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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Besta azul

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À segunda jornada o Benfica encontrou a sua mais recente besta negra, a equipa a que continuam a chamar Belenenses, mesmo sem morar em Belém, e sem usar a cruz de Cristo, substituída por um simples B, que não será de "besta".

Uma besta negra que o Benfica teima em alimentar eficazmente... com ineficácia. Especialmente com ineficácia ofensiva, se bem que, como se viu há menos de 6 meses na Luz, também lhe ofereça alguma defensiva.

Há já alguns jogos que o campeão não ganhava a esta equipa. O treinador Jorge Silas, a quem não falta competência mesmo que, pelos vistos, continue a faltar credenciação, ainda não tinha perdido com o Benfica. Sempre em jogos em que, depois de desperdiçar muitas portunidades de golo - é até clássico falhar penaltis -  o Benfica acabava por não ganhar. Na última época perdeu mesmo, e por 0-2. De resto no último campeonato, em seis pontos, o Benfica apenas somou um. 

Hoje, no péssimo relvado do Jamor, o Benfica continou a alimentar a besta, que ao intervalo parecia bem grande, gorda e luzidia. 

Mesmo com aquela relva o Benfica fez então uma bela exibição, com o seu futebol habitual, feito de dinâmica em movimento com belos pedaços de grande espectáculo. Só que, a cada oportunidade construída e desperdiçada - e foram seis ou sete, daquelas claras, mesmo que a Sport TV tenha registado apenas quatro - a besta crescia. E cresceu tanto que á chegada do intervalo era verdadeiramente assustadora, quando o Rúben Dias escorregou e deixou o Kikas sozinho frente ao Odysseas. Que se redimiu daquele frango de Março, na Luz.

Foi embora o Muriel, o mano do guarda-redes do Liverpool - que até podia dar "umas casas" aqui e ali, mas contra o Benfica ... era intransponível - mas veio o Koffi para continuar a fazer o mesmo. E Seferovic e Raul de Tomás iam servindo a besta em badeja de prata. Ou mais um passo, ou mais um toque, ou mais um segundo, ou a bola a sair mais uns centímetros para cima, ou mais uns milímetros ao lado, ou contra mais um pé do adversário...

É certo que a equipa de Silas defendeu muito bem. Não defendeu apenas com muitos. Defendeu bem, teve sempre os seus jogadores muito bem posicionados, e a desdobrarem-se com todo o propósito. Mas, na finalização, os dois avançados do Benfica estiveram francamente mal, a aprofundarem-nos as saudades de João Félix. Que falta faz quem não precise de tempo nem de espaço para rematar... Quem já sabe o que vai fazer com a bola antes de a receber...

A segunda parte não teve a mesma qualidade com a mesma frequência. Foi mais de espaços, o futebol do Benfica foi menos consistente e as oportunidades de golo não se sucederam como na primeira. Mesmo assim voltaram a ser suficientes, e a equipa só não manteve o ritmo de goleada que trazia porque a eficácia finalizadora foi muito inferior àquilo que são os seus padrões habituais.

Já o ponteiro pisava a hora de jogo quando Rafa - o homem do match, que os adversários só conseguiram parar com faltas, e feias - fez finalmente o golo, num tiro destinado mesmo a matar a besta. Vinte minutos depois, quando o Nuno Tavares trocou os pés e quase provocou o golo do empate, viu-se que que a besta ainda continuava preta. 

A partir daí, desse minuto 79, sim. A besta passou de negra a azul, que sempre é cor mais simpática. Logo a seguir o Benfica voltou a marcar, numa espectacular jogada de futebol que teria reabilitado Seferovic de uma das suas mais fracas exibições depois da sua reabilitação, há um ano. Um fora de jogo detectado pelo VAR no início da jogada que viria a terminar de forma espectacular, anulou-o.

