Quando, na semana passada, surgiram boas notícias sobre o desemprego, António Costa rejubilou mas adiantou logo que estariam a chegar, na próxima semana - que é esta -, mais boas notícias. E melhores!
Toda a gente se pôs a advinhar, mas ninguém acertou. Os analistas achavam que a queda do desemprego não fazia sentido (agora já não cai por via administrativa, já lá vai esse tempo, o efeito já se perdeu) sem que ninguém se lembrasse que poderia fazer sentido se a economia estivesse a crescer mais do que se dizia. E foi por isso com grande surpresa que ontem foram recebidos os dados do INE sobre o crescimento económico no terceiro trimestre: 1,6%!
Mais que o número - 1,6 é naturalmente curto para as necessidades, mas inquestionavelmente grande e significativo para a História deste século - o que impressiona é que, de repente, a economia portuguesa passou a ser a que mais cresceu na União Europeia.
Sabendo-se que o crescimento económico era a maior dificuldade do país, a maior dor de cabeça do governo e a pedra mais à mão da direita na oposição, estes dados, para além de constituírem uma grande notícia para o país, são obviamente uma excelente notícia para o governo.
Boa notícia é também que não se viu o governo embandeirar em arco. Não me parece que, passe embora o aproveitamento que disso fez para alargar a corda a Centeno (se fosse no futebol seria certo que Mário Centeno estaria despedido: quando o presidente apresenta publicamente votos de confiança no treinador, é invariavelmente sinal que estará na rua em pouco tempo), António Costa tenha exagerado nos festejos.
Que não seja notícia de primeira página de qualquer jornal é que já não é sequer notícia. É assim. De todos, apenas o Jornal de Negócios traz o tema para capa. Mas apenas o tema, que não a notícia: "Economia acelera com exportações e turismo". Nada de confusões!
Se a notícia fosse exactamente ao contrário era ver as capas dos jornais: "Portugal é quem menos cresce na Europa"; ou "Economia não descola"; ou tantos outros títulos do género...
O desemprego baixou no segundo trimestre. Vamos deixar de lado se baixou muito pouco, e se o que baixou foi à conta de salários ainda inferiores ao salário mínimo.
Ora tudo isto são boas notícias, mesmo que não tão boas quanto gostaríamos que fossem. A quebra do desemprego pode resultar apenas de fenómenos de sazonalidade, de contratos de curtíssima duração que, passado o Verão, devolvem ao desemprego os números assustadores de sempre. E traduziu-se apenas nos salários mais baixos, deixando a ideia que a economia que pode estar a sair da recessão vai fazê-lo em novas bases. Em especial na base de salários baixos – ainda mais baixos!
Mas têm que ser boas notícias, porque é de boas notícias que também a economia vive. É de optimismo, que gera confiança, que a retoma se faz.
Pena é que o governo nada contribua para isso. Que, quando saem estas notícias, em vez de as potenciar, esteja paralisado por ministros e secretários de estado enterrados em aldrabices. Que, antes de serem demitidos, não poderiam ter sido admitidos. Que, quando há notícias destas para dar, dê as de cortes de pensões. E as das excepções, porque, afinal, os cortes nunca são para todos. E deixe intactas as imoralidades que todos conhecemos…
Pedro Passos Coelho tinha garantido esta coisa estranha: na hora de dar as más notícias, seria ele próprio a dar a cara. Então quem haveria de ser?
Bom, mas pelo menos esta cumpriu. E aí veio ele, mesmo em cima de um jogo de futebol da selecção – a comunicação ao país acabou precisamente cinco minutos antes do início do jogo - porventura na expectativa de que o futebol rapidamente fizesse esquecer as más notícias. Quer dizer: dar a cara mas escondido atrás do futebol! O diabo é que o jogo também não correu muito bem – acredito que Paulo Bento tenha prescindido da habitual palestra antes do início do jogo para, também ele e os jogadores (somos todos portugueses e, como o futebol, equidade é isto mesmo!) ouvirem a comunicação do primeiro-ministro, tão adormecidos que estavam – e, em vez de ajudar a apagar as tristezas, tê-las-á avivado ainda mais. Mesmo que em Portugal não paguem dívidas – se pagassem também não as teríamos, ficaríamos na mesma – e que por isso sejamos lestos a abafar as tristezas, de preferência afogadas nuns copos, estou convencido que o primeiro-ministro, já que não nos pode dar alegrias, estava convencido que seria a selecção nacional a dá-las.
Mesmo assim Passos Coelho esforçou-se para nos dar as más notícias com ar de boas. A começar logo no contexto das medidas anunciadas: más notícias não eram as que iria dar, a má notícia era a que o Tribunal Constitucional tinha dado aqui há uns meses!
Estas medidas eram apenas a inevitabilidade daquela má notícia. O que é desde logo mais uma má notícia, porque ainda ficam por dar as más notícias relativas às más notícias deste ano. Tudo aquilo respeita ao orçamento para o próximo ano, e apenas na parte que lhe cabia do corte dos subsídios de Férias e Natal dos funcionários públicos. Sobre o que se passará com o défice deste ano – excedido em perto de 2,5 pontos percentuais, como se sabe, e o que significa um desvio superior a 50% face ao objectivo – em que a decisão do Tribunal Constitucional não teve qualquer interferência, continuamos sem notícias.
