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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quando se tira tudo, não fica lá mais nada para tirar

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Muito tempo depois, o Benfica regressou aos jogos da Taça da Liga. Nunca o interregno tinha sido tão grande.

Anunciavam-se muitas estreias e um ou outro regresso. Mas nem foi tanto assim, tal como o futebol apresentado não diferiu muito daquilo que se tem visto até aqui. Com as mesmas virtudes e os mesmos defeitos. E, na mesma, muito desperdício: desperdício de muitas oportunidades de golo, mas desperdício também de muitas ocasiões para definir melhor. Daí que tenha ficado na diferença mínima mais um jogo que poderia ter acabado em goleada.

O 2-1 final é um resultado apertado, mas nunca o jogo esteve apertado. O Rio Ave fez o golo aos 60 minutos, no primeiro remate à baliza de Svilar, na jogada seguinte a mais um desperdício flagrante do Benfica, no caso de Seferovic. E, com mais meia hora para jogar, regressado ao jogo, como se diz na gíria, fez apenas mais outro remate à baliza e teve, então sim, uma oportunidade de golo ao minuto 89. 

Mais nada, num jogo com uma arbitragem péssima, uma verdadeira lástima. E com uma moral, como as histórias: quando se lhe tira tudo, ninguém fica com nada para dar. 

E a Samaris até o número da camisola tiraram... Claro que não tem lá nada para dar!

 

Ciclo fechado. Com distinção!

 

O Benfica encerrou hoje o primeiro ciclo da época, um ciclo decisivo com oito jogos de alta exigência - distribuídos em partes iguais entre o objectivo inegociável do apuramento para a Champions e objectivo central de não deixar fugir qualquer dos adversários no campeonato - em pleno centro do furacão do mercado de transferências. Sabendo que este era um ciclo decisivo, os do costume não pouparam nas encomendas para fazer dele um inferno.

Hoje, na Choupana, o Benfica deu a última resposta que, com brilhantismo, fechou este ciclo. Uma resposta à altura, "dado o contexto", para recuperar a frase da moda num dos rivais, que vai vivendo precisamente de um contexto que já é mais pouca vergonha que outra coisa qualquer.

E o contexto do Benfica são 8 jogos em pouco mais de três semanas, com os mesmos jogadores, e todos eles em ambiente de grande responsabilidade e intensidade, exibindo em todos eles uma superioridade tão flagante quanto o desperdício de golos. Dentro deste contexto, dois fazedores de golos - um deles mesmo mestre dos golos - lesionados e um terceiro equivocado.

Passados que foram os primeiros minutos, com os jogadores do Nacional a correr e a discutir cada bola como se não houvesse amanhã, o Benfica tomou conta do jogo e desatou a criar oportunidades de golo. Tantas que, quando Seferovic - que já parece a grande contratação do fecho do mercado - com grande mérito, assistido por Salvio, fez o primeiro golo, e foi ainda antes da meia hora de jogo, já se dizia mal da vida. E de Seferovic. E da aposta de Rui Vitória, outra vez!

E quando, às portas do intervalo, Salvio, assistido por Seferovic, fez o segundo já o Benfica devia ao jogo cinco ou seis golos.

O Benfica entrou para a segunda parte com a mesma disposição, criando fácil e rapidamente mais oportunidades de golo. Depois terá pensado que era tempo de abrandar e descansar um pouco, que a vida não tinha sido fácil. O Nacional teve então oportunidade de pôr no campo aquele seu futebol de segunda divisão, que tentara logo à entrada do jogo. E durante cerca de 10 minutos, ali à volta da hora de jogo, viu-se a equipa madeirense por cima, com o Benfica, sem Fejsa, que saira lesionado logo na altura do primeiro golo e que faz sempre muitas falta, e mais ainda naquele contexto de jogo, a dar a ideia que aquilo estava a acontecer porque grande parte dos jogadores tinha rebentado. E Rui Vitória estava a atrasar as duas substituições disponíveis... 

