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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Obrigado. E parabéns!

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Maior que a alegria pelo 37 é o orgulho pela festa do título. Nada do que se tem visto por outros lados. Nada de arruaça, apenas benfiquismo. Nenhuma provocação a qualquer adversário, apenas festa. E depois ... um treinador que começa por pedir à multidão que à retirada deixe o Marquês limpo, e segue a dizer que há coisas muito mais importantes que o futebol, que temos de reconhecer o mérito aos nossos adversários quando ganham e que não podemos ser apenas exigentes no futebol, que essa exigência é muito mais útil ao país se transportada para o nosso quotidiano de cidadãos, enche a enorme alma benfiquista de cada um de nós. 

A minha está cheia. Obrigado, Bruno Lage. Parabéns!

Benficaaaaa.... O Benfica deu-me o 37!

Benfica Campeão Nacional

 

18 de Maio de 2019 - o dia V, de vermelho. De Benfica. De 37. De reconquista. De reconquista de um título mal perdido há um ano. Mas, acima de tudo, de reconquista de título que há cinco meses estava de novo perdido.

Começou a pintar-se de vermelho no Jamor, com uma conquista nova - a Taça de Portugal, pela equipa feminina de futebol, em ano de estreia. Na segunda divisão, por onde começou, com um desempenho 100% vitorioso. Perdeu um único jogo em toda a época, nas meias finais desta Taça, com o campeão nacional, o Sporting de Braga. Em casa, porque em Braga goleou o campeão e virou a eliminatória, garantindo a presença na final de hoje com o primodividonário Valadares, de Gaia. Hoje goleado no Jamor (4-0), na festa da Taça!

E continuou logo a seguir, na Luz. Esgotadíssima, com 65 mil nas bancadas, para a final desta Liga 18/19. A última de 18 finais que o Benfica em Janeiro tinha pela frente. Com 7 pontos de desvantagem, no quarto lugar da tabela classificativa da prova.

O opositor vinha dos Açores,visitava pela primeira vez a Catedral, a nova Luz, e trazia na bagagem uma bonita história competitiva e a melhor pontuação da sua história da Primeira Liga. E muita ambição. Tudo bem embrulhado num rótulo de futebol de grande qualidade. Melhor, bem melhor do que a sua excelente prestação pontual. Como de resto se vira em Alvalade e no Dragão onde, perdendo sempre por 0-1, foi sempre bem melhor que os adversários.    

Não se poderia desejar melhor para uma final. Para a última final.

E o jogo não desiludiu. Menos ainda o Santa Clara, que justificou tudo o que trazia na bagagem. E, passados que foram os primeiros instantes que se sucederam à bola de saída, em que o Benfica parecia que iria tomar conta do jogo, começou a impôr o seu futebol e a ser a melhor equipa sobre o relvado. Pertenceu-lhe por inteiro o primeiro quarto de hora do jogo, mesmo que não tivesse criado qualquer oportunidade de golo. 

Só que, e não foi a primeira vez que isto sucedeu, no primeiro remate, ao minuto 16, o Benfica fez golo. E que golo. Abertura brilhante de Samaris, grande desmarcação de Seferovic, fantástica recepção e belo remate em rotação. Golo 100 do Benfica no campeonato, e 22 de Seferovic, a garantir-lhe desde logo o título de melhor marcador da competição.

E, como em tantas outras vezes, a equipa soltou-se. Passou a pressionar bem melhor, o carrocel começou a funcionar, o bom futebol que a equipa sabe produzir passou a fluir e o excelente Santa Clara começou a passar por dificuldades. Como se tudo isto não fosse suficente, o Benfica saltou para níveis de eficácia pouco comuns. Sete minutos depois chegou o 2-0, em mais um monumento ao futebol: recuperação de bola de Rafa seguida de bailado dentro da área e entrega da bola para trabalho sublime de João Félix, a sentar um adversário e a rematar sem defesa. O terceiro tardou mais quinze minutos, e chegou ao minuto 38, com uma abertura de 30 metros de João Félix, cruzamento perfeito de André Almeida para Seferovic, e a bola a sobrar para Rafa fusilar. 

