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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Falsa revolução

Hoje a Luz encheu-se para assistir a dois jogos. Fala-se, em futebolês, de um jogo com duas partes distintas, mas o que se viu foi dois jogos. No primeiro, numa grande exibição do Benfica, que teve tudo o que lhe vem há muito faltando, os perto de 60 mil nas bancadas vibraram com o espectáculo a que assistiam, e com os 5-0 no resultado. No segundo, grande parte deles regressou aos assobios. Pela exibição, e pelo 1-1 no resultado.

Quem, sentado na seu lugar, e sem saber de mais nada do que rodeia o jogo - como tantas vezes me acontece - ao ouvir anunciar a constituição da equipa julgaria estar perante uma revolução. Admitiria que Shmidt revolucionara a equipa. Relativamente ao último jogo, na quinta-feira passada, mudou tudo. No quarteto defensivo apenas manteve Otamendi. No meio campo, apenas João Neves. E, no ataque, apenas Rafa.  

E na verdade, mesmo que pouco inspirado, e inspirador, no primeiro quarto de hora, o jogo confirmaria que se estava perante uma revolução do futebol do Benfica. João Mário assumiu o papel que o futebol lhe destinou, no meio, ao lado de João Neves, entregando a Tiago Gouveia o papel que, equivocadamente, Schmidt lhe tem atribuído. Neres ficou com o de Di Maria, e Tengstedt com o de ... sabe-se lá quem, tantas têm sido as alterações nessa posição 9. 

O Benfica pressionava alto, asfixiava o adversário, jogava com velocidade, chegava à linha de fundo  ... Jogava e marcava, com alto índice de concretização. Cinco golos - dois de Neres, um de Otamendi, Tiago Gouveia e Rafa. Ainda não se tinha visto nada disto nesta época, e já só se pensava que, a continuar assim, o resultado acabaria em qualquer coisa muito parecida com aquele 10-0 ao Nacional, de há cinco anos, acabados de fazer.

Conhecendo as circunstâncias, com Kokçu e Florentino impedidos de jogar por suspensão disciplinar, António Silva de luto por morte de um familiar, Alvaro Carreras, substituído pelo Morato no último jogo, com o Toulouse, ainda incapaz de convencer, e Di Maria e Aursnes sobrecarregados de jogos, começava a duvidar-se dos ideais revolucionários de Schmidt. Afinal o acto revolucionário do treinador não passaria de simples gestão das circunstâncias, e a revolução do futebol do Benfica não passava de uma "revolta" dos jogadores menos utilizados, conscientes que estavam obrigados a "mostrar serviço".

A segunda parte - o segundo jogo -  confirmou isso mesmo, que afinal não havia revolução nenhuma. Começou com o golo do Vizela, numa distracção de Trubin que, chutando a bola contra as costas de um adversário, a fez ressaltar para o goleador da equipa - Essende - a rematar (primeiro remate da equipa) para uma primeira defesa e marcar na recarga. Foi o primeiro sinal de que a desconcentração se voltava a instalar na equipa. 

Trubin ainda se redimiu, ao defender, a meio da segunda parte, um penálti cometido pela desconcentração - e aselhice - de Morato. Mas a equipa foi regressando ao passado. Os menos utilizados foram quebrando fisicamente; os mais utilizados foram regressando à equipa. Di Maria entrou logo ao intervalo, ficando Rafa nos balneários. Aursnes vinte minutos depois, para sair João Neves. E Marcos Leonardo dez minutos mais tarde, para jogar o último quarto de hora e ... marcar. O sexto, obra de Neres - o melhor em campo -, já perto do fim, mas ainda com pernas para correr o campo todo com a bola, passar por todos os adversários e oferecer, com alguma sorte no último ressalto, o golo ao compatriota. Os restantes, Alvaro Carreras e Rollheiser, como habitual, já só depois disto tudo. 

No fim, o 6-1 que fica como o melhor resultado da época, acaba aquém do prometido naquela grande primeira parte. Da revolução, sobra apenas "a revolta" de Neres, a deixar dito que conta. E que não faz de conta. Como Rafa conta: percebe-se que, com 5-.0, tenha sido poupado. Como se percebe a falta que faz!

Adversários difíceis

O Benfica fez mais um jogo fraquinho, esta noite, com o Toulouse, uma equipa que anda pelos últimos lugares do campeonato francês, e que se apresentou na Luz nessa condição, exactamente como fazem as equipas do campeonato português que lutam pela fuga ao últimos lugares.

Não deveria, até por isso, ser novidade para o Benfica. Não havia razão para qualquer tipo de surpresa, e a equipa deveria estar mais que preparada para enfrentar o tipo de dificuldades que na realidade a equipa francesa lhe colocou. 

O problema é que o Benfica já só sabe jogar de uma única forma, e sempre sem velocidade, sem intensidade, sem profundidade, sem linha de fundo. E assim todos os adversários são difíceis, como invariavelmente Schmidt declara.

Não. Este Toulouse não é um adversário difícil, o Benfica é que o tornou, como repetidamente vem fazendo, em mais um adversário difícil. 

Na primeira parte o Benfica criou apenas duas oportunidades para marcar. Primeiro num belo remate de Rafa, que terminou com a bola no ferro do ângulo superior direito da baliza do jovem (18 anos) guarda-redes francês, completamente batido. E, depois, praticamente no último lance, num remate de João Mário, a concluir a melhor jogada que construiu em todo o jogo. Pouco, muito pouco!

