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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Eleições no Brasil

Eleições 2022: Lula vence em 14 Estados e Bolsonaro em 12 e no DF - BBC  News Brasil

Nada ficou decidido nas híper polarizadas eleições para a presidência do Brasil. Lula a venceu a primeira volta, com mais 5 milhões de votos, e 5 pontos percentuais que Bolsonaro, mas bem longe dos resultados que as sondagens apontavam, e ainda a dois pontos percentuais do resultado necessário para garantir a eleição na segunda volta, no próximo dia 30 de Outubro. Para o que os 5% de votos de Simone Tebet serão certamente decisivos, e eventualmente garantidos à custa de um relevante lugar no governo.

Bolsonaro perdeu, mas não saiu derrotado. E poderá até ter saído reforçado desta primeira volta. Porque acabou por superar a votação da primeira volta de há 4 anos, mas acima de tudo porque "ganhou às sondagens". E com grande vantagem, chegando aos 43% dos votos, quase 10 pontos percentuais acima do que lhe apontavam. E porque o bolsonarismo está decididamente instalado no Brasil, tendo até reforçado posições no Congresso e no Senado.

Se este reforço será apenas utilizado para uma recandidatura às próximas eleições, daqui a quatro anos, ou já agora nesta segunda volta, em expectáveis manobras sujas de manipulação é, mais que o resultado final, no fim do mês, a dúvida que sai dos resultados de ontem. Outra será se Bolsonaro limitará a imitação a Trump à contestação aos resultados, ou se a alargará a qualquer coisa correspondente à invasão do Capitólio. Que, no Brasil, tem tudo para atingir dimensões ainda mais graves!

Independência ou medo?

Independência do Brasil 7 de setembro de 1822

O Brasil comemora hoje os 200 anos de independência, diz-se. E escreve-se.

Não estou tão seguro disso. Parece-me mais que hoje o Brasil celebra mais o medo que a independência. Pessoas com medo de sair à rua, que Bolsonaro quer encher de camiões e tractores, e desfiles oficiais inundados de cartazes de activistas pró ditadura militar (1964-1985) dão mais uma imagem de medo do que de festa da independência!

Há 200 anos, D. Pedro gritou "independência ou morte" nas margens do Ipiranga. Hoje, o ponto de exclamação vira de interrogação: independência ou medo?

"No Brasil nunca há problemas"

(Foto: Paulo Novais)

 

Não é só o governo que não larga as trapalhadas. O Presidente da República não lhe quer ficar atrás, e vai somando e seguindo. 

Esta viagem ao Brasil já era mais uma trapalhada de Marcelo ainda antes de ele ter chegado ao aeroporto, ontem, para embarcar. Hoje, mais de 24 horas depois, a trapalhada passa a coisa mais séria. E grave!

A viagem, nas suas próprias palavras, tinha dois objectivos - assinalar o centenário da travesssia aérea do Atlântico, o feito de Gago Coutinho e Sacadura Cabral, no Rio de janeiro; e participar na abertura oficial da 26.ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, onde Portugal é país convidado de honra, em ano de celebração dos 200 anos anos da independência do Brasil. A deslocação a Brasília, a convite de Bolsonaro, estava na agenda mas, nas suas palavras à partida, surgia como uma espécie de complemento.

Isto porque, a poucas horas da partida, surgiu a notícia que Bolsonaro anulara essa visita, em retaliação por, em S. Paulo, o Presidente português se encontrar com Lula, que lhe vai disputar a eleição presidencial, ao que dizem as sondagens, como favorito. Na visita a S. Paulo, da agenda de Marcelo constam encontros com três ex-presidentes brasileiros: Fernando Henrique Cardoso, Michel Temer e ... Lula da Silva. Isto é, o Presidente brasileiro sentindo-se no direito de controlar a agenda do Presidente português, "desconvidou-o".

