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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Desolador

O mais e o menos do Dortmund-Benfica (e um P.S.)

 

 O Benfica saltou fora da Champions. Não conseguiu, desta vez, chegar aos quartos de final, que é mesmo o máximo que o futebol actual permite às melhores equipas que não sejam espanholas ou alemãs. Ou inglesas, vá lá... 

Era esperado. Em boa verdade, se o resultado da primeira mão, na Luz, podia legitimar algumas esperanças, a exibição, não. E mais esperado se tornou quando, logo na abertura do jogo, o Borússia marcou, e anulou a única vantagem que o Benfica trazia.  

Desolador é o resultado, 4-0 é uma derrota pesada. Sem atenuantes, mesmo que o jogo não tenha tido nada a ver com o da primeira mão. Mesmo com aquele golo logo de entrada, o Benfica não foi trocidado, como então tinha sido, dividiu o jogo com o Borússia, e equilibrou até as diferentes variáveis estatísticas do jogo, em particular a posse de bola e os remates. Chegou até a superiorizar-se à equipa alemã em grande parte do jogo, durante os três quartos de hora que mediaram entre o primeiro e o quarto. Aí, à entrada do segundo quarto de hora da segunda parte, em dois minutos o Borússia fez dois golos. De rajada, sem dó nem piedade, como que a apresentar a factura da Luz!

O Benfica acabou por pagar, com juros, a ineficácia de Aubameyang na Luz. Hoje fez três, não perdoou nenhuma. Até em fora de jogo valeu...

Mais desolador que a goleada, é ficarmos com a ideia que, maior que a diferença entre as individualidades, é a diferença para o colectivo. E essa diferença resulta de trabalho táctico, de mentalidade, e de dinâmica de jogo. E isso não custa tantos milhões como os jogadores!

Uma nota para a sensacional remontada do Barça: virou em Barcelona, com 6-1, a derrota de 0-4 de Paris. Nunca tinha acontecido. Mas aconteceu. O impossível aconteceu com três golos aos 88, aos 91 e aos 95 minutos. Mas também com a mão do árbitro, com inequívoca participação no milagre.

Em Dortmund, também se deu pelo árbitro, que poupou a expulsão a Dembèlé, e deixou um penalti por marcar a favor do Benfica. Mas nada que se parecesse com o passou em Barcelona... 

 

Sangue, suor e lágrimas

Imagem relacionada 

Grande ambiente na Luz, à Champions. Grande jogo, intenso até mais não. Sofrido até não poder ser mais, neste regresso da Champions, no 500º jogo oficial de Luisão com o manto sagrado colado ao corpo.

O Borussia Dortmund é uma grande equipa, e tem um grande futebol, com uma dinâmica praticamente imparável. Ao Benfica restou resistir, sofrer e, tanto quanto possível, contrariar aquele futebol demolidor.

O Benfica sabia ao que vinha. Sabia que logo que a equipa alemã impusesse o seu futebol ficaria difícil contrariá-lo. E sabia que só tomando conta do jogo, e impondo o seu futebol próprio futebol, poderia retardar a entrada em funcionamento da máquina alemã.

Conseguiu-o durante os primeiros dez minutos, chegando a deixar pensar que conseguiria verdadeiramente discutir o jogo em todas as sua vertentes. E em todo o campo.

A verdade é que os restantes 35 minutos da primeira parte mostraram que não. O Dortmund encostou a equipa benfiquista à sua área, como no pugilismo se encosta o adversário às cordas. O Benfica não conseguia secar a fonte do futebol alemão, que alimentava as torrentes de ataque que apanhavam a equipa lá atrás, com as sucessivas vagas a rebentarem-lhe em cima.

Na segunda parte Rui Vitória deu a volta a este estado de coisas. Com a saída de Carrillo - não por ser Carrillo, nem porque estivesse pior que os outros - e a entrada de Filipe Augusto (o Samaris a perder espaço) permitiu que Pizzi subisse no terreno e, mesmo sem a secar, condicionar a nascente do futebol do Borussia, ali pelos lados do central Bartra. E assim o Benfica voltou a entrar melhor, voltou a discutir o jogo e, com a sorte que nestas coisas faz sempre falta, chega ao golo.

Este período voltou a não durar mais que dez minutos. Mas a torrente do futebol alemão nunca mais foi a mesma. E depois surgiu Ederson em todo o seu explendor, defendendo tudo. Até um penalti. E garantindo um resultado que é tão obviamente bom quanto provavelmente insuficiente para repetir os quartos de final da época passada.   

No fim ficou uma alegria imensa. Como a chama. E as lágrimas do capitão, do senhor 500, a juntar ao suor de todos, e ao sangue de Lindelof e Ederson...

 

UMA GRANDE FINAL

Por Eduardo Louro

 Bayern conquista o quinto título europeu

Um grande jogo, uma grande final!