Bastou uma substituição (Cervi, claramente esgotado física e mentalmente, por Rafa), aos 70 minutos, para acabar com aqueles 10 minutos pouco brilhantes do Benfica. Até porque Salvio, que parecia já não poder mais, ressurgiu e retomou o brilhantismo da sua fantástica exibição de hoje. E Grimaldo resolveu vingar-se das duas ou três rabetas do 7 do Nacional para retomar o nível, e fechar no terceiro golo uma estupenda jogada de futebol que ele próprio iniciara.

E foram afinal os jogadores do Nacional que acabaram por rebentar naqueles 10 minutos em que a equipa do Funchal levantou a cabeça. E a parte final do jogo deu para mais uns minutos a João Felix. E para o excelente golo do Rafa, a fixar o resultado na chapa 4, pela segunda vez na semana...

E no fim pode dizer-se que Seferovic é uma aposta ganha por Rui Vitória. Não sei é se se pode dizer o mesmo do modelo de jogo que lhe dá razão. Mas isso ver-se-á lá mais para frente. Noutros ciclos, que este está ganho. Com distinção!

Objectivo inegociável: done.

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É por isto que o futebol é apaixonante, e resiste a todo o mal que lhe fazem.

O ambiente em Salonica, no campo (aquilo não é um estádio) do PAOK, era mais um adversário, em cima do resultado adverso levado de Lisboa. Na constituição da equipa, mais uma acha para a fogueira que se esperava - Seferovic. Que, mal sai a bola de jogo, a entrega a um adversário, obrigando André Almeida a fazer falta. E amarelo, aos 40 segundos!

Nos primeiros 4 minutos o Benfica não tocou na bola. Corria atrás dela, bem tratada pelos jogadores da equipa grega que, para além de atropelarem literalmente os adversários, ainda tinham tempo para jogar um futebol fluido e bem trabalhado. A partir daí, escapando ileso a esse início terrível, o Benfica equilibrou. Passou a ter bola, e a acercar-se com  frequência da baliza adversária mas, ainda antes de fechado o primeiro quarto de hora, mais um mau passe, e mais uma falta, um livre de treinador, quase científico, e golo!

Ao quarto de hora de jogo, o pior cenário estava montado. Só que, cinco minutos depois, num canto de Pizzi, Jardel empatou. O jogo e a eliminatória. 

Foi importante, mas não seria ainda aí que as coisas mudariam radicalmente. Seria cinco minutos depois, quando uma sucessão de três erros (dois deles do guarda-redes) da linha defensiva da equipa grega, acabou num penalti sobre Cervi, que Salvio converteria na reviravolta no marcador. Pouco passva de meio da primeira parte, e percebia-se que tudo tinha mudado e que deficilmente o Benfica falharia o objectivo inegociável.

Aos 39 minutos, numa jogada de futebol sensacional, produto acabado da sociedade Cervi & Grimaldo, Pizzi marcou o terceiro e acabou com os gregos, com as dúvidas e com o jogo. Por esta ordem.

A entrada na segunda parte só confirmou isso mesmo, a abrir logo com uma jogada de golo. Não deu golo, acabou em canto. E o canto em penalti - grande arbitragem do alemão que nos estava atravessado na garganta desde a final de Turim, com o Sevilha - com que Salvio, bisando, selava tudo o que havia para confirmar.

A partir daí, do jogo só se poderia esperar mais golos do Benfica. É certo que não os deu, mas oportunidades não faltaram. Só nos últimos 10 minutos o PAOK, e quando já jogava com menos um, criaria algum perigo. Ou melhor: alguma oportunidade para o Odysseas brilhar. Antes tivera uma bola na barra, mas até essa estava controlada pelo guarda-redes do Benfica.

