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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Belmiro de Azevedo

 

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Não terá  sido apenas por ter criado o maior grupo económico do pós 25 de Abril, que chegou a representar 4% do PIB, e esteve representado em 70 países, que Belmiro de Azevedo terá de ser o maior, e o melhor, dos empresários portugueses. Belmiro de Azevedo fez escola, foi referência na gestão empresarial, e  marcou um estilo único em Portugal, um país habituado a viver de e para o Estado, mesmo que declare sempre o contrário.

Belmiro de Azevedo foi ousado, frontal e inovador. E foi disso que precisou para ter sido quem foi, e para se tornar no exemplo de que "se pode enriquecer de forma honesta", como ele próprio afirmou.

Não precisou de bajular a classe política, que sempre colocou no devido lugar, por sinal um lugar a que não devia grande respeito. Criticou-a com dureza, usando às vezes até de um certo populismo. Não poupou nem vacas sagradas, como Marcelo, Guterres ou Cavaco, nem plásticos como Sócrates, Passos Coelho ou Marques Mendes, de quem um dia disse que nem para porteiro da Sonae servia...

 

Gente Extraordinária XLIII

Por Eduardo Louro

 

O Presidente da República sugeriu hoje aos jovens que, em vez de emigrar, investissem na agricultura, aproveitando os fundos comunitários que aí vêm. Para Belmiro de Azevedo os portugueses só terão legitimidade para reivindicar aumentos de salários quando atingirem a produtividade dos alemães, acrescentando que trabalham quatro ou cinco vezes mais que nós. Ou dos ingleses.  E o Vítor Bento, um dos economistas do regime, veio sugerir o lançamento de imposto de selo sobre os levantamentos de dinheiro, aos balcões dos bancos ou no multibanco. É - garante – a melhor maneira de combater a fuga ao fisco, a economia paralela e até a corrupção!

Tudo isto tem tanto mais graça quanto menos vergonha tem esta gente. Como se Cavaco Silva nada tivesse a ver com a destruição da agricultura portuguesa, nem com os desmandos dos fundos europeus utilizados para acabar com ela.

Ou  não fosse Belmiro um dos maiores, se não o maior, empregador português. Que, repare-se, não disse que os portugueses só poderiam aspirar aos salários dos alemães quando tivessem a mesma produtividade. Isso era evidentemente normal. Não, falou de simples aumentos dos salários, que são dos mais baixos da Europa e em escandalosa erosão de há pelo menos três anos para cá.

Ou Vítor Bento não fosse um homem da banca – e já se está a ver, a banca cobraria imposto de selo e não se importaria nada com mais umas comissões – e o presidente da SIBS…

Extraordinária …esta gente extraordinária. E sem vergonha…

COISAS DA CONCORRÊNCIA?

Por Eduardo Louro

 

O que a concorrência faz: para não deixar o seu concorrente no oligopóloio da distribuição sozinho e à vontade, Belmiro de Azevedo, tido como mais equilibrado e sensato, saltou com estrondo para palco para dividir com Alexandre Soares dos Santos este estranho protagonismo.

Francamente: "Se não for a mão-de-obra barata, não há emprego para ninguém". Esta, nesta altura, não lembrava ao diabo!

 

 

 

 

EMPRESÁRIOS E EMPREENDEDORES

Por Eduardo Louro 

 

A recente polémica em volta do Grupo Jerónimo Martins continua a sugerir algumas reflexões. Sem me repetir nalgumas das ideias que a propósito aqui deixei, e ainda sem me deter nas assimetrias fiscais da UE que, permitindo uma concorrência desenfreada entre os países membros, evidenciam bem quão longe está – e sempre esteve – de representar a união do que quer que seja e a dificuldade em garantir a sustentabilidade de uma moeda única comum, fixar-me-ia, por agora, num aspecto particular do modelo de desenvolvimento económico vigente no país que, tanto ou mesmo mais que a desgovernação das últimas décadas, é responsável pelo estado a que chegou Portugal.

Não é a primeira vez que aqui trago esta ideia. A economia nacional e a capacidade empreendedora do país distribui-se por três categorias de agentes: o Estado – o sector público empresarial, enquistado de compadrio e a funcionar como uma espécie de saco azul que serve para pagar favores e fidelidades -, o vasto sector dos bens não transaccionáveis – onde, muito à sombra do Estado, floresceram, em particular, as áreas da distribuição, a financeira, da energia e das telecomunicações – e, depois, um sector que cabe no vulgar conceito das PME, onde verdadeiros empreendedores, na maioria anónimos, garantem o parco emprego e a limitada capacidade industrial da economia e ajudam a manter viva a esperança de que as exportações nos possam resolver os problemas e desatar os nós cegos da situação financeira em que o país caiu.

Quando olhamos para o PSI 20, ou para as diversas listas dos portugueses mais ricos, o que encontramos é aquela segunda categoria. Fixando-nos no pódio dos mais ricos, lá vemos Américo Amorim, Soares dos Santos e Belmiro de Azevedo. Todos começaram ou passaram pela actividade industrial. Todos a abandonaram, ou praticamente a deixaram ao abandono!

Américo Amorim para se fixar no turismo, no sector financeiro e na energia. Belmiro de Azevedo para a distribuição e as telecomunicações. Não é pela Sonae Indústria que também, já há uns anos, a sede do grupo se transferiu para a Holanda!

Corticeira Amorim e Sonae Indústria eram, há vinte ou trinta anos, das maiores empresas industriais do país!

O Grupo Jerónimo Martins nasceu no comércio no final do século XVIII, há mais de 200 anos, a partir de uma loja no Chiado. Nos anos 50 do século passado, aproveitando o condicionalismo industrial do regime de Salazar e em parceria com a multinacional anglo-holandesa Unilever, até então sua fornecedora, entra na indústria alimentar e na de produtos grande consumo: uma actividade industrial diversificada, alicerçada numa aliança com uma das maiores empresas mundiais do sector e sustentada em grandes marcas globais. Quer dizer, com todas as condições para crescer e desenvolver em Portugal uma fortíssima actividade industrial de grande relevância económica, uma enorme alavanca de desenvolvimento!

Mas não. O grupo escolheu a distribuição para crescer e chegar onde chegou! E o contributo da distribuição, desta distribuição em Portugal, como bem se sabe, para o desenvolvimento da economia nacional é tudo menos pacífico…

Quero com isto dizer que o regime produziu coutadas na economia – reservas onde a protecção é grande, o risco é baixo ou nulo e os resultados grandes e garantidos - que os empresários mais cotados – e não me refiro, embora também pudesse, à cotação que essa espécie de agência de notação que funciona na Presidência da República, que os classifica a partir das comendas que lhes atribui – naturalmente, privilegiam.

Não admira que os empresários de mais condições – dimensão, capacidade financeira, sinergias, etc - as dirijam para esses sectores da economia, deixando a indústria para os outros. Esses sim, verdadeiros empreendedores a quem as comendas nem sempre chegam!

Enquanto o triple A Alexandre Soares dos Santos (três comendas) era atacado por uns e defendido por outros desaparecia um desses empreendedores – por acaso, mas também por mérito, comendador – que, fora dessa coutada, na indústria, arriscou, inovou, desenvolveu e criou verdadeira riqueza. Leonel Costa era um dos grandes empreendedores deste país. Sem ele, o país e esta região ficam ainda mais pobres!

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