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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Nunca nada se aprende...

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Num caminho com destino (in)certo, o Montepio está a copiar o BES/GES, vendendo aos seus balcões produtos para financiar a Associação Mutualista, como está a ser amplamente anunciado. O produto, anunciado como "capital certo", sugere a garantia integral do capital, depois desmentida nas letras pequeninas. O Banco de Portugal proíbe a sua venda, mas de nada vale. Porque, em Portugal, o cumprimento da lei é coisa a que apenas gente comum está obrigada.

Entretanto, o ministro Vieira da Silva vai hoje ao Parlamento explicar não se sabe bem o quê. Entretanto, a entrada da Santa Casa no capital do Banco continua no ar, de pedra e cal em cima de cada vez mais absurdos...

Em Portugal tudo se esquece muito depressa. E nunca nada se aprende...

 

 

PUXE-SE O NOVELO!

Por Eduardo Louro 

 

Acredito que o processo no Brasil, pelo assassínio da senhora Rosalina, tenha feito acelerar o processo BPN em Portugal que levou à detenção de Duarte Lima e do filho, Pedro Lima. Já agora, gostaria de acreditar que este processo permitisse acelerar tantos outros, fios do mesmo novelo.

A começar pelo BPN – já que está à mão – de que se não ouve falar há muito tempo. É que, se tempos houve em que ouvíamos dizer que o coitado do Oliveira e Costa iria pagar as favas sozinho, agora, que já saiu da prisão, já nada se ouve. O outro lá saiu do Conselho de Estado, mas só isso…

E pelo BPP. Mas também que alguém se lembre que o Isaltino continua a brincar aos recursos, já depois do Tribunal Constitucional vir dizer que já não há nada por onde recorrer. E que deixem de haver escutas invalidadas, buscas ilegais e tantas outras irregularidades formais destinadas a que nada disto dê em nada…

É que o país não está exactamente para isso… As coisas não estão muito a jeito de tudo isso continuar a dar em nada!  

O país exige, mais do que nunca, ética, vergonha na cara e respeito! Puxe-se o novelo, até ao fim!

 

CONTAS EM DIA (DAS MENTIRAS)

Por Eduardo Louro

 

  O INE teve que levar às contas do país aquilo que lá faltava. Como já aqui havia dito, o Eurostat não levara a sério o défice de 2101 que o governo propagandeou. O tão festejado cumprimento do défice de 7,3% passou para 8,6%. E o de 2009 – que chegou a ser de 5% - passou para 10%!

Porque o BPN, que o já chamado ministro da banca rota dizia nada custar aos contribuintes, custa mesmo. Porque o BPP tinha prestado as garantias suficientes para o apoio que recebera do Estado – um apoio que ainda hoje estamos para perceber para que serviu. E porque as empresas públicas não são para dar prejuízos – porque isso é mentira, é desorçamentação, como aqui expliquei há uns tempos – a financiar externamente!

Porque contas são contas, coisa que, por incrível que pareça, Teixeira dos Santos esqueceu!

O ministro da banca rota teve a lata de dizer que isto não é novidade para ninguém. Que nada estava escondido, que eram todas situações conhecidas. É preciso ter lata! Então se não era para esconder era para quê? Estava à espera de meter estes milhões onde?

E a Grécia é que aldrabou as contas!

Será que teremos finalmente as contas em dia? Ou será que ainda são contas em dia ... das mentiras?

Futebolês #58 BANCO

Por Eduardo Louro

 

Banco? Bom, se fosse há uns tempos, responder-se-ia: banco é Caixa. Nos tempos que vão correndo é BPN. Ou mesmo BPP, hoje trazido para a berlinda!

Mas também aqui? Mau…mas isto não é o Futebolês?

Claro que sim: é o futebolês, sim senhor!

Não há bancos só na política. Nem só no mundo das finanças, nas maiores praças financeiras, daqueles que nos puseram todos a fazer contas à vida. Nem só nos mais nobres cantos de todas as nossas cidades. Também há bancos no futebol: logo, há banco no futebolês!

Não é exactamente um sítio onde notas e moedas convivam com letras e livranças, embora muitos deles valham uma enorme pipa de massa: incomparavelmente mais dinheiro que o depositado na maioria dos bancos! Como os outros, são, nuns momentos fonte de felicidade, noutros de dores de cabeça. Fazem a felicidade de muitos treinadores, quando as coisas não estão a correr bem lá no rectângulo verde (não, não é uma nota de dólar) e há que tomar decisões. Mas também, exactamente nas mesmas circunstâncias, levam outros ao desespero.

O banco faz passar o treinador exactamente pela condição comum de qualquer cidadão. Há os que perante um qualquer contratempo vão ao banco e resolvem o problema, e os que nem lhes vale a pena pensar em lá ir – não têm lá nada! Como há os que do banco só lhe vêm problemas!

Mas também os jogadores têm uma relação com o banco com algum paralelo com a que nós, cidadãos comuns, temos. Não gostamos muito de ir ao banco e, hoje, com isto do home banking que a Internet nos permite, vamos lá o menos possível. E, se lá vamos, se lá temos que ir, não gostamos nada de lá ficar a secar. O mesmo se passa com os jogadores: não gostam muito de ir ao banco. E não gostam mesmo é de ficar no banco, por muito confortáveis que já sejam, de marca e tudo. Mesmo por muito confortáveis que sejam as suas contas nos bancos, nos outros. São muitos os casos conhecidos de jogadores que, muito confortáveis nas suas contas no banco, não escondem o desconforto do banco!

Conforto é coisa que, como se sabe, não falta aos jogadores de futebol. Aos de elite, bem entendido! Nem pode faltar. Ninguém quer que lhes falte nada… nem sequer umas mantinhas para cobrirem as penas quando estão no sofá … perdão, no banco; a fazer lembrar as esplanadas dos bares de Oslo que tentam fazer com que o prazer (ou do vício) do cigarro se não divorcie do prazer do copo nas noites gélidas daquelas paragens.

O banco presta-se ainda a muitas e singulares expressões. “A solução estava no banco”, “saltou do banco para resolver o jogo” ou “o trunfo que veio do banco” são expressões utilizadas quando o jogo foi resolvido por um jogador que entrou a substituir um colega. Ou seja, o problema nunca está no banco: é sempre a solução. Bem gostaríamos que nos outros fosse sempre assim!

São expressões como estas que nos remetem para a original designação da coisa: banco de suplentes. E para a sua dimensão dramática!

Independentemente de lá se sentarem treinadores e outros membros daquilo que hoje e em futebolês se chama grupo de trabalho, o banco é dos jogadores suplentes. Um simples e velho banco corrido ou um moderno conjunto de poltronas aquecidas não deixará de ser um local de frustração e de lamentações. Onde se sentam as segundas escolhas, mas também as terceiras, as quartas …e os que nunca o chegarão a ser. Onde germina e cresce, como na relva à sua volta, uma sensação de abandono que cedo se transforma numa semente de revolta que não vai acabar bem.

Estranha forma de vida esta a de jogador de banco. Há excepções, há jogadores que convivem bem com a sua condição de suplente: são os que têm o condão de transformar um onze num catorze. São os que sabem que lhes está destinada uma missão, em tempo parcial mas nem por isso, menos importante. Alguns têm mesmo um estatuto especial: chamam-lhes arma secreta. Estatuto que, como está bem de ver, não é muito duradouro: se outras razões não houver porque deixa de ser secreta!

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