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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Este sim, foi de Champions!

Antes de mais: que grande jogo, o desta noite na Luz. Daqueles que têm tudo o que se pode esperar, e desejar, de um jogo de futebol. Se há "jogos de Champions", este, sim, foi um deles!

Começo pelo adversário, que já não é simplesmente o PSG de Messi, Mbapé e Neymar. É hoje uma verdadeira equipa de futebol, cheia de jogadores de qualidade extra, e que, ainda por cima, tem Messi, Mbapé e Neymar.

Nada melhor para o tal teste que as más línguas vêm insistindo em dizer que faltava ao Benfica. E para isso nada melhor que a entrada da equipa no jogo - personalizada, sem medo e, acima de tudo, fiel ao seu futebol. Sem concessões de qualquer espécie, e com o seu onze inicial habitual.

E foi assim que o Benfica enfrentou esta super equipa, recheada de grandes estrelas. Os primeiros vinte minutos foram um regalo para os olhos e para o coração dos benfiquistas, com um Benfica dominador e a criar oportunidades de golo. Claras, e duas delas negadas pela grande categoria de Donaruma.

Estava o jogo nisto, com o Benfica a jogar, a criar oportunidades de golo, mas sem conseguir bater o guarda-redes adversário quando, aos 22 minutos, no primeiro remate do PSG à baliza, Messi marcou. Um golo ingrato, e que só não poderemos considerar injusto, porque resulta de uma extraordinária jogada de futebol, ao primeiro toque, construída por aquele fabuloso tridente. E concluída com um remate simplesmente extraordinário, só mesmo ao alcance do génio de Messi. 

Os jogadores do Benfica sentiram o golo, e não era caso para menos. Jogar como tinham jogado, para na primeira vez em que os adversários pegaram na bola fazerem, e daquela maneira, o que eles com tanto trabalho não tinham conseguido, arrasa qualquer um. E seguiram-se 15 minutos diabólicos, em que os jogadores do Benfica tiveram de se limitar a correr atrás da bola que aqueles craques trocavam a preceito. E a sofrer. 

Foi um quarto de hora em que o PSG teve controlo absoluto sobre o jogo. No entanto, com apenas um remate à baliza. Inofensivo, de Vitinha. Passado esse quarto de hora, o Benfica ressuscitou. E voltou a superiorizar-se. E voltou a ter que contar com a categoria de Donaruma.

O golo do empate surgiu já perto do intervalo, e muito atrasado. A falta de sorte nas quatro oportunidades de golo negadas por Donaruma era atenuada com o auto-golo de Danilo, na disputa de bola, no ar, com Gonçalo Ramos. Ao intervalo o empate era desajustado da realidade do jogo, em que o Benfica  tinha sido superior em dois terços do tempo jogado.

Na segunda parte nem a intensidade, nem a qualidade do jogo baixou. A superioridade do PSG foi mais constante, e surgiu então a vez de Vlachodimos discutir com Donaruma a influência no jogo e no resultado. E de o PSG equilibrar as oportunidades de golo criadas por ambas as equipas. Mesmo que o Benfica tenha ainda acrescentado mais três à contabilidade da primeira parte.

A mais clara acabou por pertencer a Rafa, aos 80 minutos. A partir daí o PSG voltou a forçar. E, a partir daí, começou a parecer que o relógio tinha parado, que os ponteiros não se mexiam, e que o minuto 90 nunca mais chegava. Mas chegou, e chegaram também os 4 minutos de compensação, já muito bem geridos pela equipa do Benfica, a ter bola, a jogar no campo todo, e já de volta à aproximação à baliza de Donaruma. E com os jogadores do PSG constantemente obrigados a fazer faltas, e algumas bem duras, sobre os do Benfica.

Que não ganhou, é certo. Mas fez um grande jogo, deu uma enorme resposta, depois da medíocre exibição de Guimarães, e alcançou um resultado importante no contexto deste grupo de apuramento. Não será fácil repetir tudo isto na próxima semana, em Paris. Mas o Benfica mostrou que o poderá fazer!

E que dizer mais do menino António Silva?

Alguma vez teria de ser. Desta forma é que não!

Alguma vez o Benfica haveria de não ganhar. Não se admitiria que fosse hoje, em Guimarães, que interrompesse a longa série vitoriosa desta época, mas algum dia teria de ser. 

As visitas a Guimarães são sempre anunciadas de grandes dificuldades. A comunicação desportiva faz sempre questão disso. Mas a verdade é que, nos últimos anos, esse anúncio tem acabado por se revelar francamente exagerado, e o Benfica tem até encontrado mais dificuldades em casa, contra esta equipa, que propriamente em Guimarães. A História recente destes jogos em Guimarães, mesmo sem resultados muito desnivelados, regista exibições categóricas do Benfica que sempre transformaram em fácil o apregoado jogo difícil, por mais difíceis que fossem, como são sempre, as condições encontradas. 

Talvez por isso não se esperasse que fosse hoje que seria interrompida a sequência de vitórias, e já se fizessem contas aos cinco pontos de vantagem sobre o Braga e o Porto, e aos onze sobre o Sporting. E talvez, agora por isto, hoje seja dia de azia.

