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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Na final, naturalmente … mas

 

O Benfica está, com toda a naturalidade, na final da Taça de Portugal, onde irá encontrar a equipa que melhor joga em Portugal, o Braga, que ontem eliminou categoricamente o Porto, depois de meia hora de grande futebol, interrompido por uma expulsão, se não manhosa, muito discutível.

Com a vantagem de 3-1 trazida do Estoril, e mesmo pela condição do adversário, do segundo escalão do futebol nacional, o que faltava era mesmo que o Benfica não conseguisse atingir esse objectivo de finalista da Taça. Daí a naturalidade do apuramento para a final. E não falo do sorteio, porque disso não tem o Benfica qualquer culpa. Se todos tivessem feito o que fez - ganhar aos seus adversários - esta meia final não teria estado o Estoril, como sabemos.

O jogo não foi nada estranho, foi um jogo de sentido único, e de domínio absoluto, e por vezes avassalador, do Benfica. Estranhas são as sensações que ficaram de uma exibição que não se pode deixar de qualificar como interessante, mas que não permite projectar grande entusiasmo para o que aí vem, e em particular para atacar o segundo lugar do campeonato. 

O Benfica fez muitos remates, criou muitas oportunidades de golo, mas só marcou por duas vezes, no fim da primeira parte, e no fim do jogo. Mas não é esse, o do tempo, o único traço comum entre os golos. Nem o que mais releva, porque os golos têm o mesmo significado no início, no meio ou no fim de cada uma das partes do jogo. O traço que une os dois golos, e que releva, é outro: ambos só foram possíveis quando os seus marcadores gozaram de todo o espaço do mundo. Coisa que, como se sabe, raramente acontece, e mesmo hoje só aconteceu nessas duas ocasiões. Sem espaço, com os rematadores sujeitos a marcação cerrada, o Benfica não conseguiu marcar.

Poderá dizer-se que é sempre assim. Que só se marcam golos se se criarem espaços para isso. Mas o espaço que foi preciso para fazer aqueles dois golos muito raramente existem nos jogos do Benfica. No primeiro, Gonçalo Ramos estava sozinhíssimo na área do Estoril porque o adversário cometeu um erro na saída de bola. Um erro provocado pela pressão do Benfica, é certo. No segundo, Waldschemidt concluiu um contra-ataque de cinco contra dois.

Claro que há mérito nestes dois tipos de lances. De resto os maiores pecados do futebol desta equipa de Jorge Jesus têm mesmo sido as transições, defensivas e ofensivas. E não é por acaso que este foi o primeiro golo da época em contra-ataque, ou em transição ofensiva rápida, como agora se diz. 

Mas não deixa de ser preocupante que só nestas raríssimas condições de espaço o Benfica tenha conseguido marcar. Como não deixa de preocupar o contínuo desperdício da qualidade de Waldschemidt (o golo não é nada fácil, até porque não nasceu do aproveitamento dos tais cinco contra dois). Se um treinador não consegue potenciar o aproveitamento de um jogador destes...

Maldita covid

 

O Benfica regressou hoje às vitórias, ganhando por 2-0 na Luz, ao Rio Ave, mercê da sorte do jogo na primeira parte, e de uma exibição já aceitável na segunda.

Na primeira parte, à excepção dos primeiros 10 minutos, em que até teve uma bola nos ferros, precisamente no ângulo entre o poste (direito) e a barra, num remate de Everton que merecia golo,  o Rio Ave foi sempre melhor em todos os capítulos do jogo, mesmo que apenas com um terço da posse de bola.

Nos insucessos desta época, e particularmente na Luz, o Benfica tem sempre podido queixar-se de o adversário marcar sempre na primeira vez que chega à baliza. Foi quase sempre assim, a jeito de cada cavadela cada minhoca. Tivesse hoje sido assim e provavelmente estaríamos agora a lamentar mais um desaire. Não foi. O Rio Ave teve - também - uma bola no poste, e teve ainda mais três oportunidades claríssimas para marcar. Quatro, ao todo, contra apenas aquela do Everton para o Benfica. 

Mas nem foi só isso, nem o Rio Ave apenas rematou o dobro do Benfica. Deu um verdadeiro banho de bola. 

Sabemos que a culpa é do covid. É pelo covid que a equipa não joga nada e é vulgarizada por qualquer adversário. É também por culpa do covid que a equipa não sabe o que fazer com as bolas paradas,  as únicas ocasiões que, depois dos 10 minutos iniciais, o Benfica teve para responder ao melhor futebol do Rio Ave. Foi simplesmente ridícula a forma como foram cobrados os cantos e os três ou quatro livres laterais de que a equipa dispôs.

Sabe-se lá por quê, o covid foi para os balneários ao intervalo e ficou lá. Não regressou, e a segunda parte foi outro jogo completamente diferente. Mesmo sem nunca chegar - nem lá perto - a um nível exibicional que satisfaça os adeptos e galvanize os jogadores, o Benfica superiorizou-se claramente ao adversário que, pelo tempo que demorou a regressar ao relvado, parecia estar a adivinhar o que iria suceder. A não ser que se tenha atrasado apenas para não se cruzar com o covid que tinha ficado nas cabines.

