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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Arrasar de luto

O resumo do Famalicão-Benfica em 5 minutos - I Liga - SAPO Desporto

 

Foi um Benfica de luto que abriu o campeonato, em Famalicão. Todo de preto, a razão de terça-feira não era para menos. De luto mas não pesaroso e carpideiro. Pelo contrário, de feridas lambidas e disposto a vida nova.

Não sei bem o que é arrasar. Se é jogar bem, marcar muitos golos, impedir que Zlobin se transformasse em Zivkovic, ignorar árbitros e VAR´s e ridicularizar manobras de bastidores, como por exemplo, um win-win entre vendedor e comprador, a atrasar uma contratação fechada para utilizar um jogador (tido por bom, se não não o contratavam) neste jogo; se é isso tudo, o Benfica arrasou. 

Jogou bem, marcou cinco bonitos golos (o do Famalicão também não é nada de deitar fora, mesmo que não lhe tenha achado graça nenhuma), e deixou por marcar outros tantos. Não deixou espaço para que a arbitragem desse um ar da sua graça, e um tal Toni Martinez acabou por ter de sair com o rabinho entre as pernas.

Para além de ter então arrasado, também o treinador do Benfica esteve bem. Muito bem, até. Bem ao substituir no onze inicial quatro dos jogadores que não tinham estado bem na segunda parte de Salonica. Se só podem jogar onze de cada vez, que joguem os melhores onze de cada vez!

E muito bem ao incluí-los nos substitutos. Dos quatro que saíram da equipa apenas o Pedrinho não entrou, e mesmo esse por uma causa maior: a opção de utilizar o Diogo Gonçalves  em Famalicão. Diogo Gonçalves que - já se percebeu - irá ser trabalhado para lateral direito, e isso é uma excelente notícia. A Pizzi, Vinícius e Weigl o jogo e o treinador disseram que não entraram de início porque outros estavam melhor, mas que noutros jogos poderão ser eles a estarem melhor. Mesmo que para Vinícius e Weigl a coisa não esteja fácil.

Saliento estes aspectos porque estas não eram virtudes atribuídas a Jesus. Pelo contrário, os seus  maiores defeitos prendiam-se todos com a falta de sensibilidade para estes "pormaiores" da gestão de recursos humanos. 

Depois, claro, a estreia de Waldschmidt, que já tardava, foi fantástica. Dois golos (o primeiro e o último, pelo meio Everton, Grimaldo e Rafa) que lhe vincaram a classe, e uma exibição de campo cheio. A confirmação que Everton é mesmo craque, e a surpresa de uma integração perfeita neste futebol que obriga a correr muito, e nem sempre é para a frente. Gabriel a 6, muito bem e muito, mas muito acima de Weigl. E Taarabt, um transportador como não há outro, mas sempre a precisar de gelo na cabeça. Até ontem, num jogo arrasado, ferveu em pouca água. 

O luto da eliminação da Champions parece que está feito. E como os adeptos não têm que olhar para as contas bancárias...

 

Tragédia grega em quatro problemas


Foto de A Bola

Não se imaginaria que o Benfica pudesse ser afastado da Champions logo à primeira. Era uma eliminatória de um só jogo - e sabe-se que num jogo de futebol tudo pode acontecer -, no campo do adversário. Mas contra o PAOK, um adversário bem mais fraco, com um plantel avaliado em menos de um terço do do Benfica. E com quem tinha uma história de vitórias.

Mas aconteceu, e o Benfica falha a presença na Champions, com pesadíssimas consequências financeiras e desportivas, depois do all in que marcou a estratégia para esta época. Financeiramente o Benfica não perdeu apenas os 50 ou 60 milhões que a simples presença na fase de grupos da Champions garantiria, e com o que a tal estratégia contava para uma insaciável política de contratações. Perdeu também os outros tantos 60 milhões com que contava em vendas, particularmente de Vinícius, que saiu de Salonica simplesmente invendável. Nem em saldos|

Para realizar metade dessa verba apontada para Vinícius o Benfica precisa agora de vender três ou quatro jogadores nos saldos. Com esta eliminação o Benfica vê-se obrigado a abrir a época de saldos.

Como é que aconteceu? Como é que o Benfica não ganhou um jogo que tinha de ganhar? E que tinha a obrigação de ganhar...

O Benfica dominou por completo o jogo e o adversário durante toda a primeira parte, em que apresentou um futebol agradável, com boas jogadas e com três ou quatro boas oportunidades de golo, entre as quais uma bola na trave, de Pizzi. Teve dois problemas, este domínio.

O primeiro foi que Seferovic, o ponta de lança que Jesus lançou para o jogo, a mais discutível das suas opções na constituição do onze, foi o que já é há muito. Fraco. O segundo foi o de convencer os jogadores que aquilo estava ganho. Com aquela superioridade toda, não havia como não ganhar aquele jogo.

