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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

A história do bi... E da areia!

Por Eduardo Louro

 

 

Os memoráveis festejos do 34 e do bi (fantástica, do mais bonito que se tem visto, a festa no Marquês) foram lamentavelmente marcados – e interrompidos – pela violência policial. Por saber está, ainda, como tudo terá começado. E se apenas se deve a alguns excessos – de hormonas ou de cerveja – ou se tem a ver com algo de mais profundo.

Mas não é disso que pretendo falar. Isso só quero lamentar. Quero falar da importância do bi, do que representa, independentemente do que se lhe siga.

Sabe-se que há 31 anos que fugia ao Benfica, naquele que tem sido, sem dúvida, um dos mais longos períodos de hegemonia na História do futebol em Portugal. Que se faz da prevalência do Sporting na década de 1940, da do Benfica nas décadas de 1960 e 70, e da do Porto na de 1990 e na de 2000. E de longos anos de jejum dos três protagonistas maiores desta história: 19 anos para o Porto, entre 1959 e 1978; 18 para o Sporting, entre 1982 e 2000, a que se juntam já mais 13, desde 2002; e 11 para o Benfica, entre 1994 e 2005.

A seguir ao título de 2005, o Benfica não tinha condições de o repetir. Fora ocasional, o próprio presidente do Benfica, já Luís Filipe Vieira, numa declaração que os adeptos não gostaram de ouvir, dizia que era cedo demais. Que o Benfica ainda não estava preparado. Percebeu-se que não!

Depois veio o de 2010, o primeiro com Jesus. E toda a gente percebeu que, ao contrário da última vez, cinco anos antes, o Benfica podia quebrar o longo ciclo portista. O Porto percebeu isso melhor que ninguém e tudo fez para o impedir. Pelo contrário, o Benfica, fez quase tudo o que não poderia fazer. Não interessa agora pormenorizar, mas lembramo-nos que o guarda-redes campeão – Quim, que não “dava pontos” - foi trocado pelo desastre Roberto, rapidamente transformado em foco de instabilidade. Que não foi dada a devida importância à Supertaça, que obviamente era decisiva para alicerçar a época.

Do outro lado tudo era meticulosamente preparado. O Porto percebeu que tinha de fazer da Supertaça a alavanca da época, e sabia que ainda dispunha das ferramentas que construíra e usara como ninguém ao longo de quase trinta anos. Ninguém esquece o que foram as arbitragens do Benfica nas primeiras jornadas. E no que foram as do Porto, em especial em Guimarães e na Figueira da Foz. E que à quarta jornada o Porto tinha 12 pontos, contra 3 do Benfica… Rapidamente se tornaria incontestável, com tudo devidamente branqueado por força do argumento de 21 pontos de vantagem final e da conquista a Liga Europa, contra o Braga de Domingos.

Depois o Porto acrescentaria ainda mais dois campeonatos, com Vítor Pereira. No primeiro o Benfica comandava tranquilamente com 5 pontos de vantagem que, pouco antes da visita do Porto à Luz, as arbitragens cirúrgicas de Guimarães e Coimbra puseram a voar. O resto ficou por conta de Pedro Proença, na Luz, com aquele golo em fora de jogo do Maicon.

E o segundo, com aquele empate com o Estoril, na Luz, na antepenúltima jornada, também esse com uma arbitragem a condizer, que culminou no golo do Estoril, também em fora de jogo, a “engolir” 2 dos 4 pontos de vantagem, num ano dramático em que o Benfica tudo dominou e, no fim, tudo perdeu. Depois, o tal golo do Kelvin aos 92 minutos do jogo do Dragão, fez o resto. Não foi bem o resto. O resto seria feito em Paços de Ferreira, o sensacional Paços do terceiro lugar, de Paulo Fonseca de malas feitas para o Porto, onde o árbitro transformaria em penalti uma falta sem nexo a dez metros da área.

Depois de dois campeonatos perfeitamente oferecidos, o Benfica voltou a ganhar, num ano em que, de pois de tudo perder, ganhou tudo, materializando a superioridade que da facto vinha revelando.

E o Porto voltou a fazer tudo para evitar que o Benfica fosse bicampeão. Investiu como pouca vezes, e terá provavelmente corrido riscos como nunca. Entrou em desespero, e lançou mão de tudo. Por isso se percebe que o Porto se tenha transformado numa avestruz gigante com a cabeça bem enterrada na areia. Num gigantesco buraco que abriu com a areia que há meses anda justamente a lançar aos olhos de toda a gente. E em especial dos seus adeptos!

 

Futebolês#37 Mind games

Por Eduardo Louro

   

 

O futebolês não se fica apenas pelo português e afins. Também, como não poderia deixar de ser nos tempos que correm, se aventura pelos anglicismos. Não tanto como o seu parente economês – verdadeiramente imbatível – mas não deixa os seus créditos por mãos alheias!