No primeiro quarto de hora da segunda parte o Benfica fez o dobro dos remates que fizera na primeira, e criou o triplo das oportunidades de golo, com o Rio Ave sem conseguir sair da sua área. Porquê tamanha diferença? Pelo covid?

Não. Apenas porque os jogadores puseram intensidade no jogo, coisa que nunca tinham feito na primeira parte. O primeiro (Seferovic) chegou mesmo no fim desses primeiros quinze minutos, e já era sobejamente justificado. Esperar-se-ia que o golo espevitasse os jogadores, e os fizesse embalar para uma exibição bem conseguida. Fosse pelo tempo que demorou a validar, que arrasa por completo os factores motivacionais do golo, fosse pelo covid da primeira parte, o que se seguiu ao golo não bateu certo com o que o antecedera, e o Rio Ave teve oportunidade de se mostrar e de lembrar o que fizera até ao intervalo.

Foi sol de pouca dura, o Benfica conseguiu reequilibrar-se, também com as substituições que, desta vez viradas para o desgaste da condição física dos jogadores, bateram certo. Mesmo que a saída de Waldschmidt, que não está fisicamente muito castigado, e que estava então a jogar bem, tivesse sido pouco compreensível. 

O segundo golo (Pizzi, que entrara na primeira leva para o lugar de Taarabt) apareceu já à entrada do quarto de hora final, depois de dois ou três falhanços (de Seferovic e do próprio Pizzi), e antes de outros tantos e de mais duas ou três grandes defesas do guarda-redes vila-condense, que até é polaco, nos dez minutos finais.

Pode ser que o covid se vá embora de vez. E que agora só falte mesmo jogar mais um bocado à bola.

Parabéns Benfica

Benfica 117.º Aniversário Clube Vídeo - SL Benfica

 

O Benfica comemora hoje 117 anos. Quase um século e um quinto de História de glória, que não é apagada por momentos menos bons, e às vezes até menos dignos dela, como é o presente. 

Celebrar este aniversário é afirmar essa História de glória e chama imensa, e intensa. É também gritar bem alto que esta chama é indestrutível, e que não toleramos mais que uma casta de oportunistas continue a fazer do Benfica o seu bunker de protecção pessoal. E que não permitiremos que ninguém manche de vergonha 117 anos de História do maior e mais glorioso clube de Portugal.

Rafa não merecia a incompetência de Jesus

 

Depois de falhado o acesso à Champions, de perdida a Supertaça, de perdida a Taça da Liga, e de perdido o campeonato, o Benfica acaba de ficar também de fora da Liga Europa, logo na primeira vez a eliminar. Tudo o que havia de objectivos esta época foi irremediavelmente pelo cano abaixo.

Para que não sejam falhados todos os objectivos, a Direcção, através do seu lastimável aparelho de (des)informação, fixa agora como objectivo atingir a final da Taça. A meio da eliminatória que decide esse acesso com uma equipa da II Divisão, e com uma vantagem de  3-1 conquistada no primeiro jogo, fora,  o objectivo definido pela Direcção de Vieira é chegar à final. Não é ganhar o único título que pode conquistar!

Começo por aqui porque esta é a ideia que salta deste jogo em Atenas, casa emprestada do Arsenal para a segunda mão desta (primeira) eliminatória da Liga Europa, que dava o acesso aos oitavos de final da competição. O conformismo e a falta de ambição, e as fasquias rentes ao chão, é o que ressalta deste jogo.

Percebeu-se que apenas se buscava uma derrota honrosa (como se houvesse disso), que permitisse uma espécie de vitória moral com que Jorge Jesus pudesse manter a narrativa da sua irresponsabilidade. Daí que diga que "fizemos um grande jogo".

Não fizeram, nem nada que se pareça. E, pior, quando o jogo lhe ofereceu a possibilidade de o ganharem, e de eliminarem o Arsenal, transformado em gigante pela narrativa de Jesus, tratando o 11º classificado da liga inglesa numa das maiores equipas de Inglaterra, ficaram surpreendidos, sem saber o que fazer.

Durante toda a primeira parte a equipa não finalizou uma única jogada de futebol corrido. Fez dois remates em lances de bola parada. O primeiro aos 35 minutos, numa cabeçada de Vertonghen em resposta a um livre cobrado na direita por Pizzi; e o segundo naquele fantástico livre directo surpreendentemente cobrado por Diogo Gonçalves, que deu no golo do empate, em cima do intervalo.

Em todo o jogo o guarda-redes do Arsenal não fez uma defesa. Uma única. O Benfica fez dois golos nos dois únicos remates enquadrados com a baliza. E só fez mais três remates, todos para fora. Tantos quantas as faltas que fez em todo o jogo, para se ter a ideia da forma como a equipa encarou o jogo. O Arsenal, que pelo seu futebol faz poucas faltas, fez dez!

Isto diz bem do que foi a "grande exibição" que Jorge Jesus reivindica. Não ter sido massacrado, para o treinador do Benfica, foi suficiente.

E no entanto o Benfica teve, primeiro, a vitória na mão e, depois, a eliminatória. E tudo foi cano abaixo, como tem vindo a acontecer ao longo da época. Quando Rafa - o único jogador com o dínamo carregado, e que não merecia de todo este desfecho - fez o segundo golo (caído do céu, é certo, mas era o único que poderia fazer aquele golo), pelo que o Arsenal mostrava, abriram-se as portas da vitória, no jogo e na eliminatória. Que Jorge Jesus não soube manter abertas.

