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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

A obcessão dos planos B

 

Ficamos a saber através de Marques Mendes - uns, logo na trasmissão em directo da sua homilia dominical na SIC, outros pelas onde de choque que provoca em todo o sistema mediático nacional - que a obcessão pelo plano B também atinge a recapitalização da Caixa Geral de Depósitos.

Disse-nos este alcoviteiro dos domingos que o BCE enviou uma carta ao governo português, já há mais de um mês, a exigir um plano alternativo de recapitalização, para a eventualidade do plano apresentado - de capitalização pelo Estado, accionista único do banco público - não vir a ser aprovado pelas instâncias europeias. Curiosamente, o alcoviteiro que também é membro do Conselho de Estado, o que não deixa de ser outra curiosidade, passou por cima desta revelação a grande velocidade, como se estivesse a pisar uma braseira, para passar ás recomendações sobre a constituição da administração, da mesma referida carta. Que 19 é muito, quinze chegam bem. E que saibam do negócio, que tenham experiência em banca.

Não se percebe por que estas recomendações prenderam tanto a atenção de Marques Mendes: já toda a gente tinha dito que 19 administradores são administradores a mais; e que para administrar o maior banco português seja requerida experiência na banca é também do mais elementar bom senso. Para adminsitrar os maiores bancos mundiais é que não é preciso nada disso, como acaba de se ver com Durão Barroso...

O que se percebe, mesmo que o comentador e conselheiro de estado não queira que se perceba, é que o plano alternativo que o BCE reclama é a privatização da Caixa. A alternativa ao capital do estado é o capital privado. Este plano B é exactamente isso, é a alternativa que não deixa alternativa. Como, de resto, tudo o que é plano B que os exilados  não páram de exigir aos usurpadores do governo.

Não importa que não haja capital para isso. Não há cá mas há noutro lado qualquer. E com tudo o que se tem vindo a fazer à Caixa para a desvalorizar, quaisquer que sejam os valores da recapitalização são suficientes para garantir uma posição maioritária de capital.

Isto anda tudo ligado - como diz o outro...

Ordem cumprida

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No último momento, à beira do precipício, quer dizer, mesmo à entrada da última hora do último dia, como num filme de suspense, os catalães do CaixaBank e a angolana Isabel dos Santos chegaram a entendimento. Fica cumprida mais uma ordem do BCE. No mesmo sentido das outras, mas certamente por mera coincidência...

O BPI fica a ganhar? Não. Ao perder a sua maior fonte de rendimento, só pode mesmo ficar a perder...  

Destrunfo

Imagem relacionada

 

São os Moscovici, os Dijsselbloem, os Juncker e os Schauble deste mundo que obrigam Draghi a gastar os trunfos todos. Está aqui, está teso... Daqui a pouco não há mais trunfos. Mas também já não há mais jogo...

Há quem destrunfe para ganhar. Mas também há quem o faça por mero desepero, já quando o jogo está perdido. Às vezes é só mesmo arrear os trunfos.

Quem tem ... tem medo

Por Eduardo Louro

Jovem interrompe conferência de imprensa de Mario Draghi

 

Na imagem - a imagem do dia, do mês ou até do ano - da jovem a saltar para a mesa de Draghi o que é aterrador é o medo do patrão do BCE, face á aparente tranquilidade da expressão de Vitor Constâncio. Sabendo nós do tradicional medinho do português, imagine-se o estado em que terá ficado, no italiano, aquela coisa que tem quem tem medo...

 

Nota: Imagem da SIC

Pantomineiros excêntricos

Por Eduardo Louro

 

Quando aqui me referi ao programa do BCE conhecido por QE (Quantitative Easing), chamando-lhe euromilhões, deixava em nota de graça - não era das notas de graça que o BCE vai imprimir -  um alerta para as condições de rating que eram exigidas para acesso ao programa.

São tantas as pantominices que ouvimos do lado da propaganda oficial do governo, a começar na patética pirueta de Passos Coelho, e passando pelos saltos mortais de Portas e pelos passes de mágica de deputados, comunicadores e opinadores que constituem o spin governamental, que não poderia deixar de regressar a essa peqeuenina nota.

Uns dizem que isto só é possível pelos sacrifícios todos por que passamos, e que esta é a recompensa por esse esforço. Outros, que é possível porque reconquistamos a credibilidade externa. Outros ainda porque já cá não está a troika. Há ainda os que vêm dizer que só é possível porque atingimos um défice de 3%, o que nem sequer é verdade. Esse é o objectivo para este ano, não está atingido.

Pantominices à parte, Portugal só não ficou de fora deste programa do BCE porque há uma agência de rating, a canadiana DBRS que, ao contrário de todas as outras que contam (Fitch, Moddy´s, Standard & Poors...) classifica o rating da República Portuguesa acima de lixo, condição de acesso ao programa. Diz-se por aí que este rating desta agência canadiana já tem uns anos, e nunca foi mexido. Que é até anterior à tomada de posse deste governo!

