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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Contas feitas

 

O Benfica chegou hoje a Famalicão condenado pela comunicação social a carimbar a festa do Porto. Durante a semana os títulos dos jornais não faziam mais que antecipar a vitória, certa, do Porto em Tondela, a derrota, mais que certa, do Benfica em Famalicão, e a festa certa dos portistas. Com alertas a propósito, porque o vírus não aprecia festas. O próprio presidente da Câmara Municipal, e não sei do quê no clube, avisara que não iria abrir as portas.

Esperava-se que a equipa encarnada, que já dera melhor conta de si no jogo do passado sábado, com o Boavista, não estivesse pelos ajustes, e tudo fizesse para ganhar o jogo, e adiar o inevitável. É inevitável, mas tenham calma.

Durante 75 dos 90 minutos o Benfica mostrou vontade, e até qualidade para afirmar isso mesmo. Logo aos três minutos o super dragão que arbitrou o jogo transformou um penalti sobre Cervi num cartão amarelo - um dos muitos com que brindou os jogadores do Benfica - para o pequeno argentino, que foi um dos melhores da equipa. Que logo a seguir viu o guarda-redes Defendi - regressado à baliza, provavelmente pela sua história em jogos contra o Benfica - negar-lhe o primeiro golo. 

Golo que só surgiria aos 37 minutos, depois da habitual série de desperdícios. Mas também depois de se perceber que alguma coisa tinha mudado: pela primeira vez desde há muito tempo o Benfica não sofria um golo na primeira vez que o adversário chegasse à sua baliza. Circunstância que, não sendo a razão por que  perdeu este campeonato, porque são muitas, como se sabe, é também a razão por que o Porto, a quem nunca isso aconteceu, o vai ganhar.   

Durante toda a primeira parte o Benfica mandou no jogo, foi sempre superior, e poderia ter alcançado um resultado que o pusesse a coberto das muitas incidências em que o futebol da equipa é fértil. Na primeira meia hora da segunda parte, se bem que com menos continuidade, teve sempre o jogo na mão. Golos é que não.

Depois começaram as mexidas dos treinadores. Primeiro o do Famalicão, com substituições que logo deixaram perceber que iriam mudar aquele jogo. Depois, e parecia que já tarde, o do Benfica. Percebia-se que era necessário mexer em algumas peças, fosse pela carga de amarelos que pesava sobre os jogadores do meio campo, fosse pelo esgotamento físico de outros, como Cervi, Chiquinho ou Pizzi. Mas percebeu-se logo que o melhor teria sido não mexer em nada.

Vinícius não marca. E não marcando pouco contribui para o jogo. Seferovic também não, mas dá neste momento muito mais à equipa. Samaris pode querer muito, mas pode muito pouco.E atrapalha muito. Rafa está uma lástima, uma sombra do que era há uns meses. E Jota não pode, não parece que queira, nem nunca tem tempo para demonstrar outra coisa. 

E a coisa ficou assim, com os que lá estavam já sem poder dar mais, e com os que entraram a não serem capazes de fazer melhor. Ficando assim, e sabendo-se que não há jogo em que o Benfica não sofra golos, à entrada dos últimos quinze minutos, ficou claro que, não tendo marcado quando teve tanto tempo e tantas oportunidades para fazer mais dois ou três golos, o Benfica não ganharia este jogo. E só acabou por não o perder  porque não calhou. Porque, ao contrário do que costumava acontecer, o adversário não fez de cada oportunidade um golo.  

Acabou por impedir a anunciada festa portista. Mas, ao deixar o rival a um único ponto da conquista do campeonato, permitiu uma mini-festa que pouca diferença faz. E à vergonha que é perder um campeonato que esteve ganho, vai somar-se a vergonha de o perder com a absurda diferença pontual que se adivinha.  

Uma missão para os benfiquistas

Símbolos: Emblema do Benfica, a imagem de marca - SL Benfica

Quando, no máximo a três meses das eleições (depende do que melhor convier a Vieira),  deveriam andar a discutir um nome para a presidência do clube, os benfiquistas andam a discutir o nome do novo treinador para a equipa principal de futebol. Em vez de discutir o essencial, preferem discutir o acessório, como se o clube estivesse num rumo indiscutível e com um futuro inquestionável. Como se tudo se resolvesse com uma mudança de treinador, deixando tudo na mesma.