Desde logo com as substituições, ainda antes de esgotado o primeiro quarto de hora da segunda parte, e pouco antes do golo de Rafa. Justificar-se-ia a troca de Seferovic por Darwin que, apesar do seu péssimo momento de forma, é mais adequado àquela função de sozinho lá na frente. É fisicamente mais forte, e mais expedito no remate. Mas as trocas de Taarabt (com o único amarelo do jogo, e desde bem cedo, logo aos 4 minutos, mas se o Benfica não fez faltas...) por Gabriel, e de Pizzi pela nulidade Everton, especialmente esta, foram desastradas.

Tudo o que Everton fez foi participar que nem um juvenil no segundo golo do Arsenal, um daqueles golos que já não se usam. 

O golo da vitória do Arsenal, a três minutos do 90, não foi mais uma crueldade do futebol, como muitos querem fazer crer. Foi apenas uma inevitabilidade na incompetência de Jorge Jesus. Que Rafa não merecia. Nem porventura Weigl, Vertonghen e Otamendi.

Proezas e azias

Farense 0-0 Benfica: Águia volta a empatar e fica a 15 pontos da liderança

 

De proeza em proeza lá vai o Benfica neste campeonato. Hoje, em Faro, mais uma - conseguiu tornar-se na primeira equipa a não marcar ao Farense.
 
O jogo foi de grande intensidade, de parada e resposta, como os narradores gostam de dizer. E muito rasgadinho, cheio de duelos intensos. Especialmente na primeira parte. Não foi sempre bem jogado, mas foi sempre muito bem disputado
 
Se não se puder dizer que foi uma grande primeira parte, tem de se dizer que foi muita boa, para as circunstâncias. Pelas indicações que a equipa vinha dando sobre a sua condição física não se esperaria que o Benfica tivesse condições para responder à intensidade que foi lançada no jogo.  
 
O Benfica foi então superior, mesmo que o Farense tivesse sempre sido um adversário vivo no jogo. Teve até a primeira oportunidade de golo, negada por Helton Leite, com uma boa defesa. E chegou até a introduzir a bola na baliza do Benfica, mas não valeu, por fora de jogo de Licá. À pele.
 
O Benfica teve mais oportunidades e rematou muito, ao contrário do que tem acontecido. Mas quase sempre para fora do rectângulo da baliza. Na única vez que lá acertou (Everton) o Defendi ... defendeu. Uma grande defesa. De resto só mais uma oportunidade clara, só que em vez de entrar a bola entrou Darwin pela baliza dentro, depois de bater no poste. E os pecados capitais deste futebolzinho de Jorge Jesus. Se calhar não é culpa dele, a linha final é que tem espinhos, e a área adversária queima.
 
A segunda parte foi menos viva, também não era fácil manter o ritmo e a intensidade da primeira. Percebia-se por isso  que Jorge Jesus tivesse que iniciar cedo o jogo duas substituições. Não se imaginaria é que seria sempre para piorar. Ainda não se tinham esgotado os primeiros dez minutos e lá vinham as primeiras: o ineficaz Darwuin era trocado pelo ainda menos eficaz Waldschmidt; e o desastrado  Gilberto pelo mais desastrado Diogo Gonçalves. Pouco mais de cinco minutos depois mais duas trocas, mas também Pizzi e Grimaldo não acrescentaram nada ao que Gabriel e Nuno Tavares tinham feito. E que não tinha sido muito, especialmente o lateral esquerdo. Só mais tarde, já à entrada do último quarto de hora (!!!), é que Jorge Jesus tirou o Everton. Decidiu trocá-lo pelo Cervi, naquela altura do jogo. Ele é que sabe, e pelo ganha, deve saber muito. Mas não o suficiente para perceber que aquele futebol do craque que trouxe da selecção brasileira não é deste tempo. Hoje já não se joga assim.
 
É certo que a equipa criou mais três oportunidades claras de golo - Rafa, logo no início, e salva pelo guarda-redes, depois Seferovic, ao poste, e finalmente Pizzi, ligeiramente ao lado. E que o Farense, que tantas ameaças fizera na primeira parte, só por uma vez, aos 77 minutos, num remate de Ryan Gold, levou perigo à baliza de Helton. Ele andou por lá, à saída dos primeiros dez minutos, mas aí foi o próprio guarda-redes do Benfica a criar as aflições.
 
O treinador do Benfica não percebe o que se está a passar. Diz que é azar, que os jogadores do Benfica não marcam golos porque estão sem sorte. Também não marcam, nem nunca ficam perto disso, nos lances de bola parada. Certamente por azar. 
 
A arbitragem também não ajuda, diz agora Jesus. A arbitragem de hoje de Hugo Miguel teve os seus equívocos, é verdade. Coisa pouca, umas faltas sempre marcadas, e outras nunca marcadas. Uma dessas até acabou bem cedo num amarelo ao Gabriel, que ficou logo condicionado. No resto, cumpriu a lei. Quando o Rafa foi tocado no pé, e com isso derrubado, dentro da área do Farense, limitou-se a cumprir os regulamentos desta liga. Mas pronto, talvez também o Nuno Tavares tenha cometido um penalti estúpido sobre o Licá...
 