Quatro oportunidades de golo criadas, quatro remates e ... três golos. Nesta altura o 37 já não fugia, não tinha por onde. E eu dizia para quem estava ao meu lado que era uma pena que os jogos tivessem intervalo. Não me lembro de alguma vez ter desejado tanto que um jogo não fosse interrompido. Estava tudo a correr tão bem, tão perfeito, que era uma pena que o intervalo acabasse com aquele espectáculo. Não era simplesmente possível retomar o jogo àquele nível... 

E não foi. A segunda parte continuou a ser um bom espectáculo de futebol, que voltou a contar com a participação da qualidade da equipa açoreana. Os jogadores do Benfica começaram a procurar a exuberância e o jogo ficou mais dividido. O quarto golo, e segundo de Seferovic, a confirmar a liderança da tabela de marcadores, e a igualar o recorde de 103 golos num campeonato, estabelecido pelo Benfica de Eusébio na época 1963/64, surgiu com naturalidade e, de novo, com elevada nota de classe: uma finalização, de primeira, de um excelente cruzamento de Grimaldo.

Aos 54 minutos o marcador acusava nova goleada, e a partir daí, já com Jonas, nitidamente de despedida, a entrar em lágrimas, a equipa - e o próprio - não fez outra coisa que procurar oferecer-lhe o golo. Que acabou por não surgir, acabando por acontecer o golo de honra do Santa Clara, que em boa verdade fez amplamente por merecer.

Depois, depois foi a festa. Linda e inesquecível, que nem uns incidentes fora do Estádio com a polícia, sempre indesejáveis e lamentáveis, conseguem manchar. 

E agora, vamos para o Marquês. Para a maior festa do futebol em Portugal. Que tudo seja festa. E apenas festa!

 

 

 

 

 

A casa aos da casa

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Depois de tanto tempo e tanta coisa dita e escrita, a renovação de Samaris, um dos grandes símbolos deste Benfica, e claramente um dos nossos, foi a melhor forma de comemorar os 25 anos daquele memorável jogo de Alvalade.

Basta lembrarmo-nos do que foi esta época. Tiraram-lhe o número, o 7 que lhe pertencia, para o entregar a um jogador que acabava de chegar, por empréstimo. Antes, já tinha sido preterido em favor de jogadores como Filipe Augusto, por exemplo. Depois, continuou a sê-lo, por jogadores como Alfa Semedo.

Nunca desistiu e continuou a trabalhar com total empenho e profissionalismo. Até que chegou Bruno Lage. Estava pronto. Preparado e em perfeitas condições para, ao lado dos miúdos de Lage, ser figura central da extraordinária recuperação da equipa, sem a qual a "reconquista" não seria mais que mais um slogan falhado. 

Está e fica em casa. Na nossa casa! 

 

Título à vista

 

Sabia-se da importância e do grau de dificuldade desta penúltima final, em Vila do Conde. Não era uma final mais importante que as anteriores, mas as outras já faziam parte do passado, e esta ainda estava por disputar. Era a seguinte, e a seguinte é sempre a mais importante. Como agora é a próxima, a grande final. A que é finalmente decisiva!

A cada final ultrapassada  não aumentava apenas a importância da seguinte, aumentava também o grau de dificuldade. Porque a pressão sobre os jogadores, e a ansiedade, aumentavam, mas também a pressão sobre tudo o que é a envolvente do jogo, mesmo daquilo que nunca o deveria envolver.

A entrada do Benfica no jogo teve o seu quê de regresso ao passado - a um passado recente, é certo, mas passado - com o golo a surgir logo no arranque, ao contrário do que vinha sucedendo nos últimos jogos, em que  Benfica começou sempre menos bem, tendo mesmo de proceder a sucessivas reviravoltas no marcador. Logo aos três minutos, naturalmente na primeira oportunidade do jogo, Rafa marcou.

Para confirmar que as primeiras partes mais tremidas faziam parte do passado, que não deste jogo, regressando à pressão alta e às asfixia do adversário logo junto à sua área, o Benfica tomou conta do jogo. O Rio Ave não conseguia se não cheirar a bola, e correr atrás dela. Só que isto durou quinze minutos e ... acabou-se.

Quando o Benfica, por estratégia ou por qualquer outra despercebida razão começou a levantar o pé, o Rio Ave começou a crescer e a dividir o jogo, levantando de novo a dialéctica da bola que aqui tenho trazido nas últimas semanas - "uma equipa joga aquilo que a outra deixa". A verdade é que nunca mais o Benfica se sentiu confortável no jogo, mesmo que as poucas oportunidades de golo do jogo lhe tenham sempre pertencido, e nunca ao Rio Ave.