Mas, depois dos largos minutos de avaliação desse lance, logo que o jogo foi reatado Pizzi, o melhor a seguir a Rafa, marcou a concluir mais uma bela jogada de ataque, deixando no resultado uma marca mínima de justiça.

 

Inglório

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Provavelmente chegou mesmo o momento que todos os benfiquistas temiam. O momento em que tudo poderia deixar de correr bem porque, todos o sabíamos, esse momento haveria inevitavelmente de chegar.

O jogo da passada quinta-feira, na Croácia, já tinha deixado perceber que esse momento poderia ter acabado de chegar.

O Belenenses é uma equipa difícil de bater, já se sabia. E isso era mais um dado a ter em conta no contexto desse momento. Desde o apito inicial dessa espécie de árbitro que é João Capela se percebeu que o Belenenses iria colocar muitas dificuldades ao Benfica. Que também mostrou que não estaria em grandes condições para as enfrentar, jogando com menos velocidade que a necessária, mostrando pouca eficácia no remate e no passe e acabando sempre a esbarrar na dupla barreira de cinco jogadores que o Belenenses encostava à sua área. Defendendo com todos os jogadores em cima da sua área, era no entanto com grande facilidade que saía para o ataque, deixando sempre no ar um tom de ameaça que não passava despercebido a ninguém.

Na primeira parte o Benfica não acertou com um único remate na baliza de Muriel. E sabendo da propensão do guarda-redes do Belenenses para, frente ao Benfica, defender tudo o que há para defender, não era garantido que, mesmo melhorando substancialmente a qualidade e a eficácia do seu jogo, fosse fácil marcar golos.

A boa entrada na segunda parte abriria no entanto outras expectativas. O golo apareceria logo aos 10 minutos, por Jonas. Um golo que só ele poderia marcar, numa nesga de relva. O Benfica prosseguiu essa boa reentrada no jogo, e oito minutos depois chegou ao segundo, num remate de Samaris, na ressaca de um canto. E em menos de 20 minutos, um jogo que estava muito difícil parecia resolvido.

Só que logo a seguir, e em apenas dois minutos, o Benfica ofereceu dois golos ao adversário de forma incrível. Primeiro, num livre inofensivo, Odysseas viu a bola a sair ao lado da sua baliza. Mas não ia, e acabou lá dentro. No minuto seguinte foi Rúben Dias que pensou que ia passar a bola ao guarda-redes, mas apenas a entregou a um adversário frente à baliza escancarada, que fez o empate.

E de repente, o Belenenses que tinha de finalmente sair lá de trás, sujeitando-se a ser goleado, via-se se novo empatado. E portanto, de novo na sua praia.

E o Benfica deixou fugir os dois pontos de vantagem que tanto tinham custado a conquistar. E esgotou a margem de erro que tinha...

De João Capela, nem vale a pena falar. Foi ele mesmo, alguém que não se percebe porque continua a arbitrar. E como o VAR é uma encomenda de alguns, não funciona para os outros. Hoje valeu tudo: penaltis por marcar, amarelos e vermelhos por mostrar. Tudo, que também explica os dois pontos perdidos, fazendo do Belenenses a bête noir do Benfica nesta época. Cinco pontos, em seis, roubados pelos azuis que já não usam a Cruz de Cristo ao peito.

Sem comparação

 

Poderia começar continuando com o tema do último jogo do Benfica, em Amsterdão: sorte, azar e competência. Mas também poderia começar por lembrar o jogo da época passada, na altura no Restelo. A certa altura este jogo de hoje no Jamor era uma cópia digital desse, há pouco mais de seis meses. Entrada fulgurante do Benfica, oportunidades sucessivas, umas atrás das outras, e todas desperdiçadas. Também um penalti, desta vez arrancado a ferros pelo VAR ao Artur Soares Dias. Também falhado: então por Jonas, hoje por Salvio. 