Tenho um amigo - sportinguista, mas para o caso não interessa - que diz que deixo transportar para aqui a minha azia. É verdade que não é fácil digerir quinze pontos de diferença. Mas ver o Braga o jogar à bola, como hoje se viu no melhor recital de futebol que esta época se viu em Portugal, e perceber que distância do seu futebol para este do Benfica, não se mede em pontos, mas em anos luz , é que dá azia a sério. Olhar para o Paços e para o que joga, e imaginar como vai ser dura a luta pelo quarto lugar, já só dá para uma ligeira indisposição. Porque essa é apenas mais uma proeza deste arrasador Benfica de Jesus.

Valeu o resultado

 

Não foi muito diferente o Benfica que hoje se apresentou hoje no Estádio Olímpico de Roma, onde estranhamente - se é que nestes intermináveis tempos da pandemia ainda há coisas para estranhar, em particular no futebol - para disputar o jogo que lhe cabia na condição de visitado, na disputa com o Arsenal pelo acesso aos oitavos de final da Liga Europa. Na realidade o Benfica não dá para mais e, nestas circunstâncias, o que se passou em Toma nem sequer foi das piores coisas que têm acontecido nos últimos (largos) tempos.
 
Quando digo que não foi diferente refiro-me naturalmente ao desempenho da equipa e, em particular, à qualidade do seu jogo. Porque o onze, e a sua disposição em campo, foi diferente. Dssde logo porque se apresentou com três centrais, desta vez a sério, e com a estreia do sebastiânico Lucas Veríssimo. E depois porque jogou sem alas. As faixas laterais seriam teoricamente ocupadas pelos laterais, o Diogo na direita e o Grimaldo na esquerda, para justificar aquela opção táctica pelos três centrais. No meio campo não houve grandes alterações, com Weigl ao lado Taarabt, e Pizzi na ligação à frente, onde reapareceu a dupla Darwin e Waldschemidt.
 
As coisas não começaram a correr muito bem, e percebeu-se facilmente que aquilo não estava trabalhado. E, pior, que os jogadores não conviviam lá muito confortavelmente com o sistema. Mas como a primeira parte foi morna, e na única grande oportunidade, Aubameyang falhou o golo, a equipa lá se foi aguentando.
 
A segunda parte foi mais mexida, e só por isso um bocadinho mais entusiasmante. E cedo, dez minutos depois do regresso dos balneários, chegou ao golo e à vantagem. Não porque, em boa verdade, a justificasse, mas porque felizmente as leis da UEFA não são as da Liga Portuguesa, e lá não é proibido assinalar penaltis a favor do Benfica. Isso. Penalti, Pizzi e golo.
 
O jogo estava então mais equilibrado e poderia admitir-se que, em vantagem, os jogadores do Benfica pudessem reforçar a confiança, e abrirem-se novas perspectivas à equipa. Só que a vantagem durou dois minutos, menos tempo que o necessário para discorrer aquele raciocínio. Envolvimento atacante do Arsenal em cima da área, como em tantas vezes durante o jogo e defesa do Benfica atrapalhada. Pizzi tira a bola mas ela vai bater em Weigl, e ressalta para um adversário, que noutra circunstância até estaria em fora de jogo, cruzamento (de Cedric) para a área, com toda a defesa do Benfica batida, e golo fácil do miúdo Saka.
 
O Benfica ainda conseguiu duas boas oportunidades de golo, numa boa jogada de Rafa (entrara ao intervalo) que a conclui com um excelente remate de trivela. Leno negou o golo. E à entrada do último quarto de hora, dessa vez com o remate de Everton a sair perto do poste, com Leno batido. Mas o Arsenal esteve sempre mais por cima, e criou mais oportunidades.
 
À medida que o jogo se aproximava do fim os jogadores do Benfica iam rebentando, uns atrás dos outros. Valeu o resultado, que não é bom. E valeu que o Arsenal achou que o resultado não estava mal de todo. E que também já não podia muito mais!

A janela

Jorge Jesus:

Cada sinal de melhorias já só serve para aumentar a desilusão. Sempre que se lhe abre uma janela, o Benfica fica sem saber o que fazer.
 
O jogo de hoje em Moreira de Cónegos abria uma janela de oportunidade, não para o relançamento da luta pelo título,  que sobre isso já não há ilusões, mas para a discussão do segundo lugar, que sendo sempre o primeiro dos últimos, dá acesso à Champions. A equipa do Benfica olhou para essa janela e só viu que era uma oportunidade para para se mandar dela abaixo.
 
A equipa surgiu com a surpresa de Helton na baliza, e sem a surpresa de Pizzi no banco. Sem nunca chegar a um nível exibicional que confirmasse as melhorias anunciadas, o Benfica entrou no jogo dando sinal de queria ganhar e aproveitar a janela que se abrira com mais um empate do Porto, na véspera. E para se manter agarrada ao Braga, que ganhara nos Açores, no terceiro lugar. Não jogou propriamente mal, e criou algumas oportunidades de golo, perante um adversário que só defendia em cima da sua baliza.
 