A estes dois juntar-se-ia o problema da segunda parte. Toda ela um problema!

Provavelmente a estratégia do Abel Ferreira, o treinador da equipa grega, passava por contar com a sorte de passar incólume a primeira parte, e contar depois com a acomodação dos jogadores do Benfica. Fazer da primeira parte o engodo. O isco que os jogadores encarnados haveriam de morder.

E morderam. Quando o PAOK passou para outro registo o Benfica ficou surpreendido, e não conseguiu reagir. E foi vê-los a invadir o seu meio campo ofensivo em saídas rápidas para o ataque. Logo à primeira, pouco depois do primeiro quarto de hora, chegou ao golo. Ainda por cima um auto-golo, de Vertonghen.

De imediato o Abel fez entrar Zivckovic, acabado de sair da Luz pela porta pequena. Percebeu-se a ideia e resultou em cheio: o ex-jogador do Benfica não perdeu uma única bola, ao contrário de Vinícius, que entraria pouco depois, que as perdeu todas. De uma delas, a segunda consecutiva em dois displicentes passes de calcanhar, saiu o contra-ataque que daria o segundo golo da equipa grega. Por Zivckovic, dez minutos depois de ter entrado. E tudo ficou decidido logo ali.

Antes do golo de Rafa, a 1 minuto do fim, o Benfica poderia ter marcado. Teve duas boas oportunidades para isso, mas o PAOK tem dois "Zivckovics". Tinha outro na baliza, que resolveu tudo o que teve para resolver. Também ele enganador. Parecia que não tinha grandes aptidões para a função, mas era mentira.

Zivckovic foi também nome de problema. O quarto deste jogo!

O problema maior é que, com tantos milhões gastos, e a gastar em massa salarial, está criado um problema em cima dos problemas que havia. E que não estão resolvidos!

 

Paulo Gonçalves e a cereja no topo do bolo

O apoio 'indireto' de Vieira e Paulo Gonçalves: «Este clube nunca deixa  ninguém para trás» - Benfica - Jornal Record

 

O Benfica tem passado estes últimos tempos em complexos exercícios de equilibrismo, aparentemente sem rede, entre a necessidade de reforçar a sua equipa principal de futebol, e a necessidade de Luís Filipe Vieira assegurar a sua perpetuação no poder. 

Reforçar a equipa não seria, apesar de tudo, tarefa de grande grau de dificuldade. Reforçar a posição de LFV, deixando a ideia de reforçar a equipa para grandes proezas e conquistas, é que tem trazido grandes problemas.

Tudo tem corrido mal. O ponto alto foi, evidentemente, Cavani. Uma contratação que nunca teve em vista reforçar a equipa - nem poderia ter, independentemente da sua valia, pese a idade, um jogador daquele estatuto, que manda os outros correr enquanto ganha mais que todos eles juntos (há exagero, mas nem é assim tão grande) mina o espírito de grupo e não reforça equipa nenhuma - mas apenas reforçar LFV.

E por isso, na ânsia de não perder esse reforço, a sofreguidão deixou que a incompetência tomasse conta da condução do processo, que acabou em chacota nacional.

Depois de mais uns quantos nomes, diariamente alimentados nos jornais e televisões por especialistas que mais não têm sido que bobos da corte de LFV surgiu, como cereja no topo do bolo, o folhetim Darwin Nunez. Tinha falhado o "velho" mas aí estava o novo Cavani!

Os bobos da corte fizeram o seu trabalho, e fizeram do jovem uruguaio a estrela mais cintilante da galáxia da bola. Era sucesso desportivo imediato e estrondoso êxito financeiro a curto prazo. Das sucessivas lesões que vêm afectando o jovem jogador, com três intervenções aos joelhos em pouco tempo, uma das quais a uma ruptura de ligamentos, nada foi dito. Está tudo ultrapassado, e os maus tempos já ficaram para trás...

Finalmente Darwin Nunez chegou a Lisboa, pelo braço de Rui Costa. A contratação mais cara do futebol português - que afinal apenas igualava a de Nakagima pelo Porto, no último defeso - estava confirmada e o jogador seria apresentado no dia seguinte. Marcada a hora da apresentação ... nada. Fica adiada.

Nada de grave, justificaria de imediato a estrutura de comunicação de Vieira: apenas não tinha dado para concluir os testes médicos. 

Claro que não era nada disso. Era de dinheiro que se tratava. O Benfica teria que abrir ainda mais os cordões à bolsa, e bater claramente o recorde do jogador japonês do Porto. Parece que alguém se esquecera de avisar o Rui Costa e o Almeria, que o Paulo Gonçalves, o tal, esse que nos enche de vergonha alheia, tinha também umas comissões a receber. Diz agora que representa o jogador e o seu empresário e, ao saber da contratação, em que não foi tido nem achado, chegou e apresentou a factura. 

