A EDP lançou uma OPA para adquirir a totalidade do capital da EDP Renováveis e retirá-la de Bolsa. Oferece 6,8 euros por acção e, evidentemente, as pessoas terão que vender.
Terão que vender à EDP, por 6,8 euros, as acções que lhe compraram há 9 anos por oito. É assim que todos fazem: quando precisam de capital, abrem-no em Bolsa ao preço que querem; quando já não precisam retiram-no de Bolsa. E devolvem aquilo que querem!
Entretanto os chineses levam os dividendos que nos confortavam o défice. E o Mexia põe toda a gente a fazer contas ao que ganha por minuto. É assim. É a vida, como dizia o outro...
A Bolsa caiu para mínimos de 2013 e a Comissão Europeia volta a colocar o país no ponto mira. O governo está de férias, que só interrompeu para mandar mais uns foguetes sobre a brilhante solução encontrada para o BES, com as caras de Portas e de Maria Luís Albuquerque, mais ou menos a assobiar para o lado, se descontarmos aquela aparição de Passos, a caminho da praia, em circunstâncias dificilmente coadonáveis com a gravidade da situação.
Finalmente lá apareceu hoje o ministro da Economia, já sem canas nem foguetes na mão, a manifestar-se preocupado com estas coisas. Diz Pires de Lima que o que se vive no mercado de capitais "espelha a grande desilusão com a situação do BES e também aquilo que é a desfaçatez verificada na PT". Que “os investidores, naturalmente depois de terem percebido ao longo dos últimos meses a evolução do caso do BES e terem verificado as atitudes que se verificaram ao nível da administração da PT, reagem negativamente". Ou que "os receios dos investidores estão lá, por isso é que os mercados caíram, porque houve, de facto, acontecimentos relevantes em Portugal, ao nível do BES como ao nível do comportamento da administração da PT que são inexplicáveis para qualquer investidor, nomeadamente investidores estrangeiros que investiram em Portugal e no mercado de capitais português convencidos que o mercado português não viveria situações como estas”.
Nada do que diz é falso. Mas é falacioso, mais rigorosamente enganoso!
Porque tudo converge numa palavra mágica:confiança. Que simplesmente desapareceu!
Claro que a confiança desaparece quando uma marca como centenária como a do BES, ela própria marca de confiança, de repente desaparece. Às mãos de quem mais a deveria defender, à conta de gestão criminosa, mas também pelas mãos de quem deveria ter velado pela sua defesa. Claro que a confiança se esvai quando numa empresa como a PT, a administração aplica uma parte significativa do seu valor em financiamento directo a uma outra empresa, por acaso de risco.
Mas a confiança perde-se de forma dificilmente recuperável quando o país, quando os seus orgãos de regulação e supervisão, promovem a subscrição de um aumento de capital de um banco, do seu maior banco privado e, um mês depois, com a resolução - eufemismo de falência - do Banco se apropriam de todo o capital. Confiscam tudo!
A confiança perde-se, e dificilmente se recuperará, quando se percebe que o governo e o Banco de Portugal, como agora se percebe pela legislação publicada, estiveram a preparar a resolução do Banco sem disso dar conta à CMVM, permitindo que as acções continuassem a negociar em Bolsa, e permitindo com isso situações de inside trading, sobre o que hoje já ninguém tem grandes dúvidas.
E quando se não pode confiar num Presidente da República(que garante toda a confiança num Banco desaparece uma semana depois), num governo que nunca é claro, especialista em enganar o país, em que tudo lhe serve para festa, nem nos órgãos de regulação e de supervisão, não se pode confiar no país!
Lembrando aquela célebre expressão da campanha de Clinton, daria vontade de responder da mesma maneira a Pires de Lima: É a confiança, estúpido...
Primeiro manda-se as pessoas embora, diz-se aos mais jovens e qualificados que emigrem. Depois despedem-se os que cá ficam. Aos que não são despedidos baixam-se-lhes os rendimentos, sejam salários ou pensões.
Depois de mandados emigrar, de cortados os salários, de despedidos e contratados por metade do salário, cortam-se as bolsas de investigação. E diz-se que isso da investigação é só para empresas…
Acaba-se com a investigação nacional, com trapalhadas atrás de trapalhadas, mas depois surge a estratégia Lomba de aliciamento de cérebros internacionais, através de bons vencimentos e de isenções fiscais.
E ainda há por aí outro maduro que acha que compõe o ramalhete com uma Justiça para estrangeiros...
Isto tem um nome, não tem? Ajudem-me lá: como é que isto se chama?
A cotação dos três maiores bancos privados disparou acima dos 10%. É certo que no ponto a que chegaram já só podiam subir mas, nos dias que correm, subir mais de 10% é obra…
Só pode ser culpa do Tribunal Constitucional. Ou - vá lá - porque já se anuncia sol…
Rui Tavares é deputado no Parlamento Europeu. Foi eleito pelo Bloco de Esquerda nas últimas eleições, em Junho de 2009: precisamente o terceiro e último a ser eleito, num ambiente de suspense, surpresa e, finalmente, festa!
Pouco depois de chegar a Estrasburgo, no final do seu primeiro ano de mandato, soube-se da sua intenção de oferecer parte do seu salário de deputado europeu – um salário suficientemente generoso que, em tempo de constituição das listas para essas eleições, transforma as sedes partidárias em verdadeiros sacos de gatos assanhados – para bolsas de estudo. Não sei – nem me interessa – se essa decisão teve alguma coisa a ver com o cenário de suspense daquela noite eleitoral, ou mesmo com a surpresa desse êxito eleitoral decorrente de uma eleição à partida tida como muito pouco provável. Sei é que ainda há pessoas que têm da vida uma visão diferente daquela que faz carreira.
Soubemos agora, e apenas seis meses depois, em plena semana de Natal que, prescindindo de um quarto do seu salário, financiou quatro projectos de investigação de outros tantos jovens concidadãos. Ficamos a saber que o Rui Tavares, licenciado em História da Arte e a terminar um doutoramento em Paris (sobre a censura no tempo de Marquês de Pombal) é um político que cumpre o que promete – o que, como sabemos, devendo ser a coisa mais natural é a mais extraordinária do mundo. E que cumpre a partir do seu próprio bolso, o que é ainda mais extraordinário! Mas mais: ao que parece não pretende tirar dividendos políticos disso!
Simplesmente – ao que diz – ajuda porque quer, porque pode e porque acha que é seu dever. Diz que não quer outra leitura para além dessa. E que não está fazer nada que não lhe tenham já feito, ele próprio bolseiro da Fundação da Ciência e Tecnologia e licenciado na qualidade de ex-bolseiro da Universidade Nova!
Mas ficamos a saber mais: ficamos a saber que a ideia lançou amarras. Que outros políticos lhe seguiram as pisadas? Não! Evidentemente que não! Mas que três elementos dos Gato Fedorento se lhe associaram permitindo duplicar o valor das bolsas!
Tudo isto sem parangonas. E, sem que queira dar o exemplo, seja de facto o exemplo! Nem que seja apenas o exemplo de que “eles” não “são todos iguais”. Ou que não “querem todos o mesmo”…
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