Foi preciso muito tempo, tempo de mais, para a superioridade do Benfica vir ao de cima. Há nisso certamente mérito da equipa grega, e em particular do seu treinador. Mas, sem qualquer dúvida, foram as oportunidades falhadas há uma semana, na Luz, que criaram a ilusão que o segundo classificado do campeonato grego poderia afastar o Benfica da Champions. A alguns de nós, mas acima de tudo a eles!

No fim, tudo está bem quando acaba bem. Até mesmo a opção por Seferovic. Para quem diz que Rui Vitória não arrisca...

 

Superstição e peditório

 Benfica 1-1 Sporting: Estreia feliz de João Félix 'estragou' noite (quase) perfeita de Salin

 

Confesso uma superstição, ao que julgo, comum a muitos benfiquistas: se a àguia Vitória não faz o seu voo direitinho ao seu poleiro de suporte, a coisa não vai correr bem. É sempre assim, e quando assim não é... é a excepção, a tal que confirma a regra!

Hoje a Vitória - tenho uma cadela com o mesmo nome, que também se porta mal com frequência - não quis brindar-nos com aquele voo rectilíneo e seguro, andou por ali às voltas e acabou, eventualmente já cansada, por aterrar na relva, ali no centro do terreno de jogo, mas a 15 ou 20 metros da gloriosa base da gloriosa águia, para desilusão dos mais de 60 mil que enchiam as bancadas, que pouco despois haveriam da dar uma nota de festa na bonita coreografia da reconquista.

Tinha de correr mal, só podia...

Todos os dérbis são especiais. Mas este talvez fosse ainda mais especial. Surgia no meio de uma eliminatória de apuramento para a Champions, a sugerir que a Federação e a Liga não dão muito atenção a essas coisas - pelo menos se for Benfica a estar em causa, porque lembramo-nos bem do que aconteceu o ano passado nos sorteio do campeonato em relação ao Sporting, então a discutir esse apuramento -, e surgia em pleno período do que convencionou chamar convalescença do Sporting.

O dérbi de hoje foi inequivocamente marcado por estas duas circunstâncias. Primeiro porque o Benfica jogou a pensar nos jogos com o PAOK. A pensar - e a jogar - como pensou no jogo de terça-feira passada, mas também a pensar no que aí vem, na próxima quarta-feira. E, depois, porque não quis ser desmancha-prazeres, e não deixou de se associar a este pungente movimento nacional de reabilitação do Sporting, coitadinho, que Bruno de Carvalho deixou dilacerado, às portas da morte.

Durante toda a primeira parte o Benfica preocupou-se em não fazer mal. Não fazer mal ao Sporting, evidentemente. E por isso o jogo não teve então história. Nem mesmo aquela entrada do mal agradecido Ristovski sobre Cervi, a meio da primeira parte, que deixou o argentino a sangrar e de cabeça atada para o resto do jogo, demoveu o Benfica desse incumbimento nacional.

Na segunda parte, parece que o Benfica percebeu finalmente que não lhe competia dar a mão ao mais fraco Sporting que me lembro de ver na Luz. Que não tinha nada a ver com o facto de o Sporting só ter aquilo para dar. Mas, aí, já tinha perdido 45 minutos. E tinha ainda que se ver com as suas próprias debilidades, a maior das quais, como se sabe, tem a ver como Ferreyra não encaixa na equipa, ou como a equipa não encaixa Ferreyra... Vai dar no mesmo. E, como se tudo isso não bastasse, tinha ainda que se ver com a confiança que já tinha dado a Salin, por quem antes ninguém dava um avo.

Como se na primeira parte o Benfica não tivesse já dado tudo para o peditório, quando atravessava o seu melhor período e nos convencia a todos que agora é que é, resolve dar ainda mais um bónus: uma brincadeira de Fejsa acabou numa precipitação de Rúben Dias, oferecendo um penalti ao Sporting. Que o Nani naturalmente não falhou.

