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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Cacofonia

 

Luís Filipe Vieira (Presidente) in De Águia ao Peito

 

Um chamado ‘Movimento 1904 De Todos UM’ criado, ao que se diz, por três sócios do Sport Lisboa e Benfica, pede que sejam convocadas eleições no clube “no momento oportuno".

Ora aí está: um movimento criado para pedir eleições que já estavam anunciadas. Sem data, é certo. Por isso o movimento as pede “no momento oportuno". E qual é o" momento oportuno"?

Não dizem. Mas é certamente o que a direcção - a quem reconhecem  “sentido de responsabilidade e de coragem” que é garantia de “serenidade e tranquilidade necessária” - entender. 

Ora aqui está um movimento daqueles que acrescentam, e que tanta falta faz neste momento difícil, a  pedir á direcção que marque as eleições, que já marcou, para a data que considere oportuna, como fez ao não marcar data.

Com movimentos destes e com a manifestação de "gratidão e solidariedade" a Luís Filipe Vieira promovida para domingo, cacofonia já não falta. Só é pena que não fizesse falta nenhuma. O que agora dava jeito era mesmo mais qualquer coisa... 

 

 

 

Olho para laterais

Paulo Bernardo mais três anos - Benfica - Jornal Record

 

Fiquei sem grandes duvidas que o talento do Paulo Bernardo lhe vai garantir um futuro brilhante no futebol mundial. Não será provavelmente no Benfica, mas certamente num outro grande clube europeu. Tem tudo para ser um 10 de classe mundial, mas tem também a História do seu lado.

É que Jorge Jesus está a lança-lo a lateral direito. O último grande talento de que quis fazer defesa lateral brilha hoje na melhor equipa do mundo ... É como o algodão, não engana!

Uma história curta para a mais longa presidência

Capa Jornal A BolaCapa Jornal RecordCapa Jornal O Jogo

 

Poderia ter ficado na História do Benfica como um dos grandes presidentes do clube, mas fica apenas como o que mais tempo ocupou o lugar. Tempo de mais, e acabou enxotado porta fora, pela mais apertada da saída.

Luís Filipe Vieira até começou bem, com a construção do estádio e o regresso aos títulos - uma Taça de Portugal e um campeonato. Acontecimentos de alta tensão emocional, e de grande comoção benfiquista, reforçaram-lhe o apoio. Foi assim logo no início, com a morte de Feher, e mais tarde com a de Eusébio. 

Depois do bom início seguiram-se anos de desastre. Tínhamos ganho cedo demais, dizia então. Contratações completamente falhadas, e desacerto total na escolha dos treinadores, sucessivamente despedidos. Surgem os primeiros sinais de contestação à sua liderança que, curiosamente, é pela primeira vez desafiada pelo seu primeiro braço direito, José Veiga. Curiosamente, também, o primeiro elemento estranho que chamou para junto de si, directamente proveniente das hostes de Pinto da Costa. Ms não estranhamente, porque também ele daí vinha, e era ainda então sócio do Porto.

Acabaria a encher o clube de gente dessa, como bem nos lembramos, e a blindar com os estatutos qualquer ameaça ao seu projecto pessoal.  