Em cima do intervalo -. é sempre boa altura para marcar, mas esta é normalmente tida por uma das melhores - o Benfica chega ao segundo, por João Félix, numa jogada muito reclamada pelo Rio Ave (e mais ainda por outros). A história conta-se em poucas palavras: Florentino em carga de ombro fora da área desequilibrou o adversário com quem disputava a bola, acabando por lhe tocar nas costas, então já dentro da grande área e quando ele ia já em queda. Não lhe provocou a queda com a mão nas costas pela simples razão que ele já estava claramente em queda e, a partir daí, não há qualquer falta, como - bem - ajuizaram árbitro e VAR. Dessa recuperação de bola surgiria a jogada que acabou nesse segundo golo do Benfica.

A segunda parte foi lançada em bases muito semelhantes às da última meia hora da primeira metade, com o Benfica longe da atitude do início do jogo, e o Rio Ave chegou ao golo, logo aos 5 minutos. Aí, sim, o Benfica apressou-se a regressar à pressão sobre o adversário e a tomar conta do jogo. E a criar sucessivas oportunidades de golo, até chegar ao terceiro, em mais uma bela jogada de futebol, concluída com um excelente remate de Pizzi.

Com a vantagem de novo em dois golos, e mesmo por cima por do jogo, nem assim o Benfica podia descansar. O Rio Ave não deixava... E acabou por voltar a marcar, a seis minutos do 90, deixando no ar a ameaça de repetir o que fizera há duas semanas, com o Porto, quando chegou ao empate nos últimos 5 minutos. 

Apesar disso, e do sofrimento de jogadores e adeptos, foi ao Benfica que couberam as duas melhores oportunidades até ao fim do jogo. Recebido naturalmente em festa!

Mesmo que a festa, a grande festa, esteja agora, com o título à vista,  marcada para o próximo fim de semana. Que nada a possa estragar!

Foto de A Bola.

Não havia necessidade... Não há necessidade!

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Socorro-me do velho diácono Remédios para deixar uma mensagem aos jogadores do Benfica: "meus amigozz, não habia nexexidade"...

Não havia necessidade nenhuma de fazerem sofrer os 60.667 que estivemos na Luz durante tanto tempo. O Port(o)imonense tinha avisado ao que vinha, e portanto só havia que começar o jogo da forma com que o acabaram. Mesmo que - lá está, outra vez - uma equipa jogue o que a outra deixa!

A equipa algarvia nem sequer se apresentou na Luz com autocarro, mesmo que tenha alinhado com uma defesa de cinco unidades. Não, foi uma equipa super defensiva, fechada lá atrás. Tapou todos os espaços, é certo, mas nunca foi com autocarros. Foi simplesmente pressionando os adversários e tapando linhas de passe, que a fraca mobilidade dos jogadores do Benfica lhes permitia adivinhar.

Foi a passividade e a falta de dinâmica com que o Benfica entrou em jogo que permitiu aos jogadores do Portimonense adivinhar os lances e ganhar sistematicamente a bola. Depois, com bola e sem pressão adversária, como são jogadores que a sabem tratar, começaram a criar dúvidas nos jogadores do Benfica. E logo a seguir nervosismo. Muito nervosismo, que rapidamente começou a passar para as bancadas.

A primeira parte foi exactamente isto, com o Benfica a perder sucessivamente a bola, incapaz de mais de dois passes seguidos, e o Portimonense a trocá-la com propósito e a criar desconforto em cada vez que saía para o ataque. 

Tudo poderia ter sido diferente se Seferovic tem marcado logo aos 8 minutos quando, isolado frente ao guarda-redes, lhe entregou a bola num chapéu que ficou curto. Só por mais duas vezes o Benfica criou alguma coisa a que se pudesse chamar oportunidade para marcar, tantas quantas logrou a equipa de Portimão, só que bem mais claras, bem mais oportunidades de golo.

Esperava-se um Benfica diferente para a segunda parte, ainda com as memórias de Braga bem frescas. Esperava-se que Bruno Lage fizesse do intervalo uma cura de sono, e que a equipa invertesse os dados do jogo, que eram claramente favoráveis ao adversário.

