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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

EXPLOSÃO CONTROLADA

Por Eduardo Louro

 

A bomba armadilhada – a imagem que há dias aqui trouxe para caracterizar o sarilho em que Pedro Passos Coelho se meteu com aquele convite a Fernando Nobre – acabou por explodir em ambiente de explosão controlada às mãos da nova Assembleia da República, para o efeito transformada numa espécie de brigada de minas e armadilhas.

Chamo-lhe explosão porque a bomba existia, estava lá, e explodiu mesmo. Não há dúvida que o que parece é – esta é uma velha verdade da política – e a humilhação – as coisas têm de ser chamadas pelos nomes – a que Fernando Nobre se sujeitou, com duas tentativas derrotadas de eleição, é uma derrota política de Pedro Passos Coelho, mais do que do PSD que, como ficou demonstrado, não estava absoluta e totalmente entusiasmado com o compromisso público do seu líder. Mas esta era uma explosão anunciada que, como todas as explosões anunciadas, permite limitar os danos: a derrota, afinal, existe pelas simples razão de parecer que existe!

Na realidade não há sequer derrota nenhuma de Pedros Passos Coelho. Neste episódio, apesar da opinião contrária de todos os analistas oficiais e comentadores do regime, Passos ganhou em toda a linha. Porque, conforme já aqui perspectivava na semana passada, teve oportunidade de aparecer aos olhos dos portugueses como um homem sério e cumpridor. Em quem se pode confiar porque não trai os seus compromissos. Mas também mostrou que não é oportunista, nem daqueles que não olham a meios para atingir fins.

E isto sempre foi muito valorizado no processo de avaliação política. Mas hoje é-o mais ainda: nesta altura, em que acabamos de chegar de um trajecto de seis anos com um primeiro-ministro que lidou muito mal com todos estes fundamentais traços de carácter, e em que a credibilidade e a confiança nos políticos bateu no fundo, os portugueses valorizam-no ainda mais.

Tudo isto credibiliza ainda aquela ideia de mudança que Pedro Passos Coelho quer associar a si próprio. A mudança em que os portugueses têm de acreditar para poderem estar com o governo nestes, pelo menos, dois anos dramáticos que aí vêm. Mas também a mudança na forma de fazer política, de comunicar e de se relacionar com os eleitores.

Ora o que é isto se não uma vitória?

Mas poderemos ainda, embora já claramente no domínio especulativo, admitir que Passos Coelho estava, neste processo, refém da sua palavra e claramente consciente do sarilho em que, fosse por que razão fosse, bem cedo se meteu. Que tinha já nítida a noção que o exercício da presidência do parlamento poderia tornar Fernando Nobre em alguém, a prazo, muito incómodo para si, para o partido e até mesmo para o país.

Fernando Nobre, ao recusar abrir uma escapatória para Passos e insistir em levar a sua odisseia até ao fim, cometeu suicídio político. Ora, à luz daquela tese, isto é não ou não é uma vitória?

Quando as coisas correm bem correm mesmo bem. E esta foi uma explosão que correu bem!

O estado de graça – que os analistas encartados dizem que este governo não irá ter – faz-se também deste tipo de coisas…

 

BOMBA ARMADILHADA

Por Eduardo Louro

 

Percebeu-se desde logo que o convite de Pedros Passos Coelho a Fernando Nobre iria dar num grande sarilho. Foi logo à partida considerado como o primeiro dos tiros no pé do quase primeiro-ministro – muitos nem foram tiros nem atingiram nenhum pé – e foi, à medida que a campanha ia avançando, perdendo gás.

A própria evolução da campanha, acompanhando o processo afirmativo de Passos Coelho, encarregou-se de diluir o problema. Dobrado o 5 de Junho, e posto em marcha o processo negocial da formação de governo, o nome de Fernando Nobre volta à ribalta, ao centro da discussão política.

Porque o CDS sempre afirmou que não apoiaria a sua candidatura à presidência da Assembleia da República e porque essa eleição se faz por voto secreto. Insistir em respeitar o compromisso em má hora estabelecido com Fernando Nobre iria directamente chocar com os equilíbrios que há que estabelecer com o parceiro de coligação. Levar até ao fim este compromisso poderia corresponder a um bem perigoso braço de ferro, com grandes riscos de uma grande trapalhada logo no arranque da legislatura, pois nada garante que, com voto secreto e no PSD – onde, como se sabe, tudo pode sempre acontecer – a maior bancada do parlamento não se viesse a dividir e a colocar em causa o sucesso da eleição. Uma legislatura que terá de ser tratada com pinças, que não pode correr riscos e que tem tudo incluindo a história, contra si, não pode arrancar no meio de tamanha turbulência!

Como se vê, muito facilmente Fernando Nobre se transformou numa bomba política de grande capacidade de devastação. Aqui está uma bomba armadilhada que vai exigir mil cuidados para não rebentar nas mãos de ninguém.

Como se sabe hoje mesmo terá sido comunicado ao Presidente da República que os acordos políticos que suportam a constituição do governo estão alcançados. Faltam meras formalidades - como a aprovação pelas estruturas dos dois partidos – pelo que será de supor que a solução está encontrada. Resta saber se a bomba está efectivamente desmantelada. É que o único mecanismo eficaz e seguro de assegurar o êxito dessa operação está nas mãos do próprio Fernando Nobre e, tanto quanto se sabe, ele não se fez à tarefa. Cabia-lhe, penso eu, perceber tudo isto e, aos ouvidos de Passos Coelho ou através de comunicação pública, dizer que, por razões pessoais, blá blá blá, blá, não se candidata à presidência do parlamento. Não o fez e, mesmo que o faça agora, já vem tarde!

Não sei se Fernando Nobre dará ou não um bom ministro. Admito até que tenha condições para ser um grande ministro da área social, eventualmente mesmo um trunfo para essa área. E acharia lamentável que fosse uma opção queimada à partida: que, caso esteja nas cogitações para integrar o governo, fique marcado por um estigma que, mais tarde ou mais cedo, lhe irá barrar a carreira! Como lamentável seria ver Passos Coelho acusado de o pôr no governo apenas para resolver o problema que criou…

 

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