Entretanto nascia o Seixal, um viveiro único de jogadores. Chega Jorge Jesus - o casamento perfeito - e nem um é aproveitado. Tinham de nascer dez vezes. E a Benfica TV, um projecto inovador, e um poderoso instrumento de afirmação do Benfica, pronto para romper com os interesses instalados à volta do todo poderoso Joaquim Oliveira. A quem rapidamente se vende, acabando por reduzir um grande projecto de televisão e de negócio, a um simples - e vergonhoso - canal de propaganda pessoal, à imagem do que de pior se faz nas mais desprezíveis ditaduras. Pago pelos benfiquistas!
Aponta a estratégia para o Seixal, e tem de renegar Jesus. Que, pela sua própria condição e estatura, se torna num dos principais inimigos do Benfica. Começa aí uma boa parte dos últimos capítulos desta história de Vieira. Começa com os vouchers, e depois foi em catadupa.
O Seixal resplandece, dá títulos e muitos jogadores para vender. Dinheiro a rodos, Os resultados da SAD engordam, mas o Passivo permanece na mesma, inamovível. E títulos, o desejado e nunca alcançado tetra. O Porto está de rastos, falido e sem ganhar há quatro anos, coisa de que já nem se lembrava. Então Vieira dá-lhe a mão, e desiste do penta, desinvestindo claramente na equipa.
Despede Rui Vitória, mas vê uma luz, e readmite-o para o voltar a despedir semanas depois. Diz que contrata Mourinho, mas entra Bruno Lage, por uns dias, porque afinal já estava tudo perdido. Enganou-se. Não estava. 
Vendeu João Félix, com truques de ilusionismo sobre a cláusula de rescisão. Saiu Jonas. E Lage que se desenrascasse, porque contratações não havia. Ainda assim as coisas iam correndo bem, até de repente passarem a correr mal. 
Novos casos, novas buscas, novos processos judiciais surgiam todos os dias nos jornais. Novos mails iam sendo sucessivamente divulgados, e revelando-nos coisas que não nos podiam orgulhar, e que lançavam o nome do nosso Benfica na mesma sargeta onde há muitos anos corriam os outros. Tinham sido obtidos e divulgados de forma ilegal, sim. Mas existiam, e existem. Como existiam, e existem, as gravações do apito dourado. Exactamente!
Vêm aí eleições, e corre a buscar ... Jesus, como se ninguém tivesse memória. Sabe quem tem, e sabe que tem gente capaz de tudo esquecer e perdoar por um campeonato. Que tudo  troca por uma ilusão. E já tem 100 milhões para gastar em contratações. Falhou tudo!
Termino aqui a história da presidência de Vieira. Devem ter reparado que não toquei num único ponto daquilo de que Vieira é suspeito, nuns casos, e já acusado, noutros. Todos e cada um com a gravidade  criminal que têm, e boa parte deles gravosamente lesivos do património material e imaterial do nosso Benfica. 
É que não é preciso abrir sequer essa parte da história para, do ponto de visto do benfiquismo, fazer o julgamento da presidência de Vieira. Nem sequer entrar no capítulo reservado ao Sr Textor. Daí que não consiga entender os louvores que hoje lhe vão correndo pelas redes sociais se não no quadro daquilo que são, e a que se prestam. 
 
 
 
 
 


À Bayern, diziam eles...

Venda de ações da SAD do Benfica compensaria 'rei dos frangos' por ajudar  Vieira - Benfica - Jornal Record

Os objectivos da OPA, que muitos benfiquistas, entre os quais me incluí (aqui, ou aqui) na altura desmascararam, não morreram quando a CMVM lhe passou a certidão de óbito. Era para Vieira e os seus fazerem dinheiro, muito dinheiro, e tinha que ser feito.

Não deu para fazer com OPA, fez-se sem OPA. E sem informação, em segredo completo. Foi preciso passar-se pelo que se está a passar para vir a público. E para, só depois de ter sido tornado público, a administração da SAD do Benfica fazer de conta que o tornava público.

De então para cá as acções do accionista José António dos Santos cresceram, cresceram, cresceram... O comprador, o prometente comprador, o Sr Textor veio dizer que nunca negociou com o Benfica, apenas com o Sr Dos Santos. Pois não, nem precisava ... Já tem 25% da SAD, sinalizados com um milhão de euros, e quem conhecer o seu perfil de investidor sabe que não gasta dinheiro para não mandar.

E não é preciso saber muito destas coisas para perceber que ninguém gasta 50 milhões de euros para investir em acções que não se valorizam em mercado, que não distribuem dividendos e que, qualificando-o como investidor relevante, não lhe garantem condições para mandar. Nem é preciso ser visionário para ver onde se pretendia chegar.

Mas, dizia Vieira, e replicam-no anda hoje muitos, era uma operação à Bayern.

 

Há eleições. A época é que ainda está por preparar!

Reunião ordinária dos órgãos sociais vai analisar situação do SL Benfica -  Desporto - SAPO 24

 

O Comunicado assinado pelo Presidente da Mesa da Assembleia Geral do Sport Lisboa e Benfica, António Pires de Andrade, no fim da reunião ordinária quadrimestral dos órgãos sociais que se realizou esta tarde no Estádio da Luz, entre inevitáveis banalidades, dá-nos conta de duas notícias.

Uma é boa, e inevitável - a realização de eleições. Mas peca por tardia. Essa era a notícia que teria de ter sido dada na passada sexta-feira, quando Rui Costa se anunciou Presidente do Benfica. Teria de ter sido a quarta frase da sua declaração: a primeira para dizer que tinha assumido a presidência, a segunda para o sustentar com a responsabilidade do momento, a terceira para particularizar as responsabilidades urgentes na emissão obrigacionista e no apuramento para a Liga dos Campeões. 