Chegou ao golo aos 25 minutos (Seferovic), quando já o justificava. Continuou a dominar o jogo e o adversário, e poderia ter ampliado o marcador. Não o fez e, em cima do intervalo, aconteceu o que tem sido costume: na primeira vez que o Moreirense chegou à área do Benfica fez golo. Na história desse golo não entra apenas o minuto, o marcador, e o facto de ter sido a primeira chegada da equipa minhota à área adversária.
 
Tem mais história. Começa num lançamento longo para o ponta de lança do Moreirense, sobre a esquerda. Que à vista desarmada estava em claríssimo fora de jogo. Recebeu a bola, fez uma humilhante cueca ao Grimaldo que, quando meio atordoado ainda tentou recuperar a posição, ficou com os braços nas costas do jogador do Moreirense. Que não se fez rogado e caiu bem dentro da área. Penalti!
 
Penalti claro, sem quaisquer dúvidas. Penalti, essa coisa que, ao que se vai vendo, terá de constar de uma qualquer alínea de um qualquer artigo dos regulamentos da Liga proibindo-o sempre que a favor do Benfica.
 
A mão de Grimaldo nas costas do avançado do Moreirense teve intensidade suficiente para o derrubar? Não interessa, a intensidade não se discute. Estava fora de jogo, como as imagens que víamos mostravam claramente? Não, mostraram-nos as imagens do VAR. Estava - não 10 ou 11 - por 46 centímetros em jogo!
 
E lá foi o jogo para intervalo, com 1-1 no marcador.
 
Na segunda parte o jogo foi substancialmente diferente, e acima de tudo muito mais mal jogado. Teve largos momentos, em especial entre os  mais próprios de 60 e os 80 minutos, um "casados-solteiros" do que um jogo de  futebol do sexto mais importante campeonato da Europa. O Moreirense subiu no terreno, e disputou mais o jogo em todos os metros quadrados do terreno. E o Benfica foi cada vez mais caindo na mediocridade habitual do seu futebol, agravando-se com o estoiro físico da maioria dos jogadores. 
 
Mas teve mais histórias. Aos 60 minutos Vertonghen foi carregado dentro da área do Moreirense. Penalti? Não! Para além de estar proibido na tal alínea do tal artigo dos regulamentos da Liga, também aquilo não é falta. Só que minutos depois - que azar! - o Taarabt faz exactamente aquilo a meio do campo e... falta. Já ontem no Dragão víramos o mesmo: uma carga nas costas de um jogador do Boavista dentro da área do Porto, não foi falta. Poucos minutos depois, uma carga igual sobre Corona, a meio do meio campo de ataque portista, já foi falta.
 
Dois minutos depois, o árbitro Manuel Oliveira assinalou penalti, por falta sobre Weigl. Não podia ser, isso é contra os regulamentos da Liga. Mas víamos as imagens, e não tínhamos dúvidas: o defesa do Moreirense empurrou Weigl, mas sem intensidade. A tal. De tal forma que o jogador do Benfica não caiu, como tinha caído o do Moreirense. Desequilibrou-se, apenas. Continuamos a ver as imagens e vemos que acaba por cair, quando leva um toque no pé esquerdo, o que antes o mantinha de pé.
 
Nunca mais vimos essa imagem, a Sport TV fez o favor de não o voltar a mostrar. O VAR chama Manuel Oliveira para ir ver as imagens que tinha para lhe mostrar. E mostrou, só não mostrou a do toque no pé esquerdo do alemão do Benfica. Manuel Oliveira não teve dúvidas que o Weigl o quis enganar, reverteu a decisão do penalti e mostrou-lhe o cartão amarelo, quando o enganador era o VAR. E agora volto ao fora de jogo no lance do penalti que deu o empate ao Moreirense. Depois de ver esta falta de escrúpulo do VAR na manipulação de imagens, nunca mais acredito nas linhas de fora de jogo que nos impingem. E fiquei sem qualquer dúvida que aqueles 46 centímetros com que este VAR validou aquele penalti são uma das mais evidentes mentiras do VAR.
 
E lá seguiu tranquilo. Daí até ao fim foi o resto do calvário que é esta equipa do Benfica atravessa. Podia ter chegado ao golo da vitória, aos 79 minutos, na única jogada de futebol digna desse nome na última meia hora do jogo, concluída com uma excelente cabeçada de Darwin. Que o guarda-redes do Moreirense, evitou com uma defesa incrível. 
 
Os últimos minutos foram apenas penosos, com os jogadores do Benfica de rastos. Já só iam, nunca mais vinham. E o Moreirense só não acabou por ganhar o jogo porque não calhou. 
 
E no entanto Jorge Jesus achou que a equipa fez um grande jogo. O que torna tudo ainda mais preocupante. 
 
O Benfica podia, e devia, ter vencido o jogo. A arbitragem foi o que foi - imagine-se o que por aí iria se o que se passou se tivesse passado com outros -, o erro de Grimaldo é inaceitável, e sabe-se que a equipa não tem condição mental para tanta contrariedade. Posso admitir que, sem o erro de Grimaldo, e sem os erros da arbitragem, tudo poderia ter sido diferente. Mas isso não esconde o estado lastimável deste Benfica, nem a realidade de um Jorge Jesus definitivamente fora de prazo de validade.
 