Mas o que verdadeiramente tem de provocar azia é a exibição de hoje. O Benfica não só chegou atrasado ao jogo - nos primeiros vinte minutos não compareceu - como chegou sem o seu futebol, que nunca apresentou sobre o relvado de Guimarães.

A equipa do Vitória entrou com tudo, com energia e motivação para dar e vender. O Benfica pareceu surpreendido com aquela entrada, e tardou a entrar o jogo. E depois de entrar no jogo, a partir do meio da primeira parte, faltou-lhe o seu futebol. Roger Schemidt tinha admitido recear alguma dificuldade em pôr o motor em marcha, e confirmou-se. O motor nunca funcionou!

A partir dos 20 minutos da primeira parte o Benfica começou a ter mais bola, mas só isso. Nunca encontrou solução para criar sequer condições para criar oportunidades para ganhar o jogo. O Vitória tinha a lição bem estudada, é certo. Sempre muito compacta, fosse em bloco baixo, fosse mais adiantada no terreno, nunca deixou espaços entre linhas, espaços que são o oxigénio de Rafa, Neres, Gonçalo Ramos ou João Mário. E a equipa nunca respirou ... futebol.

Há jogos que se resolvem com substituições, trocando jogadores menos inspirados, ou mais cansados, por outros que eventualmente possam trazer inspiração ou frescura física. Hoje percebeu-se muito cedo que a desinspiração era grande, mas também que a equipa não estava preparada para as dificuldades que estava a encontrar. Os de Guimarães não concediam espaços e ainda ganhavam todas as segundas bolas, fosse lá atrás, a defender, ou lá à frente, a atacar. E isso não se resolvia apenas trocando jogadores. Era preciso mais, e percebeu-se que esse mais não estava preparado.

E por isso as substituições não resultaram. E por isso falhou tão clamorosamente aquela substituição para tentar imitar o que Rúben Amorim fazia com Coates, com a entrada do central Brooks para a frente de ataque. No desespero, poderia até fazer sentido. Só que os quase 10 minutos que o gigante norte-americano esteve em campo foram passados com ele de costas para a baliza adversária, a 30 metros de distância. E a fazer faltas em cada disputa da bola nas alturas, chutada por ... Vlachodimos.

Para que esta substituição fizesse algum sentido ele teria de estar em permanência na área, e as bolas a serem cruzadas das laterais. E isso nunca aconteceu, a não ser no último lance do jogo, na única oportunidade que o Benfica teve para poder marcar um golo, esvaída no remate para as nuvens de Draxler.

Pode ganhar-se um jogo sem jogar bem. Mas isso é tão improvável como acertar na chave do euro-milhões. A jogar assim, o Benfica nunca poderia ganhar este jogo. Como nunca ganhará qualquer outro!

Como comecei, "alguma vez o Benfica haveria de não ganhar". Não poderia era ser assim. E isso é que é preocupante, não são os dois pontos perdidos. Ou o ponto ganho, como Schemidt, clarividente, referiu.

Que essa clarividência lhe sirva para evitar que uma exibição destas se repita!

De gala

No regresso à Luz, depois da noite de gala de Turim, o Benfica prosseguiu a sua caminhada totalmente vitoriosa, e a rota das grandes exibições, com um futebol de alto quilate, assombroso e de grande espectáculo.

Neste final de tarde de fim de Verão assistiu-se, na Luz, a mais uma exibição de gala do Benfica. Hoje sim, contra um adversário fraco. O Marítimo tem sido nestas primeiras sete jornadas a equipa mais fraca do campeonato. Hoje sim, podem desvalorizar a vitória do Benfica!

Mas não o farão, porque isso seria desvalorizar a do Braga, pelo mesmo resultado, contra este mesmo adversário. E a do Porto, com o mesmo número 5 de golos marcados, mas com um sofrido. Mas também não o podem fazer pela dimensão da qualidade da exibição benfiquista. E porque os 5-0 desta vitória, só são cinco porque o guarda-redes do Marítimo fez sete defesas que impediram outros tantos golos. E António Silva (mais uma enorme exibição, a respirar classe), naquele remate fantástico ao poste, Otamendi, João Mário, Gonçalo Ramos e Rafa, não conseguiram acertar na baliza em situações de golo cantado.

Foram 5, mas podiam bem ter sido 15!

O Marítimo entrou na Luz como entram - e têm entrado - todos os adversário: com dois autocarros à frente da baliza do Miguel Silva, duas linhas de cinco jogadores. Não era fácil furar aquelas duas barreiras, e durante a primeira metade do primeiro tempo o Benfica não preencheu todos os requisitos para fazer mexer o autocarro. Faltou mais velocidade, faltou rematar de longe e faltou chegada à linha de fundo. 

Não faltaram mudanças de flanco, sempre dos pés de Enzo, e não faltou paciência. Foi esse o maior mérito da equipa do Benfica: paciência para circular a bola sem precipitações, sem falhar passes e sem deixar o adversário tomar fôlego e ganhar confiança. Pelo contrário, à medida que os minutos passavam, os jogadores do Marítimo iam perdendo oxigénio e confiança.