Terá certamente muitas mais para apresentar. É assim que as coisas funcionam.

E é assim que se vai reforçando a equipa, a poucos dias de se começar a decidir o acesso à Champions. E é assim, com pouca vergonha em cima de pouca vergonha, que Vieira faz do Benfica o seu bunker pessoal. 

 

 

 

Uma oferta em dobradinha

 

Depois de ter oferecido o campeonato, como se não fosse pouco, o Benfica resolveu oferecer também a Taça ao Porto. Uma oferta em dobradinha!

Isto não quer dizer que o Porto não tenha feito o que lhe competia, que se tenha limitado a receber as ofertas. Não. Quer no campeonato, quer hoje em Coimbra no jogo da final da Taça, pela primeira vez sem público, o Porto fez, com as armas que tem, o que lhe cabia fazer: ganhar e fazer com que o Benfica tivesse merecido perder.

O início do jogo começou por confirmar isso mesmo. Com o Porto a tomar a iniciativa e o Benfica simplesmente em reacção. Já o jogo ia nos 20 minutos quando o Benfica conseguiu chegar ao jogo, mas mesmo assim sem grande convicção. Mas deve dizer-se também que, depois do quarto de hora inicial, nunca mais o Porto esteve por cima do jogo, que se tornou até aborrecido e pouco digno de uma final.

Aos 37 minutos o árbitro Soares Dias - não há mais árbitros em Portugal para arbitrar estes clássicos - errou ao mostrar o cartão amarelo ao Luiz Diaz, como já errara quando lhe mostrara o primeiro, bem cedo no jogo. Como errara ao mostrá-lo, logo a seguir, a pedido do Sérgio Conceição, ao Rúben Dias. No segundo amarelo ao jogador do Porto, o erro é que o cartão a mostrar era claramente o vermelho.

Vermelho que, também na sequência de duplo amarelo, mostraria a Sérgio Conceição, afastando-o do banco. A custo, porque foram precisos largos minutos para que o treinador do Porto saísse do campo. 

No tempo que decorreu até ao intervalo não houve jogo. Foi tempo para tudo - incluindo para, pelo menos Octávio, dever também ter seguido o caminho do balneário - menos para jogar à bola.  

Há duas circunstâncias de um jogo de futebol em que a superioridade numérica se torna irrelevante: quando a equipa com menos jogadores opta por apenas defender, concentrando todos os jogadores na sua área; e nas bolas paradas, onde a respectiva estratégia não é influencidada por haver mais ou menos um jogador em campo.

O Porto conseguiu - e o Benfica permitiu - reduzir o jogo a estas duas circunstâncias. E assim ganhou o jogo e conquistou também a Taça.

Logo no arranque da segunda parte Vlochodimos deu um mote, oferecendo o primeiro golo de uma forma inacreditável. Num livre, com sete colegas de equipa à sua volta, conseguiu a proeza de colocar a bola na cabeça de Mbemba, sozinho no poste contrário, e praticamente sem ângulo. 

E claro, o Porto juntou os seus 10 jogadores à frente da sua baliza. Com os jogadores do Benfica sem chama, nem engenho, nem futebol para contrariar isso. E sem construir uma única oportunidade para marcar.

Uma dúzia de minutos depois da oferta de Vlachodimos, novo pontapé livre - as faltas inventadas pelos batidos jogadores do Porto foram uma constante, sempre com a complacência de Soares Dias, que teve até o desplante de mostrar um amarelo a Vnícius (que entrara entretanto) depois de Pepe, dentro da área, se ter feito passar de agressor a vítima - e, novamente Mbemba, que pareceu em fora de jogo, mas que as famosas linhas deram posição legal por 3 centímetros, fez o segundo golo.

Foram as únicas duas vezes em que, em toda a segunda parte, o Porto chegou à baliza do Benfica. Que continuava sem saber como furar aquela barreira defensiva. Veríssimo metia avançados em cima de avançados, incluindo essa preciosidade que se chama Dyego Souza, mas sem conseguir melhor que a primeira oportunidade de golo já À entrada do último quarto de hora. Vinícius rematou de cabeça contra o solo, mas a bola subiu antes de entrar na baliza.

E daí até ao fim, para além do golo, dez minutos depois, num penalti convertido por melhor marcador do campeonato, apenas mais uma jogada que poderia ter acabado em golo, e um remate de Jota ao poste. Que poderia ter dado o empate, mas não deu.

Nos escassos (para as substituições e as paragens sucessivas que os jogadores portistas impuseram ao jogo) 5 minutos de compensação voltou a não haver jogo. Como naturalmente interessava ao Porto!