A janela não serve só para nos mandarmos dela abaixo. Também serve para dizer adeus!

 

Melhoras que revelam doença

 

É um Benfica em crescendo, este que hoje se apresentou na Amoreira, para dar início à discussão com o Estoril do acesso à final do Jamor. Notam-se - notaram-se - algumas melhoras, mas também se nota que permanecem os pecados capitais do seu futebol. 

Claro que quando a equipa está mal, quando defende mal, quando os jogadores jogam devagar, devagarinho e parados, quando falham passes e recepções, acaba por não revelar tão flagrantemente esses pecados. O que salta aos olhos é a falta de movimentação, a apatia, os erros grosseiros e a descrença. Só quando essas limitações desaparecem é que podemos ver então o resto, aquilo que é mais estrutural no futebol de Jorge Jesus.

Os jogadores não são tão maus como se pinta, e é normal que, contra equipas como esta do Estoril - o tomba-gigantes desta Taça, que se bateu muito bem, que sabe defender como a maioria das equipas da primeira liga e que sai em transições melhor que muitas dessas -, estando a um nível físico, técnico e mental aceitável, a sua valia venha ao de cima. Às vezes podem até dar a ideia que estão a fazer uma bela exibição.

O jogo de hoje no Estoril retrata bem aquilo que quero dizer. 

Comecemos pela entrada no jogo. Nos primeiros dez minutos a bola esteve na posse dos jogadores do Benfica perto de nove. Perto dos 90% a posse de bola. Os jogadores passaram e receberam bem a bola e ela circulava entre eles. Mas nem um remate, o primeiro do jogo foi do Estoril que, nesse período, tiveram a bola cerca de um minuto. Que lhes deu para a recuperar duas ou três vezes e ainda para fazer um remate. Nesse mesmo período o Benfica até criou uma oportunidade clara de golo, quando Darwin surgiu isolado frente ao guarda-redes adversário e tentou passá-lo, para entrar com a bola pela baliza dentro.

Não foi muito diferente o resto da primeira parte. Remates, só de Rafa, hoje claramente infeliz nesse capítulo. Na única vez que acertou na baliza, já na fim do primeiro quarto de hora da segunda parte, o golo foi anulado, por fora de jogo. Que não pareceu nada, e que mais dúvidas deixou quando as famigeradas linhas deram por 10 centímetros um fora de jogo que o fiscal de linha tinha assinalado com convicção só comparável ao que pareceu ser o erro.

Um futebol que até poderia ter parecido bonito em alguns momentos, mas confrangedoramente estéril. E repetitivo, de passe para o lado e para trás, uma e outra vez, sucessivamente. Alas que em vez de irem à linha de fundo, para abrir espaços, fogem para o meio, onde não os há. Quando lá chegam, ou perdem a bola ou voltam com ela para trás.

Se tinha sido o primeiro a rematar, não admiraria que o Estoril fosse também o primeiro a marcar, precisamente a meio da primeira parte. Bastou-lhe chegar uma vez à área do Benfica, numa jogada, de resto, muito bem concebida. Jorge Jesus chama-lhe azar. Pode até ser, mas aquele futebol é muito propício a azares.

Aí já Rafa rematava. A rasar o poste e à barra. 

O golo intranquilizou os jogadores do Benfica, que pareciam voltar a entrar na espiral de desacerto que parecia ter ficado para trás. Salvaram-se por pouco. Só nos últimos cinco minutos da primeira parte a equipa voltou a mostrar que aparentava melhoras. Primeiro foi Pizzi, com um grande remate à engrada da área, a estar perto do golo. Logo a seguir foi o guarda-redes do Estoril a negar o golo de Darwin. Que finalmente marcou, empatando o jogo, já em cima do minuto 45. 

Na segunda parte o jogo foi mais rasgadinho, e também mais repartido. E começaram as mexidas nas duas equipas que, para o lado benfiquista, desta vez até correram bem, com destaque para Taarabt, Seferovic e Weigl, bem melhores que Gabriel, Pedrinho e Everton, que teimam em desiludir. Para além de refrescarem a equipa.  Poucos minutos depois de entrar em campo Seferovic rematou ao poste, e outros tantos depois, marcou, consumando a reviravolta.

O Estoril subiu no terreno, e passou a deixar mais espaços na suas costas. Os sinais de melhoras também vêm do terceiro golo, com Taarabt justamente a aproveitar esse espaço numa transição rápida, como há muito se não via, para assistir Darwin. A bisar.

O caminho para o Jamor está aberto. Para melhores exibições, também parece. Para o sucesso é que é preciso mais. 

 

 

Sacudir culpas

O Benfica ganhou, finalmente. Depois de quatro jogos sem ganhar, que valeram o afastamento da luta pelo título, ganhou. Ao Famalicão, penúltimo classificado, com a pior defesa do campeonato.

Ganhou, mas não foi melhor do que tem sido. Não ganhou por ter sido melhor do que tem sido; ganhou por ter tido a pontinha de sorte que lhe tem faltado. Ganhou porque nos dois primeiros ataques fez três remates e dois golos, o segundo na recarga ao segundo remate, depois de uma grande defesa do guarda-redes do Famalicão. Tudo isto com pouco mais de um minuto de jogo jogado.