Hoje apenas teria que ser comunicada a data marcada.

A outra consta logo no início do Comunicado é má - péssima - e deveras preocupante. A unanimidade em, nesta altura, a duas semanas do início das competições, classificar "a preparação da época desportiva no futebol" como "objetivo de curto prazo a que se torna imperativo dar resposta", é mais que preocupante. É surreal!

 

Dois Presidentes e três opções

As primeiras palavras de Rui Costa como novo presidente dos Encarnados:  "São tempos desafiantes, de nos unirmos em prol do Benfica" - I Liga - SAPO  Desporto

 

Na prisão, Luís Filipe Vieira suspendeu o mandato. Poucas horas depois, Rui Costa assumiu a presidência do Benfica. Quase que dá para dizer que não há fome que não dê em fartura - o Benfica, que há tanto tempo não tem presidente, tem agora dois: um com mandato suspenso, e outro com o mandato apropriado.

É estranho, mas também não seria de esperar que fosse agora que acabassem as coisas estranhas no Benfica. 

Vieira não foi capaz de, nem nestas circunstâncias, ter o pinguinho de dignidade de renunciar ao mandato. Nem de dar o mínimo dos sinais de que, no fim de tudo, ainda lhe tenha sobrado uma resteasinha de pudor. Ou um mínimo de respeito pela Instituição, como ele gostava de dizer, para não lhe complicar ainda mais a vida.

Todos nos lembramos de há para aí um ano LFV ter dito que deixaria o Benfica se fosse acusado de corrupção. Pelos vistos, depois de dois dias detido, olhou bem para os indícios do que  estará para ser acusado, ou pediu ao advogado que lhos lesse, e viu ou ouviu: burla qualificada, abuso de confiança, fraude fiscal, branqueamento de capitais e falsificação.

Pois, corrupção não consta. E ele, sempre cumpridor da sua palavra, concluiu então que não tinha nada que ir embora. Que lhe bastava suspender, como se preso não estivesse já suspenso.

Pelo que tenho visto há ainda benfiquistas que acham que fez muito bem. E mais ainda, pelos "carrega Rui Costa" que por aí tenho visto, que aplaudem entusiasticamente o novo presidente. São os mesmos, "os invisuais de espírito crítico" que têm achado normal tudo o que Vieira tem feito nos últimos anos do seu, mas também nosso, Benfica. 

Para esses, para todos os que exaltam Rui Costa e, ao que se diz, a decisão unânime da direcção do Benfica, de não marcar eleições e assegurar a sucessão dinástica de Rui Costa, deixo as opções que o Ricardo Araújo Pereira já apontou para sustentar esta decisão:

1) Rui Costa, e os restantes membros da direcção, são cúmplices de Vieira;

2) Rui Costa, e os restantes membros da direcção, são coniventes com Vieira;

3) Rui Costa, e os restantes membros da direcção, são completos totós e nunca souberam nada do que Vieira andou a fazer.

Não me parece haver mais alternativas. Têm que escolher uma. E depois digam qual delas lhes dá mais garantias para conduzir os destinos do seu, mas também nosso, Benfica.

Resumo, não é difícil - é escolher para manter o Benfica entregue a cúmplices, a coniventes ou a incapazes!

 

 

 

Tristeza imensa, como a chama

Apoio de António Costa a Luís Filipe Vieira? PCP não critica, mas alerta  para implicações

 

A detenção de Luís Filipe Vieira não surpreendeu ninguém, a não ser os que em tudo são apanhados de surpresa, os invisuais de espírito crítico. De há muito que se sabia ser apenas uma questão de tempo, tempo que rapidamente encurtava depois da detenção de Berardo.

Que Vieira se servia do Benfica era coisa dada por certa, que o tempo se ia encarregando de tornar cada vez mais inquestionável. Há muito que aqui falamos disso. Falamos de comissões, de compras e vendas de jogadores onde era difícil encontrar racionalidade, de encenações, da OPA... Mas também de ética, de princípios e de benfiquismo.

Sabemos bem como são diferentes as preocupações de quem deve uns milhares de euros das de quem deve centenas de milhões. Mas, e apara além de quem deve centenas de milhões ter começado por dever apenas milhares, há uma coisa em comum - dívidas pessoais ao pé dos milhões do futebol é chegar estopa ao fogo.