Mas vou começar por comparar este jogo com os que o Beleneses fez recentemente, também no Jamor, com o Porto e o Braga, em que os azuis, que já não são do Restelo, procuraram jogar de igual por igual com os adversários. E por lembrar que o João Félix saiu dos convocados.

Ao contrário do que se esperaria, o Belenenses entrou com o autocarro. Na primeira meia hora não tirou o autocarro da frente da baliza, e o Benfica asfixiou. Nada  que incomodasse muito os de Belém, tudo aquilo parecia previsto no plano de vôo de Silas, até porque a bola não entrava mesmo. Parecia que o Belenenses estava à espera que o Benfica se convencesse disso mesmo - que a bola nunca entraria - para desmontar o autocarro. E passar a aproveitar as ofertas generosoas que os jogadores e o treinador do Benfica tinham guardadas. 

E foi assim que o Belenenses ganhou o seu primeiro jogo em casa, perante um Benfica deprimente. Não vale de nada dizer que o guarda-redes Muriel defendeu tudo, o que valia e o que não valia, porque isso nunca é mais que circunstâncias de jogo. Nem que o segundo golo do Belenses não poderia ter sido validado, porquanto a jogada inicia-se com uma falta sobre o Pizi. Ou que um jogador do Belenenses deveria ter sido expulso ainda na primeira parte, por agressão a Rúben Dias. Vale dizer o que Benfica não fez para ganhar um jogo em que dispôs de mais de uma dúzia de oportunidades de golo. Vale dizer que Rui Vitória não sabe mexer no jogo. Que, ou joga daquela maneira, sempre naquele tom e naquele ritmo do seu futebolzinho, ou é o descalabro e pontapé para a frente. Que deixou 90 minutos em campo André Almeida e Sferovic, sem ninguém perceber para quê. Que fez a última substituição (entrada de Zivkovic, que só conta no desespero) aos 85 minutos. Que deixou de fora João Félix. Ou que não faz ideia nenhuma do que (não) vale agora Jonas...

Não estivesse Rui Vitória claramente esgotado, sem chama nem alma e, já que me lembrei de outros jogos, lembraria que, também no ano passado, este Belenenses de Silas ganhou pelos mesmos 2-0 ao Porto. Só que, assim, não há comparação. Nem por onde os benfiquistas encontrem bons prenúncios. Como se viu pela multidão que abandou o jogo ao intervalo...

Rombos e fitas

 

No primeiro jogo sem Krovinovic o Benfica regressou a tempos bem recentes, que se julgavam ultrapassados. Ao tempo de uma equipa sem sorte, mas também sem muito fazer por ela. De jogadores sem chama, e de um treinador sem rasgo e sem capacidade de revolta.

Desde cedo se percebeu que iria ser assim. E durante todo o jogo se foi percebendo que as coisas iriam correr como acabaram por correr. Foi, nesse aspecto, um jogo previsível. Mesmo que com muita história. E com muito vento, como é frequente no Restelo.

Era um dérbi, e os dérbis têm sempre alguma coisa de especial, mesmo este, que o Benfica ganhava consecutivamente há 10 anos. Logo de início o Belenenses mostrou ao que vinha, e que as palavras do seu novo treinador antes do jogo não eram só basófia. Muita agressividade, muita pressão sobre a bola, quando não a tinha, e jogadores muito juntos para a poder trocar quando a recuperava. Com isto, ganhava todos os ressaltos e todas as segundas bolas, e colocava o jogo a seu jeito. 

Na primeira parte, só depois dos 10 minutos, e durante perto de um quarto de hora, o Benfica pareceu capaz de impôr o seu futebol, aquele que tem vindo a mostrar. Depois, voltou ao eclipse.