O treinador da principal equipa de futebol é sempre uma peça importantíssima na estrutura de um clube como o Benfica. Mas, ao contrário do presidente, nunca é mais que uma peça.

Não sei quem deva ser o próximo treinador do Benfica. Sei apenas quem não deveria ser. Sei que não deveria ser Jorge Jesus, porque o Benfica tem que ter memória. Nem Unai Emery, porque a sua ideia jogo não encaixa no que eu gostaria que fosse o futebol do Benfica. Nem Vítor Pereira, porque nem tem currículo para isso nem o Benfica precisa de ir ao caixote do lixo de Pinto da Costa. Nem Marco Silva, que muito prometeu e pouco cumpriu. Nem, evidentemente, pelas mesmas questões de memória, Paulo Sousa. 

Sei também quem não deva ser o próximo presidente. Sei que não pode continuar a ser Luís Filipe Vieira, por tudo o que venho escrevendo pelo menos há três anos. Porque se fez dono do clube, que é nosso. Pelas negociatas de toda a espécie, pela falta de transparência, pela subjugação dos interesses do clube aos seus, e aos dos seus, pelos processos judiciais para onde o arrastou e pela forma com o tem armadilhado para se proteger a si próprio.

E sei que também não poderá ser nenhum dos candidatos por enquanto anunciados. Porque Bruno Costa Carvalho, independentemente de ter ou não condições para formalizar a candidatura, não é sequer para levar a sério. Porque o Ricardo Martins Pereira é um de nós, tão presidenciável  como qualquer um de nós, o que evidentemente não basta. E porque Rui Gomes da Silva não tem simplesmente estatura para ser presidente do Benfica. Nunca ficaríamos melhor com um presidente proveniente dos degradantes programas da bola das televisões. A sua aposta nesses programas para lá chegar, saltando de uma estação para outra para não perder a tribuna, bastaria para lhe ditar a falta de estatura. Ética, mas acima de tudo intelectual. 

A imagem que projecta na sua exposição pública - discurso vago, inconsequente e pouco claro, sem coerência e sem ideias - não o credencia para a presidência do Benfica. Acreditar que lhe bastam os ecrãs da televisão retira-lhe estatura intelectual.

Mas sei quem deveria ser. E sei o que deveria estar a acontecer para que fosse.

Todos sabemos que não vai ser fácil "apear" Luís Filipe Vieira. Lembramos-nos do que foi necessário fazer para impedir Vale e Azevedo que, ironicamente, LFV não se cansará de evocar para se manter agarrado ao poder. A tarefa agora é muitíssimo mais difícil: Vieira está lá há vinte anos, e dispõe de muitíssimos mais meios. E de infinitamente mais armadilhas.

É preciso encontrar um nome consensual no universo benfiquista. Que não esteja marcado pelos jogos de poder, a quem sejam reconhecidas qualidades pessoais, integridade e conhecimento e experiência. De futebol, do jogo, e de tudo o que anda à volta dele. E é preciso que uma onda benfiquista se crie para esta missão. Para, em primeiro lugar, lhe lançar o desafio e, depois, o suportar. A todos os níveis, e com todos os meios.

Não haverá muitos nomes para esta missão de resgate do Benfica. Eu estou a ver um: Humberto Coelho! 

Mãos à obra!

 

Finalmente

Benfica 3-1 Boavista: Falha de Leite abriu o 'ketchup' e 'águia ...

 

O Benfica regressou hoje, finalmente, às vitórias. E às exibições decentes.

Na sequência do que vinham sendo as prestações da equipa nos últimos longos seis meses, a recepção ao Boavista não se adivinhava fácil. É conhecida a agressividade da equipa axadrezada, a forma como lutam os seus jogadores e até a tradicional resistência que oferecem ao Benfica. Sabe-se como obriga os adversários a, antes de se preocuparem em jogar bem, terem de preparar-se para lutar tanto como eles. E isso não era, neste momento, coisa que os jogadores do Benfica estivessem em grandes condições de fazer.