Faltava cerca de meia hora para o fim do jogo, e o Benfica atirou-se finalmente para cima do Sporting. As oportunidades sucediam-se, como as defesas de Salin, a lembrar os melhores dias de Rui Patrício. Ia dizer que as substituições de Rui Vitória foram bem feitas, porque o menino João Felix voltou a entrar muito bem e marcou o golo do empate, aos 86 minutos. Mas nem isso se pode dizer, porque a primeira opção foi tirar o Cervi, exactamente quando era o principal dinamizador do jogo do Benfica. E porque Seferovic ... Francamente...

Assim, e com as defesas do Salin, e com um inesgotável cardápio na arte de bem queimar muito tempo (neste particular o Sporting fez bem pior que a grande maioria das equipas pequenas que vêm à Luz) acabou empatado mais um jogo que o Benfica tinha de ganhar. E que, mais uma vez, não soube. Como a águia Vitória tinha anunciado!

 

Objectivo inegociável em risco

Pizzi

 

O Benfica acrescentou hoje mais dificuldades à tarefa de chegar à Champions, ao empatar a um golo com o PAOK, na Luz. A verdade objectiva é que o Benfica parte para Salonica em desvantagem, exactamente ao contrário daquilo que deveria ser.

Tinha aqui dito, há uma semana, quando o Benfica acabara de eliminar o Fenerbace, que o adversário que se seguia era teoricamente mais fácil. Mau grado a folha de serviço que apresenta - eliminar o Basileia e o Spartak de Moscovo, é obra! - o jogo de hoje confirmou essa ideia. Nenhum jogador da equipa grega tinha lugar no onze do Benfica.

No entanto ninguém terá ficado muito surpreendido com este resultado. Negativo, e a transformar o jogo de Salonica num desafio de alto risco para o inegociável acesso à Champions. O Benfica mostrou que é muito superior, que tem melhores jogadores, e que joga muito mais. Mas, à medida que se sucediam e se desperdiçavam oportunidades de golo, começava-se a instalar-se na cabeça de toda a gente aquela ideia batida, velha e gasta - quem não marca, sofre.

Desperdiçar 20 ou 30% das oportunidades criadas poderá aceitar-se. A sorte e o azar pesam nestas coisas e o Benfica teve, sem dúvida nenhuma, muito azar, bem expresso nas quatro oportunidades de Pizzi, todas de excelente execução. E, naturalmente, a equipa grega muita sorte. Mas desperdiçar todas as oportunidades criadas - e foram bem perto de uma dezena - não é aceitável, nem pode ser explicada apenas por azar. 

Nunca, nos quatro jogos oficiais anteriores, o Benfica tinha criado tantas oportunidades de golo. Creio que nem mesmo neles todos juntos. E por isso se tem de falar de avançados, até porque, golos, só com Pizzi e Gedson. E tem de se falar em Ferreyra, e na desilusão em que a sua utilização se transformou. Ferreyra não é aquilo mas, acima de tudo, não é para aquilo. Não percebo como é que Rui Vitória não o percebe!

Mas também tem de se falar da equipa. O PAOK só deu sinal de vida, e chegou ao empate, quando a equipa se desligou do jogo, a 20 minutos do fim. Nenhuma equipa consegue estar 90 minutos a pressionar, em regime de alta rotação. Mas uma coisa é gerir os intervalos, é descansar com bola, sem perder o controlo do jogo. Outra é desligar. E não foi a primeira vez que isto aconteceu!

Maior. E vacinado!

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À segunda jornada, o Benfica hoje tinha no Bessa, à luz da História, um dos jogos mais difíceis do campeonato. É sempre difícil para o Benfica ganhar ao Boavista, no Estádio do Bessa, é ainda mais. O Boavista agiganta-se sempre frente ao Benfica, que tem sempre muita dificuldade em lidar com aquela entrega dos jogadores axadrezados que os transforma em autênticas carraças, naquele estilo de canela até ao pescoço.