Na segunda parte foi diferente. Mesmo sem nunca atingir - nem perto disso - a qualidade e o caudal ofensivo dos últimos jogos, o Benfica criou oportunidades mais que suficientes para ganhar. Mas as coisas não correram bem. Um ou dois penaltis por marcar e quando, ao terceiro, foi finalmente assinalado, Jonas desperdiçou. É certo que o "fiteiro" guarda-redes de Belém saiu da linha de baliza muito antes de a bola partir, e que o penalti deveria ter sido repetido. Mas também é certo que, pela forma como Jonas partiu para a bola, se percebeu logo que a coisa não ia correr bem.

Seguiram-se ainda mais três oportunidades flagrantes (é curioso, e revelador, que as estatísticas da Sport TV tenham dado duas oportunidades e um golo para cada lado). Todas falhadas, a apelar àquela velha máxima do futebol: "quem não marca, sofre". E assim foi, mas vale a pena contar como foi.

Quando o Benfica saía em mais uma vaga de ataque, o - mais uma vez - fiteiro guarda-redes do Belenenses deitou-se no chão. Quando a bola já ia a caminho da sua baliza, o árbitro parou o jogo. Claro que o jogo não pode continuar com o giuarda-redes no chão, mas não é comum ver, do nada e sem nada, como se confirmou, um guarda-redes deitar-se no chão quando o adversário vai para a sua baliza. Depois de largos minutos de "fita" o jogo recomeçou, com bola ao solo, naturalmente. Que os rapazes de azul, com todo o fair play, e ao contrário do que os do Benfica sempre tinham feito (entregaram a bola ao guarda-redes, ao "fiteiro") mandaram-na pela a linha lateral, lá muito à frente, ali bem à beirinha da grande área do Varela. E pronto - lançamento, defesa encarnada a dormir, e golo. Ao minuto 86!

No último minuto e no último lance, numa notável cobrança de um livre, Jonas marcou o golo do empate. Qua salvou a equipa da derrota, mas que não deve ter dado para muito mais. Aquilo que era a forte convição benfiquista no penta levou hoje um forte rombo.

Pelo resultado e por tudo. Até pela falta de resposta à ausência de Krovinovic!

 

 

Futebol gourmet

 

 

Jogo fantástico na Luz, com mais de 60 mil, sempre em festa. Mais um grande jogo do Benfica!

Poderia dizer-se que com os cinco golos macados, e todos fantásticos, mais quatro bolas nos postes (Jonas - deveria ser crime, aquela bola não acabar bem anichadinha nas redes -, Luisão, Cervi e Jimenez)  mais três ou quatro grandes defesas do guarda-redes do Belenenses, e ainda mais outros tantos lances de golo em que a bola não quis entrar, estava tudo dito. Mas não está. Longe disso!

Há muito mais para dizer deste jogo fantástico a que hoje assistimos na Luz. Porque o futebol apresentado pelo Benfica foi de alto requinte. Se há futebol gourmet, é este. Juntar uma grande exibição colectiva  a 11 extraordinárias exibições individuais, não é coisa a que estejamos habituados. E só pode ser gourmet

E hoje tem que se falar de exibições individuais. Não para falar de Jonas ou de Pizzi, porque esses já não são capazes de nos surpreender. Deles esperamos sempre o melhor, e eles nunca nos desiludem: dão-nos sempre o melhor. Nem de Salvio, em grande. Não é justo que a lesão de hoje venha interromper este grande momento que atravessa. Nem de Cervi. Nem de Luisão, o capitão que está sempre lá. Que não envelhece, apenas amadurece. E que apresenta hoje uma qualidade nunca antes vista. É para falar de Jardel, que já não deixa dúvidas que regressou ao que era há dois anos. De Varela, que fez muito bem o pouco que teve para fazer, e que faz de Ederson cada vez melhor. E sabe-se como isso é importante. E de Filipe Augusto, que hoje se estreou como titular, em substituição do insubstituível Fejsa, e fez simplesmente um jogão.

Poderá sempre dizer-se que o Benfica marcou no primeiro minuto, e que fez o segundo golo na segunda oportunidade. Claro que dá mais tranquilidade à equipa marcar primeiro e desperdiçar depois, como foi hoje o caso. Aconteceu o contrário no último jogo, em Chaves, onde foi de desperdício em desperdício até marcar, já no fim. E no entanto também já aí a qualidade da exibição foi bem alta. 

