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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Um equívoco grande num grande jogo

Não é costume os clássicos serem grandes jogos de futebol. O dérbi dos dérbis, o clássico maior do futebol nacional, pelo contrário, por vezes dá em grandes espectáculos de futebol. No Benfica-Sporting desta tarde, na Luz, houve espectáculo. Foi um grande jogo de bola, de grande intensidade, aberto, como a gente gosta de ver, sem constrangimentos tácticos. Claramente o melhor do campeonato, com sete golos, que até poderiam ser muitos mais. Mais do dobro! 
 
O Benfica apresentou na primeira parte o melhor futebol da época. Dominando claramente o meio campo - o Sporting, sem Palhinha e João Mário, e com Matheus Pereira e Daniel Proença nos seus lugares pôs-se a jeito - o Benfica partiu para uma exibição que chegou a ser fulgurante, com grandes jogadas ... e grandes golos.
 
Quando, logo aos doze minutos, Seferovic fez o primeiro golo, apenas aconteceu o que a todo o momento já se esperava. Não que, ao contrário de outros jogos, tivesse criado e desperdiçado outras oportunidades. Apenas porque a sua superioridade no jogo, era óbvia. A concentração e o acerto dos jogadores, e a vertigem do futebol do Benfica atropelava o futebol dos novos campeões nacionais. 
 
À porta da meia-hora o Benfica chegou ao segundo, talvez na mais monumental jogada de futebol da partida, concluída, com grande classe, por Pizzi. E sete ou oito minutos depois ao terceiro, por Lucas Veríssimo, no primeiro golo de canto sofrido pelo Sporting esta época. Pelo meio já o árbitro  - Tiago Martins, uma das bestas negras do Benfica, o conhecido "moedas" - tinha assinalado um penalti a favor do Benfica. Desta vez revertido (o assistente assinalou - e bem - fora de jogo) pelo próprio, não foi pelo VAR.
 
À beira do intervalo já não havia dúvidas que o Sporting não escaparia à primeira derrota do campeonato, e que o sonho leonino de campeão invencível poderia acabar num pesadelo de uma pesada goleada. Só que o golo de Pote - que grande jogo fez, também -, no primeiro remate à baliza, já no período de compensação, abrir-lhe-ia as portas do resgate. E o intervalo daria a Rúben Amorim mais uma oportunidade para mostrar que é mesmo bom naquilo que faz.
 
O Sporting entrou para a segunda parte já com Palhinha e João Mário no meio campo, retirando Daniel Bragança e João Pereira, passando o Matheus Pereira para a ala direita. Ainda não dera para perceber como, com o novo meio campo, iria tentar capitalizar o golo salvador do fim da primeira parte,  e já o Benfica repunha a diferença de três golos. Num penalti - aleluia! - desta vez confirmado, e convertido por Seferovic, à procura de golos para garantir a posição de goleador-mor da prova. 
 
Curiosidade: o segundo penalti assinalado a favor do Benfica; também o segundo assinalado contra o Sporting. E o primeiro golo sofrido dessa forma, depois do também primeiro de canto.
 
No arranque da segunda parte estava reposta a diferença de três golos e, com ela, o cenário que se desenhara na primeira. O Benfica continuava a jogar bem, a criar boas jogadas e oportunidades de golo. Só que os jogadores entenderam que o jogo estava mais que ganho e, em vez de se preocuparem em controlá-lo, preocuparam-se com os golos para Seferovic. Mantiveram o mesmo frenesim ofensivo, a mesma vertigem mas, na hora do golo, a única preocupação era procurar o internacional suíço. E desperdiçaram assim dois ou três golos.
 
Estava a ver-se que aquele não era o caminho, e que os jogadores do Benfica estavam a entrar numa perigosa fase de deslumbramento. Repare-se que Helton Leite fez a primeira defesa do jogo - e fácil - aos 61 minutos. Para no minuto seguinte sofrer o segundo golo. Que mudou por completo o jogo.
 
Os jogadores do Sporting tiveram o mérito de se conseguir salvar do precipício, os do Benfica o demérito de lho terem permitido. A substituição de Taarabt - faz tudo bem, menos a última coisa que tem a fazer - pelo ainda mais inconsequente Gabriel também ajudou. Até porque, como sempre acontece, bastaram-lhe três minutos em campo para ficar limitado por um cartão amarelo, Seguiram-se vinte minutos em que só deu Sporting, tempo para Pote repetir Seferovic, e voltar a marcar, e também de penalti. E para mais três oportunidades, entre elas uma bola no poste, do mesmo Pote, para chegar ao golo do empate, a última negada por Helton Leite, aos 78 minutos, com uma defesa enormíssima.
 
Em 20  minutos passou-se do espetro de uma goleadoa histórica para o da invencibilidade do Sporting. Repetindo o que já acontecera com o Porto, e com o jogo ainda mais partido, os últimos 10 minutos voltaram a cair para o Benfica. Foi como que a papel químico, incluindo a arbitragem que, para não expulsar (segundo amarelo) o Nuno Mendes, ignorou uma cotovelada em Rafa, isolado em direcção à baliza. Como já ignorara uma agressão a pontapé de Paulinho, para vermelho. Com as entradas de Nuno Tavares, Rafa, Darwin e Waldchmidt, e já sem Seferovic em campo, e com o Sporting já com Coates a ponta de lança, o Benfica acaba com mais duas flagrantes oportunidades de golo. 
 