Dado o pontapé de saída, percebeu-se logo que, do lado boavisteiro, a tradição ainda é o que era. Rapidamente os jogadores do Boavista puseram em campo todos esses conhecidos atributos. O Benfica não mostrou de imediato que trazia o antídoto, deixando que por momentos tenham passado pela cabeça dos adeptos algumas imagens  que lhes ficaram de alguns destes jogos.

Aos 4 minutos o Boavista até poderia ter marcado, na primeira oportunidade de golo do jogo, e única da equipa da casa em todo o jogo. Mas a partir daí começou a perceber-se que o Benfica vinha vacinado para o jogo boavisteiro. E percebeu-se que era mesmo vacina, não era um mero antídoto. É que o Benfica pegou nos vírus do adversário e, já com os anti-corpos, partiu para a luta. No mesmo terreno e com as mesmas armas.

Não virou a cara à luta, não poupou na intensidade em cada disputa, e pressionou. Pressionou sempre, e logo a partir do guarda-redes adversário. E quando assim é, quando lutam e correm tanto como os adversários, os melhores jogadores fazem melhor. E são insofismavelmente superiores!

E, isso, o jogo começou muito cedo amostrar. À meia hora mostrava já um Benfica dominador, com o Boavista encostado à sua área, raramente conseguindo chegar ao meio campo. Safando-se como podiam, afastando a bola de qualquer maneira... 

Só que aquele volume de jogo, e aquele domínio muitas vezes sufocante, não tinham correspondência em oportunidades de golo. Tudo porque o pecado maior do futebol do Benfica neste início de época continua(va) lá: a bola não chega ao ponta de lança. E quando o ponta de lança é Ferreyra, este também não a procura.

Estava o jogo nisto quando, o Ferreyra que não procura a bola, ganha a bola que nunca lhe chega, e depois faz o resto: o golo, com a qualidade que todos sabemos que tem, mas que teimava em esconder-nos. Faltavam 10 minutos para o intervalo, e o jogo passava a fazer sentido.

A segunda parte arrancou com o Benfica ainda mais pressionante, com a lição do jogo da época passada bem metida na cabeça. E então sim, as oportunidades de golo passaram a suceder-se, umas atrás das outras. Ao Boavista, que já apenas se limitava a tentar partir qualquer coisa - o quer que fosse - ao endiabrado Gedson, valia-lhe  o seu guarda-redes, Helton. 

Pouco passava da hora de jogo quando Pizzi - o líder dos marcadores, por esta altura - fez o segundo, depois de mais um roubo de bola, agora de Salvio, que disparou até à linha final para centrar atrasado, como deve ser.

Foi fundamental, este golo. Porque matou o jogo mas, acima de tudo, porque pôs água na fervura do jogo, com os jogadores do Boavista a bater em tudo o que mexia. E, claro, como o Gedson não parava de mexer... Pelo menos por uma vez ficou o vermelho por mostrar, numa entrada verdadeiramente assassina do lateral esquerdo do Boavista, e Rui Vitória teve mesmo de o tirar do jogo, para não correr o risco do miúdo sair de lá com uma perna partida.

O jogo . o mais sólido e consistente do Benfica, e a melhor exibição deste início de época - deu ainda para a estreia do João Felix, outro dos miúdos fantásticos do Seixal. Quase tinha dado para um golo e uma assistência, e para uma estreia de sonho. Não deu. Foi pena... 

Com Gedson, a caminho da Champions...

 

O Benfica ainda não está na Champions, mas deu hoje, em Istambul, um passo indispensável para lá chegar. Agora falta o PAOK, na minha opinião, menos forte que esta equipa do Fenerbace.

O empate (a um golo) desta noite foi suficiente, tal como a exibição. O Benfica controlou boa parte do jogo, foi quem na maior do tempo mandou no jogo. Faltou então aquele bocadinho extra de qualidade que resolve os jogos, e que faz toda a diferença na Champions.

Em muitas circunstâncias, faltou a alguns jogadores aquele bocadinho mais para que  resultasse aquela variação de jogo, aquele último passe, mais ainda que a própria finalização. Não fosse isso, e o Benfica tinha ganho este jogo com grande à vontade.