A velocidade que faltava ao jogo do Benfica começou a aparecer na segunda metade da primeira parte. A partir daí as oportunidades de golo começaram a desenhar-se em catadupa. Só deu num golo, de Rafa, já perto da meia hora, mas foram criadas condições e oportunidades para mais três ou quatro.

Logo no início da segunda parte chegou o segundo, e primeiro de Gonçalo Ramos. E depois foi continuar com a exibição bem lá em cima, numa avalanche e oportunidades, mas sem golos. Ou negados pelo guarda-redes maritimista, ou pelos deuses!

Acabaram por chegar atrasados, talvez por terem precisado de tempo para se aproximarem da perfeição. Só isso pode explicar o crescendo de qualidade dos últimos três golos. O terceiro, e segundo de Gonçalo Ramos, num espectacular toque de calcanhar, demorou quase 20 minutos. O quarto, de Neres, mais outro tanto. E por fim, então já perfeito, seis minutos depois, o golo de Draxler. Já bastava ser o primeiro do alemão com o manto sagrado, mas tinha ainda de ser o mais espectacular. Que bonito que foi!

 

É oficial: a Juventus é uma equipa fraca!

É oficial: esta Juventus é a mais fraquinha dos últimos 3500 anos!

E o Benfica continua a não ser verdadeiramente testado.

Saindo da ficção para a realidade: o Benfica foi a Turim presentar os italianos com um recital de futebol, naquela que terá sido a melhor a exibição da época e, numa superior demonstração urbi et orbi de classe e categoria, reduziu a Juventus à dimensão da vulgaridade.  

Percebeu-se logo no arranque do jogo que o Benfica sabia o que queria fazer em Turim, no Juventus Stadium. Percebeu-se que ia para jogar o seu futebol, sem medo de coisa nenhuma, e portanto sem razões para abdicar da sua identidade. E percebeu-se ainda que teria um apoio massivo nas bancadas, bem preenchidas de adeptos benfiquistas (falou-se em 14 mil), vindos certamente de todo o lado. E que foram, também eles, fantásticos. Mas também se percebeu logo que a Juventus entrava com uma agressividade fora do comum, que claramente surpreendia os jogadores do Benfica.

O primeiro contratempo surgiu logo aos 4 minutos: uma falta despropositada de João Mário, a meio do meio campo defensivo, provocou um livre lateral, bem cobrado pelo Paredes (um jogadorzito!), mas mal defendido (anda a frio?) que acabou com Milik (outro jogadorzeco!) a marcar, ao primeiro remate. Como tanta vez acontece.

Foi um soco no estômago. A equipa cambaleou, ficou meio abananada e, com superioridade no meio campo, sempre com grande agressividade na disputa da bola, e moralizada com o golo, a Juventus levou o jogo para 10 minutos de grande dificuldade para o Benfica. Não acertou qualquer remate na baliza, mas não é por isso que se poderá negar que criou uma ou duas oportunidades para marcar.

Foi mais ou esse o tempo que o Benfica demorou a equilibrar-se. A partir daí passou gradualmente a comandar o jogo, e a empurrar a Juventus para a sua área. À meia hora da primeira parte já o jogo era do Benfica. Já tinha mais remates, mais cantos e mais posse de bola. A juventus continuava com um único remate enquadrado, o do golo!

Depois foi o poste a negar o golo - que seria um grande golo - a Rafa. E o penálti sobre Gonçalo Ramos - que o árbitro alemão com uma ligeira costela italiana, nas pequenas mas também nas grandes coisas - não quis ver (teve se ser o VAR a obrigá-lo) - que João Mário transformou no já mais que justificado empate. No festejo voltou a ver um cartão amarelo. Não foi por despir a camisola, mas também não se percebeu por que foi. Se calhar vai ter de deixar de festejar os golos que marca. 

O melhor estaria reservado para a segunda parte. A superioridade do Benfica foi-se acentuando e a exibição foi ganhando brilho, com os jogadores - todos -, e a equipa, no seu todo, a espalharem magia e classe pelo relvado. Mas a desperdiçarem oportunidades de golo, umas atrás das outras.

O próprio golo da vitória,  aos 10 minutos da segunda parte, é o exemplo vivo dessa onda de desperdício. Só à terceira, a bola, então rematada por Neres, acabou por entrar na baliza de Perin. Que foi, seguido de Bonucci, o melhor jogador da Juventus. 

A partir daí, do golo da reviravolta, o ritmo das situações de golo do Benfica aumentou ainda mais. No quarto de hora que se seguiu ao golo, até aos 70 minutos - um quarto de hora de sonho - o Benfica criou cinco oportunidades para marcar!

A perder, e a levar um banho de futebol que deixava desesperados os tiffosi da Juve, Allegri tentou tudo no jogo das substituições. Lançou o nosso Di Maria, que mexeu com o jogo, mas não o alterou. Voltou a mexer na equipa, e voltou a não o alterar. 