Mas, do susto, não se livrara. Ou como uma goleada anunciada acaba num jogo de credo na boca. Tudo pelo equívoco dos jogadores do Benfica nessa coisa do melhor marcador do campeonato. É que, de tanto pensarem no colega, se esqueceram que, mais importantes que os golos que Seferovic ainda pudesse acrescentar, eram os que  Pote viesse a marcar. 
 
Mas nem por isso deixou de ser um grande jogo de futebol. Só deixou de ser o prémio de consolação que é, sempre, uma goleada sobre o velho rival. Mais a mais no dia em que, a uma jornada do fim, também o segundo lugar, o tal de acesso directo à Champions, deixou de ser possível.

 

 

Vergonha

 

"Não sei o que é guarda de honra, no Benfica deve ser feita é ao presidente pelo grande trabalho que tem vindo a fazer" - palavras de Varandas Fernandes, vice-presidente do Benfica. Que nos envergonham. A mim envergonham-me profundamente.
 
Envergonha-me a falta de desportivismo, o meu Benfica não é isso. E envergonha-me a absolutamente indecente subserviência a quem mais não tem feito que envergonhar o benfiquismo.
 
Ninguém se aproveita nesta corja que capturou o Benfica. Seguirão irreversivelmente para o esgoto, o único destino que a História do Benfica lhes pode reservar. O Benfica continuará, e apesar deles, e depois deles, seguirá glorioso. 

O mister

 

No dia da festa do Sporting - e impõe-se desde já dar os parabéns à lagartagem, e muito especialmente aos meus amigos sportinguistas, que são muitos, e muitos muito amigos mesmo - o Benfica pareceu querer dar-nos mais uma tristeza. E deu, mesmo que no fim a vitória na Madeira a disfarce um bocadinho. A tristeza de mais um jogo pobre, de muito desacerto e de pouca inspiração não é apagada pelo resultado.

Jorge Jesus escalou um onze com seis alterações em relação ao último jogo, com o Porto, de má memória. Duas - Diogo Gonçalves, suspenso por acumulação de amarelos, e Rafa, por obra e graça de Pepe - inevitáveis, as restantes, vá lá saber-se porquê... E a equipa, que já não é famosa, ressentiu-se disso. Gilberto, Pedrinho, Chiquinho, Cervi, Waldschmidt e mesmo Nuno Tavares, não estiveram à altura. Mas a verdade é que, à excepção de Helton Leite, que claramente evitou o pior, e de Lucas Veríssimo, os restantes também não, mesmo que se tenha de reconhecer que, em tamanha minoria, também não seria fácil fazerem muito melhor.

A primeira parte foi uma lástima. Para além das investidas de Riasco, a deixar Gilberto de rastos,  pouco mais há para dizer. Os jogadores do Benfica viam os do Nacional correr, e esmeravam-se a falhar passes. Remates, nem vê-los. E oportunidades de golo só para a equipa da Madeira. Do lado do Benfica apenas duas aproximações à baliza adversária, uma concluída com remate de cabeça de Seferovic por cima da barra, e outra em que o ponta de lança suíço voltou a trocar os pés sem sequer tocar na bola, quando tinha tudo para fazer o golo.

Mau de mais, mais uma vez.

Ao intervalo o mister emendou a mão, e lançou Grimaldo, Pizzi e Everton. E apesar de ter sido o Nacional, logo no arranque, a voltar a ameaçar a baliza de Helton, cedo se percebeu que o Benfica metia mais velocidade no jogo, e que as coisas poderiam mudar de rumo. A equipa passou então a mandar no jogo, mas logo voltou o VAR a entrar em cena. Uma autêntica maldição.

Fruto da superioridade que finalmente tinha no jogo, o Benfica chegou ao golo, por Nuno Tavares. Mas lá estava o VAR para o anular. Desta vez o pretexto foi uma falta de Lucas Veríssimo, numa disputa de bola, para aí um minuto antes, em que fora ele o primeiro a sofrer falta. Depois, pouco depois, em cumprimento da lei máxima desta liga, foi mais um penalti que ficou por assinalar, quando um defesa do Nacional jogou a bola dentro da área com as duas mãos. Não percebíamos como nem o árbitro nem o VAR tinham visto, mas logo os senhores da Sport TV nos elucidaram. Pelo que explicaram ficamos a perceber que, jogar a bola com a mão, ou até com as duas, como foi o caso, já não é penalti. Só é penalti se o movimento dos braços aumentar a volumetria. Se um defesa blocar a bola, como um guarda-redes, não é penalti. Que bom é ter estas explicações dos senhores da Sport TV!

Entretanto entrava-se no último quarto de hora jogo, e a relativa qualidade daqueles vinte e tal minutos começava a desaparecer. Voltavam os passes errados, e o treinador do Nacional começava a lançar jogadores rápidos para o ataque, acreditando que, com o Benfica mandado para a frente, mas já fora do seu melhor período, teria chegado a hora de dar o golpe final no resultado.