Mesmo assim, sem esse toque extra de qualidade, poderia tê-lo ganho. Teve mais oportunidades para isso que o adversário, num jogo em que o miúdo Gedson voltou a ser a figura maior. Grande jogo, onde o golo foi apenas a cereja. 

Quando afinar o momento para soltar a bola, e o último passe, ficará um jogador fabuloso. Do melhor que se vê aí pelo mundo fora!

 

 

O credo em vez da "abada"

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Testemunhei pela primeira vez o pontapé de saída do campeonato, o primeiro golo e o primeiro hat-trik. É verdade, nunca me tinha acontecido. Não me lembro de alguma vez ter assistido ao primeiro jogo do campeonato, calhou desta vez.

Com honras de abrir a competição, o Benfica fez questão de entrar bem. E entrou!

Tão bem que aos 10 minutos já ganhava. À primeira oportunidade fez o primeiro golo. O tal primeiro golo do campeonato, a que eu nunca tinha assistido ao vivo. Melhor não poderia começar. Ainda mais por ter nascido num miúdo que já nasceu dez vezes, no Gedson, a nova coqueluche benfiquista. E por ter tido Pizzi por autor, um mal amado.

Não tardou muito, o segundo. Mas entre um e outro, o Vitória Sport Clube, como os de Guimarães gostam que lhe chamem (mesmo que aquelas dezenas de adeptos que se deslocaram à Luz se tenham portado deveras mal, e não mereçam qualquer aceno de simpatia) poderia ter marcado, num acidente de Fejsa, que perdeu uma bola que acabou no poste direito do Odysseas Vlachodimos (temos que arranjar um nome mais popular ao rapaz; desde que não seja Roberto qualquer coisa serve), na recarga a uma boa defesa do alemão que se viu grego, logo a seguir a Facundo Ferreyra ter falhado o penalti que deveria ter feito chegar o segundo bem mais cedo.

Para falhar penaltis já cá tínhamos muita gente, pensou-se na Luz, com mais de 55 mil nas bancadas. Porque foi mesmo falhado, não foi nenhuma grande defesa do brasileiro Douglas. Grandes foram depois as duas defesas às duas recargas.

À meia hora de jogo lá chegou então o segundo, numa boa jogada pela direita, com um passe de classe (de vez em quando o André Almeida também sabe fazer isso) para o bis de Pizzi fazer esquecer o Ferreyra. E oito minutos depois, agora numa jogada pela esquerda, Grimaldo centrou rasteiro, o ponta de lança argentino fez o melhor que conseguiu em todo o jogo, mesmo que isso tenha sido apenas abrir as pernas e deixar passar bola, e lá voltou Pizzi a metê-a na baliza. Fazendo esquecer Jonas. Ou não!

Sem Jonas, nem qualquer explicação para o que se está a passar (se o jogador tem contrato, não se percebe por que não joga, nem por que não renovou, quando é ele o mais interessado na renovação, nem por que não sai, nem coisa nenhuma), sem Ferreyra, a quem a bola nunca chega (mas também ele nunca chega onde ela está), valha-nos o Pizzi a marcar golos. Marcou mais hoje, no jogo de abertura, que em todo o campeonato anterior!

Os jogadores do Vitória estavam então perdidos. Não faziam a mínima ideia do que lhes estava a acontecer, e estavam á mercê do golpe de mericórdia que o Benfica não soube dar. Percebia-se que ansiavam pelo intervalo como um condenado por um último desejo.

A bola voltou ainda a entrar na baliza vimaranense, numa recarga em fora de jogo a mais um golo negado pelo guarda-redes Douglas. A Luz festejou o quarto, mas não contou. E o intervalo salvador lá chegou, quando o Benfica poderia estar a repetir a goleada de há duas épocas, na jornada da festa do tetra, mesmo que longe, bem longe mesmo, da qualidade de então. 

