Depois de uma hora de credo na boca o Benfica fica isolado na frente do campeonato. Tirando o primeiro quarto de hora do jogo, onde o Benfica denotou clara superioridade, foi sempre um jogo repartido e muito dividido.
É certo que o Beira Mar apenas por uma ocasião esteve verdadeiramente perto do golo. É certo que o Benfica teve quatro oportunidades claríssimas de golo, e que a equipa de arbitragem anulou mais duas, assinalando dois foras de jogo inexistentes. Mas o espectro do empate nunca foi afastado…
O Benfica não fez um bom jogo, longe disso. O Beira Mar, pelo contrário, jogou muito bem. Terá feito por ventura o seu melhor jogo do campeonato, nada tendo a ver com aquela equipa que ainda há duas semanas, sob o comando do Ulisses Morais, jogou e perdeu com o Porto. Quem visse o jogo não acreditaria que estavam ali o primeiro e o último classificado!
Mas há que perceber que, com a carga emocional do que estava em jogo, com a possibilidade de isolar a equipa no comando do campeonato, este seria um jogo especial. Este era um jogo que apenas tinha de ser ganho. Nada mais!
É por isso dele se não podem tirar outras conclusões. Foi apenas um jogo que tinha de ser ganho e foi. Sem casos, sem externalidades!
Costuma dizer-se que os campeonatos se ganham com jogos destes. Acho que não. Com jogos destes não se ganha coisa nenhuma, com substituições daquelas não se ganha nada… Com tanta gente a falhar tanto até se podem ganhar jogos destes, mas não se ganha muito mais!
É por isso preciso acabar rapidamente com jogos destes para que a equipa fuja do destino que parece voltar a anunciar-se.
Quem não parece conseguir fugir ao destino é Ulisses Morais. Vem, desde a primeira jornada – quando, recorde-se, à entrada do último quarto de hora ganhava por 3-0 à Académica – utilizando sistematicamente o discurso de desculpabilização e de exaltação da sua competência e das suas qualidades, próprio de quem, ao contrário da mensagem que quer fazer passar, não acredita no seu trabalho. Próprio de quem sabe o que lhe está para acontecer, que não é nada de diferente do que lhe acontece todos os anos…
Hoje voltou a fazer isso … e muito mais. Dizendo que não falava de arbitragem não fez outra coisa que falar de arbitragem, insinuando não se sabe o quê, dizendo sem dizer, escondendo-se num discurso atabalhoado sempre a meter os pés pelas mãos.
Já devia ter percebido que não é assim que se foge do destino. E o seu está há muito traçado, provavelmente pela incompetência do seu discurso e das suas atitudes públicas…
Chama-se Leonardo Jardim, é, como o nome deixa entender, madeirense e foi, até há pouco, treinador do Beira Mar. Na época passada, conduziu a equipa de regresso à I Liga e, sempre com o clube envolvido no meio de problemas organizativos e financeiros sem fim, conseguiu, ao longo desta, estabilizar a equipa em torno de níveis exibicionais bem altos e de resultados francamente positivos, ocupando sempre a primeira metade da tabela classificativa.
Tinha por isso, que não é pouco, dado nas vistas!
No final da passada semana começaram a surgir notícias que davam conta do envolvimento do FC Porto. Que Pinto da Costa, bem à sua maneira, classificava de imbecilidades.
Dizia-se que, também bem à sua maneira, o teria contratado já para a eventualidade do André Vilas Boas sair. Para a hipótese de chegar uma proposta do estrangeiro que o levasse da sua tal cadeira de sonho. Com um plano B, bem à Pinto da Costa: se o rapaz não fosse levado a deixar a sua cadeira de sonho, o destino temporário do madeirense seria Braga.
Uma viagem de Aveiro ao Porto com escala em Braga!
A conversa, ontem mesmo, de Domingos Paciência era um mal encapotado discurso de despedida. Hoje, o Leonardo de Jardim abandonou o Beira Mar!
Contra a vontade do presidente do clube, surpreendido com a decisão do treinador. A notícia correu: “Leonardo Jardim não chegou a acordo com o Beira Mar para a renovação do contrato e rescindiu o contrato”!
Ninguém percebe. Então não chegar a acordo para a renovação do contrato implica rescindir agora o contrato em vigor até ao final desta época? Por que raio rescindir agora um contrato que termina em Junho apenas porque não quis, e dentro de toda a sua legitimidade, renová-lo para além dessa data?
Não bate certo, mas o treinador explicou: “… entendo que é o momento certo para sair do Beira Mar”!
Nem bate certo nem percebemos a explicação!
Enfim, gente extraordinária…
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