Era este o cenário quando, aos 78 minutos, já com Darwin e Gonçalo Ramos em campo, chegou o golo do empate. Seferovic, sozinho em frente ao guarda redes, ia falhar mais um golo, com um remate para fora, só que o defesa do Nacional que tinha marcado o golo na primeira parte, ao tentar o corte, desviou-lhe o sentido para dentro da baliza.

Só podia ser assim. Assim ... ou com Gonçalo Ramos. Dois minutos depois, lá estava o miúdo, no sítio certo, a rematar de primeira, e com classe, para o golo, a passe de Darwin. Cinco minutos depois, repetiu. Sem o mesmo brilhantismo, mas com a mesma eficácia. A lembrar a toda a gente existe, que está lá, e que merece jogar bem mais. 

Mérito de Gonçalo Ramos, o homem do jogo? Não, nada disso. Mérito do mister. Que o meteu a jogar, e que, antes de o fazer entrar, lhe explicou que movimentos tinha de fazer. Mérito de Jorge Jesus, pois claro. Sem qualquer responsabilidade nesta época miserável, em que tudo é culpa da covid, como é que poderia não ser?

Um clássico cheio de clássicos

 

O clássico de hoje. uma quinta-feira, às seis e meia da tarde - sem público e no actual contexto, todos os dias e todos os horários servem, desde que sirvam à televisão - arrancou com o Benfica já irremediavelmente afastado da luta pelo título pela soberana Matemática, a três jornadas do fim. 
 
Começou bem antes, como quase sempre, por cá. Ainda o Sporting não tinha jogado em Vila do Conde, e ainda a Matemática não era definitiva.
 
Sérgio Conceição, o treinador do Porto, estava castigado - suspenso por 21 dias. Mas cedo se percebeu que isso era coisa de fazer de conta, e que estaria hoje no banco, na Luz. Ontem, claro, chegou a confirmação oficial, e hoje lá esteve. No banco, na flash e na sala de imprensa, é que não. Para compor o ramalhete, o árbitro escolhido foi Artur Soares Dias, o tal. 
 
Um clássico!
 
Depois veio o jogo. E Soares Dias não quis deixar de justificar por que é sempre o escolhido para estes jogos. Manhoso e cínico, como sempre. E como ninguém. A ponto de até ter marcado dois penaltis a favor do Benfica, como que a dizer: "vejam bem que até marquei dois, quando ninguém assinala penaltis para o Benfica".
 
O jogo arrancou nos moldes habituais destes jogos. Sérgio Oliveira e Octávio distribuíam fruta a torto e a direito. O primeiro cedo foi amarelado, e … remédio santo. A partir daí ganhou carta branca - para lhe não voltar a mostrar o amarelo, o árbitro deixou de lhe assinalar faltas. O Octávio, não. Como nunca viu amarelo pôde ir acumulando faltas, umas atrás das outras. Quando começaram a ser de mais, Soares Dias começou também a deixar de as assinalar. 
 
Mas havia umas que assinalava sempre, não falhava uma. Sempre que, depois da falta, a bola sobrava para jogadores do Benfica, com possibilidade de saírem rapidamente para o ataque, lá saía o apito. Fosse a meio campo, fosse à saída da área portista. Chama-se a isso beneficiar o infractor, mas que importa? O que lhe importa é levar o barco a bom porto!
 
O Pepe, o Sérgio Oliveira, o Octávio lá continuaram, sempre na impunidade. Aos 80 minutos, com aquela entrada do Pepe sobre o Seferovic, e ao anular a marcação rápida do livre, que até acabou em golo, a coisa passou todas as marcas. E então não foi de meias medidas - de rajada, amarelou tudo o que mexia no Benfica. E até saiu vermelho para o Rui Costa.
 
E é esta a estória do jogo. Um clássico, também.
 
O resto é um jogo com pouca história, pouco bem jogado na sua maior parte. Um jogo levado para os despiques individuais, como é característico nestes jogos, onde os jogadores do Porto se sentem como peixe na água, e ganham normalmente a maior parte dos duelos, das bolas divididas e das segundas bolas. Enfadonho, que só se soltou, e ganhou verdadeira emoção nos últimos dez minutos, depois do Porto ter chegado ao empate. Até porque, naquelas circunstâncias, o futebol do Benfica dependia muito da explosão de Rafa que, depois de tanta pancada,  teve de abandonar por KO de Pepe, naquela entrada à Pepe. Um clássico.
 
O Benfica tinha-se adiantado no marcador, pelo Everton, a meio da primeira parte, mesmo sem ter conseguido contrariar aquele jogo do Porto, e sem se ter conseguido superiorizar. Já no fim da primeira parte surgiu o primeiro penalti, sobre o Rafa. Que não foi, dizem as tais linhas que o Rafa estava em fora de jogo, no início da jogada. Como não foi o segundo, sobre o Diogo Gonçalves, a meio da segunda parte.
 
Nos últimos minutos o Porto quis partir o jogo, e o Benfica, mesmo já sem Rafa, teve então oportunidade de se superiorizar e ganhar o jogo. A festa do golo chegou já no tempo de compensação, numa bela jogada de ataque excepcionalmente concluída por Pizzi, pouco depois de uma bola na barra, rematada pelo Taarabt. Mais uma vez as tais linhas descobriram que, no inico da jogada, o Darwin estava por não sei quantos centímetros em fora de jogo, e anularam a festa, e o golo.
 