Esperava-se que tudo mudasse na segunda parte. Mas o que mudou foi que o Toulouse percebeu que o Benfica estava a jogar tão pouco que acreditou que dificilmente perderia este jogo. Era só deixar passar o tempo, que continuadamente foi queimando, e ir acumulando faltas, sempre com a complacência do árbitro. No Benfica nada mudou. 

Continuou sem agressividade, sem velocidade e a tentar entrar na área pela zona central, onde os jogadores da equipa francesa montavam uma autêntica muralha de pernas. Até que, finalmente num cruzamento para a área, e já com Neres (em vez de João Mário) e Bah (no lugar de Aursenes que, com a saída de Carreras, passou para a esquerda)  em campo, a darem um safanãozito no jogo, um jogador adversário saltou com a mão a uma bola. O penálti era claro. Tão claro quanto disparatado. Mas o árbitro não o viu. Não deve mesmo ter visto porque foram precisos três minutos para o VAR o convencer a ir verificá-lo nas imagens. 

Di Maria converteu-o em golo e, como habitualmente, pensou-se que o mais difícil estava feito. Que a partir daí tudo mudaria. Mas não, outra vez. Bastaram pouco mais de 5 minutos para os franceses empatarem, ao segundo remate que fizeram à baliza, na ressaca de uma bola que subiu até ao céu dentro da área de Trubin, com toda a defesa "a olhar para o balão". Caricato. Mas intolerável, para profissionais.

No quarto dos 7 minutos de compensação - só no penálti passaram mais de quatro, o resto ficou por conta das substituições, sem que nada sobrasse para compensar o tempo queimado pelos jogadores do Toulouse a cada reposição de bola, onde quer que fosse - surgiu o penálti salvador (numa pisadela a Marcos Leonardo que, em mais uma substituição estrondosamente assobiada, tinha entrado para o lugar de Arthur Cabral) que Di Maria voltou a converter. E que valeu a vitória. Justa - talvez a derrota do Toulouse seja mais justa que propriamente a vitória do Benfica - mas que não esconde a realidade que o Sr Schmidt teima em negar.

Pior que esta negação da realidade só as tochas que uns energúmenos voltaram a lançar lá do topo deles. Como pode haver quem queira tanto mal ao Benfica?

Utopia no charco

Pelo segundo ano consecutivo o Benfica deixou dois pontos em Guimarães. Na época passada, os primeiros. E, lembramo-nos bem, na primeira exibição falhada. Ontem, em dia de recordar Feher, vinte anos depois daquele seu último sorriso,  à 21ª jornada, o 11º, na enésima exibição falhada.

A exibição falhada de ontem não tem, no entanto, nada a ver com a do ano passado. Como a equipa vitoriana deste ano não tem nada a ver com a de então, quer no que joga, quer na classificação que ocupa. Esta equipa de Guimarães ganhou ao Sporting - igualando o que só o Benfica tinha conseguido - e deu um "banho de bola" ao Porto, que só ganhou esse jogo por milagres do Diogo Costa.

Da exibição falhada de ontem pode falar-se do estado do relvado que, transformado num autêntico pantanal - provavelmente com outro adversário o jogo não se teria realizado ou, pelo menos teria sido interrompido na primeira parte - tornou difícil jogar futebol. É certo que o estado do relvado era igual para ambas as equipas, mas mais igual para uma que para outra.

Do que não pode deixar de se falar é da opção de Roger Schmidt deixar três pontas de lança no banco, e de escolher jogar sem nenhum. Seria sempre estranho, mas ainda se poderia fazer um esforço de interpretação da ideia do treinador se o campo estivesse em bom estado, e permitisse sustentar uma estratégia de ataque móvel para um jogo de transições rápidas, como se sabe a ideia de jogo mais atractiva que Schmidt tem para apresentar. Naquelas condições do relvado isso era mais que utopia. Era cegueira!

O jogo rapidamente mostrou essa cegueira, com a ala esquerda (Morato, já nem sabe defender e João Mário já não dá para entender, e pior ainda naquelas condições do terreno) desastrada, e os jogadores a jogar como se pisassem o esplendor da relva. Como jogam sempre, os mesmos de sempre, da única forma que conhecem, mesmo se em vez de relva tivessem de jogar num charco. Já se tinha dado conta que nunca há plano B perante contrariedades próprias do jogo. Ontem ficamos a saber que nem perante a impraticabilidade do relvado.

E isso é ainda mais preocupante que os dois pontos ontem deixados em Guimarães.

Porque, nesta altura, ninguém saberá se foram dois pontos perdidos ou um ganho. Ganho pelo Trubin, e pelas substituições que aligeiraram os equívocos iniciais. Poderá sempre dizer-se que afinal o resultado foi o mesmo: que o Benfica empatou (1-1) a primeira parte, sem ponta de lança; exactamente como na segunda, já com dois. Mas, para ser verdadeiro, o golo de Rafa, para empatar a primeira parte, cinco minutos depois do penálti sofrido, aconteceu na única oportunidade de golo então construída. Já o de Cabral, que estabeleceu o empate final, foi consequência de qualquer coisa mais continuada. E, mesmo sem, à excepção da posse de bola, nunca se superiorizar claramente ao adversário - rematando bem menos e não tendo construído mais oportunidades de golo - ainda assim, foi pelo que fez na segunda parte, que o Benfica justificou o empate.