E assim, com mais um decepcionante exibição desta destroçada equipa, os jogadores do Benfica fecharam uma época que já só queriam que acabasse. A estrutura, essa que estava dez anos à frente da concorrência, sem olhar para trás, vai agora continuar a ensaiar saltos para a frente.

Com o abismo ali tão perto!

 

 

Derbi ao cair do pano

Benfica 2-1 Sporting: Águia vence dérbi e empurra leão para fora do pódio

Desceu o pano sobre este atípico campeonato 2019/2020. Não correu ainda todo até abaixo porque fica para amanhã a última decisão sobre a descida à segunda liga. Mas tapou-se já a parte cimeira da classificação, naquilo que ficara para definir na última jornada, do terceiro ao sexto lugar.

O Rio Ave, num ombro a ombro final levou a melhor sobre o sensacional Famalicão, que num jogo dramático e espectacular, com o Marítimo, no Funchal, perdeu o quinto lugar nos segundos finais, depois de parecer tê-lo assegurado com uma reviravolta fantástica já no período de compensação. E o Braga, ganhando ao Porto, com a vitória do Benfica no derbi, roubou o terceiro lugar ao Sporting.

Mas vamos ao derbi da Luz, onde o Sporting, mesmo que o Bruno Amorim - perder é mesmo lixado, e muda mesmo as pessoas - tenha achado que a sua equipa foi melhor, escapou a mais uma goleada.

O Sporting entrou bem no jogo, no estilo Bruno Amorim, a pressionar alto. O jogo estava aberto, e aos poucos o Benfica foi respondendo até se começar a superiorizar definitivamente a partir dos dez minutos iniciais. Começou então a desenhar-se aquele que seria o melhor jogo da equipa na segunda volta deste maldito campeonato.

O futebol era agradável, e as oportunidades de golo começaram a suceder-se. Aos vinte e sete minutos surgiu o golo, de Seferovic. Que parecia já apenas o primeiro de muitos. Não foi, foi apenas o único em seis claras oportunidades para marcar.

A segunda parte iniciou-se sob os mesmos auspícios, com duas oportunidades flagrantes logo nos dois primerios minutos. Só que voltou a acontecer o que já é habitual: aos poucos o Benfica deixou adormecer o jogo, e adormeceu com ele. Quando deu por ela estava no meio de um segundo quarto de hora que remetia para tudo o que de mau tinha feito no pior período de Bruno Lage. Nesse período o Sporting construiu as suas duas únicas oportunidades para marcar. Aproveitou uma para fazer o golo do empate, o resultado que afinal procurava e que lhe permitiria assegurar o terceiro lugar na classificação.

Por aquilo que foi o Benfica da segunda volta, e em especial depois do regresso da competição, não se esperava que a equipa reagisse e regressasse ao domínio do jogo. Não aconteceu assim porque, seja lá pelo que for, a saída de Bruno Lage fez bem à equipa. Vê-se que tem mais tranquilidade e que está mais forte. E vê-se até que há situações de jogo que vêm trabalhadas do treino, como se viu na forma como defende, e como se viu claramente nas bolas paradas, que já são variadas, e não acabam  todas bombeadas sem nexo para a área.

E à entrada do último quarto de hora, com a entrada de Rafa, o Benfica voltou a mandar claramente no jogo e a criar novas oportunidades para marcar. O golo - de Vinícius, que entrara para substituir Seferovic, e que lhe valeu o título de mehor marcador da liga - surgiria a dois minutos dos 90, a garantir uma vitória demasiado curta para aquilo que foi o jogo. Onde a goleada só não aconteceu porque este Benfica de Veríssimo recuperou muita coisa, mas não recuperou ainda a eficácia.

Chegou ao fim este campeonato verdadeiramente medonho, que ainda há poucas semanas parecia poder acabar num pesadelo capaz de se projectar para a final da Taça, daqui a uma semana. Que é muito importante ganhar, e que hoje pode ser encarada com renovadas expectativas. 

Histórias de um jogo sem história

Goal | Golo Gonçalo Ramos: Desp. Aves 0-(4) Benfica (Liga 19/20 ...

 

Quis o calendário que o último jogo em casa do Desportivo das Aves desta Liga fosse com o Benfica. Quis gente de poucos escrúpulos que, em vez de um simples e normal jogo de despedida, fosse mais uma triste e lamentável página na história do futebol português.

Esteve para não se realizar, porque depois de acumular incompetência, incumprimentos e provavelmente crimes de toda a ordem, a administração da SAD inviabilizou todas as condições para que este jogo se não realizasse. Este e o que a agora fica a faltar, em Portimão.