E lá fica mais um empate, num jogo que, porque teve mais e as melhores oportunidades de golo, o Benfica merecia ter ganhado. Mas em que, mais uma vez, ficou muito aquém do exigível. Também um clássico desta desastrada época, talhada exclusivamente à medida da reeleição de Vieira. Que não é para esquecer. É para nunca mais esquecer!

A competência facilita as coisas

 

Jogar em Tondela é sempre difícil, pelo que esta deslocação do Benfica não podia ser encarada com grande optimismo. As ausências, por castigo, de Veigl e Otamendi, a que se somavam mais alguns jogadores em risco de ficarem impedidos de jogar o próximo jogo, que é com quem se sabe, complicavam mais as coisas. O Ramadão também entra nestas contas, com Taarabt de fora, entre o jejum e as lesões.
 
Sem Otamendi, o treinador do Benfica abandonou a sua nova opção pelos três centrais, e regressou ao seu clássico 4x4x2, com o centro da defesa entregue a Lucas Veríssimo e Vertonghen. Com Gabriel a fazer de Weigl, Gilberto, também ele em perigo amarelo, a poupar o Diogo Gonçalves a esse risco, Everton e Waldchmidt de volta à titularidade, e Pizzi na rara condição, nos últimos tempos, de titular pela segunda vez consecutiva. Muitas mexidas.
 
O jogo arrancou a quere confirmar as esperadas dificuldades, com o Tondela muito agressivo e disposto a lutar por todos os espaços e por todas as bolas. Rapidamente, bem cedo, e à custa de bom futebol, o Benfica anulou as intenções tondelenses. E partiu para uma boa primeira parte, com 35 minutos de grande nível.
 
O primeiro golo surgiu logo aos 12 minutos, mas já na terceira oportunidade claríssima do Benfica. Antes já Seferovic tinha feito o que é costume - fazer o mais difícil, que é falhar um golo daqueles. E Everton - mais uma aparição, ele que tantas vezes anda desaparecido - isolado, tinha desperdiçado outro.  Às três foi de vez, e foi de novo a vez de Pizzi, em mais um daqueles golos que só ele marca, assistido pelo Everton.
 
O Benfica estava então em plena exuberância exibicional, e o segundo golo tardou apenas 7 minutos. E também à terceira, que no total era a sexta oportunidade de golo criada. E que golo, este de Everton!
 
A equipa manteve a exibição em bom nível até ao fim da primeira parte, mesmo que à medida que o tempo ia avançando se começasse a ver a equipa mais interessada em controlar o jogo, do que propriamente em continuar avassaladora.
 
Tendência que acentuou na segunda parte, e que se chegou até a mostrar perigosa, em especial no primeiro quarto de hora, quando a equipa correu sérios riscos. Valeu, por duas ou três vezes, o guarda-redes Helton, já a fazer esquecer Vlachodimos. Ou pelo menos a dar razão à inexplicável - e inexplicada - opção de Jorge Jesus de há dois meses. 
 
Foi o período menos bom da equipa. Que, passado esse quarto de hora inicial, mesmo sem nunca voltar a atingir o fulgor da primeira parte, voltou ao controlo absoluto da partida. E a criar oportunidades de golo flagrantes. Para Seferovic voltar a desperdiçar. Mas também Pizzi, num remate fantástico que só por muito pouco não deixou a bola dentro da baliza. E ainda Cervi, entrado perto do fim, sozinho em frente ao guarda-redes, mas também com dois colegas ao lado, sem nada que os estorvasse.
 
É sempre assim, quando se é competente, os jogos difíceis acabam em jogos tranquilos. A equipa jogou globalmente bem, e até os patinhos feios a parecer cisnes. Everton foi mesmo cisne. Gabriel não foi, mas às vezes até chegou a parecer. E com Pizzi em forma, a música é outra. 
 
Não fosse aquele intolerável apagão com o Gil e outro galo agora cantaria. Quando deixaram que fosse o galo de Barcelos a cantar deixaram que se acabasse tudo. O acesso directo à Champions é agora de alta improbabilidade. Até porque para o outro lado continua a cair daquilo de que eles gostam tanto por todo o lado, e de toda a maneira e feitio.

Montanha russa

Que jogo esquisito, este do Benfica esta noite na Luz, com o Santa Clara, nesta montanha russa - com mais descidas vertiginosas que propriamente subidas - que são as suas exibições nesta época. Não é que seja esquisito que a equipa não tenha dado continuidade à boa segunda parte de Portimão, porque - lá está - regularidade é coisa que o Benfica não sabe bem o que é. O jogo é que foi mesmo esquisito.
 
O Santa Clara é um adversário complicado, não complicou só a vida ao Benfica. Já o tinha feito em Alvalade e no Dragão, donde acabou por sair com o mesmo resultado de hoje, e porventura até de forma mais injusta que hoje. Mas isso não explica tudo, e menos explica que o jogo tenha sido tão esquisito.
 
Na primeira parte o Benfica não jogou bem, longe disso. Mas também não jogou tão mal como já o tem feito, pelo menos ao nível do passe. É certo que o futebol da equipa não teve velocidade, nem intensidade. Mas também não foi exactamente aquela pasmaceira de muitos outros jogos. Foi assim uma coisa que nem é carne nem peixe.
 