Mas conhecemos o comportamento das massas, e a facilidade em manipulá-lo, mais ainda nas tribos do futebol. E daí que, no meio disto tudo, sobre a tristeza de constatar que, de Vale e Azevedo a Vieira, nada mudou na instrumentalização do Benfica, apenas com um pequeno intervalo para Vilarinho fazer de mestre de cerimónias na mudança das moscas. E a preocupação de ainda há pouco o primeiro-ministro de Portugal integrar o ramalhete que decorava tudo isto.

 

Zero. Bola, como ele gosta dizer...

 

Aí está. Nem a Taça. Que não salvava coisa nenhuma, mas anestesiava alguma coisa.
 
Pela segunda vez consecutiva em Coimbra, pela segunda vez consecutiva o Benfica a perdeu. Desta vez a somar a tudo o que perdeu nesta época, prometida de arrasadora. Mais uma vez a equipa, e principalmente Jorge Jesus, falha quando não pode falhar. 
 
Sabia-se que esta era a Taça do tudo ou nada. Também para o Braga, e percebeu-se que Carlos Carvalhal, que voltou a dar um banho a Jesus - em quatro jogos ganhou-lhe três, dois deles decisivos - tinha esta final bem preparada. De Jorge Jesus só se tinha percebido a basófia do costume.
 
Claro que há as contingências do jogo. E há contingências que não são assim tão contingenciais. Na verdade as arbitragens de Nuno Almeida nesta época nos jogos do Benfica não são meras contingências. A verdade é que esta época o árbitro algarvio arrumou o Benfica em todos os jogos que arbitrou.
 
Neste fê-lo no fim do primeiro quarto de hora de jogo, de um jogo que estava amarrado, e ainda muito indefinido. Ao primeiro - de muitos - erros defensivos do Benfica, sucede o decisivo erro do árbitro, expulsando o guarda-redes Helton Leite, quando nenhuma imagem confirma que tenha sequer tocado no Abel Ruiz, que também não estava em condições de seguir para a baliza e fazer golo.
 
E o Braga ficava bem cedo a jogar com mais um. E se tinha preparado bem esta final, melhor tinha preparado este jogo, com aquele treino de há umas semanas com o Sporting. Que lhe tinha bem saído bem mal, mas ficou o treino.
 
O Benfica não fez como o Sporting. E daí tirou o Braga mais proveito ainda. Passados os primeiros minutos, o Benfica passou a querer jogar de igual para igual. E a verdade é que não só equilibrou o jogo como, já nos primeiros dois minutos de compensação na primeira parte criou duas oportunidades claras de golo. Só que no terceiro, na última jogada, num inofensivo corte de cabeça de um defesa do Braga, Vlachodimos e Vertonghen entregam a bola a Piazon, que se limitou, com classe, a meter a bola na baliza.
 
Em superioridade numérica, e com o tónico do golo em cima do intervalo, o Braga estava nas suas sete quintas. E no primeiro quarto de hora da segunda parte só não fez mais dois ou três golos porque não calhou. E controlou sempre o jogo porque, do lado do Benfica, nada era feito para mudar o rumo dos acontecimentos. O treinador que mais Taças de Portugal perdeu em Portugal - ganhou apenas uma - até fez as substituições que pareciam as indicadas, mas não mudou nada. 
 
O pecado maior, de todo incompreensível, era a equipa, com menos um jogador, insistir em sair a jogar da sua área. Pensava-se que, com a entrada de Darwin, que garante outra profundidade ao ataque, esse pecado seria expiado, e que o Benfica passasse a explorar essa oportunidade, pudesse fugir à natural pressão alta do Braga, roubar  comodidade ao adversário, e discutir o jogo em moldes diferentes. Mas não. Continuou sempre a insistir em sair com a bola de trás, e a perdê-la, na maioria das vezes, ainda no seu meio campo. 
 
Foi tão sempre assim, que foi até assim que o Braga marcou o segundo golo, já no fim do jogo. Que acabou mal, e feio. Com a expulsão de Taarabt. E de Piazon. Mas não de Eduardo, o antigo guarda-redes do Braga - e até do Benfica - que provocou tudo (e provocou todos durante quase todo o jogo) e foi depois escondido.
 
