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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

"Vira o disco e toca o mesmo"

Taça: Paredes-Benfica, 0-1 (crónica) | TVI24

 

O lado B igual ao lado A. Ou, como se dizia antigamente, "vira o disco e toca o mesmo".

Foi isto o Benfica de hoje, em Paredes, no jogo que lhe valeu o apuramento nesta quarta eliminatória da Taça 2020/21, a primeira com as equipas do escalão principal do nosso futebol, com um pobre resultado - um escassíssimo 1-0 - e uma não menos pobre exibição deste lado B da equipa. Como as últimas, do lado A.

Na realidade a música é a mesma. E bem fraquinha. Por esta altura é o que Jorge Jesus tem para oferecer.

Perante uma equipa do terceiro escalão do futebol nacional, que só defendeu, o lado B do Benfica apenas conseguiu marcar um golo, e de bola parada. Quem não viu o jogo poderá pensar que às vezes há jogos assim, em que a equipa ataca durante 90 minutos e o golo não aparece. E que às vezes até se perdem jogos assim. Mas não foi nada disso. Não teve nada a ver, por exemplo, com aquele jogo com o Moreirense, há dois ou três meses, que o Benfica ganhou apenas por dois a zero, quando poderia ter ganho por nove ou dez.

Não. O Benfica não só não criou mais oportunidades de golo, como não conseguiu muitas mais finalizações dignas desse nome.

O treinador do Benfica pareceu satisfeito no final do jogo. Tinha razões para isso. O seu objectivo, como ficou claro, era validar as suas opções. Era carimbar o seu desprezo pela formação do Seixal.
 
Foi para isso que disse que só se podem lançar jovens de 19 ou 20 anos quando têm qualidade, sentenciando já aqui o destino de todos aqueles jogadores. Foi por isso que bateu expressamente no Gonçalo Ramos!
 
Com Jorge Jesus é assim: vira o disco e toca o mesmo!

 

Já não há milagres

Jorge Jesus

 

Já vimos este filme. Oito meses, e cem milhões de euros depois, está em reposição na Luz. As cenas iniciais são de reposição pura: derrota no Porto, logo seguida de igual desaire na Luz, com o Braga. O resto, mesmo que o guião falasse de jogar o triplo, e de arrasar, já conhecemos, e sabemos que não tem final feliz.

Este foi o terceiro jogo consecutivo em que o Benfica sofreu três golos, em menos de uma semana. Que resultaram em duas derrotas, no campeonato. A terceira, na Liga Europa, foi evitada por um milagre. E milagres há poucos.

O Benfica tem melhores jogadores que os adversários. Mas nunca foi capaz de ter melhor equipa que qualquer deles. Pior, fez sempre parecer que os adversários tinham melhores jogadores. Quando assim é, quando os jogadores parecem piores do que são, jogam menos que aquilo de que são capazes, a culpa casa sempre com o treinador. Não morre solteira.

Na primeira parte do jogo desta noite na Luz a equipa voltou a ser arrasada. O Braga fez ao Benfica o que já todos os adversários já fazem: roubam-lhe os espaços à frente, e assaltam-lhe o espaço lá atrás. Exactamente como na segunda volta da época passada. Então, a equipa que jogava menos de um terço desta, não tinha plano B, e os jogadores ficavam perdidos em campo. Agora acontece precisamente o mesmo. Só que agora o homem do plano é o mestre da táctica, pago a peso de ouro.

O Braga só precisou de dois remates para marcar. Um foi para as nuvens, e só por isso não deu golo. E nem assim se pode dizer que o resultado ao intervalo fosse injustificado. Porque dominou tacticamente o jogo como quis.

O arranque da segunda parte, mesmo com duas substituições (a novidade Samaris por Grabriel, e o inexistente Everton, por Seferovic), mostrou que nada mudara. Até porque logo o Braga fez o segundo golo. O terceiro, numa falha que envergonharia qualquer miúdo a jogar à bola na rua - se é que anda há disso - chegou por volta da hora de jogo. Só a partir daí a equipa deu mostras de sobressalto. Mas só isso, os jogadores sobressaltaram-de e correram um pouco mais.

Fez dois golos, ambos por Seferovic - who else? Que ainda fez o terceiro, mas em fora de jogo, no último minuto - mas não voltou a haver milagre.

E começa a parecer que só um milagre salva este Benfica. Mas isso não é com este Jesus ... E o Outro é do tempo em que ainda não havia futebol.