E o jogo acabou precisamente com a última oportunidade do Benfica, em cima do quarto e último minuto da compensação. E com a quarta vitória tangencial consecutiva, quando poderia ter terminado em goleada. 

Claro que a Juve também teve uma bola no poste. Mas essa foi um corte do fantástico António Silva para não dar canto. E poderia até ter empatado quando, a três minutos dos 90, o central brasileiro Bremer, num grande cruzamento de Di Maria, dominou no peito e, frente a Vlachodimos, atirou por cima. Seria de uma injustiça gritante, mas esses são os riscos que uma equipa absolutamente dominadora acaba por correr quando, desperdiçando uma goleada, prolonga um resultado na diferença mínima.

 

 

 

 

 

Chip, em vez de cântaro!

Na visita a Famalicão, na sexta jornada, o Benfica prosseguiu a marcha vitoriosa deste início de época, com a terceira vitória consecutiva pela margem mínima. A quarta, em seis jornadas. 

Ao contrário do que possa parecer, isto pode até ser bom pronúncio. Não gosto - confesso que gosto mais de goleadas - mas não é raro que coisas assim acabem bem. Tenho aqui falado, a propósito desses últimos jogos, na "estória" da asa do cântaro, que alguma vez lá fica. Hoje não entra na história do jogo.

Que tem no resultado a mesma diferença mínima, mas só isso de paralelo com a história desses jogos. Tudo o resto foi diferente. Mesmo o escasso 1-0,  é diferente do 3-2 e do 2-1 desses jogos. É - lá está - mais parecido com 0 1-0 de Leiria, sobre o Casa Pia. Mesmo jogando bem melhor.

Outra diferença neste jogo em relação aos anteriores está na arbitragem, que desta vez não foi entregue aos habilidosos do costume. Nuno Almeida também erra - e hoje voltou a errar em matéria disciplinar (apenas puxou do amarelo por duas vezes, e já depois dos 90 minutos, na compensação, e pelo vermelho, já com o jogo terminado, muito depois de o ter perdoado a jogadores do Famalicão), e deixou por assinalar um claro penálti sobre Draxler, aos 36 minutos - mas não é provocador. Não deixa a ideia de errar propositadamente, como sistematicamente fazem Tiago Martins, Soares Dias e Fábio Veríssimo, todos encomendados de enfiada logo nas cinco jornadas iniciais.

Posto isto, e sem que  tenha realizado uma exibição de encher o olho, nem isso por esta altura seria expectável, nem repetido as goleadas das últimas épocas em Famalicão (lá está, como elas correram mal ...), o Benfica mandou sempre no jogo. E nem o acerto defensivo do adversário, nem aquela pressão alta inicial, mais ou menos comum a todos os opositores nestes jogos, nem a inspiração do guarda-redes, deixavam no ar a ideia de um jogo muito problemático.

Com três alterações na equipa - as duas forçadas pelas expulsões de Fábio Veríssimo no último jogo, com a estreia de Draxler, no lugar de João Mário, e Musa, no de Gonçalo Ramos, e a já rotineira rotação entre Bah e Gilberto - a primeira parte não foi muito rica. Nem em futebol, nem em oportunidades de golo.

O Famalicão apostou muito em tapar o jogos de flancos do Benfica, juntando os alas aos defesas laterais. Com Draxler, na esquerda, pouco em jogo e bastante apagado, foi pelo corredor direito que o Benfica criou mais desequilíbrios. Sempre que os conseguiu, no entanto, o eixo central da defesa e o guarda-redes do Famalicão resolviam o problema. Neres teve a primeira oportunidade, mas o guarda-redes Luiz Júnior defendeu bem. Depois foi Grimaldo, com o mesmo resultado. E finalmente, a melhor jogada da primeira parte, em que foi cometido o tal penálti que Nuno Almeida não terá visto (ou terá tido medo de assinalar?), mas que o VAR não pôde deixar de ver, acabou por ser concluída com o remate de Enzo para um golo cantado, que Luiz Júnior desviou miraculosamente com a ponta do pé.

Uma defesa que - quem diria? - ficaria a rivalizar com a de Vlachodimos, a 5 segundos do intervalo, no único remate do Famalicão. Mas sabe-se como tantas vezes o primeiro remate do adversário dá em golo. Ora aí está outra das diferenças deste jogo para os últimos.

Ao intervalo Roger Schemidt substituiu Draxler por ... Diogo Gonçalves. É triste, mas é verdade. E resultou. O Benfica passou a ter duas asas e, então sim, entrou com tudo. Voltou a valer Luiz Júnior, a negar o golo a Neres e a Musa, mas cheirava a golo. E Schemidt preparava mais três substituições. Estavam já Rodrigo Pinho - a outra estreia na equipa - Chiquinho(!) e Bah junto à lateral quando Rafa, assistido por Grimaldo e a concluir mais uma boa jogada daquela enxurrada que estava a ser o início da segunda parte, desviou finalmente a bola para dentro da baliza.

Cumpria-se, mesmo à entrada do segundo quarto de hora, o que estava escrito nas estrelas do jogo. As substituições fizeram-se à mesma. E bem!