Mais que uma má exibição, foi uma exibição incompetente. Especialmente tacticamente incompetente.
 
Nunca teve o jogo controlado, mas também nunca se viu seriamente ameaçado pelo adversário. Criou duas ou três oportunidades para marcar, mas nem sequer rematou. E acabou por chegar ao golo, aos 25 minutos, quando o Santa Clara estava por cima do jogo, na única vez que conseguiu chegar à linha de fundo - a pecha maior deste futebol de Jorge Jesus, como venho repetindo - num cruzamento tenso, como mandam as regras, de Everton, na única coisa de jeito que fez enquanto esteve em campo, concluída pelo melhor marcador … da equipa açoriana.
 
Foi um golo à ponta de lança, num cabeceamento de grande execução, como se a baliza fosse outra. Uma rotina de ponta de lança numa acção defensiva. Mais esquisito não há!
 
Logo a seguir Seferovic - também ele com a sua montanha russa - não fez de ponta de lance, como tantas vezes lhe acontece. E falhou o 2-0 sozinho à frente da baliza, depois de servido de bandeja pelo Diogo Gonçalves, de novo o mais inconformado
 
Sempre à espera da fase de subida da montanha russa, esperava-se que a segunda parte fosse diferente. Que, em vantagem no marcador, com a lição da primeira parte estudada, com um adversário a jogar aberto e no campo todo, repetisse a segunda parte de Portimão.
 
Mas, não. O Benfica piorou ainda. E o primeiro quarto de hora foi pouco menos que um pesadelo. O Santa Clara chegou naturalmente ao empate, e só se não pode dizer que esteve sempre por cima do jogo porque,, de quando em vez, o Benfica engatava uma jogada, e criava sempre mais perigo que o adversário a atacar e a rematar mais.
 
 Esquisito. Tão esquisito que chegou ao golo da vitória - por Chiquinho, que entrara, com Darwin, logo a seguir ao golo do empate, com mais uma assistência do Diogo Gonçalves, a culminar a melhor jogada do desafio - no primeiro remate de todo o jogo enquadrado com a baliza. 
 
Esquisito que o guarda-redes do Santa Clara tenha feito uma única defesa. E Helton Leite umas sete ou oito. E que os açorianos tenham rematado o dobro do Benfica. E que mesmo assim Seferovic tenha voltado a falhar mais dois golos feitos. E Darwin mais outro.
 
Já só não é esquisita a regularidade desta irregularidade da equipa. Nunca se sabe com o que se pode contar. O melhor é contarmos com exibições destas. E depois, se sair alguma coisa de jeito, deixarmo-nos entusiasmar e pensarmos mais uma vez que agora é que é.. E entramos também na montanha russa!
 
 

Nem sempre nuvens negras dão em tempestade

 

Depois do desastre do passado sábado, na Luz,  esta deslocação a Portimão, para defrontar a equipa da casa na sua melhor fase da época, a ganhar e a marcar golos como nunca, tinha tudo para correr mal. O peso da derrota com o Gil,  nas circunstâncias em que aconteceu e com as consequências directas que teve, a boa forma do adversário e a História das duas últimas visitas, conjugavam-se numa mistura altamente perigosa,
 
As nuvens iam negras e carregadas em Portimão e a primeira parte deixou a tempestade à vista. O Benfica surgiu  com aquele futebolzinho bloqueado, lento, macio, denunciado e desinspirado. Com muita bola, mas sem nunca saber o que fazer com ela. Com domínio territorial, mas inofensivo e completamente confortável para o adversário. 
 
Para que tudo voltasse a ser como antes, o Portimonense marcou na primeira oportunidade que criou, à beira do intervalo, numa jogada bem construída, e melhor concluída pelo sensacional Beto, já a estrela da equipa. Mas também muito consentida pela organização defensiva benfiquista, e por Gabriel, condicionado pelo amarelo, em particular. A tempestade perfeita!
 
Um golo que parecia empurrar a equipa para o inferno, deixando-a sem reacção. Até que, na última jogada da primeira parte, do nada e quando se esgotavam os dois minutos de compensação, aconteceu o empate. Só Pizzi poderia fazer aquele golo, mais ninguém. Aquela recepção, com o remate de imediato, sem precisar do espaço que os jogadores do Portimonense nunca davam, só dele. Não há no Benfica outro para fazer aquilo.
 
Fez bem à equipa. Que surgiria na segunda parte completamente diferente, muito pela entrada de Darwin, pela saída do regressado Gabriel, amarelado desde muito cedo, e desastrado como (quase) sempre. O jovem uruguaio podia ter marcado logo na saída de bola, rematando por cima da barra, com a baliza completamente à mercê.
 
Não marcou aí, marcou quatro minutos depois. Também um golo que só ele poderia marcar. Não há outro no Benfica, com aquela capacidade de atacar a profundidade, e de ganhar em velocidade e em capacidade física por entre os dois centrais. E ter ainda força para concluir na cara do guarda-redes.
 