O desconforto de Vizela

Ainda não foi desta que o Benfica teve um jogo tranquilo em Vizela, nem de lá sair com um resultado confortável.

O início do jogo prometia outra história para este jogo dos quartos de final da Taça, mas essas promessas acabaram por não ser cumpridas. Entrando muito bem no jogo, encostando o Vizela à sua área, o Benfica cedo começou a criar sucessivas oportunidades para marcar. Quatro, logo nos primeiros dez minutos, a que se juntou um penálti por assinalar por falta claríssima (para todos, menos para os senhores da Sport TV, como é costume) do guarda-redes do Vizela sobre Rafa.

Por falar nisso, ficou ainda outro por assinalar, mais tarde, sobre Arthur Cabral. E não é apenas por isso que a arbitragem foi apenas mais do mesmo...

Esgotado o primeiro quarto de hora o Benfica abandonou esse domínio avassalador contínuo. É certo que voltou a ter períodos em que mandou absolutamente no  jogo, mas nunca mais com a consistência, e a continuidade, do primeiro quarto de hora. No segundo quarto de hora o Vizela não equilibrou o jogo, mas libertou-se da subjugação a que tinha estado sujeito e, à entrada do terceiro, o Benfica finalmente marcou. Em transição, como é costume. E, como é costume, por obra de Rafa, mesmo que tenha sido Arthur Cabral a marcar.

O golo trouxe de volta o Benfica dominador, mas também de volta o desperdício. E o 1-0 ao intervalo era muito curto para expressar o que tinha sido a primeira parte. E mais ainda para o que é a História destes jogos em Vizela, onde o Benfica sempre ganhou - é certo - mas sempre com fases de jogo, em especial nas partes finais, complicadas e resultados apertados.

O Benfica regressou do intervalo com o mesmo onze, que rompera com as novidades do último jogo, com os regressos de Aursenes à direita, e de Kokçu e João Mário, mas acrescentava a estreia de Alvaro Carreras a titular. E a qualidade do seu jogo começou a baixar, não atingindo mais o nível da primeira parte. 

Ainda assim continuou com o jogo totalmente controlado, e chegou até ao segundo golo perto do meio da segunda parte. Desta vez em ataque continuado, com João Mário a marcar, corrigindo a tentativa falhada de Arthur Cabral responder ao cruzamento de Aursenes. 

Era o golo da tranquilidade, que acabaria com os habituais sobressaltos de Vizela. Mas não foi, porque, apenas três minutos depois, com um golo que não caiu do céu mas de uma carambola, daquelas que acontecem sempre que alguma coisa pode correr mal. E lá voltou a História a repetir-se. 

Não que o Vizela tenha criado qualquer oportunidade para chegar ao empate. Nada disso, as oportunidades que aconteceram voltaram a pertencer ao Benfica, e o guarda-redes que foi chamado a evitar golos voltou a ser o do Vizela. Mas que se voltou ao desconforto de Vizela, é inegável. 

As substituições melhoraram o Vizela, ao contrário do que aconteceu no Benfica. Marcos Leonardo  não entrou bem e nunca deu à equipa o que Arthur Cabral dera. Mesmo que, naquela altura - logo a seguir ao golo do Vizela - a entrada de Morato tenha sido justificada pelo cartão amarelo, e pelas dificuldades defensivas que Carreras já evidenciava. A entrada de Florentino, em substituição de Kokçu, foi tardia (84 minutos), já quando o Benfica perdia todos os ressaltos e "segundas bolas". E se a de Bah, em simultâneo, foi para dar descanso a Aursenes, a pensar em Guimarães, valeu-lhe de pouco. Foi curto, o descanso.

E lá está - as últimas imagens são as que ficam. E convenhamos que não foram as melhores do jogo. Agora, para as meias finais, vem o Sporting, já no final do mês. Para o Porto é que não. Logo se verá quando terá de disputar a outra meia final com o Guimarães.

Nas vésperas da deslocação ao Dragão, para o campeonato, o Benfica estará a disputar a meia final com o Sporting. Enquanto o Porto estará a jogar os 63 minutos que faltam do jogo com o Santa Clara.

 

Na frente, sem dogmas!

Assistimos hoje, na Luz, a um belíssimo espectáculo de futebol. Começo exactamente por aí, pelo lado do espectáculo, a que nem sempre se dá o devido destaque. 

Foi um jogo aberto, em que quer o Benfica, quer o Gil Vicente, se preocuparam unicamente em jogar à bola. Deveria ser sempre assim, mas bem sabemos que não é. As equipas preocupam-se sempre mais com o resultado do que com a exibição. Mais em destruir, que em construir. Em simular faltas, e queimar tempo, que em disputar o jogo.

Bem sei que há nisto muito de romantismo, e que, hoje, o futebol não é nada disso. Mas continua a ser bonito ver um jogo de futebol em que as equipas em confronto são leais, jogam o jogo, e deixam de lado as manhas que matam o espectáculo.

Foi neste "cenário macro" que aconteceu este Benfica-Gil Vicente da vigésima jornada do campeonato. O Benfica não precisou de fazer uma exibição deslumbrante para ser parte activa, e protagonista principal, deste belo espectáculo de futebol. Entrou em campo com duas caras novas no onze titular mas, na realidade, com três alterações na equipa: Florentino e Bah, foram as caras novas; Aursenes, libertado do lado direito da defesa pela inclusão, mais de três meses depois, do regressado Bah, foi a terceira, com o regresso à ala esquerda, há muito ocupada por João Mário.