É isso. A qualidade do futebol que o Benfica apresenta vai muito para além desses circunstancialismos. O futebol gourmet, o futebol perfumado - como se dizia antigamente - faz parte do genes deste Benfica.

 

 

 

 

Boa noite Sr Jonas!

 

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Os adeptos benfiquistas reagiram bem à desolação de Dortmund e mostraram à equipa que estão sempre lá, que acreditam nela e que nunca a deixarão sozinha. Numa segunda-feira, lá estiveram mais 54 mil, a passar a barreira do milhão na Luz, nesta época.

Pode dizer-se que também a equipa reagiu bem à derrota pesada, e à eliminação da Champions, mesmo que tenha voltado a levar o interruptor para o campo. É verdade, o Benfica voltou a ligar e desligar o interruptor do jogo.

Entrou muito forte, amarrando o Belenenses lá atrás, sem lhe dar tempo para respirar. Foi assim durante os primeiros vinte minutos, com futebol de grande qualidade. Rendeu um golo, a terminar o primeiro quarto de hora, pelo improvável André Almeida, com um feliz regresso à lateral direita, agora por lesão de Nelson Semedo, mais uma a juntar à infindável e já crónica lista de lesões. Nos 5 minutos seguintes o Benfica continuou à procura do golo, mas depois desligou.

É certo que não permitiu ao Belenenses sequer um remate. E também certo que não há equipa que consiga manter aquele ritmo durante a maior parte do jogo, quanto mais no jogo todo. Mas ninguém gostava do que via, até porque se via que, deixado mais à vontade, o Belenenses sabe jogar à bola.

O início da segunda parte parecia indicar que o interruptor continuava na posição off. O Belenenses entrou bem, a dizer que estava ali para discutir o jogo e vender bem cara a derrota. Durou cinco minutos, e acabou com uma bola no poste da baliza de Ederson. Na resposta o Benfica faz o segundo golo, soberbo, por Mitroglou. E o interruptor voltou a ligar-se, seguindo-se mais vinte minutos de belas jogadas de futebol, quase sempre desperdiçadas por mais um toque, mais um enfeite, mais um pormenor de requinte. Quase sempre de Jonas, mas nem só de Jonas...

Não foram vinte minutos iguais aos primeiros. Foram completamente diferentes, mas com o mesmo resultado - um golo, de novo excelente, por Sálvio. Estranhamente, já com o resultado em 3-0, o jogo partiu-se, deixando admitir que podiam vir aí muitos golos. E podiam ter vindo, oportunidades não faltaram. Nem ao Belenenses!

Acabou por dar apenas um. Mais um bonito golo, finalmente de Jonas. Que deixou uma boas notícia: está de volta. Que seja para ficar até ao final da época!

Derbi de resultado curto

 

Talvez ainda tivesse havido quem chegasse a pensar que o jogo do Benfica, esta noite em Belém, viesse a ser um daqueles jogos que, com tudo para correr bem, acabasse por correr mal. 

O Benfica entrou muito bem e marcou logo aos 10 minutos, à terceira oportunidade de golo. Depois, nos dez minutos seguintes, outras tantas oportunidades de golo criadas e desperdiçadas. Se nos primeiros vinte, ou vinte e cinco minutos o Benfica desperdiçara em série oportunidades de golo, nos últimos vinte da primeira parte passou a desperdiçar oportunidades de criar oportunidades de golo. O volume de jogo mantinha-se, dominava o jogo da mesma maneira, criava os mesmos desiquilíbrios mas, na altura da decisão, as coisas passaram a correr um pouco pior. Os jogadores não passaram apenas a afunilar o jogo, afunilaram-se a eles próprios!