O início do jogo confirmou todos os receios. No primeiro quarto de hora, mais precisamente nos primeiros treze minutos do jogo, o Boavista impôs a sua lei. Pressionou, encostou o Benfica à sua área, e teve sempre a bola, que ganhava com grande facilidade. Os jogadores do Benfica não tinham nem tempo nem espaço para se organizarem, nem para impor o seu jogo que, tendo o Presidente optado por entregar o comando técnico da equipa ao adjunto de Bruno Lage, a alguém de cumplicidade máxima com o treinador despedido nas condições que se conhecem, não iria sofrer alteração. No modelo de jogo, e nos jogadores utilizados.

O minuto treze foi no entanto fatídico para o Boavista. Na primeira vez que o Benfica conseguiu passar a linha do meio campo, num lançamento longo de Gabriel (sem ter bola, não havia outra forma), o guarda-redes Helton Leite, que se diz estar de malas feitas para a Luz, não segurou a bola e deixou-a ao alcance de André Almeida que, de ângulo difícil, fez o golo.

No primeiro ataque, e no primeiro  remate, o primeiro golo. Coisa anormal neste Benfica habituado a fazer largas dezenas de ataques e remates para nada. E tudo mudou. 

E os jogadores sentiram que tudo tinha mudado. Um golo assim costumavam sofrer, não marcar. Se calhar tinha finalmente chegado a hora. E tinha!

A equipa passou a jogar a bola, as jogadas passaram a acontecer com princípio, meio e fim e, sob a batuta de Gabriel, finalmente regressado à influência que antes tivera e que fizera que, com ele em campo, a equipa nunca tivesse perdido qualquer jogo, as oportunidades de golo começaram a suceder-se.

Quando à meia hora de jogo surgiu o segundo golo, em mais um passe soberbo do Gabriel, concluído de cabeça por Pizzi, já o guarda-redes do Boavista tinha negado o golo por quatro vezes a Chiquinho e a Seferovic com defesas impossíveis, a redimir-se com juros altíssimos do erro inicial. Redenção que de resto se prolongou na segunda parte.

Depois veio o terceiro, desta vez com Pizzi a assistir Gabriel, depois de mais uma bonita jogada colectiva. Num remate de fora da área - apenas o terceiro no campeonato! - a coroar meia hora, se não de luxo, pelo menos como há muito se não via. E que nos deixava todos com a interrogação fatal: o que é se tem passado?

Seria mesmo que os jogadores só queriam ver-se livres de Bruno Lage? Por que é que com os mesmos jogadores, e com o mesmo modelo de jogo, as coisas agora funcionavam?

Não tenho resposta. Não sei se alguém tem...

Na reentrada do jogo, na segunda metade, tudo continuou. A mesma velocidade, com a mesma dinâmica, e com as oportunidades de golo a sucederem-se ao ritmo das defesas impossíveis do Helton Leite. Já não havia dúvidas: era garantidamente o regresso às vitórias, às boas exibições e, esperava-se a todo o momento, às goleadas de que tantas saudades tínhamos.

No entanto, e apesar das oportunidades criadas, o golo que confirmasse a goleada não aparecia. E de repente, do nada, uma falta, um livre lateral (já na primeira parte havia acontecido, repetindo o que vem sucedendo em todos os últimos jogos, só que então o marcador estava em fora de jogo de centímetros) e ... golo do Boavista. No primeiro remate, como vem sendo habitual, o adversário marcou. Sem ter feito uma defesa, Vlachodimos voltava a sofrer um golo...  

Desta vez não se passou nada. A equipa não entrou em pânico, e controlou sempre o jogo. Mas já não era o mesmo futebol, e Gabriel já desaparecia do jogo. Foi bem substituído, mesmo que Samaris, que entrou para o seu lugar, voltasse a não estar, como não poderia estar, bem. Mas as oportunidades de chegar á goleada, mais espaçadas, é certo, continuaram a surgir. Chegou ainda a festejar-se - e que festa! - o regresso de Vinícius - que substituíra Seferovic - aos golos. Mas estava em fora de jogo, por 30 centímetros, ou lá o que era.  

E em vez da goleada que o jogo justificava, e que poderia ser um precioso tónico para o resto desta época medonha, o jogo acabou com um insonso 3-1. Mesmo assim festejado pelos jogadores que, pela voz do capitão Jardel, baralhando-nos a resposta àquelas questões lá de cima, lembraram Bruno Lage e exaltaram o seu carácter e a sua competência. 

Tristes jornais

APCT: Jornais continuam a perder expressão em banca - Meios ...