O Vitória, já sem Ola John - continua sem nos desiludir - não entrou bem para a segunda parte, e o Benfica continuou a dominar o jogo sem quaisquer dificuldades. Mas naquela maneira muito à Rui Vitória de adormecer o jogo. Aquele jogo muito pausado, de passe para o lado e para trás e, de vem em quando, um safanãozinho.

E aconteceu aquilo que muitas vezes me acontece a adormecer o meu neto: adormeço eu primeiro. O adversário estava quase a adormecer, e os adeptos também. Mas quem acabou por adormecer primeiro foi mesmo o Benfica. A saída do Fejsa acabou com o resto.

E em cinco minutos, à entrada do último quarto de hora, com tudo a dormir e sem Fejsa, os vimaranenses fizeram dois golos, deixando a Luz em pânico, já bem acordada ao som de todas as sirenes.

Faltavam 10 minutos - foram 13 - e temeu-se o pior. Valha que durante todo esse tempo o adversário não incomodou muito, não criando sequer qualquer calafrio. Mas que a Luz suspirou de alívio quando o árbitro (não falei dele, pois não?) apitou pela última vez, lá isso suspirou.

E pronto. Foi assim que o Benfica começou o campeonato que se deseja do 37, com um ano de atraso. Assim, com um jogo que em vez de ter acabado com uma abada das antigas, acabou com a Luz de credo na boca. E com muitos fantasmas!

Eusébio Cup

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Hoje regresso ao futebol, mais propriamente ao Benfica, que por aqui não aparecia há mais de dois meses. A pré-época está a chegar ao fim - as contratações e as vendas provavelmente ainda não - e as competições oficiais estão à porta. Dentro de dias, já na próxima terça-feira, aí estão os turcos do Fenerbace para disputar o acesso à cada vez mais milionária Liga dos Campeões.

Ontem o Benfica perdeu - pela primeira vez nesta pré-época - com o Lyon (2-3), no Algarve. Nunca é boa altura para perder, mas é sempre pior na véspera dos grandes jogos. E pior ainda na dos decisivos. Não é para falar da derrota, nem das suas eventuais consequências - até porque há sempre atenuantes, e três bolas nos ferros não é coisa que aconteça em todos os jogos -, nem sequer dos equívocos de Rui Vitória (parece que quantos mais - e melhores - jogadores tiver mais baralhado fica) que hoje volto ao Benfica. Mas é para falar do jogo, sem falar do jogo.

É que este jogo com o Lyon, no Estádio do Algarve, sendo o último dos três da participação do Benfica na International Cup (nos outros dois tinha empatado com o Borussia Dortmund e com a Juventus, nos Estados Unidos, e totalizado 3 pontos, em resultado da vitória e da derrota nos penaltis, respectivamente), foi vendido como Eusébio Cup. 

Eusébio e a sua memória não merecem isto. Os benfiquistas, não merecem que se brinque com um troféu concebido para honrar o maior símbolo do Benfica. Depois de, em 2015, ter sido enfiada no meio de uma digressão pela América e disputada em Monetrrey, no México (vitória da equipa local, por 3-0) e de, no ano passado, nem sequer se ter realizado, este ano foi enfiada à martelada na International Cup. Insólito: um mesmo jogo, duas competições!

É um insulto à memória de Eusébio e é um insulto aos benfiquistas. A Eusébio Cup só pode ser disputada no Estádio da Luz, na apresentação oficial da equipa aos sócios, com casa cheia. E cheia de benfiquismo, de entusiasmo e de fé na nova época. Com adversários á dimensão da dimensão do homenageado, um dos maiores jogadores de futebol de todos os tempos e figura única e ímpar da História do Benfica. E com os jogadores orgulhosos de vestirem a camisola que Eusébio tornou conhecida e admirada em todo o mundo, e empenhados ao máximo em oferecer a vitória aos céus, onde se verá o King a agradecer, de lágrima no olho.

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