Aos seis minutos o Benfica ganhava por dois a zero, mas cinco desses seis minutos foram gastos pelo VAR a validar os golos. Nunca me tinha passado pela cabeça que o VAR também pudesse servir para isso, para uma espécie de pausa técnica a que os treinadores do futebol não podem recorrer. O que pareceu foi que Hugo Miguel, um árbitro com currículo, quis quebrar a avalanche do Benfica e dar oxigénio ao Famalicão.

Não se sabe o que teria acontecido se com aqueles dois golos tivesse acontecido o que seria normal acontecer - bola ao centro, e segue jogo. Sabe-se o que aconteceu. E o que aconteceu foi que os golos não empolgaram os jogadores. Fosse pelo gelo que VAR lhes despejou em cima, fosse porque já nada os empolga.

Porque o jogo acabou por ser o que foi, e não o que eventualmente poderia ter sido sem o saco de gelo despejado pelo VAR, acabam por não ficar grandes dúvidas que o Benfica ganhou porque teve a sorte que não tem tido. Desde logo a sorte de fazer os dois golos do jogo nos três primeiros remates. Ou, na prática, nos dois primeiros remates, dos dois primeiros ataques, nos dois primeiros minutos de jogo jogado.

Mas também porque, depois, a equipa voltou a cair na mediocridade do seu futebol, onde se foi afundando à medida que o tempo ia passando. Passes falhados, incapacidade de ligar as jogadas, perdas de bola, faltas...

Foi sendo assim, e foi mais gritantemente assim na segunda parte. O Famalicão começou a subir no terreno e a discutir o jogo a partir dos vinte minutos no relógio do jogo, e na segunda parte passou mesmo a estar por cima do jogo. E foi então, como já tinha sido nos últimos jogos, que se viu a mediocridade do futebol desta equipa do Benfica. 

Jogando no campo todo, o Famalicão - penúltimo classificado e a pior defesa do campeonato, repito - deixava espaço para os jogadores do Benfica imporem a sua suposta superioridade técnica. Mas o que se viu foi uma completa incapacidade para aproveitar esses espaços, falhando sucessivamente as transições ofensivas. Uma, apenas uma, foi concluída. Mas mais valia que o não tivesse sido - Darwin, numa chocante falta de classe (ou será apenas de confiança?), a dois metros da baliza, completamente escancarada, atirou para as nuvens.

E só não foi a única oportunidade de golo do Benfica na segunda parte porque, já mesmo no fim, o guarda-redes famalicense fez uma grande defesa, a remate de Everton. O cheiro a golo morou sempre na baliza de Vlachodimos, onde o golo não surgiu porque - lá está - a sorte desta vez, ao contrário das outras, não virou costas. Foram cinco as oportunidades que o Famalicão construiu. Quatro na segunda parte. A primeira tinha levado a bola ao poste, ainda antes da meia hora de jogo. 

Cinco oportunidades. Cinco! Ainda se não tinha visto tal coisa na Luz . 

Jorge Jesus resume tudo isto ao covid. Claro que não se pode ignorar o seu efeito devastador na equipa. E menos se pode ignorar que aconteceu, e a dimensão com que aconteceu, depois do jogo no Dragão. É um facto, e factos são factos. Não se pode é justificar o estado a que o futebol do Benfica chegou dessa maneira, até porque o eclipse da equipa já vinha de trás.

Já Otamendi, o capitão e que até marcou hoje o seu primeiro golo de águia ao peito, tem outra opinião. E falou de compromisso, de empenho e de partir para outra, mudar de rumo.

Não, mister. Não é tudo culpa da covid. A catástrofe que se abateu dobre o Benfica é mais da sua responsabilidade do que da covid. E mais ainda de Vieira e de Rui Costa do que sua.

Ontem estava a ver o banho de bola do City ao Liverpool e, extasiado com a classe de João Cancelo e Bernardo Silva, com a imponência de Rúben Dias e com a categoria e segurança de Ederson, via que, ali, numa das duas ou três melhores equipas do mundo, estavam quatro que saíram do Seixal. Quase meia equipa. Daí o pensamento saltou-me para a selecção nacional, e numa das melhores selecções do mundo, conto mais três ou quatro - João Felix, Gonçalo Guedes, Nelson Semedo, André Gomes... Espreitou para grandes equipas europeias - nisto do futebol a Europa é o mundo, o resto é paisagem - e lá estavam Oblak, Witsel, Cristante, Lindelof, Matic, Raúl Jimenez, Di Maria...

Só aqui estão quinze. só nos últimos anos. Dir-me-ão: pois, mas era impossível segurá-los. Não seria possível segurá-los todos, admito, mas não era impossível segurar boa parte deles. Não ter jogadores deste nível, nem os largos  milhares de milhões de euros que eles renderam, é que não deveria ser possível. Mas é a realidade.

Pior só olhar para essa realidade e perceber que disso já não há mais. Já não há no Seixal, nem há já departamento de scouting para os ir buscar fora. 