 

Numa viagem pelos jornais do dia encontramos o Benfica e Luís Filipe Vieira em praticamente todas as primeiras páginas. Com duas únicas excepções: o Jornal de Negócios, e o jornal i, este particularmente interessado em continuar a bater no Costa e a promover o Ventura.

Nos generalistas, o "CM" diz que "Vieira admite demitir-se da presidência". O "JN" que "Vieira assume  responsabilidade e admite sair". E para  o "DN" a "crise faz cair Bruno Lage e deixa Vieira a pensar no futuro".

Nos diários desportivos apenas o "Jogo" não vai no jogo de Vieira. "A Bola" diz que "o presidente vai pensar sobre o seu próprio futuro" e o "Record" diz que "Presidente assume a responsabilidade e vai conversar com a família

É impressionante. Sobre a inconsistência e a propaganda das declarações de Vieira, nada. Sobre a sessão de campanha eleitoral para as eleições que vai antecipar, para retirar tempo a quaisquer novas iniciativas, e fixar a concorrência na que já é conhecida, coisa nenhuma. Nem uma palavra.

E no entanto tudo está tão à vista... Tristes jornais, triste jornalismo!

 

 

Tourada

Noutras circunstâncias, noutro quadro que não o do actual Benfica, poderia dizer-se que é futebol. Que o futebol é mesmo isto, a velha frase feita do futebolês. Uma equipa joga, ataca, cria oportunidades para marcar, remata, mas a bola não entra. Há sempre mais uma perna a tapar o caminho para a baliza e, quando se consegue desbravar essa floresta de pernas, há um guarda-redes pela frente que defende tudo. E do seu lado há um guarda-redes que não defende nada, que nem toca na bola, Mas que em quatro vezes que vê adversários por perto, é obrigado a ir buscar a bola ao fundo da baliza. Aconteceu isso hoje no joga da Madeira. E o Benfica, que jogou, atacou e construiu mais de meia dúzia de oportunidades claras para marcar, não marcou e só não perdeu por quatro porque dois dos golos do Marítimo acabaram por ser obtidos em fora de jogo.

Mas, nas actuais circunstâncias do futebol do Benfica, não se pode dizer que é futebol. É mais tourada. O futebol do Benfica virou tourada. 

Uma tourada com aquelas pegas em que o forcado da cara se farta de levar tareia do touro. Uma primeira vez, e sai mal tratado. Volta a insistir, e leva mais forte ainda. Está todo partido, a sangrar por todo o lado, mas vai lá outra vez. Volta a levar mais, mas a cambalear e sem se aguentar em pé volta mais uma vez, com o cabo do grupo impávido a assistir ao massacre, de braços cruzados.

Foi neste estado que Bruno Lage hoje entrou nos Barreiros, no Funchal. Estranhamente a equipa até entrou bem no jogo, com vontade de resolver as coisas, como se nada se passasse com o homem da cara. Só que a sorte não ajudou - sabe-se que nestas situações raramente ajuda - , e bastaram pouco mais de 20 minutos para que o fulgor, e alguma qualidade, começassem a desaparecer. 

E lá voltou o homem da cara já não a cambalear mas de rastos. Mexeu na equipa e foi um desastre. E a cada vez que mexia maior era ainda o desastre.

No fim saiu em maca, directamente para ... o cemitério. O verdadeiro destino que o cabo lhe traçara. E que anunciou com o seu habitual discernimento: "no fim do jogo o nosso treinador veio-me dizer que punha o cargo à disposição do presidente ... e que já não treinaria a equipa amanhã".

Que tourada! 

O que os benfiquistas disseram a Vieira

Assembleia Geral do Benfica: Votação decorre

 

Em Assembleia Geral os sócios do Benfica chumbaram a proposta de Orçamento. A proposta encerrava muitos motivos para ser chumbada, mas não terá sido por isso que o foi.