 

 

Evolucionismo

Benfica Darwin Análise Jogo Rangers Liga Europa - SL Benfica

 

Salvou-se o resultado, em mais uma exibição deprimente, com mais três golos sofridos, que podiam bem ter sido mais. A expulsão de Otamendi pode servir de atenuante, mas não de desculpa.

A verdade é que esta equipa, que dizem que é para ganhar a Liga Europa, fez mais lembrar Basileia, há três anos, que Amsterdão, ou Turim, quando mais perto estivemos disso.

Valha-nos Darwin, o evolucionista. Só ele evolui, quando é preciso uma evolução enorme, e bem mais rápida que a outra, para que esta equipa possa ganhar o que quer que seja na Europa. 

E por cá, vamos a ver. Pode até ser que seja só cansaço extremo. O cansaço cura-se, mesmo o extremo. Mas é mais inteligente evitá-lo. Para isso é que os plantéis têm vinte e muitos jogadores.

 

Arrasado

Benfica sofre primeira derrota na Liga frente ao Boavista (3-0) e Sporting  assume liderança isolada – Observador

 

Não sei o que mais releva desta hecatombe do Benfica esta noite no Bessa. Se o pior jogo dos últimos sete ou oito anos, se este filantropismo do Benfica, o bom samaritano disponível para dar a mão ao Porto sempre que está caído.

A equipa que iria "jogar o triplo" e arrasar, de milhões treinada por um treinador de milhões, é afinal capaz de fazer muito pior do que aquela que se arrastou pela segunda volta do campeonato anterior.

Posto isto vamos ao jogo em que o treinador do Boavista deu um banho táctico ao mestre da táctica. O Benfica não entrou bem no jogo, mas quando, aos 10 minutos, na primeira vez que passou do meio campo, e Darwin fez um golo de craque - que é - pensou-se que estaríamos perante mais um jogo de altos e baixos, que os altos dariam para ganhar. Só que o golo seria anulado pelo VAR, por fora de jogo, que existiu no início da jogada, antes do jovem uruguaio, que traz esta sina de marcar belos golos que não valem, pintar aquela obra-prima. E portanto nada ficou - nem o golo, nem o primeiro ataque, nem o primeiro remate. Tudo isso surgiria à meia hora, quando já há muito que estava a perder. Menos o golo, porque o remate de Vertonghen acertou direitinho no corpo do Leo Jardim, que só na segunda parte faria duas ou três defesas. Das boas, mas não mais que do essas.

O Boavista, que entrara nitidamente receoso - e tinha razões para isso, já que não tinha ainda ganhado a ninguém e pela frente estava a tal equipa que joga o triplo e arrasa - foi ganhando confiança à medida que ia percebendo que não estava ali ninguém que arrasasse. Defendeu com 11 jogadores atrás da linha da bola, mas nunca lá atrás. Fazia isso em cima da linha do meio campo, e daí para a frente. Nunca para trás.

E a equipa do Benfica nunca se entendeu com aquilo. Via 40 metros de terreno livre à frente mas não fazia a mínima ideia de como lá chegar. Não acertava mais de dois passes, não conseguia passar por qualquer adversário, não consegui romper, nem com bola nem sem ela, e não ganhava qualquer bola dividida. Quando conseguiu alguma coisa disso, marcou. Só que sempre em fora de jogo. No tal golo de Darwin, com o passe de rotura de Waldchemidt, e quando Pizzi ganhou a única bola dividida, no caso com o guarda-redes, e depois marcou. Também sem valer.

Ao intervalo já o Benfica perdia por 0-2. O Boavista marcou na primeira vez que chegara à área do Benfica, na conversão (excelente, do Angel, filho do Gil, a promessa daquela geração de ouro do início dos ano 90, que cedo se perdeu, que joga à bola que se farta) de um penalti cometido pelo Cebolinha como se fosse um juvenil de 14 anos. Os do Boavista é que eram rapaziada nova, mas os do Benfica é que pareciam juvenis. E voltou a marcar vinte minutos depois, numa jogada em que Angel e Elis fizeram gato-sapato de Vertonghen e companhia. O Boavista fez 11 remates, contra um do Benfica!

Era impensável que o jogo se mantivesse nesse registo. O mestre da táctica teria de encontrar forma de inverter aquilo. A única dúvida que se admitia era ser iria a tempo de ainda ganhar o jogo.