Ao intervalo, com apenas um golo e numa jornada marcada pelo 1-1 (resultado em cinco dos sete jogos já realizados), poderia haver quem pensasse que Rui Vitória não iria bater o velho recorde de Hagan.

O arranque da segunda parte tirou logo as dúvidas a quem as pudesse ter. O ritmo não abrandou, a clarividência regressou, as oportunidades de golo continuaram a suceder-se e o segundo golo nem tardou. Poderia ter repetido o 5-0 da última época mas, depois de uma bola no poste, outra na barra, e mais outras oito ou nove oportunidades claras, o resultado ficou-se no 2-0. Muito curto para a exibição do Benfica no derbi!  

 

Isto é de treinador...

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Sendo o primeiro a entrar em cena, ou o último, sempre a mesma resposta. A pressão é apenas a de jogar bem e ganhar. De ganhar bem, por muitos... Categoricamente, sem qualquer sombra de dúvidas. Sem penaltis, nem cotoveladas, nem Tonel... Com tranquilidade, sem confusões no banco. Com árbitros, árbitros assistentes e quartos árbitros em paz... Por três, quatro, cinco ou seis. Jogo após jogo.  

É isto, este Benfica. Uma máquina de jogar bom futebol e de marcar golos. Que pega no jogo logo que a bola sai do centro do campo, tocada pela primeira vez, e empurra o adversário lá para trás, encosta-o às cordas e sufoca-o até que comece a cometer erros. Uma espécie de semear terror para colher medos, numa fantástica história cantada numa bela peça de ópera. 

Olhando para trás, e apenas para os últimos seis anos, que guardam o melhor da História do Benfica do último quarto de século, e imaginarmos qualquer dessas equipas sem Luisão, Gaitan, Salvio e Maxi (era o que havia, não havia Nelson Semedo).  Sem o trinco, fosse lá quem fosse. Sem capitão. Tudo ao mesmo tempo, seria imaginar um cenário de terror. Neste Benfica é apenas mais uma etapa de crescimento, uma oportunidade a dar a novos jogadores, a forma de atingir novos patamares de exigência... Em qualquer desses gloriosos anos, com dois dos três centrais lesionados, recorrer-se-ia sempre a outro dos consagrados. Geralmente recuava o trinco: lembramo-nos de Katsouranis, de Javi e de Fejsa. Neste Benfica, vai-se procurar outro central, tenha lá a idade que tiver. E a experiência que tiver...

Isto, meus amigos, isto é de treinador. Este Benfica, é este Benfica por ser o deste treinador. É mérito indiscutível de Rui Vitória que, à medida que foi - também ele - ganhando confiança, se libertou de tudo o que o peava e se soltou de todas as amarras. Internas e externas!

A propósito: alguém imaginou ver este Mitroglou? Ficou-lhe mesmo bem, este hat-trick do Restelo...

 

PS: Não preciso que ninguém me venha dizer que também eu bati em Rui Vitória. Bem sei que sim. Com a mesma convicção e o mesmo sentido de justiiça com que agora o coloco nos píncaros.

Assim, sim!

Por Eduardo Louro

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Noite de gala na Catedral. Já tínhamos saudades...

Ia  a primeira parte a meio quando dei comigo a pensar que desta vez o Benfica tinha trocado as voltas ao jogo. Que tinha trazido para os primeiros vinte minutos os últimos vinte minutos dos jogos anteriores. 

Aos poucos percebi que não era assim, que alguma coisa tinha mudado e que o espectáculo era para continuar. Então recostei-me melhor e deixei-me ir, deliciado e muitas vezes extaseado pela magia de Gaitan e pela arte de Jonas que um espantoso concerto colectivo não conseguia ofuscar.  

Um concerto que consertou de vez - espera-se - a máquina de Rui Vitória. Agora não pode haver mais espaço para dúvidas. Sabe-se que não vai ser sempre assim, que hão-de vir dias em que nem tudo corre assim bem. Mas não se pode andar para trás, este tem que ser o ponto de partida, nunca o ponto de chegada. 