Foi-o porque os benfiquistas quiseram dizer a Vieira que basta. Que é o responsável pela grave situação a que conduziu o clube, e em especial a sua maior forma de expressão - o futebol. Que é o responsável pela falta de rumo do futebol do Benfica, pelos ziguezagues, pela falta de coerência estratégica, pela incapacidade de decidir, que está mais uma vez a ser gritante neste dossier de Bruno Lage. Que é o responsável pela negligência de deixar fugir o penta. Que é o responsável por o Porto, falido, ganhar dois dos três últimos campeonatos. Que a sua gestão financeira não é transparente, e que, das centenas de milhões de euros de receitas das transferências de jogadores, só conhecem os das comissões pagas. Ou que há dois meses tinha dinheiro para uma OPA manhosa, que deixou claro a quem serviria, mas agora precisa de lançar um empréstimo obrigacionista, curiosamente no mesmo montante. E antes precisou de antecipar as receitas das transmissões televisivas de mandatos que não sabe se lhe pertencem.

Quiseram dizer-lhe que não é o dono do Benfica, de que passou a dispor à exclusiva medida dos seus interesses, e dos dos seus parceiros de negócios pessoais. 

Nada que Vieira que não soubesse que os sócios lhe queriam dizer, mas que julgava ter condições para evitar que lho dissessem. Espalhando os seus porta-vozes pelos miseráveis programas que enchem as televisões, e fazendo da BTV um instrumento ao seu serviço. Evitando que cada sócio votante tivesse que exibir cartão de cidadão e de sócio em simultâneo, e permitindo que um votante pudesse votar com vários cartões de sócio. Ou atribuindo aos dirigentes das Casas do Benfica, que manipula a seu belo prazer, independente da sua antiguidade como associado, os 50 votos que, achava, tudo decidiriam. E decidirão em Outubro.

Mesmo assim, os benfiquistas disseram o que tinham a dizer. Espera-se que não tenham aguçado a arte e o engenho para artimanhas que os impeçam de o voltar a dizer em Outubro.

 

 

Fim de linha


Já não há palavras para o que se está a passar com o Benfica. É um pesadelo, sem que haja forma de acordar.

Hoje não foi apenas mais do mesmo em que se tornou a equipa de Bruno Lage. Foi ainda pior. A equipa voltou a surgir sem futebol, sem ideias, sem força, e sem alma.

Na primeira parte foi igual ao que tem vindo a ser de há cerca de seis meses para cá. A deixar passar o tempo, como se não tivesse um jogo para ganhar.

Saiu para o descanso a perder, com um golo sofrido em cima do intervalo. Oferecido, infantilmente oferecido por Nuno Tavares, que não mais recuperou desse erro.

Regressou para a segunda parte como há muito se não via. Parecia que finalmente com vontade de dar a volta às coisas e ao jogo. Pressionando o adversário, correndo, metendo velocidade no jogo e com algum acerto. Por obra de uma subida de rendimento dos jogadores, mas também da trocas que Bruno Lage promoveu ao intervalo, com as entradas de Vinícius e Zivkovic (finalmente!) para os lugares dos ineficazes Seferovic e Gabriel.

Valeu-lhe, essa entrada, o empate. Só que, pouco depois, mais um canto - o sexto, todos concedidos em evidente tremideira - e ... costume: golo entre os centrais. Inesperadamente a equipa reagiu e deu a volta ao marcador. Em dois minutos, Vinícius fez dois golos. O mais difícil estava feito!

Só que com esta equipa nunca nada está feito. A tremideira continuava lá atrás, e Rúben Dias, desequilibrado (em falta?) numa disputa no ar com um adversário no seguimento de um lançamento lateral, levanta a mão para as alturas. E para a bola - penalti e empate, de novo. Faltavam oito minutos para os 90, a que haveriam de acrescer mais seis. Mas percebeu-se que a equipa já não tinha alma para mais. Em vez de procurar reagir, entregou o jogo ao Santa Clara. Que, já no período de compensação, à beira do fim, no mais inacreditável dos lances do jogo em que os dois centrais chutaram sucessivamente a bola um contra o outro, marcou o quarto (!!!) e ganhou o jogo.

Como se tudo o que acabara de acontecer não fosse suficiente mau, na conferência de imprensa Bruno Lage fez o resto. E fez o seu haraquiri em directo, acusando os jornalistas de se andarem a vender por uns almoços, uns jantares e umas viagens a todos os treinadores que estão interessados no seu lugar.

É o fim de linha. Para Lage, mas também para alguns jogadores. E para o presidente Vieira que, para além de ser responsável por esta desgraça, tinha dinheiro para a OPA, mas já precisa de um novo empréstimo obrigacionista. E com custos muito acima do que é a realidade actual dos mercados financeiros. E de antecipar receitas das transmissões televisivas. Que deveriam caber a exercícios de mandatos futuros, que deveriam pertencer a futuros presidentes! 