Marcelo não acha nisso mal nenhum. E não reagiu, limitando-se a dizer à partida, ainda no aeroporto, que não tinha recebido qualquer desconvite, acrescentando apenas o ditado popular que "a casamento e baptizado não vás sem ser convidado". Como, que se saiba, Bolsonaro não teria convidado para nenhum casamento, nem para nenhum baptizado, apenas somou trapalhada à trapalhada do "desconvite". 

Já no Rio, a prioridade foi um mergulho - de resto devidamente anunciado como parte da agenda, para que não faltassem câmaras de televisão para captar as suas habituais banalidades - nas híper poluídas águas de Copacabana, onde afogou de vez,  qualquer espécie de reacção firme ao desplante e ao enxovalho de Bolsonaro. Em Portugal, o povo que ele representa, também diz que "quem não se respeita não merece ser respeitado". Não tem receita apenas para casamentos e baptizados, também tem receita para respeito!

Não tem é receita para as trapalhadas dos que escolhe para o representarem. 

"No Brasil nunca há problemas", disse-lhe o avô. Como toda a gente sabe! 

Entretanto ...

Houve manifestações a favor de Bolsonaro também em São Paulo, ocupando boa parte da Avenida Paulista.

... No Brasil, Bolsonaro continua a seguir as pisadas de Trump, pé por pé. Mas acelera o passo, e salta etapas. E como o Brasil não é a América, tudo pode ficar mais fácil. Ele acredita que sim, que os mesmos meios possam garantir os mesmos fins. E que, no fim, o seu fim seja diferente do fim do outro.

 

Era uma vez na América...

Coronavírus: Protesto contra quarentena nos EUA tem carreata ...

 

A The Atlantic, a velha revista de Boston, que já vem do início da segunda metade século XIX, divulgava por estes dias uma sondagem que revela que cerca de um terço (31%) dos americanos estão convictos de que o vírus foi criado pela China como poderosa arma química. Os mesmos - muito provavelmente mesmo os mesmos -   mas a mesma percentagem dos que acreditam que o SARS-CoV-2 é muito menos perigoso do que se diz, e que o seu grau de ameaça está a ser deliberadamente exagerado para prejudicar a reeleição de Donald Trump.

Há dois meses, logo na fase inicial deste susto que o mundo está a viver, procurando coisas positivas que as portas abertas da pandemia poderiam deixar à vista, escrevi aqui que "bastaram os primeiros dias desta crise" para ver a ignorância e a incompetência deTrump e Bolsonaro. Para que "toda a gente pode facilmente comparar tudo o que estes dois fizeram e disseram deste vírus... o que têm vindo a fazer e a dizer do ambiente, tão só a maior emergência da humanidade. E concluir que não passam de dois idiotas".

É verdade que muita gente percebeu a sua verdadeira incompetência política, e a dimensão da mentira a que dão corpo, e arrependeu-se de lhes ter dado o voto. Mas isso não os enfraqueceu. Pelo contrário.

Os meios e as técnicas que os levaram ao poder não são - não foram -  meros instrumentos de conquista de poder. São armas poderosíssimas de que não abrem mão e que, em tempos como estes, de limitação e condicionamento das liberdades individuais e de devastação económica e social, a partir do poder, se tornam mais poderosas ainda. Teorias da conspiração, manipulação da informação e propagação da mentira (fake news) circulam hoje pelo mundo sem barreiras da internet à velocidade da luz. E com elas, à mesma velocidade e da mesmíssima forma, poderosos meios de recrutamento e mobilização de adeptos fanáticos transformados em exércitos dispostos a quebrar todas as convenções e a desafiar todas as instituições. E com armas nas mãos.

Não. Trump não se limita a mentir, a manipular, ou a condicionar. Acossado, o que Trump está a criar na América é uma rede de terrorismo interno que, do ponto de vista de concepção política, não se afasta muito das redes do terrorismo internacional.