Não tanto pelo que trouxeram ao jogo - na realidade não tiveram o impacto da primeira, ao intervalo - mas pelo que isso diz da convicção do treinador. O golo, alterando tudo, não alterava nada!

Muda apenas o chip. De modo avalanche para, de novo, modo controlo. E foi nesse regresso ao modo controlo, em absoluta segurança, que o jogo se passou a desenrolar. Até ao fim. Sem cântaro à vista, mesmo com um resultado curto. Curto na expressão, e curto para tanta superioridade! 

Pobrezinho, mas honesto. E sem as "ofertas" que engordaram resultados em Alvalade e no Dragão...

 

A fazer dos fortes fracos

O Benfica entrou a ganhar na Champions. E vão dez ... Dez jogos ... dez vitórias. E por agora, no fim da primeira jornada, o primeiro lugar do grupo (o PSG ganhou por 2-1 à Juventus, em Paris). 

Dirão os do costume que ... nada. Que o Benfica só encontrado adversários frágeis. E que este Maccabi Haifa é mais uma equipa fraca. A mais fraca do grupo, será em teoria. Veremos se a prática o vai confirmar.

Só que esta equipa israelita é tudo menos fraca. É mesmo muito forte. Fisicamente fortíssima e, do ponto de vista táctico, um adversário muito difícil.

A primeira parte mostrou claramente as dificuldades deste adversário. O Benfica não fez - é verdade! - uma boa primeira parte, e chegou a parecer que este seria mais um jogo na linha dos dois últimos do campeonato. 

As dificuldades do futebol do Benfica nesses dois últimos jogos mantiveram-se, em particular no que se refere à velocidade e ao afunilamento do jogo para a zona central do ataque, com total ausência de chegadas à linha de fundo - as que mais desequilíbrios provocam nas defesas adversárias. Só que desta vez percebia-se que essas dificuldades eram mais provocadas pelo adversário que propriamente por demérito dos jogadores.

A equipa israelita dificultou mesmo muito a tarefa do Benfica, com uma dimensão física que lhe permitia marcar individualmente em todo o campo, sempre com enorme pressão sobre cada jogador adversário e, com isso, encher de areia a engrenagem do futebol de Roger Schemidt, muito especialmente pelo que entupiu as ligações de Enzo e de Florentino. Depois, essa dimensão física permitia-lhe fazer que saía a jogar, e com isso chamar os jogadores do Benfica para, depois, lançar para a frente à procura das segundas bolas.

E este foi o desafio que, na primeira parte, o Benfica conseguiu ganhar. Muito por mérito dos dois centrais - o miúdo, o António Silva, e o seu avô, Otamendi, foram absolutamente soberbos. O resultado era um empate, a zero. E apenas uma oportunidade de golo, nos pés de Rafa, e negada pelo guarda-redes. Mas o controlo sobre o jogo que, naquelas condições, o Benfica sempre manteve era um grande resultado ao intervalo.

Não se poderá dizer que na segunda parte tudo mudou. Mas mudou muita coisa. Começou por mudar com a troca ao intervalo de Gonçalo Ramos por Muza. Não que o croata seja melhor, mas porque é diferente. Joga de costas para a baliza, como dizem. Mas o que de mais relevante trouxe ao jogo foi o posicionamento. Mais fixo, fixou mais os centrais adversários, e abriram-se mais espaços. E, com eles, a inspiração de Grimaldo e Rafa. Mas também Enzo Fernandez, e até de João Mário.

E os golos acabaram por aparecer. Dois, em apenas 5 minutos, e ainda dentro dos primeiros dez da segunda parte. Primeiro numa excelente jogada colectiva, com Grimaldo (lá está, já perto da linha de fundo) a cruzar para a entrada de Rafa, bem junto à linha de golo. E, depois, aquela obra de arte - arrisco mesmo que esteja desde já encontrado um dos maiores candidatos ao prémio Puskas - do espanhol. Um golo de grande espectáculo que encheu de brilho a vitória do Benfica!

Em apenas 10 minutos ficou resolvido um problema que até parecia bem difícil de resolver. Com o problema dos golos resolvido, o resultado da primeira parte - o controlo do jogo - alargou-se. Com nova intervenção de Schemidt que, para isso, trocou Neres - que não fora bafejado pela inspiração - por Aursnes. E com o António e o Nico sempre lá bem em cima, sem darem qualquer hipótese de susto.

Esperava-se a estreia de Draxler, mas foram Chiquinho e Diogo Gonçalves a entrar para subsistirem o esgotado Rafa - que, se na altura de decidir e definir os lances tivesse metade da qualidade que tem a romper com bola, seria hoje um dos melhores do mundo - e o esforçado João Mário. É o que temos ... e, pelos vistos, ainda teremos de esperar pelo internacional e campeão mundo alemão. 

E o terceiro golo, que melhor definiria a superioridade do Benfica sobre mais este "fraco" adversário, só não surgiu porque o poste direito da baliza do guarda-redes americano do Maccabi o roubou a Enzo Fernandez.

E daqui a uma semana vamos a Turim. Esperemos que para defrontar uma fraquinha Juventus!