E o fim da ilusão do campeonato, que apenas durou até agora por ter vindo a ser alimentada pelo rival. Que hoje, embalado por mais dois penaltis que desta vez não falhou chega, nesta altura, com três pontos à maior, a uma vantagem que ainda nunca alcançara neste campeonato.

Finalmente!

Rio Ave 1-2 Benfica: Weigl estreia-se a marcar e 'empurra' encarnados para a igualdade com o FC Porto

Finalmente uma vitória. Sofrida, mas consoladora.

E esperemos que libertadora, que seja o ponto final no caminho desastroso que o Benfica vinha a trilhar há quase seis meses, onde se incluem os três do defeso forçado que nada mudaram. Antes pelo contrário, o regresso foi ainda mais penoso.

Na verdade este jogo de hoje com o Rio Ave, em Vila do Conde, não foi - nem ninguém esperava que fosse - de retoma, nem sublimou grande coisa do que de mau o Benfica tem vindo a fazer. Os pecadilhos continuaram lá todos, mesmo que haja que assinalar que os jogadores se bateram, correram e lutaram como já haviam feito na primeira parte do último jogo, em Portimão. Desta vez o jogo todo, talvez porque nunca tivesse estado ganho.

Bruno Lage voltou a mexer no onze inicial. Teria sempre que o fazer face às lesões de Grimaldo e Jardel, e ao impedimento, por amarelos, do André Almeida. As estas três trocas, juntou ainda o regresso de Gabriel e a incompreensível estreia a titular de Dyego Sousa.

Nenhum dos que entraram esteve especialmente bem e o avançado esteve até especialmente mal. Esteve no golo do Rio Ave, provocou a anulação do que seria o golo do empate, ainda na primeira parte, e não fez rigorosamente nada mais. Os outros tiveram altos e baixos, com mais altos de Nuno Tavares, mas também com alguns baixos. E mais baixos do Ferro. 

O Benfica até entrou bem no jogo. Escolheu começar a favor do vento - que no campo do Rio Ave é sempre factor importante - a demonstrar que queria desde logo tomar conta do jogo e ganhá-lo.

Não criou grandes oportunidades de golo, é certo. Mas pressionou, jogou e impediu o Rio Ave de fazer o que sabe e faz bem - jogar à bola. Estava o jogo nisto, submetido ao domínio do Benfica quando, pouco depois de a primeira parte chegar a meio, na primeira vez que o Rio Ave chegou à frente, marcou.

O costume. E também na forma do costume. Um lançamento da linha lateral, Ferro aborda mal o duelo com o Taremi e comete falta. Livre lateral, defesa aos papéis, e Dyego Sousa assiste o mesmo Taremi, para fazer o golo, sozinho em frente a Vlachdymos.

E mais uma vez o costume. A equipa caiu, e foi o Rio Ave que passou a mandar no jogo. Naqueles vinte minutos finais apenas aquela arrancada de Taarabt, concluída no bom golo do Rafa, anulado pelo árbitro (!!!) em consulta ao monitor por fora de jogo do Dyego Sousa, que não tocou na bola. Mas tentou disputá-la.

O Benfica voltou a entrar melhor na segunda parte, com Seferovic no lugar do Dyego, que nunca deveria ter entrado. Pressionante, mais rápido e a encostar o Rio Ave, que agora desfrutava dos favores do vento, lá atrás.

O melhor marcador da última época mexeu com o jogo, e começou a fazer a diferença. A diferença no jogo, e nas decisões de Bruno Lage. Que esteve quase a lançar a Zivkovic, o que só não aconteceu porque o golo da vitória chegou primeiro. E valeu o regresso de Samaris.

Logo de entrada cabeceou para golo, mas bola bateu com estrondo na trave. Não entrou aí, e tardou a entrar. Tardou um quarto de hora, em simultâneo com a primeira expulsão, por segundo amarelo indiscutível, de um jogador do Rio Ave. Marcado por Seferovic, pois claro. Apenas o terceiro neste campeonato do melhor marcador do anterior.