O jogo acabou por se realizar porque o presidente do clube, eleito há vinte dias, tudo fez para isso. E iniciou-se por isso com uma manifestação de protesto dos jogadores do Aves que, sem salário há meses, ainda se dispõem a honrar aquela camisola. Com um minuto de paragem, de inacção, com que naturalmente os jogadores do Benfica se solidarizaram.

Esgotado esse minuto, em que os jogadores do Benfica trocaram entre si a bola no seu meio campo, o jogo iniciou-se como se fosse uma corrida de automóveis depois da entrada do safety car. E o Benfica marcou logo, num belo lançamento de Pizzi a que Rafa respondeu com velocidade e categoria. Fez lembrar coisas que se passavam há uns meses largos. 

Pensou-se então que, conjugando-se o regresso da qualidade de jogo com as naturais fragilidades da equipa avense, o Benfica partisse para uma boa exibição, para uma goleada das antigas e ... para garantir para Pizzi, ou para Vinícius, o título de melhor marcador do campeonato. Coisa de resto há muito anunciada, quando os dois levavam grande avanço para toda a concorrência.

Nada disso se confirmou. Nem a exibição de luxo, nem os golos que assegurassem o feito a qualquer deles. Pizzi ainda fez por isso, e acabou até por marcar. De penalti, já na segunda parte, o que seria o segundo golo da equipa. Vinícius nem por isso fez. Fez apenas por parecer até justo que o Nelson Veríssimo tivesse decidido cortar-lhe mais possibilidades de o fazer, substituindo-o bem cedo, logo no início da segunda parte, e lançando Seferovic e a nulidade chamada Dyego Souza. Mais tarde, nos últimos dez minutos, fez o mesmo com Pizzi, estreando o miúdo Gonçalo Ramos.

Que entrou e marcou. E voltou a marcar, já mesmo sobre o apito final, no último dos três minutos de compensação com que o árbitro não quis, e bem, castigar os briosos jogadores do Aves. Uma estreia histórica: seis minutos em campo, e dois golos, a explicar a Vinícius e a Dyego Souza como se faz, e a assinar a goleada que teria de fazer parte da história de um jogo com tantas histórias, mas com pouca história.

Para a História fica Gonçalo Ramos. E o segundo jogo consecutivo sem sofrer golos - desta vez com a surpresa de Svilar na baliza - que é coisa a que já não estávamos habituados, num campeonato que, como o vento, tudo levou. Desde os muitos pontos de vantagem, aos números que garantiram durante largos meses a melhor defesa e o melhor ataque do campeonato.

 

Uma aspirina para a despedida

 

As despedidas são sempre difíceis, e muitas vezes tristes. A despedida do Benfica ao título de campeão não foi diferente: difícil, e muitas vezes  triste. 
 
Triste de mais, em muitas fases da primeira parte do jogo desta noite, na Luz, quando os jogadores do Vitória de Guimarães chegaram a parecer todos melhores que os do Benfica. E alguns mesmo muito melhores. como foi o caso do britânico Edwards. E, pasme-se, até Ola John.
 
O inicio do jogo ficou marcado por muitas falhas individuais dos jogadores, de ambos os lados. Os de Guimarães rapidamente serenaram, talvez até por perceberem que os adversários não atemorizavam ninguém, e passaram a mandar no jogo, e a criar oportunidades para golo. Nos do Benfica tudo falhava, e falhavam no básico da técnica individual, como a recepção e o passe. Chegou a ser aflitiva a sucessão com que perdiam a bola, justamente por maus passes e péssimas recepções.
 
Valeu ao Benfica nesta fase aquela pontinha de sorte que tão arredada andou durante jogos a fio, e que fez com que o Vitória não marcasse em três ocasiões claras que criou para o fazer. Numa delas a bola rematada pelo endiabrado e categorizado Edwards foi bater em tudo o que era ferro da baliza de Vlachodimos. E valeu que o Nelson Veríssimo viu o que todos estávamos a ver: que Weigl estava perdido em campo e em claro risco de ser contemplado com o segundo amarelo, e deixar a equipa a jogar com dez.
 
Ao substituir o alemão pelo desaparecido Florentino, aos trinta minutos Veríssimo mudou o jogo. O miúdo que há meses tinha partido para parte incerta entrou e mostrou que é muito melhor solução para aquela posição chave. A capacidade para recuperar e segurar a bola subiu a olhos vistos depois da entrado do Florentino. O golo de Chiquinho, aos 37 minutos, fez o resto. E o jogo não voltou a ser o mesmo. A gritante superioridade do Vitória esfumou-se, e o espectro de mais um resultado negativo em cima de mais uma exibição confrangedora foi substituído por uma janela de oportunidade para ganhar o jogo, e evitar festejos de terceiros já esta noite.
 