Quer dizer que, de fora, ficaram (precisamente) João Mário e Kokçu. Dois jogadores discutidos: o primeiro, pelas razões de sempre; o segundo por razões de posicionamento no campo. Dois jogadores tidos por "pendurados" nos  "dogmas" de Schmidt.  

Não sei - ninguém saberá - se os dogmas deixaram de o ser. Sabe-se - vê-se claramente - que Florentino faz melhor o que Schmidt pretende que Kokçu faça na "posição 6". Sabe-se que "o 10" é "um 10", e não "um 6". E sabe-se - melhor, imagina-se - que, para Kokçu jogar lá na frente, só o poderá fazer na vez de Rafa. Que não é um "dogma", é a realidade do melhor que a equipa tem.

Na verdade os "dogmas" dos treinadores são o que são. E, por muito bom que Kokçu seja "a 10", não há forma de prescindir de Rafa ... enquanto ele por cá estiver. Tal como, por muito que Schmidt aprecie o futebol de João Mário, preferirá sempre Aursenes para aquela função na esquerda.

A insistência em Morato no lado esquerdo da defesa é outro dos "dogmas" que este jogo de hoje desfez. É sempre mais fácil enfrentar os dogmas quando as coisas correm bem. Bastaram os pouco mais de vinte minutos em campo para Álvaro Fernandez confirmar que, finalmente, o Benfica tem um lateral esquerdo. Não é (ainda?) Grimaldo, mas deixou claro que Morato (não deve ser alvo de ingratidão) terá de ter as suas oportunidades mas no seu lugar de central.

A quebra destes "dogmas",  evidentemente que pelas opções agora disponíveis, junto com o fim das indefinições na posição 9, com a estabilização da aposta em Cabral, dão uma nova estabilidade à equipa. Tudo isto somado com a liderança, mesmo que à custa do adiamento do jogo do Sporting em Famalicão por falta (protestos) de polícia, dão um novo alento ao Benfica para atacar esta fase decisiva do campeonato.

O resto foi o jogo. Bom, como já foi referido. E que o Benfica dominou por completo, garantindo que nas bancadas da Luz se vivessem 90 minutos de festa, sem qualquer espécie de sobressaltos. Não precisou de rematar muito - foi o jogo com menos remates na Luz, apenas dez - nem de uma rara e extraordinária eficácia para construir o 3-0 final. Precisou apenas de jogar bem, e de marcar nos momentos certos: aos 15 minutos, num cabeceamento de Cabral, no canto cobrado por Di Maria; aos 35, igualmente na sequência de um canto, mas com notável trabalho do inesgotável João Neves, ao segundo poste; e de Rafa, logo no arranque da segunda parte, em mais um grande remate, a concluir uma das melhores jogadas do desafio.

E foi o minuto 29, de comovente homenagem a Feher, por acaso numa altura do jogo em que o Gil Vicente, que nunca abdicou de jogar à bola, mais procurava ameaçar a superioridade benfiquista. Mesmo que apenas a cinco minutos do fim tenha obrigado Trubin à sua única defesa. De grande qualidade, a garantir a folha limpa. 

Duas caras com as mesmas caras

Arthur Cabral deixa Reboleira 'a ver Estrelas' e Benfica recupera sorriso

Para a curta deslocação à Amadora Roger Schmidt repetiu as suas habituais opções na equipa. Repetiu de tal forma que até voltou a mudar na posição 9 entregando, desta vez, a titularidade a Arthur Cabral. E, com a mesma cara, o Benfica voltou a ser igual ao dos últimos jogos, alternando entre momentos depressivos e outros próximos da perfeição.

Na primeira meia hora andou sempre mais perto do seu registo exibicional mais negativo que doutra coisa. Baixa agressividade, baixa velocidade, e baixo ritmo. E, com tanta coisa em baixo, era difícil que o Estrela não fosse bem sucedido na sua estratégia, muito semelhante à da maioria das equipas que defrontam o Benfica, bem conhecedoras daquele modelo de jogo. A equipa da Amadora mostrou que estava preparada para explorar as dificuldades do Benfica em ataque continuado, mas também para contrariar o seu lado mais forte - as transições ofensivas. Defendeu em "bloco baixo", e quando subiu conseguiu fazê-lo sem deixar muito espaço nas costas mas, especialmente, a pressionar com grande agressividade quer o portador da bola quer os espaços.

Sem velocidade, e sem grande inspiração, os jogadores do Benfica não conseguiam romper a "teia" que os da Amadora iam, cada vez mais confortavelmente, tecendo. Não se pode dizer que o golo do Estrela fosse, naquela altura, à beira da meia hora de jogo, a coisa mais esperada deste mundo. Mas pode dizer-se que se adivinhava com alguma facilidade.

Nem isso despertou o Benfica, que continuou refém das opções mais discutíveis (e discutidas) de Schmidt, seja na ala esquerda, seja no meio campo. E o jogo encaminhava-se para o intervalo, a prometer mais uma noite de sofrimento. Valeu a qualidade dos jogadores, e uns momentos de inspiração para dar a volta ao resultado é à história que o jogo estava a escrever. 