Dispôs ainda de mais duas grandes oportunidades para aumentar o seu score, mas ficou-se por um golo apenas, e muita influência no jogo que a equipa fazia por ganhar.

Pouco mais de dez minutos depois, e ainda com cerca de vinte para o apito final, por vermelho directo claro, mas que o árbitro só mostrou por indicação do VAR, o Rio Ave ficou reduzido a nove. E ficou-lhe ainda mais difícil evitar a derrota.

O golo da vitória surgiria apenas a três minutos dos 90, e a sete do fim do jogo. O primeiro de Weigl. Num canto. Dir-se-ia improvável, tal a ineficácia da equipa nas bolas paradas. Mas já tinha sido também de canto que Seferovic rematara à trave!

Agora, que pela primeira vez aproveitou os também sucessivos deslizes do Porto, que nem os penaltis que lhe continuam a oferecer aproveita, só é preciso aproveitar esta vitória para não voltar a falhar. E esperar que o concorrente continue a jogar o que não está a jogar.

Calvário sem fim à vista

 

Continua o calvário do Benfica, sem fim à vista. Uma única vitória nos últimos dez jogos!

Hoje, em Portimão, foi apenas mais um passo no pesadelo em que conseguiu tornar um campeonato que teve no bolso, com mais uma exibição inadjectivável. Hoje não faltou aquela pontinha de sorte com que tantas vezes se procura justificar o que não tem justificação. Nem o golo que foge, e que intranquiliza a equipa, como noutras vezes. Não, hoje o Benfica fez do jogo o que fez deste campeonato.

Teve-o ganho, e não o conseguiu ganhar.

Sem uma exibição por aí além, loge disso, fez uma primeira parte competitivamente aceitável. Não rematou muito, nem criou muitas oportunidades de golo. Mas a equipa correu, esforçou-se, foi competitiva, e aproveitou as oportunidades que teve, ao contrário, por exemplo, do último jogo, de má memória, com o Tondela.

Os jgadores pressionaram e reagiram sempre à perda da bola, e o golo que poderia desbloquear mentalmente a equipa chegou pouco depois do primeiro quarto de hora de jgo. E à meia hora já ganhava por dois a zero.

Esperava-se - e exigia-se - que tais circunstâncias devolvessem a confiança e a qualidade de jogo à equipa. E um resultado robusto que afundasse de vez todos os fantasmas que a têm aprisionado. Inexplicavelmente, em vez de afundar os fantasmas, a segunda parte afundou a equipa. Notou-se isso logo que soou o apito para retomar a partida, e cedo se começou a perceber o que aí viria.

Porque o Portimonense partiu para cima do Benfica e coemçou a criar oportunidades umas atrás das outras?

Não. Nem isso foi preciso. Apenas porque a equipa desistiu do jogo, como se já estivesse ganho. Como fez com o campeonato.

Não foi falta de sorte, se há falta sorte para lamentar é apenas nas lesões, de Jardel, primeiro, e de Grimaldo, já na segunda parte, quando o desacerto era já por demais evidente. Foi falta de mentalidade competitiva, foi falta de vontade, e foi falta de classe. Parece que os jogadores têm medo de ganhar!

Foi de tal forma assim que, mesmo sem que o Portimonense criasse uma única oportunidade de golo, desde cedo se sentiu que o Benfica não iria ganhar este jogo. E não foi surpresa nenhuma que o Portimonense marcasse na primeira ocasião que o Benfica lhe ofereceu, vinte minutos depois do reinício, na sequência de um livre em jeito de canto mais curto, a punir uma inexistente falta de Tarabt, em que a defesa deixou saltar à vontade e sozinho na pequena área um jogador adversário. 

O desacerto e a falta de competitividade continuaram e, dez minutos depois, num canto, repetiu-se a cena. Vlachodimos ainda defendeu o remate de cabeça. Para a entrada da área, onde surgiu um jogador do Portimonense, para num grande remate, indefensável, fazer o esperado empate, empurrando definitivamente o Benfica para o abismo.

Faltavam 14 minutos para os noventa, e 21 para o fim do jogo. Muito tempo para uma equipa que o quisesse ganhar o fizesse. Só que voltou a acontecer o que sempre tem acontecido.