Mas ... qual quê?

Fez até três substituições ao intervalo, mas precisava de fazer dez.. Saíram Cebolinha que a única coisa que fez foi o penalti. Gabriel, outra nulidade, e Pizzi, pouco mais que isso. E entraram Weigl, Rafa e Seferovic. Só que o primeiro quarto de hora foi uma cópia do que tinham sido os dois anteriores. Tudo continuou na mesma.

Ainda trocou Gilberto, outra das nulidades, só que este já não surpreende (ninguém consegue compreender esta contratação) por Diogo Gonçalves. E Taarabt por Cervi, que nem um minuto de jogo tinha nas pernas. Mas nada mudou.

Apenas num pequeno período, nem cinco minutos foram, o Benfica conseguiu encostar o adversário à sua baliza. E o Boavista acabou até por chegar ao terceiro, pintando o jogo de goleada.

Claro que o Boavista ganhou bem. Na verdade foi a única equipa que jogou. Jogou quase sempre que conseguiu ter a bola, e teve-a apenas em 30% do jogo. Quando não a tinham matavam o jogo com faltas. Trinta e uma, e muitas ficaram ainda por assinalar. Era habitual no Bessa, mas ainda não se tinha visto neste Boavista desta época. E tudo o árbitro Hugo Miguel permitiu...

Mas nada apaga o descalabro completo desta noite. Talvez não seja preciso que a equipa jogue o triplo do passado. Mas é urgente que jogue 100 vezes mais que hoje!

Hoje é dia de eleições

Guia para as Eleições do Benfica: Tudo o que precisa de saber

 

Hoje é dia de eleições no Benfica. Marcadas para a próxima sexta-feira, foram antecipadas para hoje em função das restrições à mobilidade impostas para o fim de semana. Mais normal seria que fossem adiadas, mas foram antecipadas. Como natural seria que se prolongassem por dois, ou mesmo três dias, para reduzir os riscos de grandes ajuntamentos nestes tempos severos da pandemia.

Natural teria sido também que os benfiquistas tivessem encontrado um candidato que federasse toda a oposição, para seriamente poder desafiar o poder instalado. Há quatro meses, e na única vez que me pronunciei sobre as eleições que se realizam hoje, deixei aqui um manifesto nesse sentido, chamando-lhe "Uma missão para os benfiquistas".

Não aconteceu o que acho que deveria ter acontecido, e hoje são três candidaturas que vão a votos, depois da desistência de mais duas, uma das quais precisamente ontem. A de Bruno Costa Carvalho, por interposta pessoa por não ser candidatável à luz das condições estatutárias inventadas pelo actual poder.  E assim, evidentemente, não se conquista o poder a ninguém. 

Quando eu propunha alguém como Humberto Coelho para congregar a alternativa a LFV era exactamente para evitar que proliferassem candidaturas, todas elas bem abastecidas de egos, que dispersassem votos e favorecessem quem está no poder. E isso só seria evitado com uma personalidade incontroversa, agregadora, prestigiada e com História. 

Mais que os seus deméritos pessoais, Rui Gomes da Silva e de João Noronha Lopes têm o imenso demérito de não terem utilizado o espaço que lhes permitiu as respectivas candidaturas para promoverem uma candidatura vencedora, à volta de uma personalidade unificadora e acima de qualquer suspeita. Não perdem pelos defeitos ou limitações de cada um, pela estratégia que cada um seguiu, ou pelo programa que cada um apresentou. Perdem porque eventualmente qualquer um dos dois perderia. Mas perdem seguramente por serem dois.

 

Altos e baixos

A BOLA - Benfica soma quinta vitória consecutiva diante do Belenenses SAD  (Liga)

 

Mais um jogo de altos e baixos. Com muitos baixos, este jogo da Luz com a equipa da SAD do Belenenses, ainda sem público. De Luz apagada. Talvez esteja aí, na falta do público, uma razão para estas intermitências exibicionais.

O Benfica voltou a entrar bem, com 10 minutos de alta voltagem. Chegou ao golo bem cedo, logo aos 6 minutos, em mais uma bela jogada concluída com um remate de cabeça de Seferovic, hoje titular, em vez de Waldschemidt, numa equipa com algumas alterações, entre elas com o regresso de Weigl à equipa inicial.