Mas... nada disso, e a segunda parte arrancou como se não tivesse havido intervalo. Um livre de Samaris logo no arranque deu apenas numa grande defesa do guarda-redes, e logo a seguir o Portimonense voltou a ameaçar. E pouco depois marcou mesmo, gelando a Luz.

Os jogadores do Benfica correram de imediato a colocar a bola no centro do terreno, como que a dizer que tinha chegado a altura de dar a volta aos acontecimentos. O árbitro Soares Dias ainda aguardava notícias do VAR, mas os jogadores nem quiseram saber disso, queriam era partir depressa para corrigir tudo o que de mau tinham feito até ali. O público estava com eles. Nervoso, mas estava com a equipa, a dizer-lhes que não seria por falta de apoio que a reviravolta não aconteceria, mesmo com novo calafrio logo a seguir.

Mas também logo a seguir, aos 61 minutos, já com Jonas (saída de Samaris - péssima a gestão da renovação do seu contrato, diga-se de passagem) em campo, Rafa, "à Rafa" fez o empate. E no minuto seguinte a bola foi à barra e andou ali segundos em cima da linha de golo. Não quis entrar, mas, com a Luz transformada no velho inferno, percebeu-se que o Benfica iria ganhar o jogo. Cinco minutos depois, novamente Rafa consumaria a reviravolta, que um grande corte de Jardel, longos dez minutos depois, consolidaria definitivamente.

A partir desse que foi o momento do jogo, só deu Benfica e, com Seferovic (parabéns, de novo!) a fazer finalmente as pazes com o golo, por duas vezes, e Jonas, por fim, o resultado subiu para uns impensáveis 5-1. Um resultado muito melhor que o jogo, um resultado mentiroso como tantos outros, mas desta vez a mentir a favor do Benfica.

Acabou em festa, mas atenção: O Benfica não pode continuar a dar metade dos jogos ao adversário. "Tantas vezes o cântaro vai à fonte que um dia lá deixa a asa"!

E foi de coração cheio que saí da Luz, a correr, para completar um fim-de-semana de música com goleada do Benfica pelo meio. Que tinha começado em grande, na sexta feira, com os Gift, a jogarem em casa, perante os seus, na Primavera, a apresentarem o Verão. E acabaria já hoje, também em casa, no Pedra Rock, no regresso dos Sidewalkers. Grandes! De rock puro e duro. Como a pedra!

"Uma equipa joga aquilo que a outra deixa"

 

Há um velho jargão do futebol que diz que uma "equipa joga aquilo que a outra deixa". Esta quarta final que o Benfica hoje disputou em Braga ilustra na perfeição esta dialéctica, muitas vezes difícil de perceber.

Na primeira parte o Benfica fez um jogo fraquinho. Jogou aquilo que o adversário deixou, e a verdade é que o Braga não o deixou jogar mais, pressionando alto e lutando pela bola com mais vontade, com os seus jogadores a anteciparem-se sempre aos do Benfica. 

Mais que fazer uma grande exibição, mais que exercer um claro domínio sobre o adversário, o Braga dominou o jogo não deixando o Benfica o jogar. Porque na verdade os protocandidatos ao título não criaram uma única oportunidade de golo. O que marcaram foi de penalti, claramente o mais oferecido dos três que o jogo teve. Fransérgio veio por ali fora - e não o deviam ter deixado vir, estenderam-lhe a passadeira - à espera do menor pretexto para o penalti. Foi o Rúben Dias que resolveu oferecer-lhe esse pretexto, quando só tinha que aguentar ao lado dele e fazer-lhe guarda de honra até à linha final. 

Mas - lá está - o Braga jogou assim porque também o Benfica deixou que jogasse assim. A perder ao intervalo, o Benfica não poderia deixar que o Braga continuasse a jogar assim na segunda parte. Teria que obrigar o adversário a deixá-lo jogar o seu futebol.

E assim fez. Fosse porque o Braga já não pudesse, fosse porque não lhe permitiu mais que pudesse, o Benfica entrou para a segunda parte a dizer: "pronto, acabou-se. Agora mandamos nós"!

Pegou no jogo, foi para cima do adversário, e as oportunidades de golo começaram a surgir. Foram onze oportunidades claras de golo, nas estatísticas finais do jogo, e o guarda-redes do Braga acabou com uma grande exibição.