Em dois minutos - o último antes dos 45, e o primeiro dos da compensação - Di Maria, Cabral e Rafa soltaram o génio e resolveram. Primeiro com uma espectacular "bicicleta" de Cabral a concluir um passe de génio de Di Maria. Depois, com Rafa, num remate de grande execução, a responder ao passe do brasileiro, novamente descoberto pelo rasgo do argentino.

O resultado ao intervalo, ainda assim justificado pelas oportunidades de cada equipa - o Estrela dispusera de duas e o Benfica de, pelo menos, quatro - não ajudou apenas a serenar o Benfica. Ajudou a galvanizar a equipa.

Ao intervalo Schmidt fez apenas uma substituição. E porque a ela foi obrigado pela lesão de Kokçu - a agressividade do Estrela foi muitas vezes muito mais do que isso, foi mesmo, e continuou a ser, dar no osso sem dó nem piedade - com a entrada de Florentino. Fez-se sentir: Kokçu não faz o mesmo, nem nada que se pareça. É um desperdício naquela zona do terreno, mas o treinador é que sabe.

Por força dessa alteração, ou não (custa a crer!), o Benfica passou para a segunda parte como da noite se passa para o dia. E, então sim, passou para uma exibição que passou por momentos de grande brilhantismo, ficando a dever ao marcador uma boa mão cheia de golos. 

Otamendi, em recarga a um remate ao poste de Cabral, fez o terceiro ainda dentro dos primeiros dez minutos, e o Benfica dominou por completo o jogo. Antes, mas também depois, de mais umas quantas oportunidades de golo. E o quarto, novamente de Marcos Leonardo, um quarto de hora depois de ter entrado, acabaria apenas por aparecer já no período de compensação. 

Não acabam aqui - na exibição da segunda parte e no golo que deu a mínima expressão ao reultado - as boas notícias desta noite. Houve mais: o regresso de Bah, a juntar ao de Neres (entraram ambos com Marcos Leonardo), e a estreia de Rollheiser, mesmo que apenas por cinco minutos. Má notícia é que Álvaro Fernández nem sequer tenha saído do banco.

O Estrela jogou os últimos vinte minutos com menos um jogador, o que terá sido o seu maior sucesso. Com tanto "pau que deu", chegar ao fim com apenas um jogador expulso bem podia ser uma das principais notícias do jogo.

 

 

Faltou sorte. Mas também competência.

Esperava-se que Roger Schmidt fizesse alguma rotação neste jogo com o Estoril, o "outsider" destas meias finais da Taça da Liga, em Leiria. Mas não!

A única rotação que fez foi aquela que mais vezes faz: no ponta de lança. Desta vez com Petar Musa, que tem sido o descartado dos últimos jogos. A mostrar que não tem dúvidas no seu melhor "onze", mas que tem todas as dúvidas no ponta de lança. E, pelos vistos, tanto maiores quantos mais tem à disposição.

O Estoril, com todo o mérito nesta sua primeira presença nesta fase final, à custa do Porto, mesmo vindo de quatro derrotas consecutivas, sempre vergado à goleada, mostrou que Roger Schmidt teria razão em não "facilitar", se é que isso é insistir nos mesmos jogadores que sempre escolhe. 

Não "facilitou" na escolha da equipa inicial, mas ela facilitou. Falhou no que costuma falhar: no ataque organizado, mesmo que tenha criado nessa circunstância de jogo muito mais oportunidades que nos últimos jogos, e na concretização. E faltou-lhe o que não lhe costuma faltar: espaço e tempo para as transições rápidas, em boa verdade a circunstância de jogo que tem sustentado os êxitos da equipa durante toda esta época.  

O Estoril entrou bem no jogo, como que avisar ao que vinha. Teve aí, no primeiro quarto de hora, o seu melhor período, aquele em que realmente dividiu o jogo com o Benfica, disputando-o abertamente, em todo o campo. Fez então o seu único remate à baliza em todo o jogo e, nele, o golo. Obra de Rafik Guitane, um jogador que já por cá anda há uns anos, de que há muito aqui falo, e que provavelmente é demasiado barato para a política de contratações do Benfica. 

Se o "scouting" ainda não deu por ele, se não é suficientemente bom para despertar a atenção de Schmidt, é melhor pedirem a opinião a Mourato. Pode ser que ele os convença e - quem sabe? - até consiga explicar à Administração da SAD que, por poucos milhões, também se contratam bons jogadores. Que pagar quinze, vinte ou mais milhões não é condição necessária. E muito menos suficiente.

Apanhando-se a ganhar, o Estoril passou a alternar o "autocarro" com breves momentos de posse de bola. E começou logo a queimar tempo. A perder, o Benfica tomou definitivamente conta do jogo. Quatro minutos depois, a concluir um belo lance de  futebol - passe soberbo de Kokçu para Aursenes, e cruzamento milimétrico para a cara do guarda-redes  -  Rafa desperdiçava um golo cantado. Foi mais Rafa a acertar no Dani Figueira, que propriamente uma grande defesa. 

Entre esta primeira grandíssima oportunidade e a segunda, com Di Maria isolado, numa daquelas que nunca falha, a permitir a defesa do guarda-redes (novamente com mais demérito para o remate que mérito para a defesa) passaram 15 minutos, com três ocasiões de golo - António Silva e Musa, por duas vezes - pelo meio. Os restantes dez minutos, até ao intervalo, foram um misto de anti-jogo e daquelas pequenas coisas que os árbitros sabem fazer - cantos transformados em pontapés de baliza, faltas por assinalar, ou por punir disciplinarmente. Amarelos, só um para cada lado, "salomónico" quando a vítima tinha sido Kokçu.  E outro para Schmidt, por protestar os dois minutos - dois, depois da permanente "queima de tempo" nas reposições de bola nos pontapés de baliza, e das entradas em campo da equipa médica do Estoril - de compensação.