 

Assim vai o mundo

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Um estudo da Universidade de Oxford revela que metade da população inglesa poderá estar infectada pelo novo coronavírus. Entretanto a Organização Mundial de Saúde está convencida que os Estados Unidos se estão a transformar próximo grande foco do vírus. Estados Unidos onde Trump, com mais medo das consequências para as eleições de Novembro que do vírus, está a pedir ajuda à Coreia do Sul. Vírus que chegou à Índia onde, pelas condições sanitárias e pela densidade populacional do país, tem tudo para atingir uma dimensão verdadeiramente apocalíptica. Coisa que não passa pela cabeça de Bolsonaro, que continua a falar de uma inventona dos media perante uma gripezinha, menos ainda, um simples "resfriazinho", e a dar ordens às autoridades estaduais brasileiras para acabarem imediatamente com todas as medidas de contingência decretadas.

Assim vai o mundo...

Oportunidades

 

Não é fácil ser optimista nesta altura, mas também não se ganha nada em recusar todas as máximas do optmismo. Entre elas está aquela que os gurus do empreendedorismo transformaram em princípio sagrado, que diz que cada ameaça esconde um sem número de oportunidades. Por cada um que chora há outro a ganhar dinheiro em lenços de papel, não é?

Nesta crise dramática que planetariamente vivemos há certamente muita gente a ganhar dinheiro em lenços de papel. E em papel higiénico, mesmo que se continue sem perceber por quê... Mas isso não são oportunidades para a humanidade, são, comme d´habitude,  só para alguns.

Quero crer que desta terrível ameaça também para a humanidade emergirão oportunidades. Coisas boas a reter para o futuro. 

Uma delas é que bastaram os primeiros dias desta crise para que toda a gente, por este mundo fora, pudesse finalmente ver as cabeças ocas de Trump e Bolsonaro, só cheais de merda. A forma como estes dois idiotas negaram o vírus, como o tentaram ridicularizar, como sempre fazem com as coisas mais sérias que ameaçam a humanidade, e como depois correram a meter o rabinho entre as pernas, em mais uma alarve demostração de ignorância, não passou despercebida a ninguém. Toda a gente viu. E hoje toda a gente percebe a sua monstruosa ignorância, quando vê Bolsonaro com uma máscara ao pescoço, ou Trump a querer comprar para si a descoberta da vacina, retratado no espectacular cartoon (mais um, e na foto) do António, hoje publicado no Expresso.

Hoje, toda a gente pode facilmente comparar tudo o que estes dois fizeram e disseram deste vírus,  que já estava à frente dos olhos de toda a gente, com tudo o que têm vindo a fazer e a dizer do ambiente, tão só a maior emergência da humanidade. E concluir que não passam de dois idiotas, do mal que fazem as suas idiotices, e de quão perigoso é votar neste tipo de gente. Que, como sabemos, está longe de se esgotar nestes dois exemplares!

 

 

Crime com assinatura

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Uma mulher, ainda jovem mesmo que o não pareça, sem abrigo, pede uma esmola a um transeunte. De volta recebe um tiro, e cai morta.

Abeirara-se do transeunte, e pedira-lhe um real, para comprar pão. O assassino meteu a mão à mala mas, em vez da moeda pedida, tirou de lá a pistola que de imediato disparou friamente sobre a pobre jovem mulher. E seguiu caminho, como se nada mais tivesse acontecido que livrar-se de uma mosca incómoda que se lhe atravessara à frente. É um comerciante estabelecido na zona, e tem a porta do estabelecimento para abrir...

Aconteceu ontem, em Niterói, ali ao lado do Rio de Janeiro.  No Brasil, de Bolsonaro. 

Poderia não ser mais que mais um assassínio, num país em que acontecem a toda hora. Mas não é. Este é um crime com assinatura. Este é o tipo de crimes onde não é possível apagar o nome de Bolsonaro. 

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