Nunca mais o jogo teve nada a ver com o da primeira parte, e à medida que os minutos passavam e que a equipa bracarense ia caindo - lá está a dialéctica, outra vez - a exibição do Benfica atingia o brilhantismo.

"Uma equipa joga aquilo que a outra deixa"? Sim, mas também aquilo que sabe. E este Benfica sabe jogar muito, e foi a jogar muito que foi destroçando o adversário, limitando-lhe a ambição ao anseio pelo apito final do árbitro.

A reviravolta no resultado começou com dois penaltis, incontestados e incontestáveis. Coisa nunca vista antes, dois penaltis a favor do Benfica... Tão estranho que não se estranha que os comunicadores do costume tenham algo a comunicar.

E assim, mais uma vez de forma categórica, o Benfica passou, com distinção e nova goleada, mais uma final. Faltam agora três!

 

P.S. Não sei se fui apenas eu a reparar na azia dos senhores da Sport TV. Se calhar, fui!

De pé no fundo

 

A quinta final, na Luz com o Marítimo, já ficou para trás. Foi vencida, e com distinção: grande exibição e 6-0!. Depois da eliminação da Europa, e nas condições em que aconteceu, e antes da deslocação a Braga, dificilmente se poderia esperar melhor. 

O Benfica entrou - voltou a entrar - muito bem, a chegar ao golo logo aos dois minutos, num canto de laboratório, só possível por lá estar esse fantástico cientista que é João Félix. Chegou logo ao golo, sem qualquer penalti e sem nenhum jogador do Marítimo expulso. Nem de início, nem em nenhum outro momento, quando tantos tanto por isso fizeram.

Não se pode no entanto dizer que o Benfica tenha aproveitado esse golo para partir de imediato para uma grande exibição. Não. Descansou até um pouco em cima do golo e permitiu que o jogo fosse demasiado tranquílo durante alguns períodos da primeira parte. Com Seferovic infeliz como nunca se vira na finalização, o resultado chegou ao intervalo com esse golo único.

O Benfica entrou para a segunda parte de pé no fundo. E marcou o segundo logo ao quarto minuto (Pizzi). A partir daí os jogadores não mais levantaram o pé, e a equipa partiu à procura da perfeição. Encontrou-a e não mais a largou até ao fim do jogo. E foi uma delícia de ver!

E os golos foram aparecendo. Acabou na meia dúzia, mas o Marítimo bem podia ter repetido o 10-0 do seu rival do Funchal. Basta reparar que Seferovic, infeliz como nunca - hoje poderia lá estar a noite inteira a rematar, de toda a maneira e feitio, que a bola não entraria - ficou em branco e desperdiçou seis oportunidades claríssimas de golo. E que também Jonas ficou em branco, pese duas três oportunidades, daquelas que não costuma desperdiçar.

Uma goleada de meia dúzia - bis de João Félix e de Cervi, um de Pizzi e outro de Salvio -, sem golos do melhor marcador do campeonato, e sem golos de Jonas, parece estranho. Mas não é. É apenas o resultado do grande futebol que Bruno Lage trouxe para a equipa. 

Faltam agora quatro finais. E muitas peripécias, certamente... Este jogo de hoje voltou a deixar muita gente assustada.

 

Fim inglório

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Acabou ingloriamente em Frankfurt a viagem do Benfica que tinha Baku por destino. 

Ingloriamente porque o Benfica é melhor, significativamente melhor, que o Eintracht, e não podia ter saído desta maneira destes quartos de final da Liga Europa.

Perdeu porque foi traído pelo árbitro, que validou o primeiro golo da equipa alemã, aos 36 minutos da primeira parte, em claríssimo fora de jogo. Mas, acima de tudo, perdeu porque se demitiu de ganhar, dando quase a ideia que não queria mesmo ganhar.

A primeira parte do Benfica foi simplesmente expectante, com a equipa a abdicar da sua identidade e convencida que o jogo estava controlado. E isto custa tanto mais a aceitar quanto o adversário nem sequer foi nada do que poderia esperar. Tinha aqui dito, quando há uma semana o Benfica se ficou pelo 4-2, que, com o seu tremendo poder físico, se a equipa alemã impusesse uma grande intensidade ao jogo, este jogo seria muito difícil. Mas não foi nada disso que aconteceu, e o poder físico da equipa de Frankfurt foi apenas utilizado nos despiques individuais, nas bolas divididas e nas segundas bolas, sempre com os jogadores do Benfica muito encolhidos e muitas vezes mal posicionados.