O que são então os mind games?

Para os mais familiarizados com a língua de Shakespeare são isso mesmo: os jogos mentais, as jogadas psicológicas. Para os outros são aquelas tiradas provocatórias, atiradas com a precisão de um míssil, com o objectivo de destabilizar o adversário.

Temos uma Universidade em Portugal – fundada por José Maria Pedroto no Porto – e um catedrático apontado como o maior especialista mundial – José Mourinho, of course – mas não temos muita gente especialmente dotada. Não faz mind games quem quer. Não é para todos!

Alguns bem se esforçam mas, o melhor que conseguem são umas tiradas infelizes. Outros, no entanto, fazem mind games mesmo sem querer: qualquer palavra é um míssil de longo alcance.

É à medida que a competição aquece que os mind games começam a ganhar vida.

Com a primeira competição da época – a supertaça, disputada no passado sábado, ganha (e bem) pelo FCP, e que, também numa espécie de mind game, alguns tentam misturar na contabilidade dos títulos, somando alhos (campeonatos) com bugalhos (supertaças), não fosse o Porto a capital dos mind games – não se viu grande coisa.

Ou melhor, viu-se a confirmação de que não faz game minds quem quer. Apenas quem pode! E viu-se que Jorge Jesus não pode. Se aquela do “é muito difícil alguma equipa ganhar ao actual Benfica” foi o seu mind game, foi muito fraquinho. Pior, é daquelas em que o tiro sai facilmente pela culatra.

“Um treinador pode saber muito de futebol, mas se souber só de futebol pouco sabe de futebol” – este é um princípio enunciado pelo Prof. Manuel Sérgio, o nosso académico e filósofo do futebol. Este é o grande drama de Jesus: esquecer-se que o futebol não se limita à recepção, ao passe, à desmarcação, à ocupação de espaços… Há ainda muito mais, há alma, há determinação, há espírito de conquista. Há a atitude … Como se viu naquele jogo da supertaça!

Quem tem em mãos a mais cara equipa do futebol nacional, quem, mesmo assim, continua a pedir mais e mais jogadores, e quem tem que assumir responsabilidades adequadas ao esforço que a SAD está a desenvolver para devolver ao Benfica o prestígio do passado, não pode estabelecer prioridades que subvertam esse objectivo. Não pode dizer que a supertaça não é prioridade, que a prioridade é o campeonato. Não! Para o Benfica e para os benfiquistas ganhar ao FCP é sempre prioritário. Tal e qual como do outro lado: para o FCP é sempre prioritário ganhar ao Benfica, e essa é uma prioridade que toda a gente percebe!

Ganhar esta supertaça era absolutamente prioritário para o Benfica. Jorge Jesus tinha de perceber isto, tinha de mostrar que o percebera e de mostrar inequívoca competência para o fazer. Não tanto pelo título em si, mas por ser uma prova onde o domínio do adversário é avassalador e, fundamentalmente, para deixar clara uma marca de superioridade, numa altura em que o adversário passava por grandes necessidades de afirmação: treinador novo, pré-época instável, desequilíbrios defensivos, uma certa orfandade de liderança em campo …

Jorge Jesus falhou e assim perdeu o Benfica a oportunidade de romper com o status quo. E tudo ficou como dantes: um Porto à Porto, um Benfica … à Benfica das últimas décadas (subalterno, tolhido, sem chama nem alma, que corre menos, que luta menos, que acredita menos, que provoca menos e que é menos esperto que o Porto) e até um árbitro à árbitro (com dois penáltis por assinalar a favor do Benfica e, depois, uma compensação deplorável no aspecto disciplinar).

O campeonato começa já este fim-de-semana. A Jesus coloca-se, agora sim, um grande desafio: o difícil não é chegar ao topo, é manter-se lá! Soube lidar com as circunstâncias que lhe moldavam o lado pessoal: revisão do contrato numa mistura de rentabilização de méritos próprios com outros mind games. Falta ver se saberá lidar com as que lhe moldam a aptidão para o sucesso.

É simples: este é um campeonato decisivo, aquele que poderá inverter um ciclo. O bicampeonato é fundamental para o Benfica – transformará o título da época passada no início de um novo ciclo. Sem confirmação nesta época o último título não passará de um mero acidente no percurso da hegemonia portista. É precisamente por isso que, ao invés, é fundamental para o Porto não perder este campeonato para o Benfica. O FCP sabe bem que é muito diferente perder dois ou três títulos para o Sporting e para o Boavista ou perdê-los para o Benfica.

É tudo isto que o treinador do Benfica tem que perceber rapidamente. E deixar os benfiquistas perceberem que ele já percebeu. Com ou sem mind games! E, de preferência, sem hipotecar o sucesso a invenções e teimosias estéreis. Como a do Roberto que, como toda a gente percebe, está a condicionar toda a equipa.

 

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