Passos Coelho disse-nos que, então, em vez de, para o ano, retirar os dois subsídios aos funcionários públicos apenas lhe retiraria um, o mesmo que irá retirar a todos os restantes - poucos - portugueses que ainda têm emprego no sector privado. Boa notícia para uns, e má para outros. Mas não se pode ter tudo…
Depois disse aos funcionários públicos que o subsídio que lhes iria devolver lhes seria entregue mensalmente. Que em vez de lho pagar de uma só vez em Junho, o pagará em duodécimos. Mas que era uma boa notícia, porque assim ficariam com mais dinheiro no fim de cada mês…
A má notícia vem logo a seguir: é que, eles funcionários públicos - como todos os restantes portugueses que têm emprego – vão passar a contribuir mais para a segurança social. Quanto? Precisamente o mesmo que o duodécimo do tal subsídio que Passos Coelho lhes devolve!
Mas ainda há outra má notícia, e que, por ser má, está apenas nas entrelinhas: os funcionários públicos – e todos os restantes logo a seguir – despediram-se dos tão aguardados subsídios de Férias e Natal. Nunca mais haverá aquele mês em que o ordenado dobra. Em que, dobrando, permite que não acabe antes do fim do mês. Ou até aquele luxozinho por que se espera um ano inteiro…
Mas mesmo boa notícia, mesmo à séria, é a do combate ao desemprego. Essa é que é uma grande notícia, mesmo que a notícia seja apenas a que aumenta um imposto: no caso a contribuição para a segurança social, que aumenta de 34,75% para 36%!
Mas é uma medida de combate ao desemprego, garante-nos o primeiro-ministro e toda a sua entourage. Porque, aumentando em apenas 1,25 pontos percentuais (perto de 4%), a taxa social única (TSU) baixa em 5,75 pontos para o empregador, mais de 30%. O empregado paga essa redução e ainda o aumento efectivo da taxa, 8 pontos no total. Sobe bem mais de 60%!
E pronto. Os empresários, já que só têm que pagar 18% de TSU, vão desatar a contratar pessoas como se não houvesse amanhã – acha o governo. Eu pensava que os empresários empregavam pessoas se a economia crescesse: se houvesse consumo e investimento. Mas o governo acha que isso não é preciso, basta que baixem os custos do trabalho!
Apesar de perceber o que eles querem – e não serei só eu, já toda a gente percebeu - não percebo é porque não tem bastado. O governo não tem feito outra coisa que não baixar os custos do trabalho; a ser como dizem, a competitividade da nossa economia estaria a crescer a ritmo acelerado. Ora, caiu quatro lugares…
O Porto é o (de) novo campeão nacional de futebol!
Um campeão há muito anunciado. Desde a quarta jornada, ainda na alvorada de Setembro. Mas, a partir daquele jogo de Braga, há pouco menos de um mês, era uma mera questão de tempo. E de oportunidade!
A primeira estava agendada precisamente para hoje na Luz. E o Porto agarrou-a! Como sempre veio fazendo ao longo da época não desperdiçou a primeira oportunidade que lhe surgiu.
Ao Benfica competia precisamente impedir isso. Porque era a única forma de evitar – não lhe chamo desonra, nem humilhação – o desconforto de ver o seu rival maior fazer a festa na própria casa. Mas porque o Benfica deverá saber – como o seu adversário bem sabe e bem trabalha - que em qualquer jogo com o Porto estão sempre mais coisas em jogo que o mero resultado. Qualquer jogo entre o Porto e o Benfica é sempre mais que um jogo e as suas circunstâncias! O Porto sabe isso muito bem. O Benfica insiste em não perceber isso!
Foi assim no início da época, na supertaça, com os resultados que se conhecem. E foi assim hoje: com o Porto a fazer festa na Luz – facto de enorme dimensão emocional, com impactos directos muito fortes, mais a mais quando o Porto, no ano passado e em idênticas circunstancias, não o permitiu ao Benfica –, a dar um passo de gigante na perseguição a uma das poucas proezas que o Benfica segura nas mãos – campeão sem derrotas – e a fazer crescer a crença na alteração do rumo das meias-finais da Taça!
Tudo isto estava hoje em jogo e não apenas os três pontos.
E tudo isto o Benfica deixou fugir, atraindo e recuperando muitos dos seus próprios fantasmas. Alguns que julgávamos bem enterrados, como o de Roberto. Que começou a escrever a história do jogo de hoje! Uma história que, infelizmente, voltará a registar uma péssima arbitragem, incidentes a mais e arremessos para o relvado. Corte da luz e abertura do sistema de rega no final do jogo… Uma história plagiada. Repetiu-se o Dragão, sem qualquer originalidade. Uma história sem fim, porque a retaliação nunca é forma de ter razão!
Parabéns aos portistas. Aos que os merecem, que não são todos. Como em tudo, e em todos os clubes, há sempre gente que não sabe, e não sabendo não merece, ganhar...
Mas não se esgota aqui a história deste dia. Por muito que, olhando agora para as televisões, não pareça, este é um dia com muitas mais histórias. E com muitas mais notícias…
E eu tive hoje uma excelente notícia. A melhor de todas as notícias que poderia ter…
Há dias assim. Que não vamos esquecer!
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