Nesse período o Benfica fez o golo e criou mais três ocasiões de o repetir, com um futebol com muita dinâmica, vivo e pressionante. Depois começou a levantar o pé do acelerador, e quando deu por ela já não tinha pela frente um adversário submetido. E submisso.

Pelo contrário, era já um Belenenses que disputava o jogo no campo todo, que marcava bem os adversários e disputava cada bola, estivesse ela onde estivesse. É certo que só rematou pela primeira vez já bem dentro do último quarto de hora da primeira parte, mas a partir daí tomou-lhe o gosto. O veterano Varela pegava na bola, rematava e chegou até a introduzir a bola na baliza de Vlachodimos. Mas em claro fora de jogo. E o que se pode dizer é que o Belenenses acabou a primeira parte, se não com algum ascendente no jogo, pelo menos com ele equilibrado. E controlado.

O início da segunda parte nem foi até muito diferente, e o risco do golo do empate chegou a passar pelo jogo. Para complicar mais as coisas Grimaldo lesionou-se, à primeira vista de forma grave. Durou até ao fim do primeiro quarto de hora.

A partir daí, e com as entradas de Waldschemidt e Pizzi, o jogo mudou e o Benfica voltou a comandá-lo claramente. Nunca num nível exibicional por aí além, apenas aqui ou além com um ou outro pormenor de classe, ou uma ou outra jogada de bom nível. Construiu então mais duas ou três boas oportunidades de golo, fez mais um golo de Darwin anulado por 11 centímetros de fora de jogo, e chegou finalmente ao segundo, aos 75 minutos, em mais uma preciosidade do jovem uruguaio, a ver por fim validado o seu primeiro golo no campeonato.

No fim fica mais uma vitória justificada, a quinta nas primeiras cinco jornadas do campeonato, coisa que não acontecia há 38 anos, desde Eriksson, em 1982. Não sei é se é mais obra do calendário, se do momento de forma da equipa. Que continua com oscilações a mais. Nenhuma equipa consegue jogar todo o tempo a alto ritmo, e a deslumbrar. Mas passar do oitenta para o oito com tanta frequência durante um jogo, e mesmo que este não tenha sido o mais flagrante, não é das coisas mais entusiasmantes.

Referências

Todas as notícias de Benfica na Liga Nos

 

A estreia do Benfica nesta edição da Liga Europa, que os seus responsáveis apontam como objectivo para a época, para materializar a sucessivamente adiada conquista europeia, deixa-nos uma série de sensações ambíguas. Principalmente porque o Benfica tanto deu a ideia de uma imensa superioridade sobre o adversário, como deixou vezes de mais uma sensação de incapacidade para afirmar categoricamente essa superioridade anunciada.

Se no último jogo, em Vila do Conde, a equipa tinha manifestado uma solidez assinalável, numa exibição que, mais do que exuberante, foi especialmente sólida, hoje nem foi brilhante, nem sólida. 

A equipa voltou a entrar bem, e marcou cedo, logo aos 7 minutos, num penalti convertido por Pizzi, com homenagem ao infeliz André Almeida. Pela falta de solidez, permitiu o empate, pouco depois. Teve nova oportunidade de tranquilizar com novo golo, o primeiro de Darwin - que já desesperava pelo golo, como claramente se percebeu - mesmo em cima do intervalo. Mas voltou, pelas mesmas razões, a permitir o empate logo no arranque da segunda parte, permitindo que a equipa polaca reforçasse a sua ambição e acreditasse que, apesar da gritante diferença de qualidade, tinha condições para discutir o resultado.

Uma dúzia de minutos depois, Darwin, à craque, voltou a marcar. Que grande golo! Mas nem aí o Benfica conseguiu controlar o jogo, e passou por períodos verdadeiramente complicados, deixando crescer a ideia que o Lech chegaria novamente ao empate. Que não havia duas sem três.

Os erros defensivos, que em Vila do Conde tinha prometido terem ficado para trás, sucediam-se por todo o lado. a ponto de, na parte final e perante tanta desorientação, Jorge Jesus ter de lançar Jardel para o jogo, passando a jogar com cinco defesas. Valeram então as limitações dos jogadores da equipa polaca. E valeu sobretudo o quarto golo, o do hat-trick de Darwin, o homem do jogo, que confirmou a sua anunciada classe, e pôde finalmente bater a sua malapata com o golo.