Mas isto são as contingências. O que se passa no Benfica é que, infelizmente, não é acidental. Se tudo se mantiver na mesma, o que quer dizer com os mesmos, na próxima época cá estaremos para ainda pior que o mesmo. Insistir na incapacidade de Jorge Jesus, um treinador de outro tempo, esgotado e ultrapassado, mas sempre arrogante, e na incompetência - para não dizer mais - de Vieira, Rui Costa e restante corte, é acreditar que os mesmos erros,  nas mesmas circunstâncias, não produzem os mesmos resultados. 
 
Mas talvez ainda haja muita gente que não acredita nas leis da física…
 
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Campeãs - mas mais apetecia dizer "campeonas"!

Benfica bate Sporting e sagra-se campeão de futebol feminino - Futebol  Feminino - SAPO Desporto

 

A equipa feminina de futebol do Benfica sagrou-se ontem campeã nacional, ao vencer categoricamente em Alvalade a do Sporting, por 3-0, na última jornada do campeonato, no terceiro ano da sua existência. No primeiro passeara pela segunda divisão, e conquistara a Taça de Portugal, no segundo liderava a competição com a do Sporting quando foi interrompida por razões da pandemia e, no terceiro, para já, ganhou a Taça da Liga e o campeonato.
 
Foi um bom espectáculo de futebol, bem disputado e, boa parte dele, bem jogado. Com algumas curiosidades, em especial quando - inevitavelmente - comparado com o futebol masculino. A pedra angular do futebol é o passe e a recepção. O resto é a criatividade individual e a intensidade. E na realidade apenas no capítulo da recepção, pelo que se viu neste jogo, o futebol apresentado pelas meninas ficou alguma coisa a dever ao masculino.
 
O primeiro golo surgiu bem cedo, aos 5 ou 6 minutos, numa grande jogada da Cloé Lacasse (a melhor em campo) concluída exemplarmente pela Nycole. E foi determinante, já que, com mais dois pontos, e em vantagem num jogo em que o empate lhe servia, ao Benfica passou a bastar controlar o jogo. Ao invés, obrigou o Sporting a desgastar-se na procura dos golos a que nunca chegaria. Nem a grandes oportunidades para isso.
 
As melhores oportunidades acabaram por pertencer ao Benfica, em especial nos últimos vinte minutos do jogo. O segundo golo surgiu aos 83 minutos, pela fantástica Cloé Lacasse. E o terceiro 4 minutos depois, num penalti convertido com classe pela miúda prodígio Kika Nazareth, de 18 anos. 
 
No que toca a futebol jogado as curiosidades têm a ver com a posição adiantada das guarda-redes, em especial Letícia, a do Benfica, que chega a jogar bem próxima da linha do meio campo, sendo parte decisiva da construção do futebol ofensivo da equipa. E com as raríssimas situações de fora de jogo. No resto, uma arbitragem sem controvérsias, e … sem VAR. O que nos dias de hoje dá saudades. 
 
Claro que também lá estiveram coisas de homens. Mau perder e gesto feios, que julgávamos ser exclusivo masculino. Mas perder é perder, no masculino ou no feminino. E custa sempre a quem anda lá dentro. Como foi o caso da Ana Capeta, a jogadora do Sporting que foi expulsa nos últimos minutos, quando perdia por 2-0, e saiu de pirete em riste para o banco do Benfica, acto de imediato reprovado pela sua treinadora. Mas já não foi o de Frederico Varandas que, ainda por cima em ano de tantas vitórias, não deveria ter mandado o fair-play às ortigas.
 
Podia aproveitar esta conjuntura vitoriosa para ser grande na derrota? Poder, podia, mas não era a mesma coisa… E Varandas tem dificuldade em ser outra coisa. O que é pena, porque nunca foi tão fácil fazer a diferença no quadro do dirigismo dos clubes portugueses.
 
 

 

Decisões desportivamente finais.

Havia muita coisa para decidir nesta última jornada do campeonato - o acesso à última vaga para uma competição europeia, determinada pelo sexto lugar na classificação, a fuga ao lugar em aberto para a descida, bem como a do desejável ou indesejável, conforme o ponto de vista da classificação, última esperança de manutenção através liguilha, e ... a questão do melhor marcador da Liga. Com tanta coisa em jogo, abrangendo praticamente todos os jogos (à excepção do Tondela-Paços, que se disputou ontem, e do Porto-Belenenses, que abriu a jornada de hoje, foram todos à mesma hora. Todos menos o Sporting-Marítimo, que começou quando todos os outros estavam a acabar. A Liga achou que não havia desportivamente qualquer problema em dar a um dos competidores pela melhor marca de golos a vantagem de iniciar o jogo já sabendo quantos teria de marcar para ganhar.