Com duas substituições efectuadas pelas lesões de Jardel e  Grimaldo, com as cinco agora permitidas, Bruno Lage recorreu aos habituais e ineficazes Seferovic e Dyego Sousa, e ainda a Gabriel, que ficara no banco com a entrada de Cervi no onze inicial, a única alteração que o ainda treinador do Benfica entendeu necessária em relação á equipa que jogara o último jogo.

Com isso apenas conseguiu confirmar o que há muito se sabe. Que não treina as situações de jogo que requerem presença na área, para o sufoco final. Sem isso treinado, e com a confrangedora falta de capacidade daqueles dois avançados, em linha de resto com a nulidade de Vinícius durante todo o tempo em que esteve em campo, o resultado não poderia ser diferente dos que têm acontecido.

E, assim, continua a ser impossível acreditar que esta equipa vai dentro de pouco tempo voltar a ganhar jogos

 

Desconsolo

SL Benfica 0-0 CD Tondela: “Águias” sem asas para voar falham voo ...

 

Regressou a bola, três meses depois. Pelo que se passou nem parece que entretanto passou tanto tempo, tão iguais as coisas estão. Parece até que ninguém quer ganhar este campeonato. Mas se calhar apenas se poderá dizer que ninguém merece ganhá-lo.

Hoje, na Luz, ao desconsolo daquele vazio, ao desconsolo do voo da águia sozinha, como que perdida num deserto, juntou-se o desconsolo da oportunidade perdida de regressar á frente do campeonato, e à condição de não depender se não dos próprios resultados para o ganhar pela segunda vez consecutiva, e pela 38ª da história.

E o desconsolo do Benfica continuar em queda livre. Pegando na imagem que o Toni deixou há uns dias, parece que estes três meses não deram para comprar um pára-quedas. 

O Benfica continua sem jogar bem. Consegue-se ver, como hoje aconteceu, uma ou outra jogada bem pensada e bem executada. Um - hoje não foi mesmo mais que um - ou outro lance de bola parada bem trabalhado. Mas nada disso tem continuidade. Nem variedade!

Mesmo assim a equipa teria de ganhar este jogo com o Tondela, que acabou por se transformar num festival de oportunidades perdidas. A maior foi a oportunidade de passar para a frente. As outras foram a dezena de oportunidades de golo falhadas, que começou logo no primeiro minuto do jogo, quando Rafa não teve arte nem engenho para fazer melhor que acertar no guarda-redes Cláudio Ramos.

Foi premonitório, esse lance do primeiro minuto. Foram 25 ou 26 remates, foram muitas as vezes em que a bola passou perto da baliza. Por duas vezes bateu nos ferros,  por mais três ou quatro ficou nas mãos do guarda-redes adversário. E por uma vez foi tirada por um defesa quando parecia que iria finalmente entrar. Mas, no fim, não deverão ter sido muitos os benfiquistas a achar que tudo foi apenas falta de uma pontinha de sorte. Serão provavelmente muitos mais a admitir que falta muita coisa ao futebol da equipa.

Alguma coisa apesar de tudo melhorou. Melhorou a transição defensiva, e aquela buraco da meia esquerda pareceu ter sido tapado, com a chamada de Jardel. Se o Tondela não assustou se não por uma vez, no segundo dos quatro remates da equipa, foi porque o Benfica esteve francamente melhor que nos últimos jogos antes da paragem a proteger o seu meio campo.

De resto, sempre mais do mesmo. Desta vez Bruno Lage não recorreu aos três pontas de lança. Porque tirou o Vinícius quando fez entrar Seferovic, depois de já ter feito entrar Dyego Sousa, retirando Weigl. Mas o resultado foi o mesmo. Pela simples razão, que entra pelos olhos dentro, que não trabalha isso nos treinos. Que não trabalha nos treinos as situações a que depois, nos jogos, acaba em desespero por lançar mão. E por isso tudo acaba sempre com Seferovic a fugir da área para as alas, e Dyego Sousa a fugir para trás, com os centrais adversários de cadeirinha, a cortar bolas onde só eles estão.

Depois de um longo período para arrefecer a cabeça, quando dispunha de uma oportunidade única para recuperar uma liderança que já foi de sete pontos de vantagem, e ninguém já se lembra da última vez que o Benfica ganhou um jogo, o problema já não é acreditar que seja possível ganhar os nove jogos que faltam. É acreditar que esta equipa vai dentro de pouco tempo voltar a ganhar jogos! 

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