A segunda parte, com mais duas substituições acertadas, confirmaria os melhores cenários abertos com aquela substituição fulcral. As entradas de Seferovic e Rafa para os lugares do ineficaz Vinícius e do desinspirado e acomodado Pizzi trouxeram estabilidade à equipa. 
 
Se na primeira parte a única jogada de futebol aceitável para uma equipa do Benfica foi a do golo, na segunda, mesmo sem dar para muitos entusiasmos, a equipa construiu alguns belos lances de futebol. Sempre com Rafa e Seferovic como intérpretes, de que o segundo golo, já aos 86 minutos, cinco minutos depois de um espectacular chapéu do meio campo do suíço. que o Douglas defendeu de forma soberba,  é o melhor exemplo.   
 
Mas não foi só a ter bola e a atacar que a equipa melhorou com Florentino. Foi também a defender. 
 
Com a inevitabilidade instalada de sofrer golos, quando o Guimarães voltou a crescer naqueles 10 minutos que mediaram entre os 70 e os 80, temeu-se pela repetição do que sucedera no último jogo, em Famalicão. Não aconteceu justamente porque a equipa estava a defender melhor e conseguiu, por isso, a proeza - nesta altura não tem outra classificação - de, muitos jogos depois, chegar ao fim com a baliza a zeros. 
 
É no entanto evidente que a equipa continua doente. Nenhum dos males de que sofre foi debelado. Mas pode que esta aspirina de hoje lhe permita acabar a época com um mínimo de dignidade.

Contas feitas

 

O Benfica chegou hoje a Famalicão condenado pela comunicação social a carimbar a festa do Porto. Durante a semana os títulos dos jornais não faziam mais que antecipar a vitória, certa, do Porto em Tondela, a derrota, mais que certa, do Benfica em Famalicão, e a festa certa dos portistas. Com alertas a propósito, porque o vírus não aprecia festas. O próprio presidente da Câmara Municipal, e não sei do quê no clube, avisara que não iria abrir as portas.

Esperava-se que a equipa encarnada, que já dera melhor conta de si no jogo do passado sábado, com o Boavista, não estivesse pelos ajustes, e tudo fizesse para ganhar o jogo, e adiar o inevitável. É inevitável, mas tenham calma.

Durante 75 dos 90 minutos o Benfica mostrou vontade, e até qualidade para afirmar isso mesmo. Logo aos três minutos o super dragão que arbitrou o jogo transformou um penalti sobre Cervi num cartão amarelo - um dos muitos com que brindou os jogadores do Benfica - para o pequeno argentino, que foi um dos melhores da equipa. Que logo a seguir viu o guarda-redes Defendi - regressado à baliza, provavelmente pela sua história em jogos contra o Benfica - negar-lhe o primeiro golo. 

Golo que só surgiria aos 37 minutos, depois da habitual série de desperdícios. Mas também depois de se perceber que alguma coisa tinha mudado: pela primeira vez desde há muito tempo o Benfica não sofria um golo na primeira vez que o adversário chegasse à sua baliza. Circunstância que, não sendo a razão por que  perdeu este campeonato, porque são muitas, como se sabe, é também a razão por que o Porto, a quem nunca isso aconteceu, o vai ganhar.   

Durante toda a primeira parte o Benfica mandou no jogo, foi sempre superior, e poderia ter alcançado um resultado que o pusesse a coberto das muitas incidências em que o futebol da equipa é fértil. Na primeira meia hora da segunda parte, se bem que com menos continuidade, teve sempre o jogo na mão. Golos é que não.

Depois começaram as mexidas dos treinadores. Primeiro o do Famalicão, com substituições que logo deixaram perceber que iriam mudar aquele jogo. Depois, e parecia que já tarde, o do Benfica. Percebia-se que era necessário mexer em algumas peças, fosse pela carga de amarelos que pesava sobre os jogadores do meio campo, fosse pelo esgotamento físico de outros, como Cervi, Chiquinho ou Pizzi. Mas percebeu-se logo que o melhor teria sido não mexer em nada.

Vinícius não marca. E não marcando pouco contribui para o jogo. Seferovic também não, mas dá neste momento muito mais à equipa. Samaris pode querer muito, mas pode muito pouco.E atrapalha muito. Rafa está uma lástima, uma sombra do que era há uns meses. E Jota não pode, não parece que queira, nem nunca tem tempo para demonstrar outra coisa. 

E a coisa ficou assim, com os que lá estavam já sem poder dar mais, e com os que entraram a não serem capazes de fazer melhor. Ficando assim, e sabendo-se que não há jogo em que o Benfica não sofra golos, à entrada dos últimos quinze minutos, ficou claro que, não tendo marcado quando teve tanto tempo e tantas oportunidades para fazer mais dois ou três golos, o Benfica não ganharia este jogo. E só acabou por não o perder  porque não calhou. Porque, ao contrário do que costumava acontecer, o adversário não fez de cada oportunidade um golo.  