O Benfica entrou para a segunda parte com o mesmo onze, mas com mais velocidade e pressão. O jogo continuou com sentido único, com o Estoril a defender-se como podia e com a ajuda de todos os santos. Cantos e mais cantos, sempre depois de mais uma das vinte pernas do Estoril acabar com as sucessivas ondas de ataque benfiquista. Rafik Guitane é que, a cada vez que tocava na bola, continuava a dar cabo da cabeça a Morato. 

Depois do descrente Musa - ainda em campo - ter falhado mais uma oportunidade, logo a seguir abriu as pernas para que o cruzamento de João Mário chegasse a Otamendi (sim, em ataque continuado!) para, finalmente, rematar para o golo. Ainda se não tinha esgotado o primeiro quarto de hora, e o mais difícil estava feito - pensava-se. Aquele era só e apenas o primeiro golo.

Mas ... nada disso. O jogo continuou como se nada se tivesse passado. A mesma "queima de tempo" e as mesmas "pequenas coisas que os árbitros sabem fazer". João Mário protestou e viu o amarelo. Rafa voltou a falhar um golo cantado, e Schmidt começa finalmente a "mexer" na equipa.

Tirou Musa e Kokçu, para entrarem Marcos Leonardo e Tiago Gouveia. Que foram pouco depois intervenientes na melhor jogada do desafio, quando Tiago Gouveia avançou pela esquerda, deu na zona central para Rafa Silva, que combinou com Di María e assistiu Marcos Leonardo que, incrivelmente, e por muito pouco, não marcou. 

Tudo corria mal e, já certamente a pensar nos penáltis, Schmidt mantinha João Mário em campo ao lado de João Neves, depois da saída do médio turco. Ora, se João Mário não tem intensidade para aquela função, "amarelado", pior ainda. O Benfica sufocava o adversário, o coração ia mandando mais que a cabeça, e o golo não aparecia. Nem naquele remate espectacular de Di Maria, no último lance do jogo. Não foi sorte nem azar. Foi milagre. A defesa do Dani Figueira foi milagrosa. Sorte, ou azar, foi a bola sair a partir do poste.

E lá vieram os penáltis para desempatar o jogo. De um lado, um guarda-redes que tinha defendido (quase) tudo, e tinha até acabado de fazer um "milagre". Do outro, um guarda-redes que não tinha feito uma única defesa em todo o jogo. E que falhara na única oportunidade que teve para o fazer. Mas nem foi por aí, afinal cada um acabou por defender um. E sem grande mérito, apenas por demérito dos marcadores. Grande - enorme - de Marcos Leonardo, no segundo penálti. 

Bem maior do que o do Tomás Araújo - entrara nos últimos minutos, em simultâneo com a estreia de Álvaro Fernandez (Morato) a substituir Aursenes - que bateu bem, enganou o guarda-redes, e teve a infelicidade de a bola rasar o poste pelo lado de fora.

Tenho sempre alguma dificuldade em resumir o desfecho de um jogo de futebol a sorte e azar. Acho que há sempre mais qualquer coisa para explicar o resultado. E hoje, para além da sorte, faltou competência ao Benfica!

Inquietação

Arranque da segunda volta do campeonato, e segundo jogo consecutivo na Luz, novamente perto de cheio (55 mil), mas ainda baixo da média da temporada. Com o Benfica a ter contas para ajustar com o Boavista, a única equipa com que perdeu nesta competição, logo na primeira jornada, e nas condições em que todos recordamos.

Já sem Petit - gratidão é coisa que não assiste no futebol, menos ainda em Portugal e, menos ainda no Boavista - a equipa axadrezada não foi muito diferente da de então. Muita força, muita entrega, marcação cerrada e, a espaços, alguns momentos de futebol. É uma daquelas equipas que obrigam o adversário a correr, e a lutar, tanto como eles. E o Benfica, já se sabe, não se sente muito confortável com essa obrigação. Acresce que o adversário moralizado pelos últimos dois jogos, com o empate com o Porto e a goleada em Vizela.

Tudo se conjugava para mais um jogo de elevado grau de dificuldade para o Benfica, o que se confirmou.

Na primeira parte o Boavista apenas defendeu. O que não quer dizer que o Benfica apenas tenha atacado, e menos ainda que tenha massacrado a defesa boavisteira. Isso não aconteceu porque ao Benfica faltou intensidade, faltou pressão alta consistente, e faltou ... João Neves. Mas também porque tem dificuldades no ataque continuado, e porque o árbitro Gustavo Correia é, com conhecida folha de serviço, mais do mesmo. Ignorou faltas sucessivas, muitas delas merecedoras de sanção disciplinar, e algumas dessas praticadas pelo mesmo jogador. O que quer dizer alguns deles, e descaradamente Salvador Agra e Luís Santos, poderiam e deveriam ter sido expulsos bem cedo no jogo.