No primeiro quarto de hora o Benfica criou quatro claras oportunidades de golo. Mas marcou apenas por uma vez, deixando ainda pairar algumas dúvidas sobre o resultado. A perder, o Portimonense subiu no terreno e quis aproximar-se da baliza do Benfica, e chegou até, à entrada do segundo quarto de hora, a assustar, sempre através de Beto, a coqueluche do momento. Mas alterou por completo as condições do jogo, e abriu o caminho ao Benfica para uma exibição bem conseguida, sem nada a ver com a da primeira parte.
 
Não durou mais que dois a três minutos esse tempo em que o Portimonense procurou levar incerteza para o marcador. Aos 64 minutos Seferovic, em mais um grande golo, a concluir mais uma boa jogada, fez o terceiro golo e acabou com as dúvidas. E, para o Portimonense, com o jogo.
 
Só deu Benfica. E ainda mais dois golos, com Seferovic a bisar ( e a isolar-se na lista dos marcadores), e Everton, que voltou a jogar mais uns minutos, a fixar o resultado num radioso 5-1. Que as nuvens negras à chegada não deixavam de todo prever. 
 
Ah… sei que há muitos benfiquistas que embirram particularmente com o Pizzi. Mas não temos melhor para fazer o que ele faz. E a equipa precisa do que ele faz. 

Foi bom enquanto durou

 

Acabou. Foi bom enquanto durou, mas acabou-se. Durou pouco, apenas sete jogos, este jogo de "ses" que, depois das duas últimas jornadas do campeonato, alimentou o remoto sonho do Benfica poder vir ainda a voltar a ser campeão. Se o Benfica ganhasse todos os jogos até ao fim do campeonato, se o Sporting perder mais seis pontos... Se isso acontecesse, e mesmo que o Porto ganhasse todos os outros jogos, no final os três somariam 81 pontos, coisa inédita.
E o Benfica seria campeão. E o Sporting seria segundo e o Porto terceiro.
Com este jogo de hipóteses no ar, e com o desempenho da equipa nos últimos sete jogos, ninguém esperaria que o Benfica hoje entrasse em campo sem a convição de quem queria ganhar o jogo. De quem só poderia ganhar o jogo.
Estranhamente, se é que ainda alguma coisa se estranha neste Benfica,, não foi com esse espírito que a equipa entrou hoje na Luz, na recepção ao Gil Vicente. E acabou o sonho. Até esse mal menor do segundo lugar, de acesso directo à Champions, não passa hoje de uma miragem. E mesmo o terceiro lugar depende agora do que se seguir, onde o mais provável neste momento é voltarmos a assistir ao desmoronar da equipa.
O jogo deixa pouco para contar, para além das consequências de uma derrota que jogadores, em primeiro lugar, mas também o treinador, fizeram pouco por evitar. Começou por ser um jogo sem balizas, o que demonstra a falta de ambição do Benfica. Que convinha ao Gil, bem distribuído no campo todo, e sempre a encontrar espaços para jogar.
O Benfica não pressionava. Nem alto, nem baixo. Simplesmente deixava jogar. E pôs-se a jeito daquilo que antes acontecia, e que pensávamos que faria parte do passado. À primeira oportunidade o Gil marcou, iam decorridos 35 minutos de jogo, sem que o Benfica tivesse sequer efectuado um remate. De resto, na primeira parte o Benfica, o Benfica fez apenas duas espécies de remates. De cabeça, ambos, e ambos sem qualquer sentido.
O Gil Vicente não foi apenas melhor que o Benfica. Foi muito melhor, e nem sequer precisou de caprichar muito, perante um adversário totalmente desinspirado e negligente.
À entrada para a segunda parte Jorge Jesus desfez o trio de centrais (!) , trocando Lucas Veríssimo por Everton, que voltou a não acrescentar nada. Esperar-se-ia que a equipa mudasse de atitude e de qualidade de jogo, e que asfixiasse o Gil, lá atrás. Só que a primeira oportunidade, logo ao terceiro minuto, voltou a pertencer à equipa de Barcelos, e ficou dado o mote. Aos sete minutos surgiu a primeira oportunidade do Benfica, perdida pelo de novo desastrado Seferovic. Mas, cinco minutos depois, consentia nova oportunidade ao adversário.
Depois foi carregar sobre o meio campo adversário, empurrá-lo finalmente lá para trás, mas uma incapacidade absoluta de ultrapassar a sua organização defensiva. Com o futebol do costume. sem dinâmica, sem remates de longe, sem linha de fundo, sem presença e pressão na área adversária, e com passes e recepções errados.
No meio disto, o Gil vai lá à frente e, desta vez à terceira oportunidade, marca o segundo golo. Numa jogada que transmite tudo o que foi a equipa do Benfica, com um único jogador gilista a fugir pela esquerda sem ninguém o acompanhar, a entrar na área com o próprio Otamendi a renunciar a acompanhá-lo até ao fim, e a marcar já e, cima da linha de fundo. Quer dizer, com um ângulo fácil de cobrir pelo Helton Leite. Que não fez uma única defesa, levou dois golos, e poderia ter levado mais.
Claro que, mesmo assim, o Benfica teve oportunidades que poderiam até ter bastado para ganhar um jogo que nunca mereceu ganhar. Se as conseguisse aproveitar. Não conseguiu, e até o golo de honra, a 4 minutos dos 90, teve de ser marcado por um defesa adversário na própria baliza, mesmo que numa tabela na sequência de mais uma boa defesa do seu guarda-redes.
 

