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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Desta vez a festa não foi estragada

Por Eduardo Louro

 

Parecia que os deuses não queriam nada com os festejos do Benfica. Tudo tinha começado em Guimarães, logo que o jogo acabou, há uma semana. Polícias e adeptos mais inclinados para estragar a festa, que outra coisa. Depois, no Marquês... Com provocadores, polícias, e adeptos, por esta ou por outra ordem qualquer, a darem cabo dela...

A maldição aguentou viva toda uma semana - em que não se falou de outra coisa - e apresentou-se hoje no Estádio da Luz, pronta a continuar a fazer das suas. Apostada em continuar a estragar a festa... que continuava hoje.

Primeiro foi o Marítimo a mostrar-se interessado em juntar-se a polícias, adeptos e sabe-se lá mais quem. Com a equipa bem organizada e os jogadores a correrem  como se não houvesse ... segunda parte, estavam ali mesmo para estragar a festa. Depois, até os próprios jogadores do Benfica pareciam estar ali para o mesmo. Passaram grande parte do primeiro tempo a ver os outros correr. Mas também a vê-los chegar primeiro a todas as bolas, e a ganhar todas as divididas...

Quando na segunda parte as coisas mudaram - o Benfica pôs os motores a funcionar a rotações próximas da sua normalidade e o Marítimo tinha gasto a gasolina toda na primeira parte - e finalmente a festa começava a ganhar jeito, tanto que até Jonas ganhava jeito de juntar à festa o título de melhor marcador, logo apareceu um fiscal de linha disposto a estragá-la. O Jonas acabava de marcar o seu segundo golo, a um único do objectivo, e foi a correr tão depressa buscar a bola à baliza para rapidamente marcar o que faltava - e que chegaria logo a seguir - que nem teve tempo para se aperceber que o tal fiscal de linha resolvera anulá-lo. Nitidamente só para estragar a festa... 

Roubou ao Jonas o título de melhor marcador: merecido, até porque participou em menos jogos que o Jakson Martinez, e não marcou golos de  penalti, nem à sua conta foi parar qualquer auto-golo. Mas não conseguiu estragar a festa, mesmo que tivesse continuado a tirar foras de jogo que não lembravam ao diabo.

Desta vez a festa era em casa, fez-se com mais uma goleada e mais uns bons nacos de futebol, e não podia ser estragada de forma nenhuma. Nem com a lesão do Salvio. Que até fez questão de não faltar, e lá apareceu em canadianas a dizer que a festa era mesmo festa. Com a presença de todas as cores que disputaram a competição no corpo de crianças vestidas a rigor. E com dois irmãos que, menos de uma semana depois do inferno, perceberam que o céu também é vermelho!

 

 

A história do bi... E da areia!

Por Eduardo Louro

 

 

Os memoráveis festejos do 34 e do bi (fantástica, do mais bonito que se tem visto, a festa no Marquês) foram lamentavelmente marcados – e interrompidos – pela violência policial. Por saber está, ainda, como tudo terá começado. E se apenas se deve a alguns excessos – de hormonas ou de cerveja – ou se tem a ver com algo de mais profundo.

Mas não é disso que pretendo falar. Isso só quero lamentar. Quero falar da importância do bi, do que representa, independentemente do que se lhe siga.

Sabe-se que há 31 anos que fugia ao Benfica, naquele que tem sido, sem dúvida, um dos mais longos períodos de hegemonia na História do futebol em Portugal. Que se faz da prevalência do Sporting na década de 1940, da do Benfica nas décadas de 1960 e 70, e da do Porto na de 1990 e na de 2000. E de longos anos de jejum dos três protagonistas maiores desta história: 19 anos para o Porto, entre 1959 e 1978; 18 para o Sporting, entre 1982 e 2000, a que se juntam já mais 13, desde 2002; e 11 para o Benfica, entre 1994 e 2005.

A seguir ao título de 2005, o Benfica não tinha condições de o repetir. Fora ocasional, o próprio presidente do Benfica, já Luís Filipe Vieira, numa declaração que os adeptos não gostaram de ouvir, dizia que era cedo demais. Que o Benfica ainda não estava preparado. Percebeu-se que não!

Depois veio o de 2010, o primeiro com Jesus. E toda a gente percebeu que, ao contrário da última vez, cinco anos antes, o Benfica podia quebrar o longo ciclo portista. O Porto percebeu isso melhor que ninguém e tudo fez para o impedir. Pelo contrário, o Benfica, fez quase tudo o que não poderia fazer. Não interessa agora pormenorizar, mas lembramo-nos que o guarda-redes campeão – Quim, que não “dava pontos” - foi trocado pelo desastre Roberto, rapidamente transformado em foco de instabilidade. Que não foi dada a devida importância à Supertaça, que obviamente era decisiva para alicerçar a época.

Do outro lado tudo era meticulosamente preparado. O Porto percebeu que tinha de fazer da Supertaça a alavanca da época, e sabia que ainda dispunha das ferramentas que construíra e usara como ninguém ao longo de quase trinta anos. Ninguém esquece o que foram as arbitragens do Benfica nas primeiras jornadas. E no que foram as do Porto, em especial em Guimarães e na Figueira da Foz. E que à quarta jornada o Porto tinha 12 pontos, contra 3 do Benfica… Rapidamente se tornaria incontestável, com tudo devidamente branqueado por força do argumento de 21 pontos de vantagem final e da conquista a Liga Europa, contra o Braga de Domingos.

Depois o Porto acrescentaria ainda mais dois campeonatos, com Vítor Pereira. No primeiro o Benfica comandava tranquilamente com 5 pontos de vantagem que, pouco antes da visita do Porto à Luz, as arbitragens cirúrgicas de Guimarães e Coimbra puseram a voar. O resto ficou por conta de Pedro Proença, na Luz, com aquele golo em fora de jogo do Maicon.

E o segundo, com aquele empate com o Estoril, na Luz, na antepenúltima jornada, também esse com uma arbitragem a condizer, que culminou no golo do Estoril, também em fora de jogo, a “engolir” 2 dos 4 pontos de vantagem, num ano dramático em que o Benfica tudo dominou e, no fim, tudo perdeu. Depois, o tal golo do Kelvin aos 92 minutos do jogo do Dragão, fez o resto. Não foi bem o resto. O resto seria feito em Paços de Ferreira, o sensacional Paços do terceiro lugar, de Paulo Fonseca de malas feitas para o Porto, onde o árbitro transformaria em penalti uma falta sem nexo a dez metros da área.

Depois de dois campeonatos perfeitamente oferecidos, o Benfica voltou a ganhar, num ano em que, de pois de tudo perder, ganhou tudo, materializando a superioridade que da facto vinha revelando.

E o Porto voltou a fazer tudo para evitar que o Benfica fosse bicampeão. Investiu como pouca vezes, e terá provavelmente corrido riscos como nunca. Entrou em desespero, e lançou mão de tudo. Por isso se percebe que o Porto se tenha transformado numa avestruz gigante com a cabeça bem enterrada na areia. Num gigantesco buraco que abriu com a areia que há meses anda justamente a lançar aos olhos de toda a gente. E em especial dos seus adeptos!

 

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