Já eram pantomineiros. Agora ainda são excêntricos...

 

 

Day after

Por Eduardo Louro

Ontem foi dia de grandes decisões.

Em Frankfurt, Draghi anunciou o euromilhões, a basuca ou, mais prosaicamente, simplesmente lançou mão da última arma de estímulo monetário. Tarde, depois de já não ter por onde mexer nas taxas de juro, mas também superando as expectativas, anunciou um programa de compra mensal de 60 mil milhões de euros de dívida soberana (88%) e privada (12%), durante, pelo menos, 19 meses. 

Em Lisboa, a Oi (e os outros grandes accionistas) levou a melhor sobre o país, os pequenos accionistas e até o Presidente da Assembleia Geral, na decisão de vender a PT à Altice.

Hoje sentem-se as primeiras consequências. Que não deixam de ser curiosas: as acções da PT valorizaram mais 20% (40% em dois dias) e, a contar já com a desvalorização do euro, anunciam-se aumentos dos combustíveis já para a próxima segunda-feira!

E passou a haver outras coisas para contar... (VI)

Por Eduardo Louro

 

Os que se encarregaram glorificar a resolução do BES, porque eles próprios não acreditavam que fosse uma boa solução, e muito menos a melhor, foram os mesmos que, pouco a pouco, começaram a soltar notícias que deram para perceber que a solução do governo e do Banco de Portugal não era afinal nem do governo nem do Banco de Portugal – era do Banco Central Europeu (BCE).

Sabe-se por isso hoje que, mais uma vez, fomos enganados e que governo e Banco de Portugal andaram afinal a assobiar para o lado, e mais não fizeram do que aquilo que o BCE exactamente mandou. Nada assim de tão estranho, porque não tem sido outra coisa que o governo tem feito: obedecer a ordens do exterior, custe o que custar, e não tomar iniciativa nenhuma!

Mas não se pode deixar de denunciar a hipocrisia que reina no país. Creio não correr grandes riscos de errar se afirmar que nunca na História de Portugal se viveu num clima de tamanha hipocrisia.

Repare-se: O Banco de Portugal apresenta uma solução que, num momento, acaba com a maior marca da banca privada que, poucos dias antes, dava como um banco garantidamente seguro e solvente. Que dois dias antes tinha apresentado resultados catastróficos – que toda a gente entendeu como consequência de uma estratégia ultra defensiva da nova administração, decidida a, olhando fundamentalmente para o seu próprio interesse, criar provisões sobre tudo o que mexesse – mas, ainda assim, com capitais próprios de 3,2 mil milhões de euros. O governo, que criou toda a legislação relâmpago para o efeito, começou por se pôr de lado, como se nada tivesse a ver com aquilo. Só depois de ter colocado todo o exército em acção nas televisões e nos jornais, a preparar o terreno, é que apareceu. Depois da contestação começar a surgir e de se terem começado a pôr a nu as fragilidades da solução, começam a soltar-se informações para sacudir a água do capote e salpicar o BCE. Que na comunicação de Carlso Costa ao país, fez ontem uma semana, tinha apenas cortado o crédito ao BES e, com isso, obrigado o Banco de Portugal à solução anunciada. Quando, uma semana depois, ontem mesmo, se vem a ter conhecimento que, de acordo com a Acta da reunião desse mesmo dia do Conselho de Administração do Banco de Portugal, o BCE tinha ainda obrigado o BES a devolver os 10 mil milhões de euros de crédito concedido, e que isso tinha obrigado o banco central a entregar ao BES, quer dizer, a meter no buraco 3,5 mil milhões. Acta que é divulgada por uma sociedade de advogados!

Para compôr este inacreditável ramalhete, Marcelo Rebelo de Sousa dizia ontem, na sua tribuna dominical, que a inside information - cuja suspeita se levantou aqui desde a primeira hora - teria origem nas instituições europeias...

Não há memória de tanta hipocrisia e de tanta aldrabice. Mas também de tanta incompetência!

Tiro no porta-aviões

Por Eduardo Louro

 

Quando parecia que a crise do euro estaria ultrapassada, e que a União Europeia já dourava a pílula dos países do sul – já nem a própria Grécia é problema – da Alemanha sai mais um tiro no porta-aviões.

O Tribunal Constitucional alemão (sim, eles também têm Tribunal Constitucional) admitiu que aquilo que pôs ordem nos mercados e segurou o euro – o programa ilimitado de compra de dívida pelo BCE, que nem sequer foi preciso utilizar, bastou ser enunciado – poderá não estar em conformidade com os tratados europeus. Para já, remeteu o assunto para o Tribunal de Justiça da União Europeia, mas sem se esquecer de deixar claro que não aceita essa actuação do BCE. Que a acha ilegal e que excede mesmo o seu mandato…

Quer dizer, que viola a Constituição alemã!

Será que assim o euro sobrevive?

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