Foi a primeira final alemã, a revelar o futebol alemão em todo o seu esplendor, a confirmar o início de uma nova era no futebol europeu, e talvez mundial. As meias-finais da Champions já tinham marcado esta passagem do testemunho, quando os dois primeiros classificados do campeonato alemão eliminaram os dois primeiros do campeonato espanhol. Esta final confirmou que a Alemanha domina o futebol na Europa como domina tudo o resto. Só que futebol é futebol, o domínio exerce-se de outra maneira: gera admiração e não revolta!

Foi uma daqueles jogos em que raramente um jogador perde a bola, é sempre o adversário que a ganha. Sempre disputado em alta intensidade, com níveis de exigência física e técnica absolutamente insuperáveis, entre duas equipas de excepção. Que, com plantéis de qualidade superlativa, fizeram (cada uma) a primeira substituição, em simultâneo, aos 90 minutos!

E o Bayern, com toda a justiça, ganhou. Quebrando o enguiço e ganhando o triplete - campeonato e taça da Alemanha e Champions – que, com o Benfica, com os resultados conhecidos, perseguia.

Benfica que não esgotava nessa hipótese de triplete os pontos de contacto com este Bayern, liderado por uma dos treinadores de mais má memória no Benfica. É que, para além de serem duas equipas que apresentam o futebol que mais se assemelha, são os que mais finais europeias perderam. Mas, acima de tudo e agora o mais importante, a vitória de hoje da equipa bávara garantiria, como garantiu, o Benfica no pote 1 do próximo sorteio da Champions!

FALTOU UM BOCADINHO ASSIM...

Por Eduardo Louro

 

Faltou um bocadinho assim – lembrando um anúncio a um iogurte que por aí andava. O Real Madrid esteve perto de dar a volta à eliminatória perdida… há uma semana em Dortmund. Faltou um golo. O tal bocadinho assim!

Mais que esse bocadinho assim, faltou Cristiano Ronaldo. Não fosse isso e o bocadinho que faltou não teria faltado.

A equipa de Mourinho fez 15 minutos do outro mundo – o primeiro quarto de hora foi espectacular, de uma intensidade fantástica e, evidentemente, impossível de sustentar por muito mais tempo – e dez fantásticos: os últimos dez minutos do jogo. No primeiro quarto de hora criou quatro oportunidades claras de golo. Mas não fez nenhum. Nos últimos dez minutos fez dois, e bem podia ter feito outro. O tal!

Pelo meio a equipa alemã foi sempre superior, como já havia sido na Alemanha. O que quer dizer que a equipa de Cristiano, Coentrão – ambos em campo – Pepe e Ricardo Carvalho – ambos de fora – cedo esgotou as pilhas. Duraram quinze minutos, porque naqueles últimos dez já não foram pilhas a movimentar a equipa: foi o golo. Foi aquele golo aos 82 minutos que fez ressuscitar a equipa para os dez minutos finais. O outro, logo a seguir, apenas prendeu toda a gente ao jogo até ao apito final do Sr Howard Webb, cinco minutos depois dos 90!

ENTRETANTO EM MÁLAGA ALGUÉM SORRIA

Por Eduardo Louro

 

Poderia dizer-se que os panzers alemães entraram por Barcelona e chegaram hoje a Madrid, cilindrando tudo à sua passagem. Ou que, nesta cimeira germano-espanhola das meias-finais da Champions, os alemães vieram de Porche e os espanhóis nos velhinhos SEAT. Ou ainda que os dois primeiros do campeonato alemão humilharam os dois primeiros do super mediático campeonato espanhol... Ou que até no futebol a Alemanha não manda apenas na Europa. Humilha!

Não podemos é dizer que andamos uns anos para trás, e que regressamos ao tempo em que o futebol era um jogo de onze contra onze e que, no fim, ganham os alemães. Porque eles agora não ganham por serem alemães. Ganham porque são muito melhores!

Nem que ninguém estava à espera disto. Não esperaríamos que Bayern e Borussia Dortmund goleassem Barcelona e Real Madrid mas, lá no fundo, todos víamos como mais provável uma final alemã na Champions deste ano!

O 4-1 do Real Madrid de hoje não é tão mau como o 4-0 do Barcelona de ontem. Como afinal o desempenho da equipa de Madrid foi, apesar de tudo, menos mau que o da catalã. Mas é um resultado que fica muito longe da reversibilidade, tão longe quanto o desempenho individual e colectivo dos craques de Madrid está do daqueles rapazes de amarelo e preto.  Muitos deles fabulosos e alguns - como o polaco Lewandovsky que, fabuloso, marcou os quatro golos, e o miúdo alemão Mario Gotze - já de saída. De Dortmund, que não da Alemanha: também no futebol é lá que está o dinheiro!

Posso estar enganado, mas desconfio que em Málaga hoje alguém sorriu: é chileno e chama-se Manuel Pellegrini!

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