Acabou por impedir a anunciada festa portista. Mas, ao deixar o rival a um único ponto da conquista do campeonato, permitiu uma mini-festa que pouca diferença faz. E à vergonha que é perder um campeonato que esteve ganho, vai somar-se a vergonha de o perder com a absurda diferença pontual que se adivinha.  

Uma missão para os benfiquistas

Símbolos: Emblema do Benfica, a imagem de marca - SL Benfica

Quando, no máximo a três meses das eleições (depende do que melhor convier a Vieira),  deveriam andar a discutir um nome para a presidência do clube, os benfiquistas andam a discutir o nome do novo treinador para a equipa principal de futebol. Em vez de discutir o essencial, preferem discutir o acessório, como se o clube estivesse num rumo indiscutível e com um futuro inquestionável. Como se tudo se resolvesse com uma mudança de treinador, deixando tudo na mesma.

O treinador da principal equipa de futebol é sempre uma peça importantíssima na estrutura de um clube como o Benfica. Mas, ao contrário do presidente, nunca é mais que uma peça.

Não sei quem deva ser o próximo treinador do Benfica. Sei apenas quem não deveria ser. Sei que não deveria ser Jorge Jesus, porque o Benfica tem que ter memória. Nem Unai Emery, porque a sua ideia jogo não encaixa no que eu gostaria que fosse o futebol do Benfica. Nem Vítor Pereira, porque nem tem currículo para isso nem o Benfica precisa de ir ao caixote do lixo de Pinto da Costa. Nem Marco Silva, que muito prometeu e pouco cumpriu. Nem, evidentemente, pelas mesmas questões de memória, Paulo Sousa. 

Sei também quem não deva ser o próximo presidente. Sei que não pode continuar a ser Luís Filipe Vieira, por tudo o que venho escrevendo pelo menos há três anos. Porque se fez dono do clube, que é nosso. Pelas negociatas de toda a espécie, pela falta de transparência, pela subjugação dos interesses do clube aos seus, e aos dos seus, pelos processos judiciais para onde o arrastou e pela forma com o tem armadilhado para se proteger a si próprio.

E sei que também não poderá ser nenhum dos candidatos por enquanto anunciados. Porque Bruno Costa Carvalho, independentemente de ter ou não condições para formalizar a candidatura, não é sequer para levar a sério. Porque o Ricardo Martins Pereira é um de nós, tão presidenciável  como qualquer um de nós, o que evidentemente não basta. E porque Rui Gomes da Silva não tem simplesmente estatura para ser presidente do Benfica. Nunca ficaríamos melhor com um presidente proveniente dos degradantes programas da bola das televisões. A sua aposta nesses programas para lá chegar, saltando de uma estação para outra para não perder a tribuna, bastaria para lhe ditar a falta de estatura. Ética, mas acima de tudo intelectual. 

A imagem que projecta na sua exposição pública - discurso vago, inconsequente e pouco claro, sem coerência e sem ideias - não o credencia para a presidência do Benfica. Acreditar que lhe bastam os ecrãs da televisão retira-lhe estatura intelectual.

Mas sei quem deveria ser. E sei o que deveria estar a acontecer para que fosse.

Todos sabemos que não vai ser fácil "apear" Luís Filipe Vieira. Lembramos-nos do que foi necessário fazer para impedir Vale e Azevedo que, ironicamente, LFV não se cansará de evocar para se manter agarrado ao poder. A tarefa agora é muitíssimo mais difícil: Vieira está lá há vinte anos, e dispõe de muitíssimos mais meios. E de infinitamente mais armadilhas.

É preciso encontrar um nome consensual no universo benfiquista. Que não esteja marcado pelos jogos de poder, a quem sejam reconhecidas qualidades pessoais, integridade e conhecimento e experiência. De futebol, do jogo, e de tudo o que anda à volta dele. E é preciso que uma onda benfiquista se crie para esta missão. Para, em primeiro lugar, lhe lançar o desafio e, depois, o suportar. A todos os níveis, e com todos os meios.

Não haverá muitos nomes para esta missão de resgate do Benfica. Eu estou a ver um: Humberto Coelho! 

Mãos à obra!

 

Finalmente

Benfica 3-1 Boavista: Falha de Leite abriu o 'ketchup' e 'águia ...

 

O Benfica regressou hoje, finalmente, às vitórias. E às exibições decentes.