Como é bonito quando tudo corre bem

O Darwin não é egoísta, tenho de lhe retribuir as assistências» |  MAISFUTEBOL

O Benfica saiu de Paços de Ferreira, uma deslocação de acentuado grau de dificuldade - ´sempre difícil jogar lá, e esta época mais ainda dado o excelente futebol da equipa treinada por Pepa, e extraordinária carreira que está a fazer nesta Liga, com o quinto lugar, e o acesso à Liga Europa praticamente garantido - com uma belíssima exibição. e com o mais expressivo resultado da época.

As esperadas dificuldades começaram a sentir-se logo com o arranque do jogo. Por um lado porque o Paços entrou bem, a pressionar alto e, por outro, porque logo se percebeu que o árbitro Hugo Miguel - pois claro - estava ali para dar continuidade à aplicação da lei máxima deste campeonato, contrariada apenas no último jogo, com o Marítimo. Logo aos três minutos, na mesma jogada, e depois da primeira arrancada de Seferovic, não há um penalti a favor do Benfica. Há dois. Primeiro, carga do defesa pacense nas costas de Waldschemidt que, imediatamente depois, voltou a ser carregado pelo guarda-redes, que saiu lesionado do lance, e levou à primeira grande interrupção no jogo.

Curiosamente a história repetir-se-ia à entrada do último quarto de hora da partida, então com o defesa e capitão, Marcelo, sobre Everton, que entrara pouco antes. Primeiro desviou a bola com a mão e. logo a seguir, derrubou o avançado do Benfica.

Logo depois de retomado o jogo, o restabelecido guarda-redes Jordi abalroou Seferovic, isolado à entrada da área, mas foi assinalado fora de jogo. O primeiro de quatro seguidos, um dos quais acabaria em golo. Intervenção do VAR, e nova paragem prolongada.

Aos 22 minutos do relógio, mas para aí aos 10 de jogo, surgiu o momento que marcaria o jogo. Eustáquio, depois de perder uma bola, entrou de pitons sobre a perna de apoio de Weigl, só não lha partindo porque não calhou. Lance indiscutível para vermelho. O árbitro Hugo ficou-se pelo amarelo, e o VAR teve de voltar a intervir, chamando-o a visionar as imagens. Então sim, o árbitro não teve alternativa, mostrou-lhe o vermelho, e o Paços ficou reduzido a dez jogadores, circunstância de que havia escapado pelo tal fora de jogo assinalado a Seferovic.

Na maior parte dos jogos em que as equipas grandes defrontam as pequenas, jogar contra dez não faz grande diferença de jogar contra onze. Como só defendem, defender com 10 ou com 9 não é muito diferente. Não foi a circunstância deste jogo. Desde logo porque o jogador nazareno é um dos bons jogadores deste campeonato - diz-se que o Porto já o terá apalavrado - e o mais influente desta equipa de Pepa. E depois porque o Paços não faz parte dessas equipas que só defendem, mas das poucas que disputam o jogo no campo todo.

Nunca se poderá saber se, sem essa expulsão, a exibição do Benfica e o resultado seriam os mesmos. O contra factual não é passível de prova. E o que estava para trás no jogo, tantas e tão prolongadas tinham sido as interrupções, não permite formular quaisquer hipótese. Há apenas um dado: é que o Paços não tinha feito qualquer remate, e contava então com apenas um ataque, no primeiro minuto. 

Não vale portanto a pena especular, e o que fica para contar é o que aconteceu, o que foi o jogo. É aí que entra a boa exibição do Benfica, os cinco golos marcados, e o sétimo jogo consecutivo a ganhar. E sem sofrer golos, naquele que é o novo recorde na Europa, batido o anterior, que pertencia ao Manchester City, ao minuto 14.

Jorge Jesus voltou aos três centrais, voltando a incluir Vertonghen. Não se sabe por entender que o Paços impunha respeito para tanto, se apenas por ser a forma mais limpa de nos livrar do Everton Cebolinha. Tenha sido pelo que for, resultou bem. E nem contra dez, e com o Paços inofensivo - fez apenas um remate, e fraquinho, à figura de Helton Leite, e ao minuto 85 - desfez o trio.

Correu bem porque tudo correu bem, mas também correu bem porque qualquer dos três centrais participou bem no início da construção do jogo da equipa. Começou sempre aí o futebol ofensivo e vistoso do Benfica, se bem que sempre marcado pelos seus dois grandes pecados capitais - a linha de fundo e os remates de meia distância. Mas como tudo correu bem nem se deu por eles.

O primeiro golo só surgiria aos 37 minutos, por Digo Gonçalves, resultado directo da forte pressão alta da equipa. Mas antes já Jordi negara dois golos certos a Waldschemidt e a Rafa. Que pouco depois marcaria o segundo, num contra-ataque em que Seferovic - grande exibição, o melhor em campo -, ainda no meio campo defensivo faz um passe sensacional para Rafa se desmarcar também, e ainda, antes da linha de meio campo. Nos 9 minutos de compensação Seferovic fez dois golos, mas só um contou. Em mais uma belíssima jogada de futebol, concluída com um grande passe de Taarabt, e uma grande desmarcação e uma finalização com classe do internacional suiço.