Foi de resto o melhor que o jogo teve. Teve outras coisas boas. Mas poucas - o resultado, e pouco mais. E teve Otamendi com a braçadeira de capitão, logo que Pizzi saiu, ao intervalo. Estranha-se, mas talvez se entranhe. A falta de referências está a entranhar-se neste Benfica...

Solidez acima de tudo

A BOLA - Benfica vence Rio Ave e reforça liderança (Liga)

 

Não foi uma exibição de nota (artística) 20, mas foi a mais sólida deste campeonato, esta que hoje o Benfica realizou em Vila do Conde. 

Com a possibilidade de, logo à quarta jornada, aumentar a vantagem sobre os principais adversários na luta pelo título, e particularmente para alargar para 5 pontos a diferença para o maior rival nessa compita, o Benfica não vacilou, ao contrário do que acontecera na última jornada. Sabendo bem o que teriam de fazer para contrariar o futebol do Rio Ave, os jogadores iniciaram o jogo com grande pressão sobre a saída de bola do adversário, nunca lhe permitindo qualquer tipo de conforto e, acima de tudo, retirando-lhe a confiança que é sempre a alma de qualquer equipa.

De tal forma que, quando o Rio Ave passou pela primeira vez a linha do meio campo, já perdia por 1-0, com o primeiro golo de Waldschmidt, aos 7 minutos. E nem a primeira contrariedade - e grande - da grave lesão de André Almeida, mesmo que a entrada de Gilberto tenha sido assustadora (acabando por remediar com o decorrer do jogo, e até por convencer os adeptos que poderá ser solução), introduziu qualquer grão de areia na engrenagem da exibição do Benfica.

Nem isso nem o tamanho dos pés dos jogadores do Benfica, grandes demais para o VAR anular dois golos e um penalti. Quando nos atiram para os olhos linhas com foras de jogo de 10 centímetros, como aconteceu no segundo golo anulado, ficamos na dúvida. Presos ao absurdo, mas na dúvida. Quando nos querem impingir linhas de mais de 40 centímetros - 42 e 46, mais precisamente - como aconteceu no primeiro golo anulado, e no penalti transformado em fora de jogo, vemos bem que não vimos nada daquilo.

Apesar de golos e penaltis anulados, de faltas e faltinhas que não matam mas moem, e de amarelos que destabilizam, a equipa nunca se perturbou, manteve o jogo controlado, e prosseguiu sempe na procura do golo. E o segundo, de novo por Waldschmidt, surgiria no período de compensação da primeira parte.

Na segunda parte o Benfica não foi tão pressionante, até porque o Rio Ave, percebendo que não poderia continuar a tentar sair a jogar, passou a optar por um jogo mais directo. Mas nem aí alguma vez perdeu o controlo do jogo, acabando por revelar a solidez que ainda se não tinha visto.

E o terceiro golo, por Gabriel - também ele, e  inesperadamente,  com uma grande exibição - acabaria por, já  aos 86 minutos, dar uma expressão ao resultado mais condizente com aquilo que se passou no jogo.

Aviso sério

Benfica isola-se na liderança da I Liga ao vencer Farense em casa -  Desporto - SAPO 24

 

Ao terceiro jogo no campeonato, o primeiro flop. Exibição pouco menos que miserável do Benfica na recepção ao Farense, na sua primeira visita à Catedral da Luz. O resultado, um sofrido 3-2 - o Farense fez dois golos na Luz, quando ainda não tinha marcado neste campeonato - acaba por ser muito melhor que a exibição.

Apesar das duas boas exibições nos dois jogos anteriores, não tinha - confesso - bons feelings para este jogo. Não percebia por quê, mas não tinha. Talvez por memórias não muito distantes, que estão bem vivas. Uma delas era que, nos últimos meses da época passada, sempre que o Porto perdeu as coisas não correram bem, em vez de uma oportunidade foram sempre uma ameaça. E o Porto tinha perdido ontem, no Dragão, com o Marítimo. Apesar dos favores dos penaltis e das expulsões, não deu... A outra foi-me trazida pelo anúncio da constituição das equipas, e vem mais de trás.

Na constituição da equipa do Farense lá estava o Difendi na baliza. Sempre suplente nos anteriores jogos do campeonato, hoje era titular. Não foi a primeira vez que aconteceu, ainda na época passada, no Famalicão, foi assim. Era suplente, mas nos jogos com o Benfica foi sempre titular, tal é a sua fama de guarda-redes de engate contra o Benfica. E a equipa de arbitragem lá estava chefiada por Tiago Martins, um velho conhecido ... Que nunca corre bem.