Na sequência do que vinham sendo as prestações da equipa nos últimos longos seis meses, a recepção ao Boavista não se adivinhava fácil. É conhecida a agressividade da equipa axadrezada, a forma como lutam os seus jogadores e até a tradicional resistência que oferecem ao Benfica. Sabe-se como obriga os adversários a, antes de se preocuparem em jogar bem, terem de preparar-se para lutar tanto como eles. E isso não era, neste momento, coisa que os jogadores do Benfica estivessem em grandes condições de fazer.

O início do jogo confirmou todos os receios. No primeiro quarto de hora, mais precisamente nos primeiros treze minutos do jogo, o Boavista impôs a sua lei. Pressionou, encostou o Benfica à sua área, e teve sempre a bola, que ganhava com grande facilidade. Os jogadores do Benfica não tinham nem tempo nem espaço para se organizarem, nem para impor o seu jogo que, tendo o Presidente optado por entregar o comando técnico da equipa ao adjunto de Bruno Lage, a alguém de cumplicidade máxima com o treinador despedido nas condições que se conhecem, não iria sofrer alteração. No modelo de jogo, e nos jogadores utilizados.

O minuto treze foi no entanto fatídico para o Boavista. Na primeira vez que o Benfica conseguiu passar a linha do meio campo, num lançamento longo de Gabriel (sem ter bola, não havia outra forma), o guarda-redes Helton Leite, que se diz estar de malas feitas para a Luz, não segurou a bola e deixou-a ao alcance de André Almeida que, de ângulo difícil, fez o golo.

No primeiro ataque, e no primeiro  remate, o primeiro golo. Coisa anormal neste Benfica habituado a fazer largas dezenas de ataques e remates para nada. E tudo mudou. 

E os jogadores sentiram que tudo tinha mudado. Um golo assim costumavam sofrer, não marcar. Se calhar tinha finalmente chegado a hora. E tinha!

A equipa passou a jogar a bola, as jogadas passaram a acontecer com princípio, meio e fim e, sob a batuta de Gabriel, finalmente regressado à influência que antes tivera e que fizera que, com ele em campo, a equipa nunca tivesse perdido qualquer jogo, as oportunidades de golo começaram a suceder-se.

Quando à meia hora de jogo surgiu o segundo golo, em mais um passe soberbo do Gabriel, concluído de cabeça por Pizzi, já o guarda-redes do Boavista tinha negado o golo por quatro vezes a Chiquinho e a Seferovic com defesas impossíveis, a redimir-se com juros altíssimos do erro inicial. Redenção que de resto se prolongou na segunda parte.

Depois veio o terceiro, desta vez com Pizzi a assistir Gabriel, depois de mais uma bonita jogada colectiva. Num remate de fora da área - apenas o terceiro no campeonato! - a coroar meia hora, se não de luxo, pelo menos como há muito se não via. E que nos deixava todos com a interrogação fatal: o que é se tem passado?

Seria mesmo que os jogadores só queriam ver-se livres de Bruno Lage? Por que é que com os mesmos jogadores, e com o mesmo modelo de jogo, as coisas agora funcionavam?

Não tenho resposta. Não sei se alguém tem...

Na reentrada do jogo, na segunda metade, tudo continuou. A mesma velocidade, com a mesma dinâmica, e com as oportunidades de golo a sucederem-se ao ritmo das defesas impossíveis do Helton Leite. Já não havia dúvidas: era garantidamente o regresso às vitórias, às boas exibições e, esperava-se a todo o momento, às goleadas de que tantas saudades tínhamos.

No entanto, e apesar das oportunidades criadas, o golo que confirmasse a goleada não aparecia. E de repente, do nada, uma falta, um livre lateral (já na primeira parte havia acontecido, repetindo o que vem sucedendo em todos os últimos jogos, só que então o marcador estava em fora de jogo de centímetros) e ... golo do Boavista. No primeiro remate, como vem sendo habitual, o adversário marcou. Sem ter feito uma defesa, Vlachodimos voltava a sofrer um golo...  

Desta vez não se passou nada. A equipa não entrou em pânico, e controlou sempre o jogo. Mas já não era o mesmo futebol, e Gabriel já desaparecia do jogo. Foi bem substituído, mesmo que Samaris, que entrou para o seu lugar, voltasse a não estar, como não poderia estar, bem. Mas as oportunidades de chegar á goleada, mais espaçadas, é certo, continuaram a surgir. Chegou ainda a festejar-se - e que festa! - o regresso de Vinícius - que substituíra Seferovic - aos golos. Mas estava em fora de jogo, por 30 centímetros, ou lá o que era.  

E em vez da goleada que o jogo justificava, e que poderia ser um precioso tónico para o resto desta época medonha, o jogo acabou com um insonso 3-1. Mesmo assim festejado pelos jogadores que, pela voz do capitão Jardel, baralhando-nos a resposta àquelas questões lá de cima, lembraram Bruno Lage e exaltaram o seu carácter e a sua competência. 

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