Claro que o jogo poderia ter sido outra coisa, se não fosse aquele erro determinante do árbitro, agravado com a expulsão de Bruno Lage do banco. Mas tinha seguramente sido outro se as opções do fantástico treinador do Benfica tivessem sido outras, no plano estratégico e na própria constituição da equipa, onde Fejsa, mas também Jardel, já não cabem. 

Na segunda parte o Benfica entrou a inidiciar que as coisas iriam ser diferentes. É verdade que poderia ter marcado por duas vezes, mas não marcou. E, pior que isso, interrompeu esse melhor arranque com um inacreditável falhanço colectivo, mas mais uma vez com muito Fejsa, logo aos 12 minutos, que deu o segundo golo que garantia o apuramento ao adversário. 

Faltava mais de meia hora para o fim, mas ficou-se logo ali com a ideia que a equipa já não conseguiria dar a volta à sua dormência e voltar a passar para cima da eliminatória. E nem sequer criou grandes oportunidades para marcar o golo que garantiria o apuramento, ficando-se praticamente pelo remate de Salvio ao poste, que em boa verdade dificilmente poderia dar em golo. A mais flagrante oportunidade de golo acabaria mesmo por pertencer aos alemães, numa enorme defesa de Odysseas, depois de a bola ter saído por duas vezes pela linha final, sem que da arbitragem ninguém tivesse dado qualquer importância ao assunto.

E pronto. Já só há mesmo o campeonato para ganhar. É bom que ninguém se esqueça!

E faltam cinco

Benfica mantém liderança com recital de Rafa e João Félix

 

A sexta final desta contagem decrescente já está. Foi com o Vitória de Setúbal, esta noite, na Luz.

O jogo começou com um golo. Rafa marcou praticamente na jogada entrada, sem que os jogadores de Setúbal tivessem tocado na bola, mais ou menos como naquela super goleada com o Nacional. Só que isso não fez o jogo fácil, nada disso. Foi mesmo um jogo difícil, que o Vitória, entre outros - mas já lá vamos - complicou bastante.

O Benfica não teve apenas uma boa entrada, teve uma primeira meia hora de muito boa qualidade, do melhor que se tem visto, com quatro ou cinco oportunidades claras para marcar. À meia hora, depois do VAR, apenas pela segunda vez, e pelos vistos sem grande vontade de repetir, o ter chamado para ver no televisor a mão de Rúben Micael que toda a gente tinha visto a olho nu, o árbitro Rui Costa assinalou o penalti que Pizzi falhou, os dados do jogo mudaram.

Os jogadores do Vitória acreditaram que aquele lance poderia ter mesmo esse efeito. E pelas bancadas da Luz devem ter passado memórias de outras ocasiões em que, nesta época, as coisas não correram bem quando isso aconteceu. Logo na primeira  jornada, com o outro Vitória, o Ferreyra falhou um penalti quando o Benfica ganhava por 3-0, e o jogo acabou sofrido e em 3-2. No jogo com o Belenenses, na primeira volta, com o resultado em 0-0, foi Salvio a falhar o penalti. E o Benfica acabou por perder o jogo, e iniciar aí o primeiro ciclo de crise.

Estou com isto a tentar encontrar justificação para os injustificáveis assobios que se passaram a ouvir na Luz. Mas, por definição, o injustificável não tem justificação. Ainda na passada quinta-feira, depois de uma exibição fantástica, na parte final do jogo, com o golo dos alemães, surgiram assobios das bancadas.

Por isso aqui dizia há uma semana que era uma pena o Benfica ter mais jogos em casa que fora. Não há dúvida que os benfiquistas que acompanham os jogos fora ajudam a equipa. Muitos dos que vão à Luz, à mínima oportunidade, desajudam.

Aos 36 minutos Rafa bisou, e pensou-se que aquele golo abafava o penalti falhado. Só que três minutos depois, como sempre acontece com o Benfica, na primeira oportunidade, o adversário marcou. Os jogadores do Benfica sentiram o golo, mas sentiram muito mais o estúpido coro de assobios. A melhor coisa que podia acontecer era mesmo o intervalo.