Mas nem daí que vieram as dificuldades do jogo. O Difendi até fez menos defesas que o Odysseas. E muito menos daquelas decisivas, que salvam golos. E o árbitro, mesmo com o penalti que assinalou a pedido do VAR, contra o Benfica evidentemente, e com a validação do segundo golo do Farense, não teve nada a ver com a decepcionante exibição do Benfica.

"O que nasce torto tarde ou nunca se endireita", diz a chamada sabedoria popular. E este jogo do Benfica nasceu torto. Nasceu torto na conferência de imprensa de antevisão do jogo, com o mister a espalhar-se como tantas vezes faz, e apareceu torto logo que o árbitro apitou para o início do jogo. O Benfica entrou mal, e o Farense muito bem. Pertenceram-lhe-lhe logo os primeiros remates e a primeira ocasião de golo.

Depois o Benfica pareceu começar a assumir o controlo do jogo. O golo, logo aos 15 minutos, num erro de saída de bola do Farense, e num remate de Pizzi a desviar num defesa adversário, aprofundou essa ilusão. Na verdade a equipa nunca controlou coisa nenhuma, assumiu apenas que estava confortável com o jogo. E esse foi o problema. Foi demasiado o conforto a que os jogadores se entregaram. O desconforto de correr e de lutar pela bola ficava apenas para os jogadores do Farense.

Sem velocidade, sem rigor, e sem concentração, demasiado evidente no passe e na recepção, e muito menos disponíveis para disputar a bola que os adversários, o Benfica perdeu por completo o controlo do jogo. Quando o árbitro apitou para o intervalo era o Farense que mandava no jogo. E a baliza de Vlachodimos só estava a zero porque ele próprio e Otamendi iam escapando à mediocridade geral da equipa.

Percebia-se que a equipa tinha sido surpreendida pela postura táctica do adversário, a disputar o jogo no campo todo, e a discutir todas as bolas onde quer que fosse. Os jogadores estavam à espera de um adversário lá atrás, que não os incomodasse e não quando eles se aproximassem da grande área. Quando tantas vezes se queixam das equipas que se fecham lá atrás, sem aí terem espaço, os jogadores não sabiam como jogar contra um adversário que não lhe dava espaços mas era para lá chegar.

Esperava-se que ao intervalo o treinador corrigisse esse problema, e a equipa viesse do balneário preparada para os problemas com que o adversário a tinha surpreendido. Estranhamente, não.

O Farense entrou na mesma, e o Benfica ... também. Chegou cedo ao empate, num canto à antiga, a fazer lembrar os últimos tempos da fatídica época anterior, depois de Vlachodimos ter defendido por duas vezes o tal penalti. E voltou a marcar logo a seguir, num golo bem anulado por fora de jogo, mas a corresponder a tudo o que estávamos a ver.

Valeu que o mister mexeu na equipa, trocando o desastrado Gabriel por Veigl, o inexistente Waldschmidt, por Seferovic, e Rafa, que nem era dos piores, por Pedrinho. Mas nem quando, aos 79 minutos, Seferovic marcou o segundo se sentiu que o jogo estava resolvido. A vitória só pareceu garantida com novo golo do avançado suíço, oito minutos depois, mesmo que nos 6 minutos extras, Otamendi, que na segunda parte estragou tudo o que de bom tinha feito na primeira, tenha oferecido o segundo golo ao Farense.

Se, para além dos três pontos, nada mais de bom haja para tirar deste jogo, que fique um aviso sério ao treinador do Benfica. Nem todos os adversários se remetem à defesa submetidos ao seu futebol de arrasar. Hoje o Farense fez mais remates que o Benfica (14, contra 12), mais remates enquadrados com a baliza (9, contra 7), praticamente todos dentro da área. E se Seferovic marcou dois golos, foi Vlachodimos o melhor e o mais decisivo jogador do Benfica.

Adeus capitão. Adeus fantasma!

 

O Benfica não está a jogar o triplo, está a jogar bem mais. Se a base for o que jogou na segunda metade da época anterior o multiplicador não é três, é capaz de ser o infinito - está a jogar infinitamente mais!

Tivesse concretizado metade, ou até um terço, das oportunidades de golo criadas hoje, no jogo com uma das bestas negras da Luz das últimas temporadas, e estaríamos a falar de uma exibição esplendorosa. 