Com 3-0 ao intervalo, a equipa não abrandou, e só uma grande exibição do guarda-redes Jordi evitou que o marcador fosse evoluindo para números que já não se usam. As substituições começaram cedo, e desta vez todas a preceito. Logo ao intervalo entrou Gilberto para a saída de Diogo Gonçalves, amarelado e com um árbitro de mão leve para cartão amarelo (cinco, a jogadores do Benfica). Depois, ainda antes da hora de jogo, entraram Pizzi e Everton e, já nos 10 minutos finais, Darwin e Cervi.

E o melhor que se pode dizer é que todos, até Everton, estiveram a bom nível. A boa exibição colectiva decorreu naturalmente das boas exibições individuais, com destaque claro para Seferovic. Marcou dois golos e assistiu para outros dois, os de Rafa e de Darwin, festejado com lágrimas pelo jovem uruguaio. Mas Seferovic não fez apenas isso. Ao contrário do que fizera no último jogo, em que por egoísmo e individualismo penalizou a equipa no escasso 1-0, foi sempre um jogador do colectivo, sem se mostrar preocupado com essas coisas dos melhores marcadores, que agora já é.

E aquela forma como festejou o golo com Darwin foi do mais bonito que tenho visto. E como é bonito quando tudo corre bem!

 

Momentos históricos

 

O Benfica regressou ao campeonato, mas não regressou ao ponto donde partira. Regressou mais atrás, onde estava em Fevereiro.

Foi mais uma pobre exibição, perante um Marítimo a caminho da segunda Liga, na última posição da tabela classificativa. Tão pobre que até nem parecia que aquele Marítimo estava assim tão mal.

Teve uma novidade, este jogo. Duas, mas vamos à primeira, e mais significativa. Teve o primeiro penalti marcado a favor do Benfica. Foram precisas vinte e cinco jornadas para vermos alguém do Benfica com a bola à frente, parada ali na marca dos 11 metros. Foi Luca Waldschmidt, aos 20 minutos da primeira parte.

E que penalti! Foi tão claro quanto desnecessário, cometido por Hermes sobre Rafa, a sair da grande área, e naturalmente de costas para a baliza. O Benfica ainda não tinha criado qualquer oportunidade de golo, e mesmo remates, apenas dois. E valeu três pontos. Visto de agora, percebe-se que só assim o Benfica poderia marcar, tantas foram as oportunidades desperdiçadas. E quase sempre da mesma maneira, com jogadores isolados frente ao guarda-redes do Marítimo.

Apesar de ter jogado mal, o Benfica criou quatro ou cinco oportunidades claras de golo. E se fosse noutra altura da época, como acontecia há dois, três ou quatro meses, não teria ganho o jogo. Nesses tempos os adversários marcavam na primeira vez que chegassem à baliza, tal o desacerto defensivo de então. Agora já não é assim, a equipa defende bem, e o azar não está sempre atrás da porta. É que a equipa do Funchal teve duas ou três boas oportunidades para marcar, com Helton Leite a fazer duas boas defesas e, já no período de compensação, pela primeira vez batido, teve a sorte de o remate ter saído um pouco ao lado do seu poste esquerdo.

O futebol apresentado não foi muito diferente daquele velho estereotipo de passe para o lado e para trás, sem linha de fundo, com pouca presença na área e sem remates de fora da área. E os jogadores pareceram desconcentrados em muitos momentos do jogo, e desinspirados em tantos outros.

A segunda novidade foi o aparecimento, pela primeira vez, de uma jogada trabalhada, daquelas ditas de laboratório, na cobrança de um livre. E que jogada!

Mas como a equipa não encontrava forma de marcar, também essa foi perdida. Na circunstância por Otamendi, digna de ir directamente para os "apanhados". Fica também para a história deste campeonato, e logo no dia do também histórico penalti.

Também as antigamente famosas transições ofensivas de Jorge Jesus apareceram. A subida do Marítimo na segunda parte permitiram-no. E permitiram muitas mais do aquelas três. Se na primeira, por Rafa, e na última, por Chiquinho, acabado de entrar e já dentro dos cinco minutos finais de tempo extra, ainda se pode dizer que acontece, na segunda é apenas obra do egoísmo de Seferovic, a pensar na lista dos melhores marcadores. Tinha mais dois companheiros ao lado, todos sozinhos na cara do guarda-redes, e só tinha que desviar a bola para qualquer um deles. mas preferiu rematar e permitir a defesa (mais uma) ao guarda-redes do Marítimo, que lhe fez a mancha escancarando a baliza aos outros dois.

Com o resultado em 1-0, é imperdoável.

E assim se manteve o resultado magríssimo, fruto do tal penalti histórico. Mas com sofrimento desnecessário, e com Jorge Jesus - as substituições também não correram nada bem - a acabar o jogo com três centrais, com a entrada de Vertonghen, nos minutos finais.

Pode ser que seja o regresso das selecções. Os entendidos dizem que é sempre difícil. Que é difícil o regresso das selecções, e que é difícil o regresso das competições europeias. Como já não temos nada disso, pode ser que tenhamos agora o regresso àquele bocadinho de qualidade dos últimos jogos de Março.

 

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