Gostoso, mas atenção à asa do cântaro

Ganhar no último segundo do jogo, com um penálti assinalado por Fábio Veríssimo é, evidentemente, dos desfechos mais gostosos que poderá haver numa partida do Benfica.

Fica-se por aqui, mesmo não sendo pouco, o que de prazenteiro se leva deste jogo com o Vizela, na Luz, a contar para a quinta jornada do campeonato. A consequente manutenção da liderança isolada, e o grande golo de Neres, que deu então o empate a cerca de um quarto de hora do final da partida, é o que de realmente bom fica do jogo. 

O Vizela apresentou-se na Luz como se apresentara o Paços há três dias, e como já se percebeu que se apresentarão praticamente todos os adversários que se seguirem. Não é novidade: início do jogo com pressão pelo campo todo e, logo a seguir, recuar toda a gente em modo de dois autocarros à frente da baliza. Depois é esperar por um contra-ataque para apanhar a defesa benfiquista de calças na mão, que aconteça o golo no primeiro remate e começar a  queimar tempo, de toda a maneira e feitio. Para gastar tempo e para quebrar o ritmo de jogo. Se os jogadores do Benfica desatarem a desperdiçar as poucas oportunidades que consigam criar, fica a receita completa.

Não é sequer nova, mas o Benfica tem grandes dificuldades em impedir que funcione. E já é caso para dizer que "tantas vezes o cântaro vai à fonte que um dia lá deixa a asa".

Não há nada por inventar. O antídoto é velocidade e intensidade, complementadas com chegadas permanentes à linha de fundo e mudanças rápidas de flanco. Sem esses ingredientes, já só sobra esperar por momentos de inspiração de um ou outro jogador, como sucedeu com o golo de David Neres. O único que o jogo teve!

Com a inspiração individual divorciada, como anda, dos jogadores, o Benfica está a ir vezes de mais com "o cântaro à fonte".

Para além da "receita" universal dos adversários há ainda a velha receita da arbitragem. Depois de Soares Dias, veio na "encomenda" Fábio Veríssimo. Mais um "especialista" na gestão do jogo à maneira, que nem o penálti no último segundo limpa. Não o ter assinalado seria apenas mais um escândalo, como fora, minutos antes, não só não ter assinalado o penálti sobre Gonçalo Ramos como, ainda, o ter expulsado com o segundo amarelo, por simulação.

O Benfica sai deste jogo com duas expulsões, e portanto com dois jogadores impedidos para a próxima jornada. A de Gonçalo Ramos é um roubo de catedral de Fábio Veríssimo. A de João Mário - por muito que, evidentemente, se perceba a "loucura" que é marcar o golo da vitória num jogo destes, e desta forma - não tem nada que se lhe diga. A culpa, mesmo que se perceba a justificada "loucura", é só do jogador, que tem de saber que a lei, mesmo que seja a mais estúpida das leis, é lei. Levar com um amarelo por tirar a camisola depois de marcar um golo, acaba por se perdoar. Quando é o segundo, e implica a expulsão, mesmo este golo, fica mais difícil.

De resto os jogadores do Vizela viam amarelos por faltas duras e/ou para impedir jogadas de perigo para a sua baliza. E o treinador substituía-os para evitar o segundo. Os do Benfica, por simplesmente reclamarem. Até por levantar o braço a reclamar um canto, o Enzo viu o amarelo. E o João Mário por reclamar de uma falta sofrida, e não assinalada. 

Contra estas "encomendas" o Benfica pouco poderá fazer. Já contra a receita dos adversários em campo, tem mesmo muito mais a fazer.

Os jogadores não podem adormecer, e não podem, com dez adversários metidos dentro da área, insistir em jogar pelo meio. Não podem, nos poucos momentos em que o adversário sobe no terreno, deixa espaço nas costas, e lhe permite superioridade numérica a atacar, deixar de a aproveitar com decisões erradas. 

Porque nem tudo pode ficar para resolver com a inspiração dos jogadores. É que é difícil que ela apareça quando as coisas não estão a correr bem. E mais ainda se o talento não for assim tanto como às vezes julgamos. 

A festa imensa, como a chama, no fim de um jogo ganho no último segundo, quando já nada o fazia admitir, mas ainda assim de forma merecida, não esconde estas dificuldades. Se não forem rapidamente superadas o "cântaro perde a asa" mais depressa ainda.

Ah... e o menino António Silva se não é, aos 18 anos, o melhor central do Benfica é, pelo menos, o melhor central disponível. E isso é outra das poucas boas notícias deste jogo!  

 

 

 

 

 

Excessos

O Benfica é líder isolado do campeonato, depois de ter vencido o Paços de Ferreira, esta noite, na Luz, no jogo que pertencia à terceira jornada, que havia sido adiado por cair no meio dos dois jogos do play off de apuramento para a Champions.

O jogo desta noite tinha a particularidade de confrontar a equipa que ainda não tinha sofrido golos com a que ainda não tinha marcado. À partida, dentro das lógicas destas coisas da bola, seria de prever que ambas se mantivessem nessa mesma condição.