A arbitragem deste senhor, que tem brilhado nos jogos do Porto,  saiu melhor que a encomenda, teve clara influência no desenrolar do jogo, e criou um ambiente de instabilidade nos jogadores e nervosismo nas bancadas. Basta dizer que o Boavista chegou ao intervalo com três faltas assinaladas. E o Benfica com 8. 

Com o Boavista só a defender (o seu melhor marcador, o internacional eslovaco Bozeník, foi mais um central), o Benfica chegou ao intervalo com muitos cantos, doze remates, e quatro oportunidades de golo, mas sem marcar... Podia - e deveria - ter feito mais e melhor. Mas tem de se reconhecer que, naquelas condições, isso também não era fácil.

A segunda parte começou com o golo de Di Maria. Finalmente. Que mudaria o jogo. Mas não. O VAR foi descobrir que no início da jogada a bola batera na mão de João Mário. Gustavo Correia foi ver as imagens e regressou todo satisfeito, para anular o golo.

Mas o jogo mudou, na mesma. O Boavista percebeu que nada de mal lhe poderia acontecer, passou a afoitar-se mais, e o jogo chegou mesmo "a partir". Bozeník já não era central e, num contra-ataque, surgiu na cara de Trubin. Que evitou o golo com uma grande defesa, complementada com o apoio de Morato, a impedir que a bola defendida chegasse, ainda assim, a entrar.

Foi a única oportunidade conseguida pelos boavisteiros em todo o jogo mas, naquela altura, por volta dos dez minutos da segunda parte, não se sabia. E a inquietação subia, logo a seguir quando, prosseguindo a sua escalada, o árbitro assinalou uma falta que Florentino não cometeu, e lhe mostrou o cartão amarelo. E a Rafa, por protestar a absurda decisão. Otamendi também já o tinha visto, minutos antes.

Vivia-se esta inquietação quando, à saída do primeiro quarto de hora, Di Maria marcou. Num centro-remate, depois de desmarcado pela diagonal de Kokçu, a bola acabou por entrar sem que nem, primeiro Cabral e depois João Mário, lhe tenham conseguido tocar. A demora a confirmar o golo indica que o VAR ainda vasculhou tudo à procura de qualquer coisa que aliviasse a dor do tal Gustavo.

Logo a seguir Rafa poderia ter marcado, e resolvido a inquietação. Mas o remate saiu rente ao poste, e o Boavista cresceu. O cartão amarelo "liquidara" Florentino. Deixou de existir, e a sua substituição era obrigatória. Mas tardou. E, quando foi feita, a 20 minutos dos 90, não correu muito bem: entrou Tomás Araújo para a direita (o Benfica ficava só com centrais no quarteto defensivo) e Aursenes derivou para o meio campo, donde pareceu já desabituado. Em simultâneo entrou - e essa correu bem - Marcos Leonardo para o lugar de Cabral.

Schemidt teve um quarto de hora para perceber que não correra bem, e emendou a mão com a entrada de João Neves (a carga de porrada que levou no jogo com o Rio Ave deixara-o sem poder treinar e, por isso, sem condições físicas para jogar), para o lugar de Kokçu, que acabara de, no seu primeiro remate à baliza, estar muito perto do golo. Faltavam mais de 10 minutos (com os descontos) para o fim, e o miúdo funcionou como um forte ansiolítico para a inquietação que reinava nas bancadas. E no relvado.

João Neves, recebido logo à porrada pelos adversários, pegou no jogo e não o largou mais. Mas o sofrimento apenas acabou mesmo já no período (seis minutos) de compensação, finalmente com o segundo golo. Mais uma vez numa jogada de ataque rápido, com um passe longo e preciso de Otamendi para Di Maria, que recebeu como só ele sabe e serviu de bandeja Marcos Leonardo. Que não falhou, e marcou também o seu segundo golo. No seu segundo jogo. Depois de vinte minutos em campo, que somam aos dezassete do primeiro.

O Benfica construiu dez oportunidades de golo. Criou 50 acções na área adversária mas, mais uma vez, só conseguiu marcar nas duas que resultaram de lances de ataque rápido. E esta não é uma boa notícia. Nem novidade!

Boas notícias são os sinais que Marcos Leonardo está a dar, e o regresso de Neres. Jogou só um minuto, mas é finalmente o regresso. Tão ansiado como o segundo golo, esta noite! 

 

 

Experiência nada recomendável

Não houve diabo, esta noite na Luz. Que não encheu, mas que estava bem composta, com perto de 55 mil adeptos nas bancadas. Mesmo que o primeiro remate, e a primeira oportunidade, tenha pertencido ao Benfica, logo no arranque do jogo  para, logo a seguir, no seu primeiro remate, o Rio Ave tenha marcado.

Ainda não tinha dado para perceber o que o jogo teria para dar e, aos nove minutos, o Rio Ave já ganhava. Percebeu-se logo a seguir, quando se começou a ver que que o Benfica não conseguia reagir ao golo sofrido, e que o Rio Ave punha e dispunha do jogo praticamente a seu belo prazer. Dominava o meio campo, onde os seus jogadores chegavam sempre primeiro à bola, e ganhavam todos os ressaltos, e impunha o ritmo do jogo.

Foi assim durante praticamente toda a primeira parte, com o Benfica apenas com um ou outro "salpico". Num deles, às portas da meia hora, numa transição de Rafa (tinha que ser!), ao segundo remate - foram vinte e três minutos sem rematar - e à segunda oportunidade, marcou. A assistência de Rafa foi primorosa para um grande golo de Di Maria, daqueles que só ele mesmo consegue marcar.  