Sim, é esta a obra feita de Vieira. É este o legado de Vieira, Rui Costa, Jesus e Jorge Mendes... Sem jogadores, sem dinheiro, sem rumo. E sem honra!

Já não há toalha

O Benfica encerrou a primeira volta do campeonato com mais um desaire. Coisa assim já não se via há vinte anos, no 2001 da  pior classificação de sempre. Coisa assim, no ano de maior investimento de sempre, que Luís Filipe Vieira anunciara ser o da conquista da Europa, e Jorge Jesus de arrasar, nunca se tinha visto.

Fechava o calendário com a recepção ao Vitória, de Guimarães - que o outro já foi -, depois da derrota de Alvalade e do empate do Porto, na véspera, no Jamor com a equipa do B SAD, de Petit. E depois de Rui Costa, sem mais nada para dizer, se limitar pateticamente a proclamar que ninguém atirava a toalha ao chão. Quando já nem toalha há. Não podia passar pela cabeça de ninguém outra coisa que não fosse ganhar este jogo. Não havia espaço para outro resultado que não fosse a vitória, depois de quatro ou cinco jogos sem saber o que era isso. Só assim poderia amenizar a diferença para o Porto, manter o Braga à vista e, pelo menos, manter aberta uma engra da porta de acesso à Champions da próxima época.

O que se começou a ver com o arranque do jogo parecia indicar que a equipa estava consciente disso. Que queria e podia cumprir com essa tarefa. Mas rapidamente se percebeu que aquele futebol era como uma linda e vistosa vinha, cheia de parras viçosas, mas com muito poucas uvas. Para logo se conferir que aquelas poucas uvas não tinham sequer sumo.

Foi essa a imagem do futebol do Benfica da primeira parte. E não demorou a perceber que bonito aspecto da vinha nem sequer resultava do tratamento dos seus dirigentes, técnicos ou jogadores. A vinha parecia assim, bonita, apenas porque o adversário deixava que fosse assim. O Vitória chegou à Luz de autocarro - naturalmente - mas não o deixou na garagem. Levou-o para o campo. 

Acantonou-se na sua área defensiva e de lá não saiu. Deixou mais de 75 metros do comprimento do campo para os jogadores do Benfica, e fixou-se nos últimos 30. Foi isso que criou a ilusão da vinha bonita, que por baixo daquela parra havia de estar uvas, e uvas bem sumarentas e doces, capazes de dar bom vinho.

O Benfica fez quinze remates. Mais, só nos jogos, também na Luz, com o Tondela e com o Moreirense,  no único bom jogo desta época na Catedral. Mas, claras oportunidades de golo, nada... Uma, dizem as estatísticas do jogo.

Na segunda parte o treinador do Vitória achou por bem adiantar a equipa, e arriscar em dividir um pouco o jogo. E logo se viu claramente que o futebol do Benfica era só parra. Nem uvas tinha. E não foi por o adversário não deixar. Pelo contrário, com os jogadores mais adiantados, e a pressionarem mais a saída de bola, deixavam espaço para os jogadores do Benfica jogarem à bola. Se pudessem. Ou - sei lá - se soubessem...

Mas nada. Só que um nada mais incompreensível ainda. É que não marcar, e nem criar oportunidades para isso, contra uma equipa que defende com onze jogadores dentro da área, em que são tantas as pernas que a bola encontra muita dificuldade em se desviar delas, acontece muitas vezes. E às vezes acontece até aos melhores. Não criar uma real oportunidade de golo, não criar sequer um desequilíbrio, quando o adversário discute o jogo no campo todo, com a equipa obrigada a ganhar, é incompreensível.

Foi já no período de compensação, aos 92 minutos, que o Benfica criou a única oportunidade da segunda parte. Mas com aquela finalização do Pedrinho, a atirar a bola para a bancada a dois metros da baliza, nem dá vontade de lhe chamar oportunidade de golo. Ao contrário, no minuto seguinte, da do Mark Edwards, no terceiro remate da equipa minhota em todo o jogo. De resto foi nesses cinco minutos da compensação que o Vitória fez os três remates, que conquistou os dois cantos, e que Vlachodimos fez a sua única defesa.

E lá estamos sem toalha para atirar ao chão. O Sporting já lá vai, onze pontos pontos à frente. Coisa assim já não se via há ... 70 anos! O Porto já tinha também fugido, com cinco de avanço. O Braga também já passou. E o Paços já encostou. Veremos se demora muito a passar...

É responsabilidade do Luís Filipe Vieira? É, claro. Embebedou-se com o tetra, e achou que a partir daí os títulos cairiam do céu. Destruiu tudo o que o tinha levado até lá. Embrulhou a sua vida privada com o clube, fez dele o seu bunker de sobrevivência.

É responsabilidade de Jorge Jesus? É, claro. É hoje um treinador ultrapassado, preso a ideias de jogo do passado e prisioneiro das suas limitações. 

É responsabilidade de Rui Costa? É claro. Aceitou ficar refém de Vieira, e assistiu e assiste à  destruição do clube. É cúmplice, e estoirou com consensualidade de que durante muito tempo suscitou.

Mas é também responsabilidade nossa. De nós, benfiquistas. E especialmente daqueles que, com tudo à vista, escolheram não ver, e reeleger Vieira, há apenas três meses.

 

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