No regresso, a entrada na segunda parte não dizia bem do intervalo. A equipa dava muito espaço, alongava o campo, com os sectores muito distantes entre si, que um Vitória com qualidade de jogo, com um futebol que não tem nada a ver com o do tempo de Lito Vidigal, soube aproveitar. E durante alguns minutos o Benfica perdeu mesmo o controlo do jogo.

Foram 10 minutos que só acabaram com aquele corte fantástico do Florentino a deixar a bola em Pizzi, que cruzou para um grande golo, a coroar mais uma grande exibição do João Félix. O 3-1, aos 56 minutos, voltou a mudar o jogo, e colocou definitivamente o Benfica no comando absoluto da partida.

Voltaram a suceder-se as oportunidades. Mesmo que só desse para mais um golo, numa grande execução de Seferovic. E voltaram, árbitro e VAR, ao registo habitual nos jogos do Benfica. Um penalti sobre Rafa - outra enorme exibição - foi transformado num livre contra o Benfica e num cartão amarelo que o afasta do próximo jogo. Sem que o VAR desse sinal de vida. Ao contrário do que, meia hora mais tarde, sucedeu num corte normal de Rúben Dias, num lance aéreo, que na queda acabou por tocar com a mão no adversário a quem ganhara a disputa da bola. Aí viu razão para o penalti que fixou o resultado final, repetindo-se o 4-2 do último jogo.

E faltam cinco! E não assobiem mais, pode ser?

 

E ao hattrick o miúdo chorou...

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Foi um jogo de sentimentos mistos, este que o Benfica hoje disputou com a equipa que veio da capital financeira da Europa, que trazia consigo uma série de recordes da Liga Europa.

À excepção dos primeiros dez minutos, em que a equipa pareceu surpreendida com a força e a intensidade com que os jogadores da equipa alemã entraram no jogo, o Benfica foi sempre claramente superior a este adversário que lhe coube em sorte nos quartos de final da Liga Europa. Houve mesmo períodos do jogo em que a qualidade técnica da equipa do  Benfica banalizou esta equipa alemã, que não tem nada de banal.

O Benfica chegou ao golo ainda antes da primeira parte chegar a meio, aos 21 minutos, já à terceira vez que entrava na área adversária, quando um defesa alemão derrubou por trás Gedson Fernandes, magistralmente isolado pelo fantástico João Félix. Penalti, convertido pelo miúdo, e expulsão do jogador alemão.

A partir daí, e não sei se se poderá dizer que a jogar com mais um, porque pareceu-me que Fejsa tratou de equilibrar as contas, o Benfica pôs a cabeça dos jogadores do Eintracht em água, sem saberem para onde se haviam de virar. Estávamos nisto quando Fejsa - se calhar era mesmo melhor se lá não estivesse - teve uma paragem e ofereceu o golo ao adversário, já em cima do intervalo. E, sem perceber como,  a equipa alemã, que já vira o árbitro perdoar-lhe mais um penalti, via o empate cair-lhe do céu.

Logo a seguir, na resposta, João Félix fez o segudo. O seu segundo e o segundo da equipa, devolvendo-lhe a vantagem no marcador, que não colocando-lhe justiça.

Logo no arranque da segunda parte chegou o terceiro, desta vez por Rúben Dias, assistido por... João Félix. A equipa jogava bem,  e as oportunidades iam-se sucedendo. Cinco minutos depois o miúdo chegava ao terceiro. Ao hattrick, e chorou. Percebeu que tinha acabado de fazer História. E tinha. É o quarto português a fazê-lo nas competições europeias, e o mais novo de sempre!

Depois, o quinto e o sexto simplesmente não quiseram aparecer. Não foi por falta de oportunidades, nem por falta de qualidade de jogo. Foi porque o futebol é assim. 

E, como é assim, num canto, o nosso conhecido Gonçalo Paciência, numa falha de Jardel, fez o segundo golo para a equipa alemã, e fixou o resultado num inacreditável 4-2 que deixa a eliminatória completamente em aberto. 

Ou perigosamente em aberto, se pensarmos no que poderá ser esta equipa alemã se conseguir levar o jogo para os níveis de intensidade que a extraordinária dimensão física dos seus jogadores potencia.

E daí os mixed feelings com que saímos deste jogo. Tudo poderia ter ficado resolvido nesta noite de gala de João Félix. Na noite em que chorou de hattrick. Mas não ficou! 

 

 

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