No Vitória-Benfica, também um clássico, estavam em jogo a primeira e a última daquelas decisões. Ah... e também o título que Jorge Jesus quer que festejemos - o de campeão da segunda volta. Mas estava também em jogo ... a final da Taça, do próximo domingo.

Por isso o treinador do Benfica apresentou uma equipa com sete alterações em relação ao dérbi, de sábado passado. Para poupar física e disciplinarmente a maior parte dos jogadores habitualmente titulares. Pelo que se viu deveria ter poupado mais um - Lucas Veríssimo, que a meio da primeira parte acabou com uma lesão muscular que o afasta da final da Taça, e eventualmente até da estreia na selecção brasileira. Não poupou, não poderia  naturalmente poupar Seferovic, com o título de goleador-mor do campeonato para discutir com o sportinguista Pote.

Ao contrário de outras vezes, como no recente jogo com o Nacional, não se notaram todas essas alterações. As segundas escolhas não estiveram nada mal e, mesmo sem realizar uma exibição exuberante, não se pode dizer que a equipa não tenha apresentado um futebol agradável. E menos ainda que não tenha dominado tranquilamente o jogo, provavelmente um dos mais fáceis desta longa série de confrontos em Guimarães.

Mesmo sem ter conseguido marcar, a primeira parte foi de domínio absoluto do Benfica, com três ou quatro ocasiões para marcar. Não marcou na primeira parte, mas marcou logo no início da segunda parte. Por Seferovic, pois claro, a finalizar uma excelente jogada de futebol. E repetiria ainda antes de esgotado o primeiro quarto de hora, agora na sequência de um canto bem trabalhado, com desvio ao primeiro poste para Seferovic concluir no segundo golo. Seu e da equipa. Festejou, claro. Eram dois golos preciosos.

Provavelmente suficientes para repetir o título de há duas épocas. Não há "hat-tricks" todos os dias. Acho que nem tinha havido nenhum neste campeonato.

Com o resultado em 2-0 Jorge Jesus começou a fazer entrar alguns dos principais habituais titulares. E a verdade é que o jogo da equipa começou a piorar. Pouco depois o Vitória marcou, de canto. Há muitos jogos que o Benfica não sofria um golo de canto, parecia até que esse problema que durante tanto tempo tinha atormentado a equipa fazia parte do passado mais negro desta negra época. O Benfica chegou até a perder o controlo do jogo, e permitiu até uma ou duas ocasiões para os vimaranenses empatarem. Valeu então o regressado - para a despedia - Vlachodimos

Nos últimos dez minutos voltou ao comando da partida, e acabou até por marcar o terceiro golo. Mas de Everton, que tinha entrado na tal leva dos titulares, que fez o que tinha de fazer. Quando o jogo acabou tinha praticamente acabado de começar o do Sporting, e o Pedro Gonçalves, Pote, já tinha marcado dois golos, voltando a estar empatado com Seferovic, que era ainda o melhor artilheiro por ter os mesmos 22 golos em menos tempo jogado na competição.

Faltava a Pote o terceiro. E o hat-trick, a tal coisa rara e o primeiro da sua carreira, era já uma inevitabilidade. Chegou por volta da hora de jogo e o assunto fico resolvido. E tornou-se, 25 anos depois de Domingos Paciência, no primeiro português com a melhor marca de golos no campeonato.

Não é só por isso que o Pedro Gonçalves merece nota alta. É porque foi a maior revelação da competição, e o mais influente jogador do Sporting, que marcou o desempenho competitivo do novo campeão nacional. Quando Pote esteve bem, e esteve bem durante grande parte da época, e muito bem no início e no fim, o Sporting esteve bem. Quando se apagou, o Sporting apagou-se. E valeu-lhe Coats.

É pois notável, e merecedora de todos os elogios, esta conquista do jogador que Rúben Amorim lançou para a alta roda do futebol. Mas não foi bonito, nem desportivamente aceitável, terem-lhe dado a vantagem que lhe deram. Nada garante que, com o jogo à mesma hora, o resultado fosse diferente. Mas o jogo em Guimarães teria sido certamente diferente!

 

 

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