Esperava-se que finalmente, e com o golo do empate, se invertesse definitivamente o rumo do jogo. Mas não. O Rio Ave continuou a ser melhor equipa, e o Benfica não conseguiu muito mais que mais dois ou três "salpicos" já com o intervalo à vista, com o guarda-redes vilacondense a evitar o golo com duas grandes defesas. Primeiro a João Mário, com um vistoso chapéu e, logo a seguir a Rafa. 

Esses cinco a dez minutos finais fizeram com que, ao intervalo, as estatísticas revelassem um equilíbrio, que na realidade era ilusório. Na posse de bola (52-48%), nos remates (4-5), com todos os do Benfica enquadrados, e apenas um do Rio Ave fora do alvo, e com dois cantos e três oportunidades de golo para cada lado. E fizeram, até porque as últimas imagens são sempre as que mais ficam, as bancadas - de onde tinham começado a sair os primeiros assobios - acreditar que o pior tinha passado, e que a segunda parte colocaria as coisas no devido sítio.

Foi no entanto mais uma ilusão. O recomeço da partida voltou a trazer um Rio Ave melhor, e dominador. Não havia diabo, mas ele estava lá, bem dentro da exibição do Benfica. Nos primeiros três minutos a bola foi parar duas vezes ao poste da baliza ... de Trubin. E o pesadelo (a lembrar aqueles 20 minutos com o Famalicão, no último jogo do ano) prolongou-se até ao fim do primeiro quarto de hora.

Nunca ninguém poderá garantir que, não tivesse sido a expulsão (dois amarelos em menos de dez minutos) do defesa do Rio Ave, dois minutos antes, o pesadelo tivesse acabado tão cedo. Mas que o jogo mudou aí, não há dúvida. E o Benfica tomou então, finalmente, o comando claro do jogo.

O livre resultante da falta (corte com a mão de uma jogada prometedora) que ditou o segundo amarelo ao defesa do Rio Ave, cobrado por Di Maria, acabou numa grande defesa do guarda-redes, para canto. Que repetiu para evitar o golo no canto directo do mágico argentino. Novo canto que acabou no golo da reviravolta, de António Silva.

Logo a seguir, na tripla substituição de Schmidt - que já estava programada - assistiu-se à estreia de Marcus Leonardo (entrou a substituir Arthur Cabral, como Florentino e Tiago Gouveia substituíram Kokçu e Di Maria), a primeira contratação de inverno. Que marcou aos 80 minutos, dezassete depois de ter entrado. Na estreia, a fazer lembrar Jonas. Que foi o que sabemos.

A partir do golo da reviravolta, então sim, foi um festival de oportunidades. E foram apenas mais dois golos (o último, de João Mário, em mais uma assistência espectacular, de trivela, de Rafa, no primeiro dos três minutos de compensação) porque quer Tiago Gouveia, que mexeu completamente com o jogo, quer o estreante Leonardo queriam muito marcar. E, de tanto quererem, e tanto tentarem, acabaram por eliminar as muitas ocasiões de que desfrutaram.

Com aquela meia hora final, o Benfica passou das 3 oportunidades de golo, ao intervalo, para 14; e o Rio Ave das mesmas três para cinco, com as tais duas bolas nos postes, nos primeiros três minutos da segunda parte. E, no fim, as estatísticas não foram mentirosas. O Benfica acabou por ganhar bem, mas lá que podia ter sido o diabo, podia.

Não se recomenda que se repita a experiência. É mesmo perigoso!

 

Abracemos Eriksson

O legado de Eriksson no Benfica

Sven-Göran Eriksson faz parte da História do Benfica. Chegou, em 1982, ainda jovem, com um surpreendente título europeu no currículo - ao serviço do desconhecido IFK Goteborg, onde ganhou tudo o que havia para ganhar na sua Suécia natal - para revolucionar o futebol em Portugal. Saiu dois anos depois, com o pleno de dois campeonatos - um bicampeonato que o Benfica já não conseguia desde 1975/76 -, uma Taça de Portugal e uma final europeia (Taça UEFA), que o Benfica já não atingia desde os tempos áureos de Eusébio e Cª. 

Regressou cinco anos depois, em 1989 para, três anos depois, regressar a Itália e partir para o mundo. Depois de conquistar mais um campeonato, e da última presença do Benfica na final da Taça dos Campeões Europeus, perdida (por 0-1) para o então "dream team" do Milan. 

Mas não é apenas por tudo o que ganhou. Nem pelo revolucionou o futebol em Portugal. Nem pela simplicidade, nem pelo cavalheirismo e pelo desportivismo, num futebol que não sabe o que isso é (recordemos as "estórias" das Antas, do guarda Abel, da creolina nos balneários). É por tudo isso, e porque é, e será sempre, um dos nossos que, neste dia em que anunciou que lhe restam poucos meses de vida, nós, benfiquistas estamos obrigados a envolvê-lo num gigantesco abraço de carinho, conforto e gratidão. 

Se não for já possível dá-lo no sítio certo, temos de lho fazer chegar de todas as formas possíveis. O meu, por mais simples e insignificante que seja, fica aqui. Já. Mas ainda à espera que tudo seja feito para que seja possível dar-lho anonimamente, no meio da imensidão de braços abertos para o receber no Estádio da Luz, a dizer-lhe que é, e será sempre, um de nós!

 

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