Mas num jogo de futebol nem sempre funciona a lógica, e esse é talvez o seu maior aliciante. E a equipa que ainda não tinha marcado, marcou dois golos ... em três remates ...

Tinha ainda a particularidade de ser arbitrado por Soares Dias que, sabe-se e está por demais demonstrado, tem o condão irritar, perturbar e prejudicar o Benfica. Há dois ou três dias, num comentário das redes sociais, um amigo tinha referido sobre este jogo que o adversário seria Soares Dias. Na altura respondi que o adversário iria entrar com tudo.

Assim foi. Mais que o Paços, Soares Dias entrou com tudo. E acabou por acontecer o que frequentemente sucede com as equipas que entram com sofreguidão - acabam por se esgotar. 

Entrou com tudo, irritou as bancadas da Luz e e atingiu os jogadores, no relvado. No final da primeira parte já estava esgotado. E por isso assinalou o penálti que consumou a viragem do resultado ainda antes do intervalo, que nos minutos anteriores, antes de esgotar todos os créditos, certamente não assinalaria. Não estou a dizer que não foi penálti, estou a dizer que o Soares Dias nunca o assinalaria. E não tinha medo de ninguém!

Também o Paços de Ferreira, de César Peixoto, entrou com tudo. E pertenceu-lhe mesmo a primeira jogada de perigo, desfeita por Grimaldo, já muito perto da linha de golo. Mas também cedo se esgotou, muito mais cedo que o outro adversário. A partir daí defendeu com tudo. E com todos, com dois autocarros de cinco à frente da baliza.

O Benfica ia instalando o seu futebol habitual, mas o ritmo não era o mesmo, e não havia forma de criar reais oportunidades de golo. A bola acabava invariavelmente numa perna, num pé, nas costas ou na barriga de um dos 10 jogadores pacences plantados à frente da baliza. Isso, o tempo a passar e o inevitável Soares Dias, iam dando cabo da cabeça dos benfiquistas. Jogadores e público.

Na única vez em que a bola entrou na baliza, numa espectacular jogada trabalhada a partir de um canto, não contou. Rafa estava em fora de jogo.

Um mal nunca só e, a cinco minutos do intervalo, na sequência de um canto numa das já raras saídas em contra-ataque do Paços, a bola sobra para o velho pé esquerdo o velho Antunes que, a meio do meio campo, dispara uma bomba que acabou levar a bola a bater na cabeça de Koffy, o único jogador pacense que até nem estava para lá da defesa, desviando-a para dentro da baliza. Estava feito o primeiro golo do jogo, o primeiro marcado pelo Paços e o primeiro sofrido pelo Benfica.

A tempestade perfeita!

Valeu que a equipa não afundou, e empatou menos de dois minutos depois. Obra de Neres e do guarda-redes adversário, que não foi lá muito feliz. 

Seguiram-se minutos de avalanche sobre a baliza do Paços, e uma larga série de grandes oportunidades para dar a volta ao marcador. Até surgir o penálti, quando o Soares Dias já tinha esgotado a sua entrada de rompante, já à entrada do último minuto da compensação da primeira parte, cobrado na perfeição por João Mário.

Foi um alívio. O Benfica já tinha entrado em modo rolo compressor!

Manteve-o a seguir ao intervalo, e o resultado eram oportunidades de golo, umas atrás das outras. Invariavelmente desperdiçadas. Sucediam-se jogadas de grande nível. As melhores tinham o condão de acabar em golos anulados por fora de jogo. Salvou-se a que deu o terceiro golo, de Gonçalo Ramos, ainda bem cedo, 10 minutos depois do intervalo.

A partir daí o Benfica relaxou. Mais que relaxar, mais ainda que "as favas contadas" passou para excessos. Excessos de falhas na concretização, excessos de confiança, aqui e ali excessos até de vedetismo, e ainda excessos de circulação naquela de "descansar com bola". Descansar é no intervalo, e no fim do jogo. Durante o jogo não há por onde descansar!

Estes excessos que trouxeram de volta o Paços e ... Soares Dias. E o jogo complicou-se definitivamente com o segundo golo de Koffy. Do Paços e na baliza de Vlachodimos, no campeonato. Faltavam 10 minutos para os 90. E um quarto de hora para o fim do jogo.

Tempo para o Benfica desperdiçar mais umas quantas jogadas de golo feito. Mas também para, no último minuto, o Paços poder ter marcado. A jogada teve tudo para isso, só não teve remate. 

Não havia necessidade... Mas sofreu-se na Luz.

Festeja-se a chegada ao primeiro lugar. Festeja-se a grande qualidade do futebol da equipa, e que hoje voltou a apresentar. Mas desconfio que hoje houve muitos adeptos que pela primeira vez não gostaram da equipa.

Eu não gostei nada daqueles excessos. Acredito que Roger Schemidt também não tenha gostado, e que tenha percebido que terá de tratar com que não se repitam. 

 

 

 

Mais um teste passado com distinção

O Benfica surgiu no Bessa para disputar este complicado jogo da quarta jornada com duas novidades, ambas consequência da falta de Otamendi, ausente por castigo, depois daquela expulsão em Leiria, no jogo com o Casa Pia: António Silva, o miúdo de 18 anos, no lado direito do centro da defesa; e a braçadeira de capitão em João Mário.