Este jogo com o Moreirense seria sempre especial. Porque era o primeiro jogo oficial da época na Luz, e o último de Rúben Dias. E porque era um jogo cheio de fantasmas: há duas épocas que o Moreirense alimenta um fantasma na Catedral.

Percebeu-se logo a confirmação não confirmada da notícia do dia, que apontava a saída de Rúben Dias para o Manchester City. Mesmo que a transmissão da Benfica TV a tivesse querido ignorar olimpicamente, acabando mal na fotografia com as declarações do próprio Rúben na flash-interview no final do jogo. Era evidente que o último dos titulares da equipa proveniente do Seixal, e o único titular da selecção nacional que representava o Benfica, era o preço a pagar pela eliminação da Champions. A braçadeira de capitão, quando na equipa estavam André Almeida e Pizzi, os dois a quem sucedia nessa hierarquia, dizia-nos isso mesmo.

E pronto, de praticamente meia equipa com origem na formação, num ápice o Benfica passa a uma equipa sem jogadores da casa. Morto e enterrado o famoso projecto do Seixal, seja porque o treinador, como há muito se sabe, não está para aí virado; seja porque, na hora de fazer dinheiro, Luís Filipe Vieira e Jorge Mendes não conheçam outra fórmula. Agora acabou!

Mas...voltando ao jogo de hoje. Foi uma exibição a que faltou meia dúzia de golos. No jogo anterior, em Famalicão, a equipa jogou muito bem e fez cinco golos. Em 14 remates. Hoje a equipa jogou muito melhor, mas em mais do dobro dos remates fez apenas dois golos. Dos 29 remates, 10 foram enquadrados com a baliza, sete dos quais salvos por seis grandes defesas do Pasinato, guarda-redes do Moreirense, a maioria delas sem que ainda saiba como, e um por um defesa que não se sabe donde apareceu para em, cima da linha de golo evitar o golo gritado de Waldschmidt que, servido de bandeja por Darwin (grande exibição!), depois de passar pelo guarda-redes, rematou para a baliza deserta. Um, de André Almeida, foi ao poste. E na maioria dos restantes 18 Pasinato estava batido mas a bola acabou ligeiramente por cima ou ao lado.

O primeiro golo chegou bem atrasado, pela forma como o Benfica entrou no jogo, sem deixar o adversário respirar, e retirando-lhe completamente a bola. Tinha de ser assim, porque no pouco tempo em que o Moreirense então a teve percebeu-se que sabia bem o que fazer com ela. Chegou aos vinte minutos, e pensou-se que, pela avalanche atacante do Benfica, outros se seguiriam. Não foi assim. Chegou apenas mesmo no final da primeira parte, em mais uma bonita jogada de futebol e numa finalização perfeita de Darwin (e como merecia o golo!). Mas acabaria anulado, por fora de jogo do uruguaio.

E com o segundo, que não foi, terminou a primeira parte, cheia de grande futebol. Na qual o Moreirense ainda ensaiou com propósito duas ou três saídas para o contra-ataque, concluindo uma única, com um remate que bateu em Grimaldo e obrigou Vlachodimos à sua única defesa em todo o jogo. E que defesa!

O resultado magro ao intervalo, mas principalmente a inusitada quantidade de oportunidades não concretizadas, começava a engordar o fantasma que as bancadas despidas escondiam.

À medida que o relógio ia avançando pela segunda parte fora, e os remates continuavam a sair ao lado, ou por cima, a bater no ferro, ou a ser defendidos, o fantasma engordava ainda mais, e parecia já passear no campo. O Moreirense não fazia nada que assustasse, e não assustava mesmo. Mas os fantasmas assustam. Sempre.

E na realidade só desapareceu aos 80 minutos, quando Seferovic - que havia entrado a substituir o Waldschmidt sem que se percebesse muito bem por quê -, com mais um serviço de bandeja do Darwin, chutou para o segundo golo. Finalmente!

Curioso é que, num jogo em que a única complicação foi mesmo marcar golos, tenham sido dois jogadores que estão de saída a fazê-lo. Um no último jogo pelo Benfica, e outro ... se calhar também.

Foi um jogo de adeus. Até de adeus ao fantasma. Mas também de uma grande exibição colectiva, com nota alta para todos os jogadores, mas altíssima para Darwin, Rafa, Everton, Rúben Dias (claro) e Gabriel, para já muito bem na sua nova posição. 

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