últimos jogos do campeonato, não fizera então um único jogo – precisamente por essa qualidade.

Não há responsável de uma equipa de futebol que não persiga o ideal do bom balneário. Quando as coisas não correm bem a primeira prioridade é logo enunciada: blindar o balneário!

O que é isso? Colocar portas blindadas no balneário?

Não. É preservar o balneário, o espírito de equipa, de qualquer tipo de influência externa. Tornar grupo impenetrável, sem dar qualquer oportunidade a pretensos destabilizadores. São várias as técnicas de blindagem: a mais usada é a da criação de um inimigo externo.

Inventa-se um inimigo e já está! Tudo unido e mobilizado… Depois é só alimentá-lo, ou criar outro e outro…

Mas o balneário também tem os seus bufos, aqueles que profanam o seu sacrário. Quando se descobrem os bufos de balneário é que tudo tudo se complica. Acreditem que há jogadores que são contratados para isso mesmo, e não para jogar à bola.

Ao que se presta um balneário!

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