A segunda estranha-se, depois entranha-se. E finalmente percebe-se. A primeira aplaude-se. Pela exibição do miúdo, mesmo amarelado logo no início, mas mais ainda pela lucidez da opção de Roger Schemidt. A alternativa era o já descartado Vertonghen. Negar-lhe esta oportunidade seria dar-lhe um péssimo sinal e correr o risco de o começar a perder.

Às duas novidades no Benfica juntou o jogo outra novidade: um Boavista sem pontas de lança, e apostado em pressionar no campo todo. Não é novidade, antes pelo contrário, e mais ainda com Petit, a pressão que os jogadores do Boavista exercem sobre os adversários, e agressividade que colocam na disputa da bola. Novidade era fazerem-no campo todo, logo em cima da grande área adversária, colocando dificuldades à saída de bola do Benfica.

Na realidade o Boavista quis tornar-se no primeiro adversário a colocar o Benfica desconfortável no seu padrão de jogo. E se este era mais um teste à capacidade desta equipa do Benfica, o resultado não poderia ser melhor. O Benfica passou com distinção!

A equipa respondeu à agressividade do adversário na mesma moeda. Os jogadores não recearam o confronto, disputaram cada lance com a mesma intensidade, correram e lutaram como os do Boavista. E depois disso, como são muito melhores e têm o modelo de jogo assimilado, jogaram o seu futebol, e mantiveram-se confortáveis nas dinâmicas instaladas na equipa.

Foi de tal forma assim que quem estava com atenção ao jogo - e deve dizer-se que foi um grande jogo, muito valorizado pela atitude da equipa do Boavista - percebia que o Benfica estava a dar a resposta certa às dificuldades colocadas, e que, mais tarde ou mais cedo, acabaria por impor a sua superioridade.

À saída do primeiro quarto de hora começou a ficar claro que essa superioridade estava instalada. Com Enzo e Florentino em grande, e a dominarem o meio campo, os centrais António Silva e Morato imperiais, e Rafa e João Mário decisivos na construção, o habitual futebol do Benfica fluía na relva.

É verdade que até ao primeiro golo, em cima da meia hora, não tinham abundado remates, nem oportunidades de golo. Surgiu de um canto, mais uma vez. Desta com a bola direitinha do quarto de círculo para a cabeça do Morato, e dela para dentro da baliza.

Não mudou nada com o golo. O Benfica continuou a exibir o seu futebol,  e passou a construir incomparavelmente mais situações de finalização. O Boavista mantinha a mesma atitude, disputava à mesma a bola no campo todo, mas ela acabava sempre nos pés dos jogadores do Benfica. 

Em cima do intervalo João Mário desperdiçou a mais clara situação de golo, de forma verdadeiramente inacreditável, deixando o resultado ao intervalo bem longe de reflectir a superioridade no jogo. 

Deixou no entanto o aviso para a segunda parte. O jogo não se alterou muito, a superioridade do Benfica, sim. Tornou-se ainda maior. E mais ainda depois de iniciadas as substituições, à hora habitual. 

Neres, Gonçalo Ramos e Gilberto, com rendimento realmente abaixo dos restantes, foram substituídos por Diogo Gonçalves, Musa e Bah, e todos acabaram por acrescentar dinâmica e qualidade à exibição. João Mário passou da esquerda (onde se ficou Diogo Gonçalves) para a direita (de onde saíra Neres), e passou a homem-golo.

O primeiro, e segundo do jogo, logo depois das substituições, com assistência de Musa. E o segundo, e último, de penálti, essa raridade da realidade benfiquista. O árbitro - João Pinheiro, que fez mais uma das suas arbitragens habilidosas, e particularmente condicionante no período inicial do jogo, quando era mais repartido, ao ponto de, coisa nunca vista, o Benfica acabar com mais faltas (14) que o Boavista (12) - não viu o penálti sobre Musa. Tão evidente que o VAR não teve como não intervir.

O resto foram sucessivas oportunidades de golo, que fazem deste claro 3-0 um resultado afinal bem escasso para o que foi a realidade do jogo. O Boavista fez 4 remates, sem um único na direcção da baliza de Vlachodimos, que se limitou a dois sustos em outros tantos atrasos que saíram desnecessariamente mais apertados. 

E ainda mais duas estreias - Mihailo Ristić, para o lugar de Grimaldo, e o recém contratado Fredrik Aursnes, para o aplauso a Enzo (a contratação do norueguês só pode significar que nem esta época concluirá com a camisola do Benfica) a par de Florentino, mais uma vez o melhor em campo (mesmo que esse prémio tenha sido entregue a João Mário).

Tudo isto em mais um teste do algodão a este futebol cada vez mais entusiasmante do Benfica de Roger Schemidt. Mas também à incúria da Liga, que continua a permitir a extorsão dos adeptos do Benfica pelas bilheteiras  dos adversários que visitam. Depois falem em centralização dos direitos televisivos!

 

 

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