A equipa pode não atingir sempre este altíssimo patamar exibicional, mas fica obrigada a entregar-se ao jogo da mesma forma, a pressionar da mesma maneira, a atacar a bola e o adversário com o mesmo entusiasmo, a mesma convicção e a mesma energia. Porque só assim pode marcar golos e sabe-se, já se sabia, que o Benfica é outro logo que marca o primeiro.

A chave do futebol deste Benfica de Rui Vitória está no primeiro golo. Por isso não há segredos: é entrar para marcar cedo, em vez de entrar à espera do que o jogo possa dar. É isso que se espera daqui para frente. Não se pede mais que isso. 

É que assim é mais fácil repetir noites de gala como esta. De vez em quando, também não se pode exigir isto todos os dias...

Uma questão de agenda

Por Eduardo Louro

 Jonas marca no Belenenses-Benfica

 

Mais um jogo fora, mais uma vez a confirmação de um Benfica de duas caras: uma para dentro, para apresentar na Luz, digna mais bela princesa das histórias de encantar, e outra para fora, a lembrar as bruxas más. Feias, assustadoras…

Hoje não chegou a tanto, mas durante uma hora pairou no Restelo, cheio de colinho, o fantasma da bruxa má... de Vila do Conde. Não foi tudo igual, valha a verdade, mas houve algumas semelhanças, a começar pelo golo madrugador, que até já parece mau presságio. Foi diferente – tinha mesmo de ser diferente – a atitude dos jogadores do Benfica. É verdade que não foi o caso de Olá John – estamos sempre a dizer que terá desperdiçado a última oportunidade, mas nunca é a última – mas uma andorinha não faz a Primavera. E foi muito diferente a eficácia: no primeiro remate à baliza (enquadrado com a baliza), logo no início do jogo, surgiu o primeiro golo; o segundo, já com uma hora de jogo, deu no segundo golo. Ambos de Jonas, ambos excelentes…

O segundo golo sim, desbloqueou o jogo. Não acabou com o jogo, mas levou-o para outro registo, bem mais favorável ao Benfica. É que não foi só o golo, foi também a hora de jogo que ficara para trás a deixar mossa na equipa de Belém, e a diminuir-lhe a resistência. A partir daí , na última meia hora, o resultado deixou claramente de estar em risco. Em risco só mesmo Samaris, que Jesus tardou em poupar. Por boa causa, deve dizer-se. Porque quis dar prioridade à substituição do Olá John, mesmo que lhe não sirva de lição…

Falar deste jogo é falar de tudo isto. É dizer que o Belenenses foi um adversário muito complicado, que se bateu sempre muito bem, mesmo quando as forças começaram a faltar e com boa organização táctica. Mas é também dizer que, quando durante toda a semana os media quiseram dizer que o Belenenses estaria impedido de apresentar sete ou oito jogadores com ligação ao Benfica afinal, só Rui Fonte não jogou. Dos sete ou oito apenas um - um único -, e por razões bem explicadas pelo seu treinador, não jogou!

Não houve nenhuma gastroenterite, nem ninguém se lesionou a subir para o autocarro. Não deixa de ser curioso que quem se não incomoda nada com esses desarranjos intestinais e essas lesões à entrada do autocarro tenha alimentado a novela toda a semana. Não deixa de ser notável que o anterior Presidente do Belenenses, que não tem vergonha de ter deixado o clube no estado em que deixou, nem de entregar a SAD a uma figura como Rui Pedro Soares, tenha a esse propósito vindo reclamar vergonha aos benfquistas. Nem deixa de ser confrangedor que tema dos jogadores emprestados só entre na agenda mediática quando o Benfica joga com o Belenenses.  E depois… oops… Só um, apenas um não jogou. E… oops… por opção do treinador. E muito bem explicada…

 

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